1. INTRODUCTION
6.3 Implications of the severity measures
6.3.4 Implications of the severity measure procedures
Como nos diz Rodrigues (2002), a história da indústria portuguesa de moldes tem as suas raízes na da indústria de vidro (Pereira, 2003, Crespo, 2002, Gomes, 1998, CEFAMOL, 2004, sustentam essa opinião). O sucesso da indústria parece derivar de um processo histórico de aprendizagem, uma vez que a indústria de moldes nasce da concentração local de vidreiras que necessitavam de moldes para a sua actividade, essas vidreiras seguem também um processo histórico de concentração iniciado com a instalação da famosa Fábrica de Vidro do Coina, na Marinha Grande (hoje conhecida como a Fábrica Escola Irmãos Stephens) pelo inglês Guilherme Stephens, em 1769. Essa instalação inicial terá funcionado como um processo de ignição de acumulação de conhecimento. De facto, ao contratarem artesãos especializados no estrangeiro, que depois ensinaram os seus conhecimentos (em grande parte de carácter tácito) a portugueses, criando uma mão-de-obra qualificada, os irmãos Stephens não fizeram mais do que, através de fluxos internacionais de pessoas, desenvolver processos dinâmicos de acumulação e transferência de conhecimento.
No entanto, até 1920 não havia produção de moldes para vidro na Marinha- Grande. Só em 1926, Aires Roque, um trabalhador na Fábrica dos Irmãos Stephens, produziu o primeiro molde para vidro.
Mais tarde, Aires Roque e o seu irmão, Aníbal Henrique Abrantes, abriram uma oficina de produção de moldes para vidro (em 1929, a Aires Roque & Irmão) (Pereira, 2003). É aqui que em 1937 seria produzido o primeiro molde para plástico em Portugal (Rodrigues, 2002). Em 1936, em parceria com a empresa de Aires Roque, António Santos abriu a primeira oficina de vidro na zona de Oliveira de Azeméis.
Em 1944, Aníbal H. Abrantes, confiando no potencial da baquelite (a matéria- prima utilizada para produzir plástico) e das matérias plásticas, decidiu criar a sua própria empresa, propondo a separação ao seu irmão (que continuou a aposta na indústria vidreira), alterando-se a denominação da empresa para Aníbal H. Abrantes (Rodrigues, 2002). Em 1947, com a aparição do termoplástico, é produzido o primeiro molde de injecção (Rodrigues, 2002). Como refere Pereira (2003), os termoplásticos necessitam de calor para adquirirem elasticidade, fundindo o plástico que é depois injectado em moldes, o que permite uma maior eficiência produtiva. Esta eficiência,
aliada ao crescente uso do plástico foi um dos motivos para o crescente sucesso da recém criada indústria.
Simultaneamente, em Oliveira de Azeméis, em 1945, é produzido o primeiro molde de plástico na mencionada empresa de António Santos, génese do outro pólo português da indústria de moldes (note-se que a sociedade entre António Santos e Abrantes seria extinta em 1950 - Rodrigues, 2002).
Ao contrário da que acontecia noutros países, a indústria de moldes não tinha nascido da indústria metalúrgica, o que tornava difícil a contratação de empregados com um perfil polivalente. Desta forma, as tarefas dos tradicionais fabricantes de moldes foram divididas em diversas operações (Rodrigues, 2002). Esta especialização terá permitido um rápido crescimento da indústria (uma vez que era mais fácil treinar empregados numa área específica) (Rodrigues, 2002).
Simultaneamente, a fábrica de Aníbal H. Abrantes funcionou como uma “escola de moldes” (à semelhança do que tinha acontecido com o vidro) e do seu seio foram saindo trabalhadores que originaram a criação de novas empresas, assumindo um espírito empreendedor e um perfil de risco muito pouco típico da indústria portuguesa. Estas empresas eram formadas tipicamente por quatro a seis indivíduos, especializados em actividades complementares e dissemelhantes, obtendo as suas primeiras encomendas através de clientes da Aníbal Abrantes18 (Pereira, 2003).
Note-se que nos finais dos anos 40, inícios dos anos 50, o curso de vidro industrial da Escola Industrial da Marinha Grande, desempenhou um papel essencial na formação de alguns trabalhadores (por exemplo, Henrique Neto). Neste curso foi incluído um módulo de desenho de máquinas, de carácter vital para a produção de moldes (Rodrigues, 2002). Como nos diz Rodrigues, o facto do molde ser produzido de acordo com um projecto de desenho em todas as suas fases, permite uma estandardização da comunicação entre as diversas secções e fases de fabrico, que permite a criação de moldes de maior qualidade.
18
Tais foram os casos de: Emídio Maria Da Silva – Marinha Grande, 1947; António Santos – Oliveira de Azeméis, 1950; Moldoplástico – Oliveira de Azeméis, 1955; Somena – Marinha Grande, 1958; Simoldes Aços – Oliveira de Azeméis, e a Somoplaste, Marinha Grande, 1965 (Pereira, 2003).
