• No results found

Impacts of water pollution on inshore fishers and aquaculturists

Aquaculturists'%Ages%

6.3 Vulnerability Context

6.3.1 Impacts of water pollution on inshore fishers and aquaculturists

As modalidades sociais da recepção radiofônica desses jovens, diante das emissoras por eles apontadas, contextualizam formas simbólicas que se estruturam através da música, configurando-se como o elemento motivador das mediações, tanto para os rapazes como para

191 Transforma-se num interessante capital político para o seu proprietário, deputado federal Damião Feliciano. 192 O programa do Mução é uma produção da estação Sat do Recife, distribuída para 100 emissoras de rádio,

dentre elas a Panorâmica FM. O programa vai ao ar das 16 às 18 horas de segunda à sábado.

193 De acordo com pesquisa realizada pela empresa de pesquisas sociais Opinião, a panorâmica FM detém a

188 as moças, vindo em seguida as informações. Estabelecendo um comparativo com outros perfis juvenis apontados em pesquisas desenvolvidas em outros espaços sociais, pudemos identificar que esta é uma característica inerente ao público jovem no que diz respeito à suas preferências da mídia radiofônica:

O quadro assim se constitui:

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70%

musica informacao variedades

rapazes moças

Gráfico XV– Mediações radiofônicas

Embora as opções musicais sejam os principais componentes estimuladores da audiência desse grupo juvenil, as moças se sobressaem na recepção do meio com um percentual maior. Tal aspecto se justifica também pelo tempo de exposição aos conteúdos que, conforme identificamos anteriormente, é maior entre elas do que entre os rapazes.

Ana, 18 anos, afirma que escuta o FM só por causa das músicas, já que as informações pelo rádio não a interessa. (ANA, 18 anos. Dados Questionário-I, aplicado em 06 de Novembro de 2007).

Regina, 15 anos, segue a mesma linha: “escuto o Rádio FM porque o AM só passa jornal”. (REGINA, 15 anos. Dados Questionário- I, aplicado em 06 de Novembro de 2007).

Lucinara, 18 anos, também apresenta a mesma justificativa. “Eu gosto mais da FM por causa das músicas”. (LUCINARA, 18 anos. Dados Questionário-I, aplicado em 06 de Novembro de 2007).

Tais depoimentos só vêm ratificar a assertiva de que o FM é de fato o meio estimulador da audiência juvenil em decorrência da sua segmentação musical.

189 As preferências musicais por eles indicadas se diversificam em razão de uma heterogeneidade de gostos, derivados dos diversos estilos musicais que lhes são “oferecidos” diariamente pelo conjunto de programas que integram as emissoras por eles apontadas.

O estilo musical de maior preferência tanto para os rapazes como para as moças é o forró, com mais de 50%. Mas, ressalta-se, o público juvenil destaca o forró praticado nos estilos das bandas, denominado de forró eletrônico, forró universitário, forró de plástico, que se encontram em plena ascensão junto à indústria fonográfica e é difundido pela mídia , tanto radiofônica quanto televisiva, de modo incisivo.

Na região nordestina especialmente, o forró –banda encontra forte ressonância junto às emissoras de rádio, que operam numa dinâmica da interatividade produção-recepção, na medida em que este estilo atende às solicitações dos seus ouvintes. Com isso, o rádio contribui decisivamente para a propagação de uma “febre musical”, que atrai um vasto grupo de ouvintes -jovens adeptos de tal estilo. Em outras regiões, no entanto, outros estilos musicais ocupam esses espaços. No sul, sudeste, por exemplo, a opção pela música sertaneja é mais presente. Trata-se de questões culturais e como o rádio atrela-se a estas questões, operacionaliza a programação em consonância com o público-ouvinte, desenvolvendo seus padrões de interatividade.

O fato de o forró ser o estilo musical prioritário, não significa dizer, contudo, que os jovens se limitem a escutar apenas esse ritmo. Nossos depoentes apontam outras alternativas musicais como o rock; rap; fank; pagode, romântica, forró pé de serra, sertaneja , brega, internacional, axé, samba, hip hop, entre outros estilos.

