Section 2: Background
2.1 The importance of language
O processo de criação de um hiperdocumento é denominado de autoria. Neste processo, o autor do hiperdocumento deve se preocupar com o conteúdo informacional e, também, com a estrutura organizacional dos nós hipertextuais.
Cavalcante (2005), ao discutir o sentido no hipertexto, trata-o no âmbito da Lingüística, procurando entender o que torna um texto de fato hiper. Assim sendo, apresenta o que vem a ser o texto sob a ótica de dois grandes blocos do saber lingüístico: o cunho estritamente lingüístico – pelo qual o texto é um conjunto de unidades lingüísticas que encerram um sentido -; e o cunho sócio-pragmático, que considera o texto como uma unidade de sentido estabelecido entre o leitor/ autor, na modalidade escrita da língua, e entre locutor/interlocutor, na sua modalidade oral (BEZERRA17, 2001, p. 34 apud CAVALVANTE, 2005, p. 165). Estes dois cunhos da Lingüística envolvem os chamados paradigmas formais e funcionais, respectivamente. É dentro do paradigma funcional que o hipertexto deve ser considerado um tipo de ferramenta de estruturação da informação, visando ao acesso e à construção do sentido. A distinção formal e funcional é notada na definição de
17 BEZERRA, M. A. Textos: seleção variada e atual. In: DIONÍSIO, A. P.; BEZERRA. M. A. (Org.). O livro
64 hipertextos dada por Lévy (1993, p. 33): “Tecnicamente, um hipertexto é um conjunto de nós ligados por conexões (...) Funcionalmente, um hipertexto é um tipo de programa para a organização de conhecimentos ou dados, a aquisição de informações e a comunicação”. De fato, a distinção funcional se aplica à busca pelo sentido, no hipertexto. Os relacionamentos entre nós desta forma de estruturação da informação promovem um leque de escolha ao seu usuário; que acaba por demandar uma arquitetura da informação preocupada com a perpetuação do sentido para o autor e usuário.
Lévy (1993, p. 25) cita seis características dos hipertextos. Esse autor considera que os hipertextos devem ser encarados como redes, já que possuem associações que surgem ao longo de um raciocínio para demonstrar, da forma mais intuitiva, o que se desejava dizer. Para ele, o sentido surge e se constrói no contexto, é local e transitório. Estas seis características têm o intuito de salientar as várias possibilidades de interpretação que os hipertextos trazem consigo.
• Princípio de metamorfose: a rede está em constante construção e renegociação. Ela pode permanecer estável durante certo tempo, mas esta estabilidade é em si mesma fruto de um trabalho;
• Princípio de heterogeneidade: os nós e as conexões de uma rede hipertextual são heterogêneos. Nesta rede, poderão ser encontradas imagens, sons, palavras e as conexões poderão ser traçadas por lógica, por afetividade, etc.;
• Princípio de multiplicidade e de encaixe das escalas: o hipertexto se organiza em um modo fractal, ou seja, qualquer nó ou conexão, quando analisado, pode revelar-se como sendo composto de toda uma rede. Lévy (1993) pontua que, em alguns casos, há efeitos que podem propagar-se de uma escala a outra: a interpretação de uma vírgula em um texto (elemento de uma microrrede de documentos), caso se trate de um tratado internacional, pode afetar a vida de milhões de pessoas;
• Princípio de exterioridade: a rede não possui unidade orgânica, nem motor interno. Seu crescimento e sua diminuição, sua composição e sua recomposição permanente dependem de um exterior indeterminado, como, por exemplo, a adição de novos elementos, conexões com outras redes, etc.;
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• Princípio de topologia: nos hipertextos tudo funciona por proximidade, vizinhança. Neles, o curso dos acontecimentos é uma questão de topologia, de caminhos. O traçado da rede hipertextual determina as possibilidades do caminhar pelo hipertexto, de forma que a rede não está no espaço, ela é o espaço;
• Princípio de mobilidade dos centros: a rede hipertextual não tem centro, ela possui diversos centros que são como pontas luminosas móveis, saltando de um nó para outro, trazendo consigo ramificações, que, por um instante, revelam detalhes delicados para, mais a frente, revelar outras ramificações do sentido.
Koch (2007), ao discutir o sentido no hipertexto, afirma que os links exercem o papel de “encapsuladores” de cargas de sentido. Assim, o autor do hipertexto deve proceder a uma construção estratégica dos links, de maneira que estes sejam capazes de acionar estruturas que o leitor tem representadas em sua memória, levando-o a inferir o que poderá existir adiante. Storrer18 (2003 apud KOCH, 2007, p. 33) cita recursos que podem ser utilizados na busca por coerência nos hipertextos, dentre eles: utilizar suportes de orientação – que apóiam o usuário na construção de um modelo mental da estrutura do hipertexto -; suportes de orientação global – que esclarecem o valor funcional e temático de um módulo, facilitando a construção da coerência global -; suportes de contextualização local – que auxiliam no planejamento do caminho futuro de recepção e a construção da coerência local, na troca entre dois módulos.
Para Lima (2004), os hipertextos são projetados para efetuar a navegação através de um espaço de informações. A determinação da estrutura da rede de conexões é um projeto crucial para a construção do sentido tanto pelo autor quanto pelo o usuário que navega. Para Vilan Filho (1994), a estruturação do hipertexto é similar a uma rede semântica, já que os nós representam conceitos e idéias e as ligações representam os relacionamentos entre conceitos. Esses relacionamentos devem estar determinados com base na estrutura do (s) assunto (s) tratado (s) no hipertexto. A rede de relacionamentos do hipertexto deve ser antes de tudo uma rede semântica.
18 STORRER, A. Kohärenz in hypertexten. Zeitschrift für germanistische linguistik, v.31, n.2, p. 274-292,
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