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IMPLEMENTATION OF THE FISH MODEL IN THE MOM SYSTEM

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ser inorgânico e orgânico. Além disto, o trabalho é o fundamento ontológico, é a atividade (práxis) modelo para o desenvolvimento de outras formas de atividades (práxis) humanas, como a política, a educação.

3.2 O trabalho produtor de valor de uso: eterna necessidade do mundo dos homens

Como discutimos no texto anterior, para a teoria marxiana, o trabalho é a categoria fundante do ser social e o primeiro pressuposto para a existência humana, da sociabilidade humana. Desde as sociedades humanas mais primitivas, até as sociedades atuais, o homem produz a sua existência material e espiritual pela atividade do trabalho. Essa é uma determinação ineliminável no mundo dos homens, razão pela qual, o trabalho se constitui uma eterna necessidade para existência do ser social.

Considerando o trabalho uma eterna necessidade para a existência material e espiritual humana, Marx e Lukács, procuram explicitar que nem todo tipo (forma) de trabalho é uma eterna necessidade para a produção e reprodução da existência humana. Determinadas formas que o trabalho assumiu no

processo histórico, como o trabalho escravo e o trabalho servil, corresponderam aos interesses dominantes de uma classe social e, por isso, foram modificadas e superadas. Na sociabilidade capitalista, a forma predominante que o trabalho tomou, foi a do trabalho assalariado, produtor de mais-valor. Esse tipo de trabalho atende as necessidades de reprodução do capital e assegura o domínio da classe burguesa sobre a classe trabalhadora assalariada. Desta forma, o trabalho produtor de valor de uso, o trabalho concreto, que é uma eterna necessidade da sociabilidade humana, encontra-se submetido ao trabalho abstrato, produtor de valor (valor de troca) e de mais-valor.

Ao analisar as diversas formações sociais, pode-se verificar, conforme a teoria marxiana, que o trabalho produtor de valor de uso, o trabalho útil, é uma eterna necessidade no mundo dos homens, pois é por meio deste que os homens garantem a sua reprodução natural (biológica) e social. Desse modo, necessariamente, o homem tem que trabalhar, ou seja, tem que realizar o intercâmbio material com a natureza, porque é por meio desse processo que o homem produz os bens fundamentais para a sua existência. Neste sentido, no Capítulo cinco de O Capital: O processo de trabalho e o processo de valorização, Marx considera:

O trabalho é, antes de tudo, um processo entre o homem e na natureza, processo este em que o homem, por sua própria ação, medeia, regula e controla o metabolismo com a natureza. Ele se

confronta com a matéria natural como uma potência natural [Naturmacht]. A fim de se apropriar da matéria natural de uma

forma útil para sua própria vida, ele põe em movimento as forças naturais pertencentes a sua própria vida, ele põe em movimento as forças naturais pertencentes a sua corporeidade: seus braços e pernas, cabeça e mãos. Agindo sobre a natureza externa e modificando-a por meio desse movimento, ele modifica, ao mesmo tempo, sua própria natureza. Ele desenvolve as potências

que nela jazem latentes e submete o jogo de suas forças a seu próprio domínio (MARX, 2013, p. 255, grifos nossos).

Marx entende que o trabalho é um processo entre o homem e a natureza (Lukács: teleologia e causalidade), no qual, o homem exerce uma ação consciente sobre a natureza e a transforma para suprir as suas necessidades. A objetivação dessa ação (práxis) ocorre com a utilização dos meios de trabalho (as ferramentas), que por sua vez, são resultantes e resultados do processo

entre o homem e a natureza. Ao tratar sobre essa questão no Capítulo cinco de

O Capital: O processo de trabalho e o processo de valorização, Marx assevera:

No processo de trabalho, a atividade do homem, com a ajuda dos meios de trabalho, opera uma transformação do objeto de trabalho segundo uma finalidade concebida desde o início. O processo se extingue no produto. Seu produto é um valor de uso, um material natural adaptado às necessidades humanas por meio da modificação de sua forma. O trabalho se incorporou a seu objeto. Ele está objetivado, e o objeto está trabalhado (MARX, 2013, p. 258).