Por essas referências, o repertório de sentidos construídos por esses jovens junto às mediações radiofônicas aponta um quadro heterogêneo de reações/influências diante do que lhes é “ofertado”. Não poderia ser diferente, pois num contexto de um mundo globalizado os sujeitos são conduzidos a responder criativamente junto às difusões culturais, adotando múltiplos posicionamentos, que se constroem numa imbricada rede de relações que interconectam o local à cultura global. Sob este argumento não há como desvincular a construção das identidades culturais do processo de globalização que gera um efeito de multiplicidade sobre as mesmas, produzindo uma série de alternativas e novas posições de identificações.

Nessa nova conjuntura, as identidades coletivas se dissolvem em formas plurais e diversificadas, deixam de ser unitárias e essenciais, para se tornarem fluídas e mutáveis,

190 assumindo, portanto, formas múltiplas e negociáveis, a partir de sua inerente capacidade de manipulação. Proclama-se, assim, a política da diferença.

Sob este paradigma podemos dizer que as referências sobre as quais as identidades eram tradicionalmente construídas, fragilizam-se a partir desta pluralidade de participações via mídia, que permeiam o cotidiano dos nossos interlocutores, proporcionando assim a construção de suas identidades culturais através de um processo híbrido e heterogêneo. Tal fato se justifica tendo em vista que o processo de globalização embora impulsione uma convergência de culturas e estilos de vida, também produz diferentes resultados de identidades, ocasionando tanto o surgimento de novas posições de identidades, quanto uma resistência que pode aparecer como forma de reafirmar certas identidades nacionais e locais.Tais aspectos, como constatamos, se refletem nas escolhas destes jovens e apontam seus pertencimentos sociais.

O depoimento de Angelina, 22 anos, legitima o poder das escolhas: ela afirma que escuta o rádio o dia todo, mas não se prende a um estilo musical: “Gosto de forró, música lenta, tudo” (Dados Questionário-I, aplicado em 07 de Novembro de 2007).

Fernando, 17 anos, também compartilha desta mesma posição: “gosto de toda música do rock a MPB”. (Dados Questionário-I, aplicado em 06 de Novembro de 2007).

Pelo contexto investigado, o que observamos entre os jovens é que eles mantêm uma relação intrínseca junto às ofertas musicais difundidas pelas emissoras, num processo de interação cultural que se constrói no interior do seu contexto social. Nesse caso, o rádio se estabelece como um elemento mediador das ações sociais desses indivíduos, na medida em que desenvolve junto aos mesmos, processos de representações da cultura, mediadas através da música e seu consequente consumo cultural.

Quando nos referimos a “consumo cultural”, estamos referendando a compreensão de Canclini (1993), ressaltando que o consumo cultural está vinculado a uma dimensão simbólica que prevalece sobre os valores de uso ou de troca, convencionalmente vinculado ao termo “consumo”. Nessa perspectiva, o consumo é reconhecido como “espaço de criatividade” do sujeito e a sua consequente interação junto aos meios massivos. Dessa maneira, o consumo simbólico desatrela-se da ideia de consumo enquanto forma de “compulsão”, tal como se compreende na esfera do senso comum.

Essa compreensão encontra respaldo quando, por exemplo, os jovens indicam o nome de pelo menos três cantores que conheceram através do rádio. Eles não titubearam, em seu imaginário, apontando de pronto suas preferências, numa íntima relação com os cantores

191 quando indicaram seus nomes, até mesmo citando aqueles que integram as bandas. O quadro descrito delineia com precisão este aspecto.

As preferências musicais são comuns perante os interlocutores desta pesquisa, entretanto entre as moças alguns cantores se sobressaem, tais como Tayrone Cigano, Banda Calypso, Roupa Nova e KLB.

Pop Forró-banda Brega Sertaneja Artistas da

terra Rock nacional MPB Axé Roupa Nova Calypso Tayrone

Cigano Bruno e Marrone

Tom Oliveira Skank Gilberto Gil Ivete Sangalo Renato Russo Banda Afrodite Reginaldo Rossi Zezé de Carmargo e

Luciano Flávio José J. Quest Djavan

Saia Rodada Leonardo Daniel Amazan Roupa

Nova Zé Ramalho Calcinha Preta KLB Fábio Junior Desejo de Menina Renato Russo Cazuza Felipão Raul Seixas Marujo do Forró Quadro IX- Opções musicais

É importante ressaltar também que alguns cantores por eles apontados não integram atualmente o circuito da indústria fonográfica, o que significa dizer que nem sempre as opções culturais desses sujeitos, via música, estão necessariamente atreladas aos apelos musicais do momento. Sob o fio deste raciocínio, as matrizes culturais desses jovens se constroem numa multiplicidade cultural a partir de fluxos intercambiados por diversos modelos de cultura que se ampliam num contexto global (CANCLINI, 2000). Esta é uma questão fecunda que pode ser analisada a partir de dois parâmetros: o da produção e o da recepção.

