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4.4 Resultatene fra EME-ESI-MS sammenlignet med tradisjonell LC-MS-metode

4.4.2 In vitro- metabolisme av amitriptylin med humane levermikrosomer

4.2.1.1 – Solfejo Corporal

Tendo como referência a prática educativo musical desenvolvida no Batucadeiros, adotamos o Solfejo Corporal em nossa pesquisa no Batuca Bebê. Tal solfejo se constitui de nomenclaturas utilizadas para representar os sons percutidos em diferentes partes do corpo, que será explicado a seguir:

O solfejo corporal, nomeado assim pelas meninas e meninos, permitiu que pudéssemos mapear os sons corporais básicos da atividade da percussão corporal no Batucadeiros. Isso possibilitou o surgimento de novos horizontes para a elaboração de exercícios e criação de ritmos, incrementando a dinâmica do nosso processo educativo musical (AMORIM, 2016, p. 146).

No caso de nossa experiência no Batuca Bebê, o desafio consistiu na adoção de uma abordagem educativo musical, que envolveu a palavra ligada ao gesto com um grupo de bebês, em pleno processo de desenvolvimento. O que aconteceu nesse contexto nos impactou sobremaneira, vamos trazer isso com mais detalhes ao longo das análises. Seguimos agora com a representação das nomenclaturas do Solfejo Corporal:

Imagem 8 - Solfejo corporal: Nomenclaturas

TXI – Estalo de Dedos

DOM – Barriga

ela

TUM – Peito BUM – Nádega

PA – Palma PÓ – Palma Concha

PLÁ – Palma Estrela PLIM – Dois dedos KA – Costas da mão

TXE – Canela

TXA – Coxa TXUM – Pé

Fotos: Patrícia Amorim

DÔ - Bochecha BÔ - Boca PÔ – Vácuo de Boca

Tivemos assim, o Solfejo Corporal como pilar educativo musical (AMORIM, 2016) que permeou todas as ações realizadas em nossos encontros. Essa forma como organizamos os sons com a intencionalidade de fazer música, nos remeteu a conceitos importantes, que no nosso entendimento, valem a pena ser abordados. Afinal de contas, o que vem a ser música? O que diferencia musicalidade, atividade musical e atividade musical educativa? Buscamos essas respostas a partir da perspectiva histórico-cultural que concebe a música como uma atividade e prática cultural (PEDERIVA e TUNES, 2013). Vamos então desvendá-las?

4.2.1.2 – Música

A proposta desse estudo tem a música corporal desenvolvida coletivamente como ponto de partida para a ação educativa. Entendendo que essa ação envolve um fazer musical, a partir das possibilidades sonoras do corpo humano (AMORIM, 2016), precisamos compreendê-la como parte indissociável de uma totalidade que é a música enquanto atividade e prática cultural, uma vez que, a cultura é um produto da vida social e da atividade social do ser humano (VIGOTSKI, 1995).

Para isso, trazemos como base conceitual os estudos de Gonçalves (2017), na perspectiva histórico-cultural, que considera toda e qualquer música como atividade cultural que se materializa por meio da musicalidade. Sobretudo, nos aponta a importância de diferenciar música de musicalidade e atividade musical de atividade musical educativa que serão posteriormente elucidados.

Esses conceitos são fundamentais para o entendimento de nossa prática no Batuca Bebê. Eles estiveram presentes em todos os encontros, em cada roda, em cada atividade, em cada canção, em cada gesto, enfim, em cada vivência musical compartilhada coletivamente. Temos na foto a seguir um desses momentos que passamos a analisá-lo sob essa perspectiva.

Foto 2 - Música

Foto: Leandro Vaz

Acima, vemos o grupo do Batuca Bebê em um dos nossos encontros. Nesse instante, a música “Indiozinhos” serviu de base para a atividade musical que liga a melodia3 da canção ao gesto de batucar4 em diferentes partes do corpo. Primeiramente, partindo da formação em roda, cantamos e fizemos os gestos representando a letra da canção. Em seguida, realizamos a melodia, dessa vez, utilizando o solfejo corporal, cantando e percutindo no corpo simultaneamente. Após repetir algumas vezes a canção dessa forma, utilizamos as sonoridades dos pés para nos movimentar enquanto relacionávamos uns com os outros. O quadro a seguir, apresenta a letra da canção, o solfejo corporal e as partes do corpo percutidas.

3

Melodia – Sucessão rítmica de sons simples, a intervalos diferentes, e com certo sentido musical (Dicionário Aurélio).

