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4.3 Stage Three: The effect and outcome of publicizing the images

4.3.3 Important outcomes and effects of the images in 2009

De acordo com Dixon (2013), o streaming é a tecnologia dominante no atual modelo de negócio. Como vantagens, esse modelo permite fácil acesso e não requer espaço de armazenamento; por outro lado, com a tecnologia streaming, mesmo quando se compra um produto, ele não se torna sua propriedade. Ou seja, no caso da música, a relação de propriedade é modificada, uma vez que o ouvinte não se torna proprietário de um instrumento de armazenamento da música, como um CD, mas paga o serviço de streaming para executá-la.

As relações de propriedade da música e os direitos de seus criadores foram tensionados de maneiras diversas desde os primórdios da digitalização. Passando por um modelo de negócio baseado no pagamento de download de faixas, o qual sofreu práticas sociais de pirataria, o modelo mais comum de distribuição da música em rede atualmente se baseia no streaming, associado à assinatura mensal para acesso do catálogo de músicas, conforme Wikström (2009).

Em uma panorâmica dos modelos de negócio relativos à circulação de música em plataformas digitais, Wikström (2009) aponta que o download de uma única faixa, como o iTunes, é o serviço pioneiro oferecido pela Apple desde 2003. Esse modelo apresenta como diferencial a possibilidade de download de uma única música, e não do álbum completo. Além disso, não requer que o consumidor se inscreva em forma de assinatura mensal. Segundo Wikström (2009), durante os primeiros anos de seu funcionamento, o iTunes baseou sua estratégia de negócio em dois princípios: uniformização do preço e tecnologia lock-in, baseado no preço único de U$,99 centavos de dólar americano por faixa, e na centralização do iPod como artefato tecnológico destinado a execução de música.

De acordo com Wikström (2009), inicialmente o iTunes usou um mecanismo de proteção contra cópia, denominado Fairplay, que restringia a execução de música apenas ao iPod. Desse modo, se decidisse mudar para outro player, o consumidor teria de comprar as mesmas músicas de novo. Essa estratégia de negócio é referenciada pelo autor como um sistema lock-in e torna difícil e dispendioso para os consumidores mudar seus instrumentos de armazenamento e execução musical. Outro modelo mencionado por Wikström (2009) baseia-se no que ele denomina Membership, com cota limitada de download de música. Diferentemente do iTunes, essa modalidade oferece planos com limites variados de downloads por mês. O modelo Membership – All you can eat, ou seja, “tudo o que você puder consumir”, que se diferencia do formato com cota limitada, fornece acesso ilimitado a um catálogo, e os membros podem fazer download de faixas e, dependendo de sua assinatura, podem executar as músicas por meio de instrumentos diversos.

Já o modelo All-base service, segundo Wikström (2009), faz parecer que a música não tem custo para o consumidor por basear-se no streaming. Além disso, o autor destaca que as plataformas são delineadas pelos processos de personalização do gosto do ouvinte e recomendação de músicas. O autor cita como exemplos desse tipo de serviço

Pandora e LastFM. Segundo ele, esse serviço se assemelha à transmissão de rádio, uma vez que o usuário não tem como controlar o fluxo da programação diretamente.

Wikström (2009) argumenta que esse modelo fundamentado no streaming associa a função de ferramenta promocional à distribuição de música. Segundo ele, os planos baseados nas inserções de propagandas durante o fluxo de músicas e os sistemas de recomendação atuam como taste-making, o que permite a conotação de ferramenta promocional. Por outro lado, possibilitam que o ouvinte selecione a música que desejar, quando e onde quiser, independentemente de ser por meio de download ou streaming, o que torna possível dizer que se trata de um sistema de distribuição de música.

Além desses modelos, o autor cita o modelo baseado no valor – Value-based pricing model (Tip Jar) – no qual o consumidor escolhe quanto quer pagar pela faixa dentro dos limites dos valores máximos e mínimos, os pacotes promocionais de associação de outros produtos midiáticos à música e os pacotes de música associados a prestadoras de serviço de telefonia móvel. Estes três últimos modelos são configurados de maneira diversa valendo-se dos diferentes modelos de negócio que se estruturam entre empresas e prestadoras dos serviços.

Wikström (2009) destaca que os modelos baseados no streaming e na assinatura mensal do serviço se constituem como modelos dominantes da indústria da música na contemporaneidade e cita como exemplos desse serviço Spotify e Pandora. Parte desse sucesso, segundo ele, deve-se ao fato de que esse protocolo de transmissão de dados permite que se reproduzam faixas musicais protegidas por direitos autorais de modo que esses não sejam violados, ao contrário dos períodos anteriores no cenário da música, caracterizados pelas discotecas pessoais armazenadas nos computadores, que resultam, muitas vezes, do download ilegal.

O streaming, como protocolo de transmissão de dados, vem se tornando característico das plataformas contemporâneas, constituindo-se como aspecto importante da lógica comunicacional que delineia os processos de distribuição e consumo da música na contemporaneidade. Essas transformações, de acordo com Kusek (1995), impactam nas relações de propriedade da música (tanto para seus criadores quanto para seus ouvintes), assim como no entendimento da música como produto e música como serviço. Conforme anunciado no início deste capitulo, Kusek (1995) se vale da analogia entre música e água para discutir a ubiquidade da música na vida cotidiana e também para comparar como essa passa a se relacionar à prestação de serviços, como eletricidade, por exemplo. Segundo ele, a ideia de música como água associa-se a um

modelo de negócio que teve origem na TV, no qual se aceita ouvir as propagandas para ter acesso livre às músicas ou paga-se pelo serviço para não ter interrupção das propagandas. No entendimento de Dixon (2013), são os usuários que conferem valor às plataformas on-line ao interagir com elas. Segundo esse autor,

[...] A mercadoria mais valiosa no mundo do streaming é a informação pessoal, uma vasta base de dados das preferências e desejos do consumidor guardada de forma ciumenta por aqueles que a compilam, constantemente atualizada, e vendida a qualquer um que tenha como alvo uma audiência específica – ou a audiência inteira – na web. Streaming diz respeito ao merchandising de uma identidade tendo em vista o lucro, uma vez que sem uma base de dados de informações de consumo e uma lista de assinantes, por que um serviço de rede social valeria a pena?16 [...] (DIXON, 2013, p. 97).

Além da relação entre streaming e recomendação, há também uma relação imbricada entre o streaming e a arquitetura multiplataforma. Como a música pode ser executada desde que haja acesso à internet, e também off-line, nada mais coerente do que viabilizar esse acesso por meio de diversos dispositivos habilitados para esse fim, tais como computadores, tablets e smartphones. Juntos, esses dois aspectos – streaming e arquitetura multiplataforma – potencializam-se ao permitir acesso ubíquo à música, a qualquer hora e em qualquer lugar.