4.2.2 As décadas de 50 e 60
Em 1954, em Espinho, ensaiava-se um molde de uma pequena caixa de música, fabricado na Marinha Grande por Aníbal Abrantes (Pereira, 2003). Anthony Jongelenen, de nacionalidade norte-americana, que exercia funções de director de exportação numa empresa sueca de instrumentos (Rodrigues, 2002), estava presente nesta ocasião. Ao ver a capacidade de Aníbal Abrantes para produção de moldes para brinquedos, decidiu aparecer na fábrica deste, a fim de se propor como intermediário exclusivo dos moldes produzidos por esta empresa. Os primeiros países alvo destas exportações foram a Grã-Bretanha e os EUA (Rodrigues, 2002). Em 1957 Abrantes produzia apenas moldes para exportação (o que contribuiu definitivamente para aumentar os padrões de qualidade, exigência e desenvolvimento técnico da indústria, dado que o mercado interno era incipiente).
Apesar de inicialmente este contrato ser excelente, a função de intermediação veio a decair pelo facto deste norte-americano começar a trabalhar com outras empresas do sector, gerando uma ruptura com Abrantes e a rescisão do contrato entre ambos (em 1965).
Na sequência do conflito inicial com o norte-americano, Abrantes decide enviar o Sr. Henrique Neto, um dos seus empregados, para um cliente nos EUA (a viagem foi paga por Jongenelen, dada as dificuldades económicas que a empresa passava). Henrique Neto consegue a encomenda de 28 moldes, que acabou por ser vital para a sobrevivência da empresa (apesar das exigências de recebimento que teve de se sujeitar) (Rodrigues, 2002). Esta viagem veio pôr ainda mais em causa o papel de intermediação de Jongenelen, o que resultou na ruptura que referimos.
Henrique Neto, passa a partir desta altura a desempenhar um papel crucial na ligação de Portugal ao mercado internacional, papel que António Santos vem também a assumir com particular evidência, a partir de uma empresa comercial e de engenharia - a Tecmolde. Em 1975, juntamente com Joaquim Menezes, Henrique Neto compra a Aníbal H. Abrantes, onde exercia funções de director executivo (Rodrigues, 2002).
Em 1969 é fundada a CEFAMOL -Associação Nacional da Indústria dos Moldes, a qual tem vindo de forma discreta mas eficiente a dar visibilidade crescente ao sector, tanto em termos nacionais como internacionais (Pereira, 2003).
4.2.3 As décadas de 70 e 80
No fim da década de 70, a indústria já exportava para mais de 50 países e só na zona da Marinha Grande existiam 64 empresas em laboração, empregando cerca de 2000 pessoas (Pereira, 2003).
Contudo, a década de 80 traz consigo um crescimento verdadeiramente impressionante. O número de novas firmas saltou para mais de 50, no período de 1980 a 1989 (Rodrigues, 2002). Como se pode ver pelo Anexo 6, a taxa de crescimento das exportações, em alguns dos anos desta década, chegou a ultrapassar os 80%. A elevada procura de bens com (ou de) plástico no mercado mundial e a consequente procura de moldes é uma das razões apontadas para este forte crescimento (Rodrigues, 2002)
A partir de 1986, com a entrada de Portugal na CEE, são os países europeus que passam a ocupar um papel mais preponderante em termos de clientes.
Em 1985 foi criado o CENFIM – Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica, (trata-se de um Acordo Protocolar entre o IEFP -Instituto te Emprego e Formação Profissional e as Associações dos Industriais Metalúrgicos e Metalomecânicos do Norte e do Sul, actualmente designadas por AIMMAP -Associação das Indústrias Metalúrgicas, Metalomecânicas e Afins de Portugal e ANEMM – Associação Nacional das Empresas Metalúrgicas e Metalomecânicas), que tem contribuído através de este leque de actividades para a criação, absorção e difusão de conhecimentos com impacto substancial na actividade deste sector (Pereira, 2003).
4.2.4 A década de 90
Se na década de 80, o número de empresas chegou a mais de uma centena, durante a década de 90 ele eleva-se para duzentas e cinquenta empresas (Pereira, 2003). Todavia os ritmos de crescimento abrandaram, como se pode ver pelo Anexo 6.
Em concordância com a modernização industrial que decorreu da adesão do país à CEE, em 1991, a CEFAMOL contribui para a implementação na Marinha Grande do CENTIMFE (Centro Tecnológico da Indústria de Moldes Ferramentas Especiais e Plásticos) que se encontra equipado, desde a sua fundação, com tecnologias mais recentes nas áreas de concepção, planeamento e fabricação com uso intensivo de
tecnologias de informação (Crespo, 2002). Esta instituição tem-se afirmado como elo de ligação entre as empresas e o mercado, concedendo apoios às empresas que tenham como objectivo o aperfeiçoamento das actividades empresariais em causa, bem como em matéria de qualidade e de produtividade (Pereira, 2003).
Como vimos, a emergência da indústria dos moldes passa pela "Aníbal H. Abrantes" e pelas redes de conhecimento e relações criadas por esta. O crescimento foi possível graças à formação de técnicos, gestores, mobilização de capitais, angariação de novos clientes por parte da empresa, bem como pela acção de outros “actores” que de certa forma interagiram com esta. Foi a Aníbal Abrantes quem estabeleceu as primeiras relações económicas com compradores externos, criando e difundindo uma metodologia de actuação por especialidades, tendo, na circunstância, desenvolvido mecanismos de controlo e coordenação das mesmas. (Mota, 2000).