4. CASE ANALYSIS
4.3 Implications of Types of Online Creative Consumer Communities
4.3.2 Implications of Types
A fonte principal dos dados coletados, na presente pesquisa, foram as 10 oficinas realizadas semanalmente e o grupo de 12 professores participantes. Essas oficinas, que ocorreram durante um período pré-determinado de tempo, com essa amostra de professores, constituíram um conjunto de atividades que configuraram o que chamamos de curso de formação continuada, como explicitado no capítulo sobre os referenciais teóricos.
Segundo Zeichner (1993), é preciso analisar a qualidade dos programas de formação de professores em função de dois critérios:
1- qualidade acadêmica: relacionada ao modo como o programa assegura que os professores participantes adquiram o conhecimento necessário para ensinar determinado conteúdo, o que envolve o conhecimento didático, pedagógico, do contexto, e outros, seria o saber e o saber-fazer; e
2- qualidade profissional: tem a ver com o modo como os formadores de professores relacionam os conteúdos específicos e o ensino desses, ou seja,
se os conceitos abordados em um curso são relevantes para serem desenvolvidos em contextos reais de ensino, ou seja, o foco está na atividade formativa de uma proposta.
Dessa forma, durante as oficinas, buscou-se coletar dados sobre suas qualidades acadêmica e profissional, no intuito de avaliar, por meio de uma análise da metodologia de ensino utilizada pelo professor formador e das atividades propostas, o curso ministrado, bem como o conhecimento construído pelos professores participantes. Tal avaliação baseou-se em opiniões expressas oralmente, transcritas a partir das gravações em áudio, em questionários e avaliações escritas, entrevistas, além da análise da participação dos professores cursistas, registradas em notas de campo.
Como já descrito, os professores foram convidados a participar do curso de formação continuada, sendo que na primeira oficina foram explicitados os objetivos do curso, a realização da pesquisa, bem como solicitada uma autorização para uso dos dados coletados através de um termo de consentimento (anexo 3), buscando assegurar, de acordo com Bogdan e Biklen (1994, p. 75) que:
1. Os sujeitos aderem voluntariamente aos projetos de investigação, cientes da
natureza do estudo e dos perigos e obrigações nele envolvidos.
2. Os sujeitos não são expostos a riscos superiores aos ganhos que possam
advir.
Dessa forma, ao negociar a autorização para efetuar um estudo, buscou-se a maior clareza possível e ser explícito com todos os intervenientes relativamente aos termos de acordo. Além disso, foi garantido o anonimato dos participantes, substituindo seus nomes completos pelas primeiras letras, como: “PA”, “VE”, “PR”, por exemplo.
Como descreve Bogdan e Biklen (1994), os investigadores qualitativos tentam interagir com seus sujeitos de forma natural, buscando minimizar os efeitos do observador, assim buscou-se criar um ambiente onde os participantes do curso pudessem agir não como sujeitos observados, mas que pudessem expor as experiências e situações vivenciadas o mais próximo possível da realidade.
Como instrumentos de coleta de dados, utilizou-se (BOGDAN e BIKLEN, 1994):
a) Questionários: para verificar pontos específicos e comuns a todos os que participaram da pesquisa. De acordo com Gil (1991) utilizou-se o
questionário auto-aplicado, aquele que é entregue ao pesquisado para ser respondido de próprio punho, e garante o anonimato das respostas, não expõe o pesquisado por à influência de opiniões, favorece a tabulação e análise dos dados;
b) Observação participante: o investigador introduz-se no mundo das pessoas que pretende estudar e elabora registros sistemáticos de tudo o que ouve e observa. Assim durante as oficinas e ao término delas realizou-se anotações descritivas;
c) Análise de materiais escritos: todos os materiais escritos produzidos ao longo do curso foram analisados para verificar pontos específicos e comuns a todos os que participaram da pesquisa;
d) Entrevistas com os professores participantes: não configuraram uma sessão formal de perguntas, mas sim questões abertas que buscavam uma semelhança com a conversa entre dois confidentes no intuito de captar aquilo que é verdadeiramente importante do ponto de vista do sujeito. As entrevistas foram utilizadas em conjunto com a observação participante e análise de documentos;
e) Gravações em áudio: todas as oficinas foram gravadas em áudio (as falas dos professores participantes e professor pesquisador) e, posteriormente, transcritas com o objetivo de perceber a concepção dos professores frente aos encontros. De acordo com Ives (1974 apud Bogdan e Biklen, 1994) o gravador deverá ser visto como uma terceira presença que não se consegue ver.
Além disso, considerando que o conhecimento didático do conteúdo permite conhecer as formas de representação que o professor utiliza para compreender o conteúdo que ensinam e para transformá-lo em conhecimento ensinável, e o enfoque foi o ensino de Genética, uma matéria em particular, utilizou-se as árvores ordenadas, que de acordo com Marcelo Garcia (1999, p. 161): “é uma técnica que permite conhecer
qual a estrutura que os conceitos adotam num determinado tema.”
Para isso, solicitou-se aos professores que escrevessem uma lista de palavras sobre um tema selecionado (por exemplo: clonagem, células-tronco, transgênicos), e
depois agrupassem essas palavras em categorias, atribuindo um título a cada uma delas, para em seguida construir uma árvore relacionando os conceitos e grupos. Essa atividade auxiliava na coleta de informações sobre a forma como os participantes poderiam transformar a árvore elaborada em um esquema de ensino.
A coleta de dados envolveu também discussões e questionamentos direcionados aos participantes no intuito de identificar os saberes que utilizam efetivamente em seu trabalho diário para desempenhar suas tarefas e atingir seus objetivos (TARDIF, 2003).
A análise dos dados, de cunho interpretativo, após a organização sistemática das transcrições das oficinas e notas de campo, bem como das entrevistas, embasaram-se nos referenciais sobre formação de professores, enfocando os saberes docentes, assim como os resultados de pesquisas que focalizaram o ensino de Genética. Porém, como relatado anteriormente, alguns aspectos como o saber disciplinar e o saber pedagógico do conteúdo ressaltaram durante o desenvolvimento das oficinas, e tais aspectos serão utilizados como temáticas para análise dos dados. Além disso, a intenção não foi acompanhar cada sujeito em particular, mas sim realizar uma análise geral, para tanto foram extraídas falas, ou partes delas, para alcançar o objetivo principal proposto nesse trabalho: a avaliação de um curso de formação continuada.
Por fim, é importante ressaltar que o presente trabalho objetivou documentar cuidadosamente um determinado contexto e um grupo de sujeitos e não pretende que os dados sejam generalizáveis, “sendo tarefa dos outros aperceber o modo como isto se
articula no quadro geral” (BOGDAN e BIKLEN, 1994), pois a delimitação do campo e
o tempo de duração da pesquisa não incluíram os contextos mais amplos, por exemplo, com relação à organização escolar. Somente foram considerados os aspectos que se manifestaram explicitamente na sala de aula. Aspectos relacionados às políticas educacionais se fizeram presentes apenas pontualmente e não foram considerados pelos professores pesquisados como determinantes de suas práticas.
Dessa forma, os conhecimentos produzidos pelo presente estudo necessitam ser expandidos com a análise de outros fatores contextuais mais amplos e com a observação de transformações efetivas na aprendizagem dos alunos.