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5. Discussion

5.3. Implication of the Findings

As vantagens didáticas advindas da produção de programas de rádio e televisão são tão pertinentes que torna difícil compreender por que países ainda tão carentes de políticas educacionais realmente efetivas, como o Brasil, têm investido tão pouco em sua história recente para equipar as escolas de modo a fomentar a aprendizagem escolar através desses meios. Se no passado havia impossibilidades devido aos equipamentos de transmissão radiotelevisiva serem muito onerosos, hoje essa justificativa não é mais aceitável, pois chega a ser impressionante como aparelhos de longo alcance podem ser tão acessíveis.

O desafio maior não é mais a aquisição dos transmissores, senão o entendimento de que a escola precisa ser mais; representar mais como laboratório de prática que permita ao aluno apossar-se dos conhecimentos e demonstrar seu desenvolvimento por meio de sua

produção textual multissemiótica. Para isso a escola precisa compreender melhor como o rádio e a TV são vitais para que ela se engrandeça e como utilizar dessas modernas tecnologias para desenvolver propostas didáticas capazes de formar cidadãos hábeis em se expressar de forma ampla e por múltiplos meios.

A produção radiofônica, por exemplo, têm um potencial gigantesco e pouco explorado para criar no ambiente de ensino rotinas e tarefas que desafiam os alunos a irem além da criação textual instrumentalizada. Através dela é possível debater todos os temas da atualidade, facilitando a formação de leitores e expectadores com visão crítica apurada. É possível também produzir e distribuir conhecimentos, informações e cultura, além de permitir que os alunos gerenciem sua programação e encontrem nessas atividades espaço propício para a expressão de suas ascendentes ideologias e para a promoção de diálogos com os fatos e dilemas que chamam a atenção da nação.

O rádio tem o poder de criar situações comunicativas estimulantes e ensaísticas que promovem um expressivo desenvolvimento na língua alvo (ODERA, 2008) e diversos estudos e experiências ao redor do mundo evidenciam essas características agregadoras para o ensino. Performances sobressalentes em comparação com grupos desprovidos de atividades assim também têm sido constatadas (TILSON et al, 1991; LEIGH & CASH, 1999). Ele também é propício para a prática da aprendizagem centrada no aluno e ajuda os educadores a abraçarem novas abordagens, inovações e desenvolver o pensamento pedagógico (ANZALONE & BOSH, 2005). O fato relevante é que a produção e a interação radiofônica são comunicações elaboradas e dominá-las na escola é imprescindível para a educação em geral.

Não menos interessante para o ensino e compartilhando das mesmas vantagens citadas, a produção televisiva também possibilita grandes evoluções nos processos de ensinar e aprender. Vale ressaltar que as produções audiovisuais necessitam de meios para ganharem publicidade e servirem como vitrine do que se está sendo feito na escola. É então que investir em transmissões radiotelevisivas torna-se essencial, pois elas servem para valorizar os projetos mais proeminentes ao honrá-los em sua programação e, obviamente, para apresentar programas e informações de interesse educacional.

Entretanto, ainda não há muitos exemplos notáveis de escolas que encontraram na produção/transmissão radiotelevisiva um aliado para estimular a integração do aluno com a instituição e o aperfeiçoamento das estratégias didáticas. Há sim muitas pesquisas que contemplam as vantagens do uso de produções televisivas para o ensino presencial e a distância, principalmente o uso de programas educacionais (CCT, 2004). Mas isso não é suficiente para os alunos entenderem e dominarem os processos de construção de programas

de rádio e TV e assim desenvolverem um modo mais criticamente ativo diante do poder de influência desses meios. É fato que o rádio perdeu muito sua função social nos últimos dez anos e que a audiência televisiva também é cada vez menor, mas ainda figuram como fonte principal de acesso a informações para a maior parte da população, ou seja, saber pela prática como são feitos esses programas e como é possível manipular os textos escritos e visuais é imprescindível para a formação de cidadãos capazes de pensamento crítico livre.