4

Sempre que nos referirmos ao termo batucar estamos relacionando a ação de percutir em diferentes partes do próprio corpo, ou ainda, compartilhando o som com outra pessoa, que pode ser a mãe ou outros participantes da roda de atividades do Batuca Bebê.

Quadro 10 - Indiozinhos

Letra da canção Solfejo corporal Partes do corpo percutidas Um, dois, três

Indiozinhos

TUM TUM TUM

TUM TUM TUM TUM PEITO

Quatro, cinco, seis Indiozinhos

DOM DOM DOM

DOM DOM DOM DOM BARRIGA

Sete, oito, nove Indiozinhos

TXA TXA TXA

TXA TXA TXA TXA COXAS

Dez num pequeno

bote

TXUM

TXUM TXUM TXUM TXUM

TXUM TXUM

PÉS

FONTE: Elaborado pela pesquisadora

Esse quadro demonstra como organizamos os sons nessa atividade. Nesse contexto, a música entendida como sons culturalmente organizados, surgiu a partir da expressão da musicalidade dos participantes. Por sua vez, essa musicalidade foi o resultado da experiência e da vivência em uma atividade que permitiu e possibilitou a exploração, organização e manifestação dos sons produzidos no corpo.

(...) toda e qualquer música é (...) se dá por meio da musicalidade e das possibilidades sonoras de cada cultura. A musicalidade é toda a possibilidade que os seres humanos possuem para expressar, explorar e organizar sons produzidos através do próprio corpo ou pela manipulação sonora de objetos (GONÇALVES, 2017, p.50).

Dessa forma, as manifestações musicais que emergiram a partir das sonoridades corporais do grupo, foram resultantes de uma atividade musical coletiva fruto de uma intencionalidade educativa.

Aliás, o que vem a ser atividade musical? É a musicalidade em ação. Na

atividade musical, musicalidade e música parecem se entrelaçar de uma tal

maneira que é quase impossível dissociá-las, tal a unidade que ambas perfazem na ontogênese. A atividade musical pode servir para qualquer finalidade que esteja à disposição do ser humano. Entretanto, a atividade musical educativa é a musicalidade em ação intencionalmente voltada para o desenvolvimento da própria musicalidade do indivíduo e não para outros fins (GONÇALVES, 2017, p.51, grifo nosso).

Essa intencionalidade voltada para o desenvolvimento da musicalidade constitui o eixo principal em nosso estudo, uma vez que buscamos compreender a educação do gesto musical do bebê. A partir dessas considerações, sintetizamos no esquema abaixo, com base nos estudos de Gonçalves (2017) e Amorim (2016) os conceitos: música, música corporal, musicalidade, atividade musical e atividade musical educativa. O esquema abaixo busca representar tais conceitos numa concepção de totalidade em coerência e diálogo com a perspectiva histórico- cultural.

Esquema 11 - Música

FONTE: Elaborado pela pesquisadora

O entendimento desses conceitos como uma totalidade contribuiu significativamente para a reflexão acerca de nossa práxis, ampliando a partir dessa base epistemológica, a profundidade e o alcance de nossa ação investigativa, sobretudo, possibilitando uma ação consciente, enquanto organizadores do espaço educativo musical.

Temos aqui, o momento oportuno para delimitarmos um ponto crucial em nossa pesquisa. Quando buscamos a educação do gesto musical, de que gesto estamos falando? A resposta à essa questão diz respeito ao gesto musical, como ao gesto que faz vibrar o corpo musicalmente.

Antes de abordamos o conceito de gesto musical, na perspectiva da intencionalidade educativa da prática musical adotada no Batuca Bebê, necessariamente, precisamos investigar a

MÚSICA MÚSICA CORPORAL MUSICALIDADE ATIVIDADE MUSICAL ATIVIDADE MUSICAL EDUCATIVA

gênese do gesto e suas implicações concernentes ao desenvolvimento do bebê. Entendemos que a partir dessas elucidações, teremos condições de fundamentar nosso estudo, trazendo maior amplitude e clareza para nossas análises e sínteses.

