cuidados
O EEER, sendo uma peça fundamental na facilitação do projeto de saúde do utente e família, visa maximizar o potencial funcional e independência do cliente, através da sua abordagem diferenciada de cuidados. A partir da conceção e implementação de planos de intervenção diferenciados, permite a promoção da autonomia, a satisfação dos indivíduos e a manutenção da autoestima, sendo estes objetivos previstos nas suas competências, bem como metas dos cuidados paliativos, na sua lei de bases (Diário da República, 2011; Diário da República, 2012). Fisiológicas Emocionais Psicológicas Autonomia Sociais e de suporte Espirituais Informacionais Económicas Emocionais Informacionais Sociais e de suporte Económicas Família Cliente
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O processo de tomada de decisão é suportado pelo seu conhecimento e competências diferenciados, pelo que o enfermeiro dirige a sua conceção para várias áreas do cuidar. Neste sentido, emerge a categoria orientação da conceção de cuidados, através das respostas dos participantes no que respeita aos focos de atenção em enfermagem de reabilitação. Assim, esta assenta em três unidades de registo, onde, de acordo com a opinião dos participantes, se destacam: a gestão de sinais e sintomas e prevenção de complicações, através da alteração dos processos corporais, como na dispneia e rigidez articular; as condições pessoais influenciadoras da resposta à transição, englobando a título de exemplo os autocuidados; e as condições facilitadoras externas da resposta à transição, sobretudo com os processos familiares e comunitários.
Descendo o nível de especificidade, a unidade de registo gestão de sinais e sintomas e prevenção de complicações associa-se às questões que respeitam aos processos corporais comprometidos, onde a partir dos discursos analisados, se incluem focos como a dor, queda, eliminação, desidratação, caquexia, movimento corporal, rigidez articular, parésia, espasticidade, dispneia, ventilação, limpeza da via aérea, tossir, obstipação, úlcera de pressão, deglutição e equilíbrio.
A organização dos focos de enfermagem referidos pelos participantes respeita aos processos e à condição de cada indivíduo. Em consequência, considerando a perceção, emerge a questão da dor (E2; E5; E11; E12; E13; E14; E15), bem como a queda (E3; E14), associada aos processos.
O processo corporal evidencia-se quando os participantes nomeiam as questões da eliminação (E2; E13; E14), da desidratação (E13) e da desnutrição (E13). O processo musculoesquelético respeita aos focos do movimento corporal (E2; E3; E6; E8; E9; E11; E13; E14;), da rigidez articular (E2; E13; E14), da parésia (E14) e da espasticidade (E14).
No centro do processo respiratório encontram-se focos de atenção como a dispneia (E3; E5; E6; E9; E12; E13; E14; E15), a ventilação (E2; E3; E4; E6; E8; E9; E12), a limpeza das vias aéreas (E5; E6; E8; E9; E12) e o tossir (E3). É também destacada a subunidade obstipação (E13; E14) e úlcera de pressão (E12; E14), através da sua prevenção. Por fim, salientamos os focos deglutição (E13) e equilíbrio (E4; E11; E14).
Refletindo sobre a categoria referente aos processos corporais, que resultam do comprometimento das necessidades fisiológicas, fulcrais na avaliação da satisfação do utente e qualidade de vida, percebemos que os focos de atenção em enfermagem identificados decorrem das necessidades, sobretudo fisiológicas, sem dúvida! (E14). Assim,
79 Lindop et al., (2014) indicam que as principais metas em cuidados paliativos recaem no alívio sintomático, na prevenção de complicações, na minimização do distress e na manutenção da dignidade, suportando a importância da inclusão da unidade de registo em causa.
Aprender a viver com a doença, adaptar-se ao processo saúde/doença requer condições pessoais influenciadoras da resposta à transição, que podem ser elementos facilitadores ou inibidores de uma transição saudável. O atingir da mestria e, consequentemente, a conclusão do processo de transição depende de fatores como o significado da transição para a pessoa, as suas crenças culturais, o status socioeconómico, a preparação antecipatória para a transição e o conhecimento relativamente ao que esperar durante a mesma (Meleis et al., 2000). Considerando o exposto, identificamos, através da análise dos discursos, vinte e um focos de atenção, sendo estes a crença religiosa, o luto, a autoestima, a ansiedade, o isolamento social, a intolerância à atividade, a adesão ao regime, a aceitação do estado de saúde, o conhecimento, o andar, a comunicação, o comportamento sexual, a socialização, o alimentar-se, o cuidar da higiene pessoal, o transferir-se, o virar-se, o erguer-se, a adaptação, o papel recreativo e o bem-estar espiritual.
O processo psicológico, sendo um conjunto de funções ou ações para atingir um resultado’’ (International Counsil of Nursing, 2014, p. 66), inclui a crença religiosa (E2), o luto (E13), a autoestima (E14) e a ansiedade (E6; E13; E14).
Dentro do fenómeno status, conceptualizado como uma condição da pessoa relativamente a outras, posição relativa de uma pessoa (International Counsil of Nursing, 2014, p. 76), encontram-se o Isolamento a nível social (E1), a intolerância à atividade (E12), a adesão e gestão do regime terapêutico (E1; E12), a aceitação do doente … do seu estado de saúde (E13) e a i fo aç oàso eà … (E13).
