7. Oppsummering
7.1. Studiens implikasjoner
7.1.1. Implikasjoner for videre forskning
Com a finalidade de encontrar a materialidade dos objetos que se apresentam para o ato colecionador humano, optamos pelo conceito de cultura material por considerar adequado à proposta empreendida neste trabalho. Neste sentido,
Inicialmente, no entanto, apenas frisemos que a formulação dos diversos conceitos de cultura material está sempre intimamente ligada à visão que os autores têm da própria noção de cultura; por assim dizer, corresponde-Ihe organicamente. Ao mesmo tempo, as posições sobre as relações entre o universo material e a cultura definirão, de algum modo, os limites das propostas de estudo e as formas de mobilização dos elementos físicos na compreensão dos fenômenos históricos. (REDE, 1996, p. 267).
Dessa forma, vemos que reside aqui “a fortuna do termo cultura material além das ambiguidades possíveis: ele denota que a matéria tem matriz cultural e, inversamente, que a cultura possui uma dimensão material”. (REDE, 1996, p. 274). Ou seja, não se trata de considerar que se está trabalhando exclusivamente com a materialidade dos objetos e sim que esta dimensão material tem uma importância especial para este tipo de abordagem:
Bastaria dizer que não existem sentidos, valores ou mensagens culturais que sejam completamente internalizados na consciência (individual ou coletiva), que sejam criados em uma matriz que dispense a materialidade ou que sejam vetorizados apenas por circuitos operacionais imateriais. A cultura material é, por excelência, matriz e mediadora de relações. (REDE, 1996, p. 274).
A cultura material, ao contrário do que se possa imaginar, não se restringe ao objeto isolado de um contexto, pois emerge sempre de um todo (cultura), contudo, é necessário sempre se ater ao objeto (material) para desvelar a sua concretude e características intrínsecas:
Fala-se corriqueiramente de objetos ou artefatos, mas a cultura material tem uma dimensão mais ampla e diversificada, envolvendo todo o segmento físico socialmente integrado. Embora as considerações feitas sobre cada unidade isoladamente sejam, a princípio, extensivas a conjuntos, a complexidade e a amplitude exigem reflexões específicas: a lógica da composição não é dada pela somatória das lógicas das suas partes. (REDE, 1996, p. 278).
O documento, surge então, no contexto deste trabalho, como artefato “ideal” para representar o ato colecionador em suas diversas faces e possibilidades. A concretude do documento dá ensejo para se pensar na formação de coleções, através é claro, da intervenção construtora do sujeito. O documento, no entanto,
Por um lado, o documento é compreendido como "aquilo que ensina" (doccere) ou mais precisamente aquilo que pode ser utilizado para ensinar alguma coisa a alguém. O ensinamento, como se sabe, não emana e não está embutido no documento. Ele está, brota e surge a partir da relação que com o documento/testemunho se pode manter. Por outro lado, o documento é compreendido como "suporte de informações" que só podem ser preservadas e resgatadas através do questionamento. (CHAGAS, 1994, p. 34).
É preciso, no entanto, indicar em que momento ou que contexto o documento passa a existir, pois uma caneta pode tanto ser objeto de uso diário quanto estar associada à declaração de independência de um país ou assinatura de algum tratado internacional. Desta forma,
Um documento se constitui no momento em que sobre ele lançamos o nosso olhar interrogativo; no momento em que perguntamos o nome do objeto, de que matéria prima é constituído, quando e onde foi feito, qual o seu autor, de que tema trata, qual a sua função, em que contexto social, político, econômico e cultural foi produzido e utilizado, que relação manteve com determinados atores e conjunturas históricas etc. (CHAGAS, 1994, p. 35).
Outro grande nome quando se pensa na questão do documento é o de Paul Otlet. Seu nome é associado inclusive com a criação de uma área específica de estudos, para alguns um campo independente do conhecimento que seria a Documentação. Em sua definição:
Documento é o livro, a revista, o jornal, é a peça de arquivo, a estampa, a fotografia, a medalha, a música, é também atualmente o filme, o disco e toda a parte documental que prece ou sucede a emissão radiofônica. Ao lado dos textos e imagens há objetos documentais por si mesmos (Realia) (OTLET, 1937).
Otlet (1937) seria retomado mais tarde para dizer do conceito de documento para além de sua materialidade imediata, ou seja o documento assume também a noção de representação como válida. Dessa forma, o documento adquire uma dimensão mais ampla, para além de um suporte específico e passa a se manifestar (e ser percebido) no seio da atividade cultural como um todo. Seus conceitos foram tão influentes que produziram uma série de seguidores que se denominaram documentalistas e mais tarde neodocumentalistas (Ortega; Lara 2010).
Como então definir o documento? E aonde encontrá-lo?
Como vimos, os documentos são representações de memória e estão articulados à ideia de preservação. Ao se constituir um documento, de imediato se coloca com esta constituição a necessidade de preservá-lo. Ao longo do tempo essa necessidade exige permanente confirmação. (CHAGAS, 1994, p. 38).
Essa confirmação de que fala Chagas (1994) é na verdade a intervenção humana que evidentemente está posta nas relações de contradição da sociedade e cultura e, portanto, sujeitas à interpretação e a imprecisões. Contudo, esta dimensão não invalida a ideia do documento em si, ao contrário, é justamente esta intervenção que possibilita a inserção da cultura como forte elemento de análise desses objetos:
Assim, os objetos, que podem ser naturais ou produzidos pelo homem, pertencem ao universo social que se apresenta como uma dimensão virtual para a memória. A interferência do homem como agente de transformação do objeto em documento é representada pelo universo cultural, onde as instituições de memória se inserem. (DODEBEI, 1997, p. 171).
Bernd Frohmann (2008), define o documento como sendo a “materialidade da informação”. Esta é mais uma noção (conceito) interessante pois localiza a relação entre documento e informação em instâncias de passagem e qualifica a opção do documento como possível de ser atribuída às coleções.
Por fim, após a elucidação da materialidade do documento e sua relação com a cultura, parte-se para a questão do conjunto destes objetos. Ou seja, o documento foi apresentado através do conceito de cultural material do ponto de vista de sua unicidade sem deixar de relacioná-lo com o todo, mas o que representa a coleção de objetos? Dodebei (1995) salienta a questão da seleção como fator importante para discussão da configuração dos documentos relacionados (colecionados):
Tanto para a História quanto para a Arqueologia e para a Ciência da Informação não basta apenas a existência de uma ação do Homem para configurar a memória social mas, sobretudo, é necessário haver uma seleção, essa ação que pinça do tecido social um nó, arbitrariamente escolhido, para representar um aspecto do conhecimento. Quanto à organização desses nós, já configurados como documentos, os discursos teóricos nos apontam para a mobilidade destes dentro da memória documentária, não importando qual o seu suporte material ou quem os presenteou com o atributo de documento mas, tão somente, como podem se relacionar uns com os outros, e assim gerar novos conhecimentos representados por novos objetos e, conseqüentemente, talvez, novos documentos. São as insistências no tempo. Assim, são configuradas as memórias temáticas, tal como imaginado por Otlet e modelo atual dos hipertextos. A horizontalidade, o cotidiano dos espaços de memória, a predisposição para o relacionamento constante confirmam que a unicidade, a virtualidade ou mobilidade e a significação são inerentes ao conceito de documento. (DODEBEI, 1997, p. 175).
Lançadas as bases do conceito de documento e sobretudo, da sua possibilidade de representação e análise do ponto de vista da constituição de arranjos (coleções) propicia-se os alicerces para o preparo da “coleta”.