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De acordo com o IPECE (2017), o município de Fortaleza (CE) possui um clima tropical quente sub-umido, com o período entre os meses de janeiro e maio e temperaturas médias entre 26º e 28ºC. A Estação Agrometeorológica do Pici, que fornece dados desde 1961, sem interrupções, estabeleceu médias climatológicas para cada elemento climático de Fortaleza, apresentados no quadro 3.

Quadro 3 – Médias climatológicas dos elementos climáticos de Fortaleza

Elementos climáticos Médias climatológicas

Pressão Atmosférica (mb) 1009,2

Temperatura Máxima Média (ºC) 30,5

Temperatura Mínima Média (ºC) 23,7

Temperatura Média (ºC) 26,9 Umidade Relativa do Ar (%) 78 Velocidade do Vento (m/s) 3,7 Nebulosidade (0/10) 5,1 Precipitação (mm) 1621,2 Insolação (hora/mês) 2869,6

Fonte: Estação Meteorológica do Pici. Organização: autor.

O gráfico 2 representa a distribuição e o comportamento das temperaturas médias, máximas e mínimas médias, juntamente com a amplitude térmica. Já o gráfico 3 faz uma combinação das precipitações com a umidade relativa do ar. As variáveis correspondem as médias climatológicas (1971-2015) da Estação Agrometeorológica do Pici.

No gráfico 2, percebe-se a pouca variação entre as máximas e mínimas, dadas pela amplitude térmica, de janeiro e dezembro: 6,1ºC e 6,5ºC, tendo o mês de agosto com a maior amplitude: 7,7ºC. Isto se dá, pois, no inverno austral nas proximidades da linha equatorial, os dias são bem quentes, menos nebulosidade, mais insolação somadas às noites mais frias, dando essa maior amplitude.

Quanto às temperaturas médias, em suas três representações, todas elas aumentam na estação seca (segundo semestre), a partir de julho, tendo seus picos no mês de dezembro (primeiro mês do verão austral). Todas tendam à queda no inverno (em geral as menores no mês de julho) e a se estabilizarem ou caírem levemente, durante a quadra chuvosa, período em que a Zona de Convergência Intertropical atua no final do verão até o outono – fevereiro a maio.

Gráfico 2 – Distribuição das médias das temperaturas médias, máximas médias e mínimas médias e amplitude térmica de Fortaleza

Fonte: Estação Agrometeorológica do Pici. Organização: autor.

No gráfico 3, percebe-se a prevalência das chuvas no primeiro semestre do ano, tendo o mês de janeiro como pré-estação chuvosa ou pré-quadra chuvosa, sofrendo ação do sistema atmosférico denominado VCAN (Vórtice Ciclônico de Altos Níveis). Na verdade, já no mês de dezembro, Fortaleza pode receber as primeiras precipitações devidas a tal sistema.

Entre os meses de fevereiro e maio, a ZCIT atua, provocando as maiores precipitações do ano, tendo os meses de março e abril, os picos pluviométricos. A partir de maio, a ZCIT começa a se direcionar para o hemisfério norte, fazendo com

que as precipitações diminuam. Esta zona de convergência é uma banda de nuvens que circunda a região equatorial da Terra, formada, sobretudo pela confluência dos ventos alísios de nordeste (hemisfério norte) com os de sudeste (hemisfério sul). Como o processo se dá em baixos níveis, há um embate entre os alísios, daí o ar quente e úmido resultante (zona equatorial) ascende, provocando formação de nuvens, altas TSM’s”, baixas pressões atmosféricas, grande atividade convectiva e precipitações (FERREIRA E MELLO, 2005).

Gráfico 3 – Distribuição das precipitações e umidade relativa do ar de Fortaleza

Fonte: Estação Agrometeorológica do Pici. Organização: autor.

A partir de junho, inverno no hemisfério sul, com a ZCIT se direcionando para o norte, acompanhando as temperaturas mais quentes do Atlântico Norte, o sistema atmosférico que provoca chuvas são as “ondas de leste” que, segundo Ferreira e Mello (2005, p. 22-23): “são ondas que se formam no campo de pressão atmosférica, na faixa tropical [...], na área de influência dos ventos alísios, e se deslocam de leste para oeste, ou seja, desde a costa da África até o litoral leste do Brasil”. Elas são componentes do sistema tropical atlântico (Ta). Os autores salientam que tal sistema provoca chuvas, na maioria, na região da Zona da Mata, desde o Recôncavo Baiano até o litoral do Rio Grande do Norte, podendo provocar chuvas no Ceará de junho a agosto, do centro ao norte do estado.

