1.4 Teoretiske innganger
1.4.1 Implementering
O termo teleologia (teleologie) significa de maneira geral a doutrina filosófica da finalidade (utilidade) e/ou do fim terminal. Mas é um neologismo43 formado a partir dos
conceitos gregos de τεοςλεος (teleos = fim) e λογíα (logía = estudo, ciência). Sua criação é,
geralmente, atribuída ao filósofo alemão Christian von Wolff (1679-1754) em 1728 na obra escrita em latim Philosophia rationalis sive logica.
A teleologia é, pois, a filosofia que explica o universo em termos de suas causas finais. O filósofo grego Aristóteles (384-322 aC), subscrevia a ideia de que todos os fenômenos e processos na natureza podem ser explicados por meio da causa final (destino, propósito ou desígnio). Aristóteles, não usava este termo, mas expressões que remetem ao mesmo, tais como: causa final ou, simplesmente, telos. Por isso, sua filosofia é muitas vezes designada como uma filosofia aristotélica teleológica.
43 Neologia, s. f. Emprego de palavras novas ou de novas acepções; admissão de doutrinas muito recentes. Fonte: BUENO, Francisco da Silveira. Minidicionário da Língua Portuguesa. São Pulo: LISA, 5ª Ed. Atualizada, 1991.
De maneira geral entende-se que quase a totalidade das religiões tendem a ser favoráveis à ideia de uma teleologia. Temos também como exemplos arcaicos dessa mesma concepção a aplicação do termo nos pré-socráticos como Anaxágoras; nos clássicos como Platão que, atribuía certo desígnio divino na autoria de toda a criação física quando esboçava em sua filosofia a doutrina das Ideias e Formas; além de Aristóteles que, em sua teoria das quatro causas, via o desígnio de uma causa final atuante em todas as coisas.
MORA, em seu Dicionário de Filosofia, apresenta um esboço mais apurado do presente termo como segue:
Kant também enfrenta os problemas postos pela dialéctica do juízo teleológico. Com efeito, aqui aparece a antinomia surgida destas afirmações: 1. Todas as coisas naturais foram produzidas por leis meramente mecânicas; 2. Não é possível nenhuma produção de coisas materiais por leis meramente mecânicas. Segundo Kant, a antinomia não se pode resolver e poderíamos concluir que um propósito natural é inexplicável. Mas na medida em que analisamos o comportamento humano e a sua compreensão da realidade observamos que nele se podem unir o princípio do mecanicismo universal da natureza com o princípio teleológico da natureza, sempre que admitamos que o princípio unificador é de carácter transcendente. O juízo teleológico não pertence nem à ciência natural nem à teleologia; é apenas um tema da crítica do juízo. Prova Teleológica: Esta é uma das provas clássicas da existência de Deus e foi aceite por maior número de filósofos e teólogos que a prova ontológica. Entende-se esta prova em dois sentidos: física e metafisicamente. Fisicamente consiste numa demonstração da existência de Deus com base na ordem deste mundo, na harmonia do cosmos. Metafisicamente, a prova teleológica consiste numa demonstração da existência de Deus fundamentada na passagem do movimento à causa do movimento e do contingente ao necessário. Na crítica da razão pura, Kant examinou a demonstração da existência de Deus por meio da finalidade da natureza e quis mostrar que os argumentos oferecidos fracassaram pela impossibilidade de passar do mundo fenoménico ao mundo numénico. O Deus em que desembocariam tais elementos, assinala Kant, seria, no máximo, uma espécie de demiurgo, não o Deus criador, omnipotente a que se referem os que usaram a prova. Kant reconhece no entanto que tal prova tem muita força de convicção e por isso tem sido usada com tanta frequência. Um dos seus pontos de partida é a ideia de que o mundo é um signo ou código do mundo invisível e, em último termo, o criador do mundo visível. (MORA, 1978).
Essas primeiras definições nos servem para termos a compreensão imediata de uma teleologia física (ou natural), a qual consiste numa finalidade própria das coisas dentro da natureza e que cuja ordenação, controle e desenvolvimento se dá através de um Sumo Administrador requerido, no mínimo, de consciência pessoal para desenvolver seu papel
como tal. Assim, notamos este primeiro aspecto teleológico na natureza, ou seja, que toda a ordenação e organização na natureza tende para um fim próprio dentro de sua própria conjuntura natural. Por outro lado, este mesmo conceito, nos remete, por força da dedução causal, a uma compreensão extensiva do termo, onde, a partir dessa experiência direta que
podemos perceber nas coisas dentro do sistema “físico-material”, uma projeção para o fim
último, ou, finalidade do complexo geral da natureza.
Notemos também que o argumento teleológico, em Kant, não nos dá a ideia da existência de um Criador, mas apenas nos permite postular um Arquiteto da natureza, há em Kant, portanto a apropriação do argumento teleológico imbatível para os fins da natureza e a postulação do argumento moral para a possibilidade do Legislador. De maneira que encontramos, na verdade, uma junção necessária de dois argumentos em perspectivas que os completam dentro do propósito sistemático da doutrina kantiana.
Contudo, a teleologia em Kant, é abordada sobre dois aspectos: Em primeiro lugar, é considerado o termo enquanto apenas possível mediante sua construção lógica, em seguida Kant trata por anular a possibilidade de postular um Ser Supremo a partir de uma concepção criadora da natureza mediante seus fins. Logo, é impossível uma teleologia, enquanto argumento por si tomado isoladamente, para afirmar ou postular a existência de um Ser Supremo e criador como causa primeira de tudo. Em segundo lugar, observamos que Kant se apropria desta doutrina aplicando-a ao argumento moral que, justapõe exatamente o postulado da existência do Ser Supremo, ou seja, há uma reformulação do argumento aos moldes corretos de serem pensados na razão, para um enquadramento de tal argumento, ao sistema kantiano.
Consequentemente se faz necessário abordar dois conceitos fundamentais para entendermos a doutrina teleológica de Kant, são eles: o conceito de fim terminal e o de
conformidade a fins que apresentamos nos tópicos seguintes.