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Implikasjoner

Através do estudo desta temática pude compreender a importância de promover desde cedo interações entre pares e de relações de amizade na vida das crianças, as quais irão posteriormente influenciar amizades na vida adulta.

A interação foi frequentemente valorizada pela pedagogia, tal como outras dimensões importantes no desenvolvimento do quotidiano pedagógico (Formosinho & Araújo, 2013), Tendo em conta que “o processo de desenvolvimento pessoal e social das crianças é, essencialmente, interativo, envolvendo relações e interações com as

outras crianças” (Roberts, 2007, p.144), considero que esta ênfase colocado na interação

esteve nestes estágios que constituíram ocasiões determinantes para a compreensão desta temática tão importante na vida das crianças, mas também nas nossas vidas; por outro lado, essa mesma ideia presidiu quer às intervenções realizadas pelas minhas educadoras cooperantes, quer ainda às minhas próprias intervenções relativamente às relações de amizade.

O papel do educador de infância no que se refere à promoção e otimização de interações afiliativa foi um dos aspetos mais valorizados neste relatório, pois enquanto futura educadora de infância responsável por um grupo de crianças, considero que cabe ao educador fornecer todas as condições para que as crianças estabeleçam e mantenham relações de amizade, dando-lhes a oportunidade de usufruírem do apoio e da segurança, que lhes proporcione aprendizagens prazerosas em conjunto.

Na continuidade das minhas observações, a análise das intervenções das educadoras foi determinante neste estudo, pois permitiu-me refletir sobre o facto das nossas conceções e perspetivas por vezes não coincidirem totalmente com a nossa prática.

Neste sentido, em relação às conceções analisadas pelo inquérito por questionário às educadoras cooperantes, contatei que ambas caracterizam a amizade como uma relação afetiva que envolve lealdade, solidariedade e cooperação. Consideram ainda que a amizade na infância é um aspeto fulcral no desenvolvimento das crianças, partilhando do ponto de vista que através destas relações afiliativas e de atividades lúdicas as crianças ganham uma consciência ativa acerca da solidariedade, da partilha, do respeito e da compreensão do outro, assim como adquirem valores morais e realizam aprendizagens mutuamente apoiadas.

Porém, ao cruzar as minhas observações com as suas intervenções, creio que a educadora cooperante da instituição B tem uma posição sobre a amizade que difere da posição da educadora cooperante da instituição A, pois aquela educadora não permite que as crianças usufruam das suas relações durante as atividades propostas, assim como em determinadas situações de brincadeira livre (limitando o número de elementos por área), conferindo na verdade uma maior importância à aquisição e desenvolvimento de competências das áreas de conteúdo estabelecidas pelo Ministério da Educação, ainda que o possa fazer de modo inconsciente, acabando assim por contrariar a sua ideia expressa numa das suas respostas ao questionário: com a amizade a criança aprende a ganhar e a perder através das brincadeiras e a compartilhar e a descobrir as

diferenças entre o certo e o errado e a compreender o ponto de vista dos outros”.

Apesar de também ter afirmado que “a amizade é um dos valores mais importantes no desenvolvimento da educação da criança”, reforçou ainda mais a sua contradição ao impor, quase como uma regra, o respeito, a solidariedade, a aceitação e a compreensão pelo outro.

No que concerne à prática da educadora cooperante da instituição A, na minha perspetiva as suas conceções são nitidamente refletidas nas suas intervenções, demonstrando uma grande preocupação em promover e otimizar interações entre pares, fomentando as relações de amizade.

Todavia, é importante referir que ambas as educadoras, ainda que de maneiras distintas, atribuem importância, ao modo como pensam promover interações afiliativas, potencializando as relações de amizade existentes entre as crianças, dando primazia aos sentimentos destas, parecendo ambas compreender que “quando as crianças sabem que as pessoas se preocuparão com os seus sentimentos e necessidades, elas são sensíveis às necessidades e aos sentimentos dos outros, e elas brincam e trabalham à vez e partilham

razoavelmente” (Roberts, 2007, p. 158).