Dentre estes sistemas, que mais repercutem em precipitações, existem outros como: complexo convectivo de mesoescala, brisas marítimas, frentes frias e linhas de instabilidade. O Oceano Atlântico é de grande importância na atuação de tais. Entretanto, o regime de chuvas, sobretudo os do Nordeste e parte setentrional da região, acaba sendo alterado pelas anomalias atmosféricas a nível global: El Niño e La Niña.

Nos eventos de El Niño (aquecimento acima do normal das águas do Pacífico Equatorial), a célula de Walker é deslocada mais para leste, por conta das águas do Pacífico que ficam mais quentes nas proximidades da costa da América Andina, aí criando uma zona de convergência. Nisso, como a circulação atmosférica é contínua, a célula tem sua zona de subsidência nas proximidades do Norte e Nordeste Brasileiro acarretando poucas precipitações. Com isso, a ZCIT (Zona de Convergência Intertropical) migra menos para abaixo da linha do Equador, sendo que esta, em caso contrário, é uma das principais causadoras de chuvas, dentro da quadra chuvosa (fevereiro a maio) nas regiões até 4º debaixo da linha equatorial.

Em contrapartida, em anos de La Niña, há um resfriamento nas águas do Pacifico em associação com o dipolo negativo das chuvas, favorecendo a ocorrência das mesmas. Além disso, é também responsável por anos normais, chuvosos e muito chuvosos (FERREIRA E MELLO, 2005).

A figura 7 mostra a variação dos eventos de El Niño e La Niña, de acordo com o Índice Multivariante do El Niño Oscilação Sul do NOAA. As variações vermelhas correspondem aos anos de El Niño, sendo maiores as frequências, mais fortes a anomalia. As azuis representam os anos de La Niña, onde as frequências maiores no gráfico se ligam aos anos de anomalia forte. As menores frequências, o inverso.

Figura 7 – Distribuição dos eventos de El Niño e La Niña de acordo com o Índice Multivariante do ENOS

Fonte: Earth System Research Laboratory – Physical Sciences Division (NOAA). Dentro da série histórica deste trabalho 1998-2016, prevaleceram os anos com eventos de El Niño, acarretando em chuvas abaixo da média, anos secos ou normais, se comparados aos anos de La Niña, mais chuvosos, chuvosos ou normais.

Xavier (2001) categoriza o acumulado pluviométrico da quadra chuvosa do litoral de Fortaleza da seguinte maneira: ano muito chuvoso (precipitação superior a 1.355,6 mm), chuvoso (chuvas entre 1.355,5 mm e 1.121,6), habitual ou normal (entre 1.121,5mm e 798,3), seco (798,2mm e 625,4) e muito seco (625,3mm e 0). Nesta classificação, Fortaleza teve o predomínio de anos habituais ou normais, entre os anos 1998-2016. Isso não implica que as chuvas não tenham sido escassas, sobretudo no restante do estado do Ceará, mais precisamente no sertão central, onde os totais pluviométricos estiveram muito abaixo da média histórica.

No quadro 4 estão os acumulados da quadra chuvosa dos anos 1998 a 2016, bem como as classificações conforme Xavier (2001):

Quadro 4 – Números e classificação das quadras chuvosas dos anos 1998 a 2016 de Fortaleza

Anos/Q.C. FEV MAR ABR MAI Total

1998 77,7 382,0 178,5 91,8 730,0 1999 145,8 231,5 325,6 408,2 1111,1 2000 171,4 192,8 507,7 171,5 1043,4 2001 89,4 172,4 708,1 80,1 1050,0 2002 121,4 302,2 498,9 133,1 1055,6 2003 366,2 545,2 559,7 301,2 1772,3

2004 253,7 475,9 196,3 71,3 997,2 2005 95,8 255,7 205,5 366,7 923,7 2006 75,1 203,9 398,7 432,5 1110,2 2007 279,8 340,0 236,9 181,6 1038,3 2008 75,3 282,7 521,5 233,4 1112,9 2009 393,1 450,0 515,3 312,2 1670,6 2010 77,1 209,3 336,5 164,3 787,2 2011 456,4 241,7 346,0 198,5 1242,6 2012 240,7 488,6 170,3 101,3 1000,9 2013 133,2 50,3 156,6 155,5 495,6 2014 124,4 219,0 272,0 255,6 871,0 2015 194,7 418,7 445,4 102,4 1161,2 2016 261,0 205,4 378,5 116,1 961,0

Muito Seco Seco Normal Chuvoso

Muito Chuvoso

Fonte dos dados: Estação Agrometeorológica do Pici. Organização: autor.