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Implikasjoner for praksis og videre forskning

Paula Dib é uma jovem designer industrial brasileira, com 29 anos, licenciada pela Fundação Armando Alvares Penteado. Ela trabalha com design de produtos e especializou-se em desenvolver projectos de artesanato com comunidades carentes em áreas rurais no Brasil. A sua empresa, Trans.forma, trabalha principalmente na área de consultoria de design sustentável, desenvolvendo trabalhos com comunidades de artesãos e também desenvolvendo projectos nas áreas de design gráfico e de exposições [21]. Esta designer empreendedora, venceu em 2006 o International Young Designer

Entrepreneur, prémio promovido pelo British Council em parceria com a feira Design. Um dos projectos que foram considerados para este prémio foi o Projecto Comunidade Produtiva, onde a Paula Dib e Trans.forma trabalharam com uma das maiores empresas de papéis e celulose do Brasil, Industrias Suzano, para desenvolver design de artesanato e projectos de produção com comunidades que vivem próximas a plantações de eucalipto no sul da Bahia. O projecto mostrou às comunidades que resíduos de eucaliptos podem ser uma fonte de economia através do desenvolvimento de produtos de baixo custo. A Imagem 10 mostra uma fruteira com design de Paula Dib, onde aproveita lascas de eucalipto, sementes e arame para a sua construção [21].

2.4 Projecto de design sustentável com vista ao empreendedorismo

em colaboração com a comunidade local (Niassa - Moçambique)

para contribuir para o desenvolvimento das localidades

Neste ponto da dissertação, irá ser apresentado um projecto de design sustentável com vista ao empreendedorismo, cujo título é “Desenvolvimento de soluções sustentáveis integradas para as províncias do norte de Moçambique - Ecoturismo”. O Projecto consistiu na elaboração (análise/concepção) de um balão de ar quente e de uma estrutura para a produção de biogás com preocupações de sustentabilidade ambiental, com vista a apoiar o ecoturismo na referida localidade.

Para este projecto foram planeados vários objectivos, assim, foram delineados pontos cruciais que deveriam ser atingidos:

› Utilização de materiais ecológicos; › Design esteticamente aceitável; › Design uniforme e Inovadora; › Preço acessível e competitivo.

O ecoturismo, é um segmento da actividade turística que utiliza, de forma sustentável, o património natural e cultural, incentiva a sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem- estar das populações. No âmbito deste projecto de desenvolvimento de soluções sustentáveis integradas para as províncias do norte de Moçambique, foi escolhido desenvolver um balão de ar quente. A idéia foi a criação do balão para apoiar a actividade humana recreativa de exploração geográfica a partir de uma perspectiva aérea de modo não poluente e assim contribuir para o combate à pobreza rural e o desenvolvimento sustentável nas comunidades rurais das províncias do norte de Moçambique, Niassa. O objectivo era a criação de um roteiro turístico que promovesse o turismo de habitação onde os ecoturistas iriam ter a possibilidade de conviver com a população nativa, através das actividades tradicionais destas comunidades. Através desta prática, os rendimentos iriam directamente para as famílias e para um fundo

comunitário que os aplicaria em projectos de saúde, educação, construção de estradas, entre outros.

→ Roteiro escolhido

Moçambique é um país da costa oriental da África Austral, limitado a norte pela Zâmbia, Malawi e Tanzânia, a leste pelo Canal de Moçambique e pelo Oceano Índico, a sul e oeste pela África do Sul e a oeste pela Suazilândia e pelo Zimbabwe [22]. Foi escolhido a província de Niassa para a realização do roteiro ecoturístico. Roteiro escolhido (cerca de 120 km) - Niassa:

› Lichinga; › Dias; › Maniamba; › Metangula.

O roteiro escolhido começava em Lichinga, a capital de Niassa. A primeira paragem seria em Dias, cerca de 46 km. Depois de Dias a próxima paragem seria em Maniamba, cerca de 43 km. Ao chegar a Maniamba, o próximo destino seria Metangula, cerca de 30 km. O mapa encontra-se na Imagem 11 e Imagem 12. Tendo em conta que a velocidade ideal e seguro para viajar de balão é de no máximo 20 km/h (sempre dependendo do estado do tempo e dos ventos) e que a autonomia do balão normalmente é de 3 horas de voo, com o roteiro escolhido, teríamos um nível de segurança muito bom.

Imagem 11 | Niassa (Fonte: [23])

Imagem 12 | Mapa do roteiro (Fonte: [24])

→ Importância da Meteorologia – Balão de ar quente

Por ser uma aeronave sem dirigibilidade mecânica e dependente das correntes de vento, o estudo da meteorologia tornava-se imprescindível para o deslocamento do balão. As

condições ideais para os voos de balão são no início do dia, com grande visibilidade e ventos fracos, é de até 10 nós (18.5 km/h ou 5.2 m/s).

Imagem 13 | Mapa de ventos (Moçambique) (Fonte: [25])

O regime de ventos em Moçambique é essencialmente influenciado pela circulação da atmosfera na África Meridional que por sua vez está condicionada por vários centros de acção cujos principais em relação à Moçambique são:

› O vale depressionário equatorial; › A frente intertropical FITS;

› A depressão de origem térmica sobre a África Meridional; › Os anticiclones subtropicais do Hemisfério Sul.