Relativamente à resolução de conflitos, ambas partilham da mesma perspetiva de serem as próprias crianças a resolve-los, intervindo quando necessário ou pedido, assim como coincidem na valorização da reflexão e de falarem abertamente dos sentimentos das crianças, aspetos bem patentes nas suas práticas e na expressão das suas convicções. A utilização de um sociograma cujo objetivo passa por analisar as relações estabelecidas dentro de um grupo, foi muito interessante na sua construção e também muito cativante na sua análise, fazendo emergir um sentido coincidente com as constatações que fui fazendo ao longo do estágio, podendo refletir os resultados obtidos,

restando-me ainda lamentar o facto de não ter podido realizar um sociograma na valência de creche, dada a idade das crianças.

Deste modo é essencial ter em consideração que tal como Katz e McClellan (2005) referem, é possível que haja crianças sociáveis que estabelecem relações com facilidade, mas que sentem dificuldades em gostar de outras crianças ou de criar laços com elas, não devendo enquanto futura educadora de infância interpretar as suas escolhas feitas num levantamento sociográfico como casos de popularidade e de impopularidade; nesse sentido, estes autores consideram que “não há razões para preocupação se as crianças optarem por trabalhar ou brincar sozinhas, desde que sejam capazes de uma interacção eficaz e satisfatória com outras crianças, quando essa

interacção é desejada, apropriada ou necessária” (Katz & McClellan, 2005, p. 16).

No quadro teórico de referência, abordei a felicidade das crianças, como um dos objetivos a alcançar pelo educador. Desta forma, considero essencial refletir sobre este objetivo, no que diz respeito às relações de amizade.

Na minha perspetiva, a educadora do contexto de creche, dava conscientemente primazia ao sentimento de felicidade e realização das crianças, permitindo-lhes que fossem felizes quer sozinhas, quer com as suas escolhas, nunca impondo pares ou grupos das crianças, deixando-as decidirem com quem queriam estar. Durante esse primeiro estágio constatei que a educadora atribuía uma extrema importância à necessidade que as crianças têm em brincar, assim como aos benefícios que têm através do ato lúdico.

Do que pude observar, talvez de forma inconsciente, a educadora do contexto de jardim-de-infância, a ideia de auxiliar as crianças a alcançar o bem supremo que é referido no capítulo I, não parecia ser um dos seus objetivos primários, pois apesar de responder às necessidades e interesses do grupo, colocava imposições.. Tal como anteriormente referido no presente capítulo, a educadora demonstrava uma grande preocupação em preparar o grupo para o 1º Ciclo, reservando pouco tempo para os momentos de brincadeira livre com os seus amigos, momentos que são indubitavelmente necessários para que expressem os seus sentimentos e frustrações, e para adquirirem competências socias e fortalecerem os laços de amizade já existentes.

Por último, quero ainda sublinhar que quando abordamos a amizade entre e com as crianças, referimos inúmeras vezes a palavra amigo e como devemos ser amigos de todos. No entanto, enquanto adultos sabemos que não somos amigos de todas as pessoas

que nos rodeiam, mas insistimos para com as crianças que devem ser amigas de todas as pessoas, o que me parece uma exigência impossível de ser cumprida.

Até iniciar este estudo, nunca tinha refletido sobre esta questão, pois na realidade, esta ideia pré-concebia é-nos transmitida de uma forma contínua desde muito cedo, desde a nossa entrada para a creche e jardim-de-infância sem que seja analisada de forma sistemática. Contudo, presentemente, como futura educadora de infância, creio que a ideia a reter passa por termos de ser o mais corretos possível com todos, mostrando respeito e compreensão pelos outros, pois só assim serão igualmente corretos para connosco.

Deste modo, é necessário refletir sobre o quão importante é estimarmos os amigos, potencializando as relações de amizade existentes entre as crianças, mas ressalvando que não precisamos de ser amigos de todas as pessoas, mas sim corretos e sensíveis para com elas.

Em suma, enquanto futura educadora de infância compreendo o papel fundamental que temos na promoção e potencialização das interações e relações afiliativas entre as crianças, uma vez que as nossas atitudes e abordagens a outras

pessoas “influenciam profundamente a noção do eu que se está a desenvolver – positiva ou negativamente” (Roberts, 2007, p.145).