4.2.2 – Gesto: o primeiro signo

Vigotski (1995), ao se debruçar no estudo científico acerca da pré-história do desenvolvimento da linguagem escrita propõe uma abordagem investigativa da escrita a partir do ponto de vista histórico-cultural:

De lo dicho se desprende claramente que el desarrollo del linguaje escrito posse una larga historia, extremadamente compleja, que se inicia mucho antes de que el niño empiece a estudiar la escritura en el colegio. La primera tarea de la investigación científica es la de descobrir la prehistoria del lenguaje escrito del niño, mostrar lo que lleva al niño a la escritura, los importantísimos momentos, por los cuales passa la prehistoria, la relación que guarda com la enseñanza escolar. (...) Para estudiar los fenómenos que nos interesan debemos, ante todo, provocarlos, crealos y analizar el modo como trancurren y se forman. Dicho de outro modo, se trata de aplicar a este hecho el mismo método experimental que se utiliza en las investigaciones genéticas para esclarecer los eslabones ocultos, sumidos en la profundidad, abreviados y, a veces, no visibles a la simple observación (VIGOTSKI, 1995, p. 185-186).

Nesse percurso, ao se debruçar sobre o estudo do desenvolvimento da linguagem escrita, Vigotski chega a um conceito precioso para nossa investigação.

La historia del desarrollo de la escritura se inicia cuando aparecen los primeros signos visuales en el niño y se sustenta en la misma historia natural del nacimiento de los signos de los cuales há nacido el lenguaje. El

gesto, precisamente, es el primer signo visual que contiene la futura

escritura del niño igual que semilla contiene al futuro roble. El gesto el la ecritura en el aire y el signo escrito es, frecuentemente, um gesto que afianza (VIGOTSKI, 1995, p.186, grifo nosso).

Sendo o gesto, precisamente, o primeiro signo visual, que está na base do desenvolvimento tanto da linguagem escrita quanto da linguagem falada, adentramos num território sagrado por excelência, uma vez que, a nossa intencionalidade é a educação do gesto musical do bebê. Em outros termos, navegamos agora nas águas da investigação da ontogênese da musicalidade, a partir do estudo do desenvolvimento do gesto musical do bebê, tendo a música corporal como atividade guia.

O gesto é a escrita no ar, ele contém a futura escrita da criança assim como a semente contém o futuro carvalho (VIGOTSKI, 1995). Em outras palavras, os gestos são a escrita no ar e os signos escritos são os gestos que foram fixados. Chegamos então na história do desenvolvimento dos signos.

La historia del desarrollo de los signos nos lleva, sin embargo, a uma ley mucho más general que regula el desarrollo de la conducta. (...). Su significado esencial consiste en las mismas formas de comportamiento que al principio ottros aplicaban com respecto a él. El própio niño assimila las

formas sociales de la conducta y las transfiere a sí mismo. Si aplicamos lo

dicho a la esfera que nos interessa cabría decir que esta ley se manifiesta como cierta sobre todo en el empleo de los signos (VIGOTSKI, 1995, p.146,

grifo nosso).

Para Vigotski, signo é o órgão social que se incorpora à nossa personalidade, possibilitando o desenvolvimento. Fazendo um paralelo à intencionalidade do autor, acerca do emprego dos signos, a esfera que nos interessa é o desenvolvimento do gesto musical. Cabe nesse contexto, entendermos como a criança internaliza as formas sociais de conduta concernentes ao desenvolvimento da musicalidade, partindo das possibilidades sonoras do corpo e, como a criança internaliza as formas sociais de expressão da musicalidade no contexto do Batuca Bebê. Em outras palavras, entendemos neste estudo, que o gesto musical também se manifesta como uma forma de emprego dos signos, em meio a tantas outras.

El signo, al principio, es siempre un medio de relación social, un médio de influencia sobre los demás y tan sólo después se transforma en médio de influencia sobre sí mismo (VIGOTSKI, 1995, p. 146).

Ainda nesse contexto, segundo esse autor, o signo nasce do gesto a partir da necessidade de comunicação e depois passa a ser um meio de conduta, sempre no movimento dialético, primeiro em um plano social e depois no plano psicológico. Vigotski (1995), elucida que esse processo decorre a princípio entre os seres humanos como categoria interpsíquica e, depois, no interior da criança como categoria intrapsíquica.

Si tomamos en consideración la ley mencionada, se comprenderá facilmente por qué todo lo interno en las funciones psíquicas superiores fue antaño externo. Si es cierto que el signo fue al principio um médio de comunicación y tan sólo después pasó a ser um medio de conducta de la personalidad, resulta completamente evidente que el desarrollo cultural se basa en el empleo de los signos y que su inclusión en el sistema general del comportamiento transcurrió inicialmente de forma social, externa

Podemos contextualizar que o desenvolvimento cultural dos nossos bebês, com base no emprego dos signos, que nascem dos gestos, decorre, inicialmente, de forma social, externa. Ao debruçarmos na investigação acerca da gênese do gesto encontramos, em Vigotski, sua importância na relação com o desenvolvimento das funções psíquicas superiores, tendo em sua base o gesto indicativo.

