1. INTRODUCCIÓN
1.2. Incorporación de tecnología en el aula: una problemática a solucionar 7
O que mais chama a atenção, hoje, em Suruacá, 25 anos após o contato dos moradores da localidade com a Organização Não Governamental Projeto Saúde e Alegria, é a grandiosa torre de uma empresa de telefonia celular, avistada ao longe quando se navega pelo Tapajós e se vislumbra o elevado onde a localidade está situada. Como uma espécie de marco e farol, a torre ajuda até mesmo na identificação da localização geográfica pra quem não é conhecedor da região.
Mas, dentro da pequena vila, a construção em madeira, em dois andares, a mais alta da localidade, mais alta até mesmo do que a torre da Igreja é o que também chama atenção. É lá que está instalada a sede do Telecentro Comunitário de Suruacá. É lá o local em que funcionam os treinamentos educomunicacionais e culturais, as instalações da FM Comunitária, salas de aula e laboratórios de inclusão digital. Experiências com jornal, rádio, vídeos e internet, agregados à Rede Mocoronga de Comunicação Popular da ONG-PSA, encontram-se no Telecentro Comunitário.
Passados 25 anos da chegada do Projeto Saúde e Alegria na vila, muito mais do que a grandiosidade do Barco Hospital Abaré que, de tempos em tempos, aportou na localidade, é a sede do Telecentro o sinal mais visível da interrelações e convergência de ações da ONG-PSA em Suruacá.
A partir da pesquisa exploratória em visita à Vila, a lembrança do Programa Comunicação, Cultura e Educação da ONG-PSA, relacionada à convergência de saberes nas ideias de Edgar Morin, Jesus Martín-Barbero e Paulo Freire, revigorou o sentido da pesquisa na problematização do que diz a ONG na Teoria, dos que dizem
os autores em suas ideias e do que de fato se ouve e de vê nas ações e falas dos moradores de Suruacá a partir do Telecentro Comunitário.
Se como lembrou um dos moradores de Suruacá, a ONG-PSA hoje não é mais tão presente ou atuante como já foi em seu início, por uma série de fatores, sua presença é visível e inegável a partir do Telecentro. É como se este fosse uma extensão da sede da ONG à localidade.
Fábio Pena, respondendo como o atual coordenador do Setor de Comunicação e Educação do Projeto Saúde e Alegria, diz que 12 telecentros existem nas áreas atendidas pelas ações desenvolvidas em 150 comunidades nos municípios de Aveiro, Belterra, Juruti e Santarém. Em relação à experiência de Suruacá, pode-se verificar que as ações desenvolvidas propiciam a práxis, ou seja, a relação entre teoria e prática por meio do aprender e do fazer, do fazer e do aprender, nas ações do programa Educação, Cultura e Comunicação, programa já visto no primeiro capítulo.
A ação resulta em oficinas, “teias caboclas”, elaboração de roteiros para programas de rádio e vídeos a serem publicizados; assim como, na construção de blogs e sites comunitários, a educação para saúde e alegria na experiência social em Suruacá passa por meios e mediações em conexões na vivência popular, na arte, no lúdico e nas estratégias e processos comunicacionais.
O que se percebe nas ações do PSA, em Suruacá, sintetizadas no Telecentro Comunitário, é que estas refletem um processo de comunicação que vai além de uma concepção linear, mecânica, automática – sistema de transmissão. A comunicação e a educação, pela via cultural, são consideradas como movimento de construção permanente, que permite o envolvimento dos partícipes dos processos, através de compartilhamentos de mediação entre signos e os símbolos, fundamental à vida social e comunitária, em que emerge toda construção cultural.
Em todo processo educacional, os símbolos são fundamentais para que educador e educando compartilhem significados, partilhem experiências, uma vez que o processo de educação implica uma relação complexa entre cultura e comunicação, pois educadores e educandos vivem experiências diferentes, e, por isso, podem atribuir significados diferentes a mensagens idênticas, ou, ainda, distorcer as mensagens, aceitá-las ou respeitá-las. Isto dependerá do interesse do professor em compreender a cultura ou culturas dos estudantes em uma contemporaneidade dinâmica, diversa e complexa.
Os agentes da ONG Projeto Saúde e Alegria faz da relação entre educação, cultura e comunicação uma experiência processual que se dá a partir da vivência junto às comunidades ribeirinhas, sendo as mesmas partícipes de um processo que não se daria sem elas. Resta agora analisar que tipo de práxis acontece na experiência social da vila de Suruacá a partir de sua relação com as ações da ONG- PSA.
TEORIA, PRÁTICA E PRÁXIS
4 TEORIA, PRÁTICA E PRÁXIS ENTRE A ONG-PSA E SURUACÁ
Vive-se hoje, como em outras épocas que têm suas dinâmicas próprias, um tempo de significativas mudanças sociais, econômicas, políticas e de expectativas científicas e tecnológicas. Um tempo de crise de concepções e paradigmas, mas também de esperança na busca da convergência de saberes e de integração do que é diverso. Silva (2007) ao compartilhar com Clotet (2007) e Morin (2007) pensamentos na obra As duas globalizações: complexidade e comunicação – uma
pedagogia do presente, afirma que:
Só se esquece o que nunca se chegou a realmente possuir. O esquecimento do complexo diz mais sobre os mecanismos de produção do saber no mundo moderno do que inúmeras obras relativas à natureza desse tema. No esquecimento da complexidade, afirma-se a simplificação que rege procedimentos sofisticados, porém incompletos. A busca do complexo orienta uma aventura, nunca uma finalização. Na encruzilhada da memória com a herança, a procura do complexo que suplanta o esquecimento e supera, ainda que provisoriamente, a redução, sempre à espreita, fundamenta uma nova relação do sujeito com o objeto. Nela, tudo é rede. (SILVA, 2007, p. 21).
Nesta perspectiva de busca da complexidade, na análise da relação comunicacional e educacional de uma organização não governamental com uma localidade ribeirinha na Amazônia, a presente pesquisa reconhece uma dimensão mista o complexo e o simples. Os aparatos técnicos e tecnológicos de que dispõe a ONG-PSA são diversos. Cinco grandes programas são desenvolvidos em relações e interrelações diversas com 150 localidades fixadas geograficamente em quatro municípios da região oeste do Estado do Pará.
Uma análise completa e total desse universo é algo inatingível para o que a presente pesquisa aqui se propõe. Por isso, escolheu-se uma dentre as dezenas de localidades atendidas pelas ações da organização não governamental Saúde e Alegria. A escolha de Suruacá e de seu Telecentro Comunitário, na delimitação da pesquisa, não torna menos complexa a análise. São muitos os aspectos e detalhes a serem pesquisados mais profundamente nas dimensões da comunicação, cultura e educação.
O que se busca com este trabalho é a percepção do que a ONG-PSA propões com suas ações e o como os moradores de Suruacá, escolhidos para esta pesquisa, recebem e percebem essas ações. Além disso, o cruzamento da teoria e prática
resulta em uma práxis a ser também buscada para ser compreendida e evidenciada ao longo da pesquisa.