BLOQUE 2: LAS INSTITUCIONES FISCALES INDEPENDIENTES
B. Influencia de la política
V. EL IMPACTO DE LOS CONSEJOS FISCALES
A calagem é uma prática fundamental e indispensável para se conseguir altas produtividades em regiões de clima tropical e subtropical, pelo fato dos solos formados nessas condições serem excessivamente ácidos.
Entre os objetivos principais da calagem, destacam-se: - elevar o pH do solo;
- neutralizar o efeito tóxico do alumínio trocável; - fornecer cálcio e magnésio às plantas;
- em solos com carga variável, oferecer cargas negativas e, consequentemente, aumentar sua capacidade de troca catiônica (CTC);
- diminuir a fixação do fósforo; - aumentar a atividade microbiana; - aumentar a produtividade dos cultivos.
O sistema plantio direto alterou as características físicas, químicas e biológicas do solo, trazendo dúvidas quanto aos procedimentos tradicionais de calagem. Dentre as principais dúvidas, destacam-se:
- o calcário deve ser incorporado ou pode ser mantido na superfície?
- em relação ao método de recomendação de calcário, pode-se aplicar altas doses em lavouras de alta produtividade?
No aspecto químico, o sistema plantio direto cria uma frente de acidificação (gradiente vertical) decorrente da aplicação superficial de nitrogênio e da decomposição da matéria orgânica. Em ambos os processos pode ocorrer o fenômeno da nitrificação, onde o íon amônio é transformado biologicamente em nitrato, havendo liberação de íons hidrogênio ao meio, podendo acidificar o solo quando se leva em conta o balanço geral de N.
Nos últimos 15 anos vários trabalhos foram realizados envolvendo a temática da calagem em plantio direto, a fim de definir-se qual a melhor dose a ser aplicada (em termos de métodos de calagem) e o comportamento do calcário aplicado em superfície (sem incorporação). Em alguns desses trabalhos chama a atenção o fato das plantas responderem menos a aplicação do calcário, diferentemente do que ocorria no sistema convencional de preparo do solo. Assim, é possível conseguir-se altos rendimentos, mesmo com condições supostamente inadequadas de acidez.
3+ Uma das explicações para esse fato decorre da redução da atividade do íon Al em áreas de plantio direto que apresentem altos teores de matéria orgânica (Salet, 1998) (Figura 1). Em solos com altos teores de matéria orgânica é esperado uma maior concentração de compostos orgânicos solúveis que podem complexar o alumínio, bem como aumentar o pH da solução do solo (Cambri, 2004). Em estudo conduzido em casa de vegetação, Oliveira (2000) concluiu que tanto o calcário como a matéria orgânica reduzem a saturação por alumínio no complexo sortivo do solo.
Em outro estudo conduzido em casa de vegetação, Cassol et al. (2008) observaram que a aplicação de alumínio ao solo, na forma de cloreto de alumínio, promoveu, ao final do cultivo de aveia, aumento no teor de alumínio e na saturação por
-3
alumínio em solo que apresentava baixo teor de matéria orgânica (6,70 g dm ). Já, no -3
solo com teor elevado de matéria orgânica (80,41 g dm ) os teores de alumínio não se modificaram, independente da dose de alumínio aplicada (Figura 2).
Figura 1. Comprimento radicular de soja em resposta a níveis crescentes de alumínio na solução
do solo.
Sistemas de Produção Agropecuária - Ano 2008 (a) Doses de Al+3, cmol (c) dm -3 0,0 0,5 1,0 2,0 4,0 A lu m ín io n o s o lo (c m o l (c ) d m -3 ) -0,2 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 MO Alta Média 0,00 ns MO Baixa Y= 0,034 + 0,132X - 0,024X2 r2 =0,96 P=0,01 (b) Doses de Al+3 , cmol(c) dm -3 0,0 0,5 1,0 2,0 4,0 S a tu ra ç ã o d e A lu m ín io (% ) 0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 14,0 MO Alta MO Baixa Média 0,00 ns Y= 0,1867 + 2,1529X - 0,2282X2 r2 = 0,96 p = 0,0308
Figura 2. Alumínio trocável (a) e saturação por alumínio (b) em solos com alto (MO alta) e com baixo (MO baixa) teor de matéria orgânica e submetidos à aplicação de níveis crescentes de alumínio, na forma de cloreto de alumínio.
Fonte: Cassol et al. (2008)
Em função disso, os índices de tomada de decisão pela necessidade de aplicação de calcário começaram a ser questionados. Atualmente, a aplicação superficial de calcário (sem incorporação) em áreas de plantio direto consolidado é prática corrente, em função da mesma manter as características físicas originais do solo, construídas ao longo do tempo de cultivo em plantio direto. Pottker & Ben (1998) avaliando o rendimento acumulado de soja/trigo/milho/aveia/soja após aplicação de diferentes níveis de calagem, com e sem incorporação, observaram que não houve diferença entre manter o calcário na superfície ou incorporá-lo à camada arável. Entretanto, também observaram que foi possível conseguir altos rendimentos mesmo sem a aplicação de calcário e que o efeito residual era baixo quando as doses eram menores que ¼ da quantidade recomendada pelo método do tampão SMP (Tabela 4).