(...) analizaremos la historia del dessarollo del gesto indicativo que, como veremos después, desempeña un papel extremadamente importante en el desarrollo del lenguaje en el niño y constituye, en general, en gran medida, la base primitiva de todas las formas superiores del comportamiento. Al principio, el gesto indicativo no era más que un movimento de apresamiento fracassado que orientado hacia el objeto, señalaba la acción apetecida. El niño intenta asir un objeto alejado de él, tiende sus manos en dirección al objeto, pero no lo alcanza, sus brazos cuelgan en el aire y los dedos hacen movimientos indicativos. Se trata de uma situación inicial que tiene ulterior desarrollo. Aparece por primera vez el movimento indicativo que podemos denominar convencionalmente, pero com pleno fundamento, del gesto indicativo en sí. El niño, com su movimiento, sólo señala objetivamente lo que pretende conseguir (VIGOTSKI, 1995, p.149).

O fenômeno do gesto indicativo em nossa investigação emergiu durante o processo em que foram realizados os encontros do Batuca Bebê, durante as atividades e, também, nas percepções dos familiares pesquisadores no ambiente familiar. Focamos no gesto indicador relacionado à gênese do gesto musical. O bebê de três meses começa a esboçar no ar o desenho dos primeiros gestos musicais, as primeiras palmas, os primeiros batuques no corpo e as primeiras melodias, a partir do balbucio. Enfim, as garatujas dos gestos que fazem o corpo vibrar musicalmente.

A análise a seguir, captou um momento singular, em que pudemos perceber o novelo do gesto indicativo sendo desenrolado na relação mãe e bebê.

VIDEO 2: duração: 00:02:50 – fonte WhatsApp5. Observação 2 - Atilla, 3 meses

O vídeo começa com a imagem do bebê deitado na rede sobre o corpo de sua mãe, que cantarola a melodia da canção Caranguejo, uma das cirandas trabalhadas durante os encontros do Batuca Bebê. Nos primeiros segundos, a criança está tranquila, observa o movimento do embalo da rede e ouve silenciosamente sua mãe. Segue-se uma pequena pausa... Ouve-se agora, somente o balançar da rede. O bebê leva as duas mãos, simultaneamente, até as orelhas, momento em que a mãe retoma a canção, agora com a letra:

5

Relembramos que a ferramenta o WhatsApp foi utilizada como instrumento metodológico para reforçar a comunicação com os familiares.

Caranguejo não é peixe (curta pausa) Caranguejo peixe é

Caranguejo só é peixe Na enchente da maré.

Surge um breve momento de silêncio. O bebê parecendo percebê-lo leva a mão direita à boca e começa a balbuciar. Nesse instante, sua mãe começa a repetir brevemente os sons do balbucio e depois somente observa as vocalizações da criança que continua brincando com os sons, a língua e a mão na boca. Depois de certo tempo, o bebê intensifica a emissão vocal e sua mãe pergunta: Tá cantando o Caranguejo? Éeee?

A mãe retoma a canção cantando a primeira frase novamente e faz uma pausa, o bebê silencia-se. A mãe pede: Canta! Um pequeno silêncio e o bebê tira a mão da boca e, num movimento amplo, abre os braços e junta as mãos entrelaçando os dedos e, novamente a mãe fala: Canta! Você vai bater palma? Ele faz um movimento de tronco pra frente e se aconchega no colo materno. A mãe continua cantarolando, agora sem a letra. A mãe pergunta: Cadê o caranguejo? O bebê junta as mãos e a mãe diz: Isso! A palma! E continua cantando a canção com a letra:

Ora palma, palma, palma Ora pé, pé, pé, pé

Nesse momento o bebê tem as duas mãos na boca e retoma o balbucio suavemente. A mãe pergunta: Quer cantar? E silencia-se. O bebê produz agora, durante 42 segundos, uma vocalização mais intensa, ritmada pelo ranger do embalo da rede. A canção criando uma atmosfera única de duas vidas que se entrelaçam na relação mãe e filho. Passado esse tempo, a mãe pergunta: Pronto? E celebra com uma expressão longa: Êeeeee!!! Bate palma pro Átilla! Êeeeee!!! Quer cantar mais não?

A constituição da musicalidade do bebê Atilla, necessariamente, passa pela relação com sua mãe. Na descrição do vídeo, em diferentes momentos, vê-se a mãe interpretando os movimentos e dando significado aos gestos de seu filho.