Dessa forma, o homem só pode produzir algo no ato do trabalho, na medida em que movimenta as forças naturais pertencentes a ele, a saber, sua corporeidade: os seus braços, as suas pernas, o seu cérebro, as suas mãos e a natureza externa: o mundo natural. Por isso, o homem só pode produzir/objetivar algo concreto e útil realizando o metabolismo com a natureza externa (orgânica e inorgânica), pois é a natureza que possibilita a objetivação da previa-ideação. Marx, já em suas primeiras investigações sobre economia política, tem essa questão clara, quando afirma em os Manuscritos econômicos-filosóficos:

O trabalhador nada pode criar sem a natureza, sem o mundo exterior sensível (sinnlich). Ela é a matéria com a qual o seu trabalho se efetiva, na qual [o trabalho] é ativo, [e] a partir da qual e por meio do qual [o trabalhador] produz (MARX, 2010, p. 81, grifos

nossos).

Para Marx, o pressuposto fundamental para que o homem produza alguma coisa útil, para que ele crie algo de concreto, é necessário a existência da matéria, da natureza externa. A natureza é a matéria com a qual o homem pode realizar o trabalho concreto, o trabalho produtor de valor de uso, que é uma eterna necessidade para sua reprodução como ser social. Assim como a natureza é o pressuposto para a produção, para a objetivação, o trabalho produtor de valor uso é o pressuposto ineliminável no mundo dos homens, porque é através de sua realização que os homens produzem os meios essenciais para sua reprodução. Marx ao discutir sobre o trabalho produtor de valor uso, no primeiro capítulo do Livro I de O Capital, A mercadoria, sustenta:

Como criador de valores de uso, como trabalho útil, o trabalho é,

todas as formas sociais, eterna necessidade natural de mediação do metabolismo entre homem e natureza e, portanto, da vida humana (MARX, 2013, p. 120, grifos nossos).

O trabalho que é produtor de valores de uso, o trabalho útil, o trabalho concreto, conforme Marx, “é uma condição de existência do homem”, que necessariamente tem que ser realizado, pois é por meio de sua objetivação que o homem produz o conteúdo material de toda riqueza social e com esta produz e reproduz sua existência real. Por isso, o trabalho enquanto produtor de valores de uso se constitui numa eterna necessidade natural para a existência humana e não pode deixar de ser realizado em qualquer forma de organização social, pois a efetivação do trabalho produtor de valor de uso é a primeira condição63 para a existência do ser social em sua totalidade. Marx, no Capítulo cinco de O

Capital: O processo de trabalho e o processo de valorização discute novamente

sobre o trabalho produtor de valores de uso e reafirma:

O processo de trabalho, em seus momentos simples e abstratos, é atividade orientada a um fim – a produção de valores de uso -, apropriação do elemento natural para a satisfação de necessidades humanas, condição universal do metabolismo entre o homem e

natureza, perpétua condição natural da vida humana e, por

conseguinte, independente de qualquer forma particular dessa

vida, ou melhor, comum a todas as suas formas sociais (MARX,

2013, p. 261, grifos nossos).

Para Marx, o processo de trabalho em suas determinações essenciais, a saber, como uma atividade que tem como objetivo a produção de coisas úteis, de valores de uso, é uma perpétua condição para a produção e reprodução da sociabilidade humana. Por isso, independentemente da forma particular em que a sociedade estiver organizada, como na forma capitalista, em que ocorre a subsunção real do trabalho produtor de valores de uso ao trabalho produtor de valores de troca (de valor), o primeiro não pode deixar de ser

63 O primeiro pressuposto de toda a existência humana e também, portanto, de toda a história, a saber, o pressuposto de que os homens têm de estar em condições de viver para poder fazer história. Mas, para viver, precisa-se, antes de tudo, de comida, bebida, moradia, vestimenta e algumas coisas mais. O primeiro ato histórico é, pois, a produção da própria vida material, e este é, sem dúvida, um ato histórico, uma condição fundamental de toda a história, que ainda hoje, assim como há milênios, tem de ser cumprida diariamente, a cada hora, simplesmente para manter os homens vivos (MARX; ENGELS, 2007, p. 32-33).

produzido, pois uma coisa (uma mercadoria) só pode ser trocada se possuir valor de uso. Portanto, mesmo na produção capitalista, em que se persegue insaciavelmente a valorização do valor (o valor de troca), o trabalho produtor de valores de uso (o metabolismo entre homem e natureza) não pode deixar de ser realizado, porque é o primeiro pressuposto para o homem se manter vivo biologicamente e pelo qual desenvolve outras formas de atividade que asseguram a sua reprodução social.

3.3 A relação entre o trabalho e a educação em suas determinações

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