O fato principal é que as ferramentas de produção e transmissão audiovisual estão cada vez mais acessíveis (KAYMAS, 1999) e a escola tende também a dominá-las cada vez mais – aumentando assim seu valor comunitário, pois através dela podem ser feitas muitas políticas de estado além das que já estão em curso, e sua função social, já que a escola tem potencial maior de servir a uma comunidade. Há tempos que a pedagogia tem percebido que a escola pode significar mais para os alunos e a comunidade em que está inserida, pois é a partir dela, principalmente, que a sociedade se desenvolve culturalmente. Mas sua influencia social é diminuta se ela não estiver presente nos meios de comunicação ou não atuar na organização e na divulgação de conhecimentos e informações imprescindíveis para que a população possa exercer seus direitos e conhecer seus deveres fundamentais para o exercício da cidadania.

4.3.5.1 Ferramentas para a produção e a transmissão radiotelevisiva

Os materiais audiovisuais produzidos pelos alunos normalmente ganham voz na própria escola, ora pela sua replicação nas aulas de professores que perceberam algum valor didático, já que representam amostras genuínas da língua alvo em uso experimental, ora em eventos culturais temáticos que as escolas costumam promover para fins diversos. Contudo, no mundo altamente informatizado em que vivemos as possibilidades de transmissão remota de áudios e vídeos são imensas e giram em torno das ferramentas de hospedagem virtual de dados, como algumas citadas neste trabalho, e sites de armazenamento em nuvem (Google

Drive, SkyDrive, Dropbox, Ubuntu One, iCloud, Box, SugarSync, etc.). Elas permitem o

acesso livre a todos os públicos ou restrito a um grupo específico e carregam informações sobre quantidades e qualidades das visualizações, facilitando a coordenação dos projetos e a escolha do público alvo, considerando que todo material audiovisual deve obedecer a diretrizes éticas relacionadas à exposição dos alunos.

A produção de programas radiotelevisivos encontra toda uma gama de informações e recursos destinados a capacitar os mais leigos a criarem roteiros e estratégias de interação

com o público e, devido a sua semelhança com as demais produções audiovisuais, compartilha com essas atividades ferramentas e processos. Apesar de a TV e o Rádio serem apenas meios pelos quais essas produções podem ser teletransmitidas, sua organização, gerenciamento e transmissão envolvem atividades estimulantes ao domínio verbal e visual e são visíveis as vantagens que a implantação de emissoras radiotelevisivas nas escolas pode fornecer à educação, pois ela cria demandas que motivam a produção de textos multimodais, oportunizando aos alunos o desenvolvimento das habilidades comunicativas e a aprendizagem colaborativa.

Vale também citar que há sites de criação radiofônica (Spreaker.com,

Radionomy.com, Grooveshark.com, Dyb.fm, etc.) e televisiva (UStream.tv, Stickam.com, www.blip.tv, youtube.com, etc.) capazes de suprir a necessidade de transmissão a partir da

escola, já que nem todas escolas podem investir em aparelhos transmissores ou priorizar esses tipos de atividades. Tais propostas têm sido estudadas por alguns gestores das escolas estudadas por esta pesquisa e, a princípio, a maioria dos educadores é favorável a uma maior inclusão das práticas comunicativas advindas de atividades de produção radiotelevisiva, já que elas funcionam como motores para a instalação de rotinas integradoras entre alunos, professores, habilidades e conteúdos. Em uma das escolas (CILC) observou-se a instalação de aparelhos de reprodução auditiva de grande alcance para a realização de intervalos musicais, onde os alunos podem conhecer melhor as canções em destaque nas diversas línguas estudadas e serem informados sobre os eventos e normas da escola. Eis uma demonstração de que há escolas que podem investir na aquisição de aparelhos, desde que justificada pela elaboração de projetos interessantes à educação.