Tabela 4 - Rendimento acumulado de soja/trigo/milho/aveia/soja em diferentes níveis de calagem, com e sem incorporação, na média de dois solos cultivados no sistema plantio direto. Calcário superficial - SMP Sem calcário 1/16 1/8 1/4 1/2 1/1 Calcário incorporado 1/1 --- Mg ha-1 --- 14,1 15,6 15,7 15,7 16,1 16,3 16,3
Fonte: adaptado de Pottker & Ben (1998).
Em relação à correção da acidez, vários trabalhos têm demonstrado o efeito significativo do calcário aplicado na superfície do solo em aumentar o pH, os teores de cálcio e de magnésio e a saturação por bases e reduzir a acidez potencial na camada superficial do solo (Cassol, 1995; Pottker & Ben, 1998; Rheinheimer et al., 2000). Por outro lado, Oliveira & Pavan (1996) observaram diminuição no teor de alumínio
0 2000 4000 6000 8000 10000 0% 25% 50% 75% 100%
Porcentagem de neutralização do H++Al3+
kg
ha
-1
Milho Soja
trocável até a profundidade de 40 cm, 32 meses após a aplicação do calcário na superfície de um Latossolo Vermelho Escuro textura muito argilosa. De forma semelhante, em outro Latossolo Vermelho Escuro, de textura média, Caires et al. (1999) encontraram aumento de pH e redução de alumínio trocável até a profundidade de 10cm e em camadas mais profundas de solo (40-60 e 60-80 cm), 18 meses após a aplicação do calcário; esse mesmo fato não se repetiu após 40 meses, mostrando efeitos pouco duradouros em subsuperfície.
Entre os fatores determinantes da possibilidade do calcário aplicado em superfície, no sistema plantio direto, atingir as camadas subsuperficiais, destacam-se: o tipo de solo (textura, estrutura, drenagem), o clima (precipitação e temperatura), o tempo de adoção do sistema (volume e continuidade dos macroporos, bioporos e consistência do solo), o sistema de rotação de culturas (quantidade e qualidade dos resíduos vegetais e matéria orgânica), o próprio calcário (dose e granulometria) e o manejo do solo (Amaral, 2002).
Independente de corrigir a acidez superficial ou subsuperficial, a aplicação superficial de calcário no sistema plantio direto tem sido eficiente em promover aumentos de rendimentos das culturas ou, no mínimo, manter os patamares de produtividade. Os mecanismos envolvidos na dinâmica do calcário sob plantio direto, citados por Amaral (2002) são: descida do calcário através dos bioporos do solo; transporte de cálcio e magnésio por ânions solúveis; transporte de cátions divalentes por ligantes orgânicos e neutralização da acidez do solo e amenização da toxidez de alumínio por resíduos vegetais. Dependendo da situação, esses mecanismos participam de forma diferenciada, porém, sempre simultaneamente, sendo muito difícil quantifica- los.
Aplicando diferentes doses de calcário em Latossolo do Sudoeste do Paraná cultivado no sistema plantio direto, Cassol et al. (2007) não observaram efeito positivo do calcário num sistema de cultivo envolvendo soja / aveia / milho (Figura 3). O pH- CaCl e a saturação por bases inicial, na camada de 0-0,20 m, antes do início do 2 experimento, era de 4,7 e 48%, respectivamente. A ausência de resposta à calagem pode ser atribuída aos elevados teores de matéria orgânica, cálcio e magnésio presentes na área, demonstrando que as culturas podem manter patamares elevados de produtividade, mesmo sem aplicação de calcário.
+ Figura 3 - Produtividade de milho e de soja em função de diferentes níveis de neutralização do H
3+
+ Al pela aplicação de calcário em área de plantio direto. Fonte: Cassol et al. (2007).
Esse resultado deixa claro a necessidade de revisão dos parâmetros até agora utilizados para recomendação de calagem no sistema plantio direto, especialmente quando o mesmo apresenta altos teores de matéria orgânica. No entanto, o estado do Paraná continua utilizando a elevação da saturação por bases para 70% como padrão para recomendação de calcário.
Apesar desse resultado é muito comum observar os produtores do Sudoeste do Paraná fazendo uso do calcário em áreas que não se tem necessidade. Isso decorre de alguns programas governamentais elaborados com o intuito de auxiliar os agricultores, mas que utilizados erroneamente, podem trazer comprometimento ao rendimento dos cultivos.
Algumas áreas apresentam pH e saturação por bases muito elevadas e, mesmo assim, recebem uso de calcário. Dentre os efeitos negativos da aplicação excessiva de calcário podem ser destacados os seguintes: redução na disponibilidade de alguns micronutrientes, aumento na perda de nitrogênio por volatilização, redução na disponibilidade de fósforo e dispersão das partículas de argila.
Assim como qualquer outra prática agrícola, a calagem também deve ser utilizada com critérios. Se isso não ocorrer, todos os efeitos positivos do seu uso podem ser transformados em prejuízo ao agricultor.