5 STUDIETS KONTEKST
8.2 Implikasjoner for videre forskning
O artigo seminal de Sarasvathy (2001a) propôs a teoria effectuation, cujos construtos foram delineados nos anos seguintes com o objetivo de delimitar seu escopo e as condições para sua aplicação, passando a ser associado principalmente ao empreendedorismo em ambientes de incerteza e estágios iniciais da criação de empresas. Importante ressaltar que a abordagem causal e a effectual referem-se fundamentalmente a processos cognitivos utilizados por indivíduos para a tomada de decisão (PERRY; CHANDLER; MARKOVA, 2012). Disso decorre que em um ambiente com alto grau de incerteza, vários são os resultados possíveis para uma determinada ação e a única coisa que realmente é conhecida são os meios ou recursos existentes. Ao contrário da lógica causal, que estabelece um objetivo predeterminado e utiliza métodos preditivos para obtenção dos meios necessários para alcançar tal objetivo, a lógica effectual parte dos meios de que o empreendedor dispõe para o desenvolvimento de oportunidades por meio das interações com os stakeholders.
Partindo de tais pressupostos, Sarasvathy (2001a) formula cinco princípios que orientam a teoria effectuation e que são apresentados a seguir:
1. Princípio do Pássaro na Mão – Inicie com Os Meios ou Recursos Disponíveis.
O primeiro princípio estabelece que o empreendedor deva iniciar seu negócio com os meios ou recursos que têm disponíveis, acessados pelas perguntas sobre quem eu sou, o que eu conheço e quem eu conheço. Ao invés de identificar uma oportunidade oriunda de uma falha de mercado e angariar os recursos para agir sobre aquela oportunidade, o empreendedor deve agir com base nos recursos que já possui e a partir daí agir no sentido de obter comprometimento com stakeholders que lhe permitirá expandir seus recursos. A nomenclatura dada ao princípio remete ao jargão popular de que é melhor ter um pássaro na mão do que dois voando, ou seja, melhor aproveitar uma oportunidade que seja factível com os recursos que já possui, do que ficar esperando uma ótima oportunidade que para aproveitá- la necessita mais recursos do que possui.
2. Princípio da Perda Suportável – Tome Decisão com Base no que Suportaria Perder.
Ao invés de tomar decisão em função do retorno esperado do investimento, a teoria effectuation estabelece que o empreendedor estabeleça quanto suportaria perder ao perseguir uma determinada oportunidade para tomada de decisão de empreender. Ao focar no possível fracasso do negócio, o empreendedor age de forma menos arriscada e foca na experimentação de diferentes estratégias disponíveis com recursos existentes para o desenvolvimento do
negócio de maneira mais rápida. A consequência disso é o fato de que o empreendedor deve testar rapidamente seu produto ou serviço no mercado e utilizar eventuais contingências como fonte de direcionamento estratégico do desenvolvimento do negócio.
3 – Princípio das Alianças Estratégicas – Obtenha o Comprometimento de Stakeholders. A ênfase da análise da teoria effectuation é no sentido de identificar as possíveis alianças que o empreendedor pode construir para a consecução do negócio, ao invés de preocupar-se com a competitividade do mercado ou tão somente com os recursos da empresa. Isso porque as alianças possuem o condão de permitir ao empreendedor diminuir o grau de incerteza do ambiente e arquitetar os elementos necessários para seu sucesso.
4 – Princípio da Limonada - Explore as Contingências.
A teoria effectuation pressupõe a experimentação de inúmeras possibilidades que surgem como contingências no dia-a-dia, tendo em vista que os objetivos do empreendedor ainda não estão completamente definidos. Quando o foco do desenvolvimento do novo negócio é baseado na exploração de um conhecimento preexistente, com um objetivo definido, as relações com fundamento na lógica causal tendem a ser mais adequadas para a consecução desse objetivo. A nomenclatura remete ao jargão popular no sentido de que se a vida lhe apresenta limões, faça uma limonada, ou seja, ao invés de evitar as contingências do dia-a-dia, o empreendedor deve incorporar as contingências como uma forma de restabelecer objetivos.
5 – Princípio do Controle X Predição – Não Tente Prever o Futuro.
A princípio orientador de todos ou outros e que permeia a teoria effectuation é o que aceita o futuro como sendo imprevisível e incerto. Como não é possível prever o futuro, as decisões devem ser tomadas com base na experimentação e com o intuito de controlar o futuro ao invés de prevê-lo. As decisões, ações e interações do empreendedor são capazes de moldar esse futuro incerto, o que dispensa a necessidade de prevê-lo.
Assim sendo, a teoria effectuation, quando aplicada ao empreendedorismo, embora não reduza a probabilidade de fracasso, diminui seu custo, pois permite ao empreendedor falhar mais rapidamente ou redirecionar o negócio por meio da interação com stakeholders que lhes auxiliarão no processo de desenvolvimento da oportunidade. Seus princípios atuam no sentido de que as eventuais falhas aconteçam mais rapidamente e, portanto, com menor nível investimento do empreendedor, enquanto deixa aberta a possibilidade de maiores investimentos no futuro caso seja validada a viabilidade do novo negócio. Como visto
anteriormente, o contraste dos fundamentos teóricos da teoria effectuation com a lógica causal predominante gera a necessidade de se abordar o tema do empreendedorismo sob um novo prisma, tanto em relação à pesquisa quanto em relação ao ensino de empreendedorismo (READ; SONG; SMIT, 2009). Essa pesquisa se dedica exatamente a essa tarefa e o faz a partir da análise de experiências em educação empreendedora com fundamento na teoria effectuation em cinco instituições de ensino de quatro países diferentes.