O primeiro, sob a ótica da produção, indica que esta lança seus bens culturais projetados numa racionalidade técnica atrelada a uma lógica da cultura de massa194, que se configura cada vez mais por meio de um conjunto de trocas estabelecidas e viabilizadas pela indústria e pelo mercado cultural.

194 Quando nos referimos aqui à cultura de massa nos associamos a corrente teórica da Escola Progressista

Evolucionista (como Alan Swingewood, Edward Shils, Daniel Bell e L. Writh) que reconhece a cultura de massa como sendo democrática e pluralista, denominando-a de teoria do pluralismo. A Escola Progressista ressalta a cultura de massa através de uma democracia pluralista em que a sociedade pós-industrial possibilitaria mais espaço para o desenvolvimento do homem. Assim, a democracia seria fortalecida com a ampliação do pluralismo político e dos bens sociais. Ou seja, na sociedade pluralista todo cidadão, indistintamente, teria acesso aos valores culturais independentemente da classe social a que pertence. Assim, através da cultura de massa, haveria a real participação e integração do homem na sociedade.

192 O rádio é um meio bastante forte para ressaltar estas características. São frequentes as divulgações de âmbito “artístico” e que já se destacam com forte influência pela indústria, antes mesmo de ser apresentado por ela, uma vez que o meio se encarrega de injetá-lo na sociedade como um bem cultural, travestido em forma de produção na qual a quantificação sobrepõe à qualidade .

Tal fato ocorre de modo recorrente na indústria fonográfica, que utiliza o meio para lançar seus produtos-musicais cujo comércio de divulgação é frequente. Ou seja, a produção musical não é lançada só pelo seu nível cultural, mas principalmente pelo poder mercantilista que carrega. Nos países capitalistas esta é uma tendência imanente no rádio, onde a maioria das emissoras funciona sob a égide comercial, numa prática bastante utilizada, principalmente nos programas de entretenimentos dito “culturais”, fazendo persistir formas de consumo através de “sucessos musicais” oferecidos pelo mercado fonográfico, estabelecendo, assim, tendências e características no âmbito da música que refletem nos que aderem a tais estilos. Nesse caso os jovens se configuram como o público alvo prioritário.

Dessa forma, é através deste meio que a cultura de massa encontra um forte aliado, penetrando em todas as esferas sociais com um falso imperativo através da difusão de suas mensagens.

Este, talvez, seja o principal motivo que justifica as opções musicais dos nossos interlocutores, que se sobressaem para os ritmos das bandas de forró, conforme identificamos no quadro acima.

A oferta midiática, atrelada ao efeito mercantilista difundido pelos programas musicais, produzidos numa intrínseca relação com o mercado produtor, coloca esses jovens dentro de um processo de exclusão cultural pela ausência de uma produção qualitativa. Nessa dinâmica os jovens acabam conduzidos por esses apelos que passam a fazer parte do seu “universo cultural”. Eles se associam ao que é mais tocado, à banda mais divulgada. Como pontua Martin-Barbero (1995) são os modos de deslegitimação e de desqualificação do que poderia se denominar de gosto popular.

Na realidade, esta se mostra uma questão eminentemente estrutural que se criou em torno dos meios de comunicação massa comerciais, e mais especificamente do rádio e da televisão, que se apresentam mais atrelados aos efeitos mercantilistas do que a uma programação de qualidade, o que resulta numa espécie de “sujeição” dos indivíduos perante o que lhes é ofertado. Não que eles não tenham discernimento para suas escolhas, mas é justificável que grande parcela da juventude seja impelida a optar pelas tendências musicais

193 que estão mais em evidência, associando-se a estilos culturais momentâneos. Este é o caso dos sujeitos desta pesquisa, que demonstram suas aspirações culturais no contexto delineado.