As temperaturas médias anuais variam entre os 23º C e os 26º C. Nas zonas de grande altitude são inferiores a 23º C. Os meses mais quentes são, a Norte, Outubro e Dezembro e a Sul, Janeiro e Fevereiro.

orgânica em condições anaeróbicas (isto é, em ausência de oxigénio). Um biodigestor é um reactor químico em que as reacções químicas têm origem biológica. O biogás pode ser usado como combustível em substituição do gás natural ou do gás obtido através do petróleo, ambos extraídos de reservas minerais [26].

Imagem 14 | Funcionamento de um biodigestor (Fonte: [26])

→ Resultados que se esperam alcançar com a realização deste projecto

Ecoturismo com base num balão de ar quente que funciona com biogás gerado em biodigestores locais (resíduos orgânicos):

› Turismo científico, histórico e cultural com base na permanência dos turistas com as comunidades rurais;

› Praticar um tipo de turismo ecológico, mas também emocionante;

› Estudo de viabilidade, considerando a força e a confiabilidade do vento (alterações climáticas);

› Analisar as correntes de vento e saber qual o momento favorável para se aproximar da margem do lago Niassa;

› Estações de apoio no solo, de aldeia em aldeia, para impulsionarem o aumento da renda das comunidades - impulso económico;

› O acesso ao aeroporto de Lichinga tem que ser relativamente fácil (um centro de turismo ecológico do futuro – plantação de árvores para compensar emissões de carbono visto que o balão de ar quente faz o retorno de avião);

› Observação da paisagem através de uma vista aérea;

› Realização de actividades como a natação, observação da paisagem, da fauna, realização de actividades aquáticas como o remo.

Em seguida são apresentados os renders do projecto desenvolvido (Imagens 15 a 17).

Imagem 16 | Renders Cesto e Biodigestor

Imagem 17 | Renders Biodigestor, Bicicleta e Cesto

Este projecto foi apresentado a 8 de Julho de 2010 em Maputo, no simpósio internacional “Towards a research agenda for development Ergonomics in

Mozambique” perante uma audiência de jornalistas, ONGs e representantes do estado

moçambicano.

2.5 Nota conclusiva

Este capítulo permitiu elucidar parcialmente respostas à pergunta de investigação PB (Qual a importância do empreendedorismo para a afirmação do designer industrial?) no

actividades de empreendedorismo e a área de actividade profissional de design industrial. Os elementos reunidos e discutidos neste capítulo permitem demonstrar que no contexto actual, e no âmbito geográfico considerado, o empreendedorismo tem importância para a afirmação do designer industrial, já que é uma forma de criação de estruturas empresariais, ainda que de pequena ou muito pequena dimensão, que permitem o desenvolvimento de uma cultura empresarial alinhada com a forma de actuação dos designers industriais. O desenvolvimento desta cultura própria pode por vezes ser dificultado em estruturas empresarias de maior dimensão e já estabelecidas, prevalecendo nestes casos outras culturas (por exemplo: gestão, economia, engenharia). Este choque de mentalidades e formas de actuação entre profissionais nalguns casos poderá por em causa a produtividade e a realização pessoal dos designers industriais nos aspectos que paradoxalmente são há partida mais valorizados (criatividade e inovação). Assim, o empreendedorismo em design industrial pode ser visto como uma forma de fomentar a cultura de inovação e criatividade, beneficiando todos os actores do tecido sócio-económico, já que em muitos casos estas micro e pequenas empresas criadas prestam serviço a grandes empresas, mas mantendo a sua independência, ou têm mesmo a capacidade de gerar directamente outros negócios rentáveis com base nos seus projectos inovadores. Neste capítulo apresentou-se ainda através de um projecto da autora, uma incursão pelo empreendorismo baseado num conceito integrado visando a sustentabilidade de apoio ao eco-turismo e ao desenvolvimento comunitário. Deste modo, pôde-se, ainda que de forma aplicada, estabelecer uma relação entre design sustentável, empreendedorismo social e um projecto inovador de design industrial. De modo a completar, com uma perspectiva empírica, a resposta a esta pergunta de investigação, incluiram-se no questionário dirigido aos designers industriais no activo (apresentado no capítulo 4 desta dissertação), algumas perguntas sobre esta temática do empreendedorismo. Deste modo, apresentar-se-ão ainda no capítulo 4 contributos para a resposta a esta pergunta de investigação.

Do ponto de vista pessoal da autora, este capítulo contribuiu particularmente para vislumbrar de forma mais assertiva as possibilidades futuras de criação de uma empresa no âmbito do design sustentável e do design para o desenvolvimento em comunidades economicamente desfavorecidas ou em vias de desenvolvimento.

Capítulo 3 | Valências de formação e competências mais

valorizadas para cada tipo de percurso

“When I design, I don´t consider the technical or

commercial parameters so much as the desire for a dream that humans have attempted to project onto an object”