Analisar esses momentos mais íntimos e únicos dos bebês, só foi possível, a partir da percepção das mães pesquisadoras. Sobretudo, porque essa lente revelou a importância da abordagem metodológica, que teve como estratégia, sensibilizar e educar os olhares maternos para o

desenvolvimento do gesto musical de seus filhos. “Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe” (MONTAGU, 1988). Assim, nesse contexto, para se educar um bebê, precisa-se também, educar uma mãe.

Destacamos alguns trechos da descrição do vídeo para nossa análise:

Nesse instante, sua mãe começa a repetir brevemente os sons do balbucio e depois somente observa as vocalizações da criança que continua brincando com os sons, a língua e a mão na boca. Depois de certo tempo, o bebê intensifica a emissão vocal e sua mãe pergunta: Tá cantando o Caranguejo? Éeee?

(...) num movimento amplo, abre os braços e junta as mãos entrelaçando os dedos e, novamente a mãe fala: Canta! Você vai bater palma?

A mãe pergunta: Cadê o caranguejo? O bebê junta as mãos e a mãe diz: Isso! A palma!

Nesse momento o bebê tem as duas mãos na boca e retoma o balbucio suavemente. A mãe pergunta: Quer cantar?

Esses trechos revelam a ação da mãe interpretando os gestos do bebê como gestos musicais, o que foi constituído um envolvimento da mãe como participante da pesquisa. “Tá cantando o Caranguejo?”, “Canta! Você vai bater palma?”, “Isso! A palma!”, “Quer cantar?”. Vigotski destaca a ação interpretativa da mãe como fundamental na constituição do gesto indicativo do bebê.

Cuando la madre acude en ayuda del hijo e interpreta su movimiento como una indicación, la situación cambia radicalmente. El gesto indicativo se convierte en gesto para otros. En respuesta al fracasado intento de asir el objeto se produce una reacción, pero no del objeto, sino por parte de outra persona. Son otras personas las que confieren un primer sentido al fracasado movimiento del niño. Tan sólo más tarde, debido a que el niño relaciona su fracasado movimiento con toda la situación objetiva, él mismo empieza a considerar su movimiento como una indicación (VIGOTSKI,

1995, p.149).

A interpretação realizada pela mãe dos gestos musicais indicativos do bebê ao juntar as mãos, levá-las à boca, ao balbuciar, realizar movimentos amplos com os braços e tronco, dando significado a eles, são fundamentais para que o bebê comece a considerar seus movimentos como

um gesto indicativo. Temos aqui, claramente, a gênese do gesto musical, que carinhosamente, denominamos em nosso estudo como garatujas do gesto musical.

4.2.3 – Gesto Musical – O gesto que faz vibrar o corpo musicalmente

O gesto musical em nosso contexto se refere à experimentação, criação, organização e expressão da musicalidade tendo o próprio corpo como fonte sonora. Nesse conceito, a intencionalidade do gesto como forma de realização musical, assume caráter fundamental em nossas investigações.

Na música corporal os gestos utilizados para a produção sonora consistem em palmas, estalos de dedos, percussões em diferentes partes do corpo, efeitos vocais diversos e batidas dos pés no chão, como já vimos anteriormente na imagem 8 – Solfejo corporal. São esses os gestos que buscamos em nosso estudo, gestos que utilizam os sons corporais no fazer musical.

É importante ressaltarmos que o uso convencional dos gestos no contexto da música corporal, foi o nosso foco de observação, ou seja, os momentos em que os bebês se expressaram musicalmente através deles. Assim, as percepções dos movimentos mais discretos aos mais expansivos constituíram elementos fundamentais na composição de nossas análises e emergiram das atividades realizadas durante o campo.

As atividades que serviram de guia para a Organização do Espaço Educativo Musical, já foram descritas no capítulo metodológico. Vamos prosseguir no estudo trazendo os conceitos que fundamentaram nossa prática investigativa, entendendo o gesto musical, como fruto da relação social.

4.2.4 – Relação Social

4.2.4.1 – Conceitos basilares

Ao buscarmos em nossa investigação, a educação do gesto musical, temos como precioso o conceito de perejivanie que baliza nossa perspectiva acerca da unidade do bebê e sua situação social. Segundo Prestes (2010), a ideia de unidade perpassa toda a obra de Vigotski e está intimamente relacionada ao seu método de análise.

(...) Para Vigotski a situação social e as especificidades da criança, formam