Chapter 6: Explaining Children's Exclusion from Education
6.4 Implications of the Findings
A maioria dos casos de DA são esporádicos, têm um início tardio e fazem parte de uma complexa interacção entre predisposição genética e factores de risco cardiovascular. Estes factores podem conduzir a disfunção cerebrovascular, a qual por sua vez pode precipitar DA. Os factores de risco vascular para DA incluem AVC, HTA, diabetesM, tabaco, deslipidémia, homocisteinémia, cardiopatia isquémica, FA e hábitos alcoólicos (42). Neste trabalho todos estes parâmetros foram avaliados excepto a homocisteinemia. Como verificado nos resultados, estes factores estavam presentes nos 3 grupos estudados, contudo, foram os doentes com DM comparativamente aos doentes com DA e controlos que apresentaram maior prevalência de factores de risco
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cardiovascular, sendo mais um dado a favor da importância destes agentes no desenvolvimento de demência. No entanto e provavelmente devido ao tamanho reduzido da amostra de doentes, apenas a dislipidémia se mostrou significativa entre os grupos de DA e DM (p=0,007) com uma percentagem de 69,2% no grupo DM e de 24% no grupo de DA. A dislipidémia além de contribuir para problemas cerebrovasculares, também revelou ter uma interacção adicional na DA, devido ao efeito do colesterol na degradação da proteína precursora amilóide e no metabolismo da apolipoproteina E (43). A diabetesM apesar de não ser significativa neste estudo também apresentou maior prevalência no grupo da DM, estando fortemente associada a demência vascular e a DA.
A FA teve maior prevalência entre doentes do grupo de DM, o que se torna interessante uma vez que esta patologia de forma independente está significativamente associada a todo o tipo de demências e que existe um risco elevado de evolução para demência em pacientes com idade inferior a 70 anos que sofrem de FA. Esta patologia identifica também doentes dementes com elevado risco de mortalidade (44).
Quanto aos sintomas depressivos, um estudo recente que compara DA e DV revelou que das poucas diferenças consistentes entre estas duas patologias a depressão e o comprometimento funcional se destacavam com uma taxa mais elevada comparativamente a doentes de Alzheimer (45). Neste estudo apesar de não estarmos a estudar doentes com DV, a percentagem de doentes com sintomas depressivos era de 23,1% em doentes com DM em comparação a 8% na DA.
Relativamente às restantes variáveis dicotómicas, a HTA e a cardiopatia isquémica, apesar de não terem significância, tiveram maior prevalência no grupo da DM. O álcool e o tabaco apresentaram frequências muito semelhantes entre os 3 grupos, destacando-se o tabaco nos controlos com maior prevalência. O grupo dos controlos,
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mostrou muitas vezes frequências de outros factores de risco próximas de um ou de outro grupo de doentes, sendo relativamente a estes parâmetros, uma amostra comparável às amostras de doentes.
Quanto a antecedentes familiares, os conhecidos foram apenas encontrados em doentes com DA.
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Limitações
Este trabalho de investigação é um estudo retrospectivo e como tal esteve completamente dependente de informação clínica recolhida no passado que nem sempre estava presente de acordo com os parâmetros avaliados neste estudo.
A falta de experiência e variabilidade intraindividual na medição das estruturas encefálicas e o facto do estudo não ser cego poderão ter contribuído para a volubilidade nas medições entre grupos.
O tamanho da amostra era pequeno para estabelecer relações com determinadas variáveis nomeadamente com as dos factores de risco cardiovascular e algumas estruturas encefálicas.
Não se teve em conta a medicação dos doentes, um factor que pode alterar a progressão de demência e os factores de risco cardiovascular.
Foram medidas e comparadas TAC-CE de doentes com evolução sintomatológica muito variada.
A variável tempo de evolução foi baseada no referido pelo doente durante as consultas, sendo por isso um dado bastante subjectivo.
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Conclusão
Apesar do tamanho reduzido da amostra, este estudo confirmou a existência de um padrão de atrofia encefálica em doentes com DA e encontrou um padrão muito semelhante no grupo de doentes com DM. Esta atrofia mostrou-se claramente significativa assim que comparada com doentes da mesma faixa etária, com factores de risco cardiovascular mas sem patologias demenciais ou alterações vasculares cerebrais. Relativamente às estruturas encefálicas que não tinham sido medidas em TAC-CE ou RMN no contexto de demência ou que ainda não tinham sido medidas apenas em TAC- CE, a largura dos cornos occipitais dos ventrículos laterais mostrou um padrão de atrofia encefálica nos dois grupos de doentes e a distância interuncal, à semelhança de estudos anteriores, não mostrou grau de significância com nenhuma variável, sendo as suas médias muito semelhantes nos 3 grupos.
Considerando a variável tempo de evolução, apesar da sua subjectividade e do reduzido número de doentes, como não se correlacionou com as medidas das estruturas encefálicas estudadas, destaca-se a sua utilidade de diagnóstico na prática clínica na detecção de atrofia cortico-subcortical do lobo temporal medial nos doentes com DA.
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