7. Toward a two-track enforcement regime for corporate bribery and similar corporate offences
7.2 Implications for institutional design
A trajetória do turismo teve início há milhares de anos, quando na antiga Grécia as pessoas viajavam para ver os jogos olímpicos (BARRETO, 2003). Contudo, o grande marco do turismo foi em 1841, quando Tomas Cook, no intuito de combater o alcoolismo, organizou
uma viagem de trem e levou 570 pessoas a um encontro em Loughborough na Inglaterra. A partir de então, percebeu-se que havia um interesse para deslocamentos dessa natureza, facilitado pela sustentação oferecida pelas ferrovias. Assim, o turismo tornou-se uma atividade cada vez mais planejada e organizada, e até os dias atuais, vem crescendo em todos os setores que o contemplam.
O turismo organizado é uma atividade econômica chamada metaforicamente “indústria turística” pela escola norte-americana, implica: 1) estrutura de atendimento no local de origem do turista, composta pelas agências ou operadoras, guias ou softwares que preparam a viagem; 2) transportadoras que viabilizarão o deslocamento, a viagem propriamente dita e; 3) equipamentos receptores no local de destino, os serviços prestados ao turista e toda a trama de relações entre visitantes e residentes do local visitado, faceta que se revela atualmente como a que merece mais atenção dentro do fenômeno turístico. (BARRETO, 2003. p.15)
A atividade turística no Brasil foi reconhecida e ganhou credibilidade através da Constituição Brasileira no ano de 1988, no art. 180, que assim a define: “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios promoverão e incentivarão o turismo como fator de desenvolvimento social e econômico”. No estado de Minas Gerais pode-se mencionar no âmbito das políticas publicas de turismo a Politica de Regionalização e Descentralização, criada por meio do Decreto de Lei n º 43.321 no ano de 2003.8
A atividade turística, uma das necessidades criadas pelo mundo moderno, está em constante expansão. São várias as motivações para os deslocamentos em função de várias modalidades como: negócios, lazer, eventos, gastronomia, religiosidade, esporte, cultura, meio ambiente, ecoturismo, geoturismo, turismo de vilarejo, turismo de aventura, dentre outros. O setor tem crescido devido ao surgimento de novas tecnologias e consequente modernização dos processos, de acordo com informação divulgada pelo Ministério do Turismo:
O comportamento do consumidor de turismo vem mudando e, com isso, surgem novas motivações de viagens e expectativas que precisam ser atendidas. Em um mundo globalizado, onde se diferenciar adquire importância a cada dia, os turistas exigem, cada vez mais, roteiros turísticos que se adaptem às suas necessidades, sua situação pessoal, seus desejos e preferências. (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2010 p.7)
8 Decreto nº 43321, de 8 de maio de 2003 . Disponível em:
http://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/completa/completa.html?tipo=DEC&num=43321&comp=&ano=20 03 . Acesso em 04 de Dezembro de 2014.
O turismo tem relação direta com o patrimônio e com a cultura, pode-se dizer que sem cultura não há a atividade turística. O segmento mais conhecido desta atividade é o turismo cultural, que possui como principal atrativo aspectos variados da cultura humana. A cultura de um povo, construções, os monumentos, as histórias, as manifestações religiosas, a observação e a vivência dos diversos tipos de cultura são alguns dos atrativos que fazem as pessoas se deslocarem. A memória é um importante meio para se transmitir estes processos culturais. De acordo com Castore (2012, p. 37):
A memória é uma construção social que edifica identidades distintas e patrimônios de culturas diversas. O que é caro a determinado grupo social é guardado e transformado em bem, em herança que motiva orgulho e que se quer preservar. A memoria gera interpretações costumeiras e leituras críticas e, sobre tudo, curiosidade em todos aqueles que buscam conhecer as diferenças culturais.
Atualmente, a proteção do patrimônio extrapola o estado e alcança a sociedade, tem crescido a tendência de valorização e preservação dos acervos culturais dando margem ao desenvolvimento da atividade turística (SIMÃO, 2001, p.17). Interpretar o patrimônio como atrativo turístico deve ser um ato cuidadoso, de forma a não distanciar do que se quer revelar, desde as fontes em que as informações foram adquiridas e ao meio em que estão sendo repassadas. De acordo com Barreto (2003, p.77)
A fidelidade aos fatos históricos, ao que está guardado nos arquivos, tanto oficiais quanto da memória coletiva, a recuperação das histórias da vida cotidiana, a compreensão dos nexos entre os grandes feitos e a petit histoire, tudo isso é condição para trabalhar bem um recurso cultural do ponto de vista de sua aplicação ao turismo.
A atividade turística pode proporcionar a preservação da identidade de áreas com potencial ou interesse turístico, através do desenvolvimento social e econômico, por outro lado, há a possibilidade de descaracterização da área ou perda da identidade local.
Diversas iniciativas podem ser elencadas para que a atividade aconteça prevendo a mínima perda da identidade e da cultura. O contato entre a comunidade autóctone e o turista deve ocorrer de maneira cautelosa e planejada. O envolvimento da população no reconhecimento, valorização das potencialidades e dos atrativos a serem comercializados são essenciais. De acordo com Simão (2001, p.18) “A implementação da atividade turística em muitos locais está rigidamente atrelada à sua preservação, considerada em si mesma o atrativo principal”. A Vila do Biribiri atrai uma demanda de visitantes que aos pouco toma conhecimento do seu patrimônio e seus atrativos. Por estar localizada em uma cidade universitária e cercada pelo
Parque Estadual do Biribiri, é comum se encontrarem ali, estudantes em sua maioria à procura do lazer e descanso. De acordo com Rushumann (2006) uma das maiores motivações de viagens de lazer é o contato com a natureza. É um espaço de grande simbologia entre a relação do tempo vivido, com a memória presente na sua estrutura, sua arquitetura e conjunto.
As pessoas se deslocam à procura de algo que chame atenção, o diferencial, o novo, a aventura, o inusitado, o diferente, um lugar, uma característica identitária. Diversificados são os pretextos ou motivos que podem demandar o interesse turístico por alguma região. A vila do Biribiri tem um grande potencial como atrativo turístico, porém, a estrutura ainda é precária, não há um serviço de informações organizado, nem referencias no local que expliquem o contexto histórico dela, o acesso à igreja e às dependências da fabrica ainda não existe oficialmente.
A necessidade de preservação do que é entendido como antigo em contraposição à globalização e valorização das tecnologias atuais, pode representar um elo referencial entre o passado e o futuro. É preciso compreenderem as necessidades e os valores de ontem para valorizar o que temos hoje.
As atratividades da cidade de Diamantina e o titulo de Patrimônio Cultural da Humanidade, não lhe garantem constância de visitantes ou um turismo perene. Há a necessidade de se estruturar o trade de turismo e de se planejar o mercado frente aos concorrentes tanto para a atividade do turismo quanto para o desenvolvimento local. A comunicação no turismo deve ser continua visando despertar novos olhares dos turistas, visitantes e moradores para esta atividade.