Ainda no que concerne ao processo de transição para a nova condição de saúde, as estratégias de coping facilitam ou inibem a adaptação ao novo estado de saúde (E13; E14). O processo de adaptação poderá ser potenciado/dificultado por um conjunto de comportamentos, justificados pelos participantes nas subunidades de comunicação (E6), atividade sexual (E3) e socialização em família e com grupos de pares (E3).
A socialização para o indivíduo tem um impacto ao nível da autossatisfação, pelo que ela ocorre no papel recreativo, quando existe a participação em qualquer tipo de atividade … à ue àsejaàlúdi a (E2), que assumindo a plenitude do ser humano, poderá resultar no bem- estar espiritual (E2; E7).
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O foco do autocuidado emerge das necessidades de autonomia, nomeadamente, no que respeita à capacidade que a pessoa tem para se alimentar (E1; E2; E12; E14), para cuidar da higiene pessoal, ou seja, como realizar o autocuidado arranjar-se (E2), o autocuidado tomar banho (E3; E10; E13; E14), o uso do sanitário (E13; E14) e no vestir-se, despir-se (E1; E2; E10; E13; E14). Consecutivamente, o desempenho de atividades diárias aumenta no grau de complexidade quando se reflete acerca do virar-se (E2; E12; E14), do erguer-se (E2; E10; E14) e do transferir-se (E1; E2; E11; E14). Ainda na questão musculoesquelética, a autonomia implica o andar, sendo com auxiliar de marcha ou não (E2; E10; E11; E14).
Meleis et al. (2000) referem que, na disciplina de enfermagem, o ser humano é definido como um indivíduo ativo, com perceções e significados sobre as situações de doença e de saúde. Por sua vez, essas perceções e significados são influenciadas pelas condições sobre as quais a transição ocorre, justificando o estudo das mesmas. Assim, através da análise dos discursos foi possível perceber que os focos dirigidos às condições pessoais influenciadoras da resposta à transição vão de encontro, sobretudo, às necessidades psicológicas, de autonomia, informacionais e emocionais, sendo as mesmas influenciadoras do modo como o cliente e família vivenciam a sua transição, sendo relativa ao processo de saúde e doença, de papel ou na preparação para o regresso a casa. Desta maneira, percebemos que os mesmos se encontram interligados, visto que para atingirmos maiores níveis de bem-estar, as questões da autonomia (autocuidados) deverão ser promovidas, ou, por exemplo, o papel recreativo deverá ser mantido.
Por fim, as condições facilitadoras externas da resposta à transição inserem-se ao nível dos recursos da família e comunidade. O impacto da doença no seio familiar decorre de vários fatores, nomeadamente da coesão familiar, do estadio da doença, do tempo decorrido desde o diagnóstico, do papel do cliente na família, do tipo de estrutura familiar, do nível de conflito intrafamiliar e do status socioeconómico, entre outros (Kristjanson e Ashcroft, 1994).
O envolvimento da família no processo de cuidados é essencial no projeto de saúde, pensado pelo utente e equipa multidisciplinar. Deste modo, se o envolvimento de ambas as partes for da concordância do cliente, a família e significativos constituem-se como um recurso facilitador para uma transição saudável. O enfermeiro especialista, através das suas intervenções específicas e diferenciadas, tem uma ação na educação dos clientes e significativos, em vários momentos do seu ciclo vital. Através do regulamento n.º 125/2011 é definido o seu papel na preparação do regresso a casa, na continuidade de cuidados, promovendo e proporcionando o direito à dignidade e à qualidade de vida (Diário da República, 2011). Além deste facto, a disponibilização de informação relativamente a grupos
81 de apoio e o encaminhamento da pessoa poderá assumir-se como uma estratégia eficaz, no sentido de promover a adaptação da mesma à nova situação de saúde.
O regresso a casa requer existência de suporte, seja de uma pessoa significativa que assume papel do prestador de cuidados (E9; E11; E12; E13; E14), que consiste em interagir de acordo com um conjunto de expectativas implícitas ou explícitas, regras e normas de comportamento esperadas pelos outros (International Counsil of Nursing, 2014). Por outro lado, os participantes referem a importância do serviço comunitário, onde as pessoas significativas procuram a melhorar resposta em termos de comunidade para aquela situação (E2; E13; E14). As necessidades de suporte podem ser consideradas como um mecanismo facilitador de uma transição saudável, através da informação acerca dos recursos da comunidade ou da facilitação/orientação para o uso dos mesmos.
Com vista à clarificação do anteriormente descrito, de seguida procedemos à exposição da categoria orientação da conceção de cuidados em enfermagem de reabilitação na pessoa em situação paliativa, na figura seguinte.
Figura 7: Representação da categoria orientação da conceção de cuidados em enfermagem de
reabilitação na pessoa em situação paliativa Orientação da conceção de cuidados Gestão de sinais e sintomas e prevenção de comlicações Condições pessoais influenciadoras da resposta à transição Condições facilitadoras externas da resposta à transição
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