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A investigação-ação é um tipo de investigação qualitativa que teve a sua génese nos Estados Unidos. McKernan (1996) identificou cinco movimentos, no campo educacional, cujas ideias influenciaram a génese e o desenvolvimento da investigação- ação. Esses movimentos foram: o movimento para o estudo científico da educação, cuja importância se refletiu no final do século XIX e na primeira parte do século XX; o pensamento educacional experimentalista e progressista do início do século XX, no qual se salienta Dewey; a atividade de reorganização curricular no sistema educativo dos Estados Unidos durante o período da “investigação-ação cooperativa”; o movimento da dinâmica de grupos; e o movimento do professor-investigador.

Este tipo de investigação é considerado como uma forma de investigação social, uma vez que é aplicado em todas as áreas das ciências sociais. A investigação-ação implica a articulação simultânea entre a teoria e a prática e tem um papel relevante na formação do profissional docente reflexivo.

Tem como propósitos: agir e investigar a ação para a transformar, formar na ação transformando-a e investigar a transformação para reconstruir o conhecimento praxeológico. Carr e Kemmis (1988) defendem que “En el terreno de la educacíon, la investigación-acción há sido utilizada para el desarrollo curricular basado en la escuela, el desarrollo profesional, el mejoramiento de programas de enseñanza y la planificacíon de sistemas y desarrollo de políticas.” (p. 174).

Segundo Bogdan e Biklen (1994), a investigação-ação “consiste na recolha de informações sistemáticas com o objectivo de promover mudanças sociais” (p. 292) e “é um tipo de investigação aplicada no qual o investigador se envolve ativamente na causa da investigação.” (p.293). De acordo com McKernan (1996), “is the reflective process whereby in a given problem area, where one wishes to improve practice or personal

understanding.” (p. 5). Elliott (1991) propôs a focalização da investigação-ação no desenvolvimento curricular e define-a como o estudo de uma situação social a fim de melhorar a qualidade da ação que nela ocorre.

A investigação-ação carateriza-se por ser situacional, participativa, colaborativa, interventiva, cíclica, crítica e autoavaliativa (Coutinho, Sousa, Dias, Bessa, Ferreira & Vieira, 2009), sendo de realçar que a característica cíclica deve-se ao facto deste tipo de investigação ser assumido como um ciclo dinâmico entre a planificação, a ação, a observação e a reflexão.

Constata-se, deste modo e em traços gerais, que a investigação-ação consiste num tipo de investigação que implica o envolvimento ativo do investigador, a articulação entre a teoria e a prática e no qual existe um ciclo dinâmico. De acordo com o que foi acima mencionado, é possível verificar as suas principais caraterísticas bem como constatar que a reflexão ocupa um papel de destaque neste tipo de investigação qualitativa, que, naturalmente, releva-se de extrema importância na formação do docente.

5.2.1 As Fases

Quanto às fases da investigação-ação, é de fazer referência às apresentadas por Alarcão, Fischer e, ainda, por Santos, Morais e Paiva.

Alarcão (2010) concetualiza as fases da investigação-açãoem forma de espiral e contempla o problema e a observação como principais dimensões. De acordo com a autora, o processo tem início com a identificação de um problema emergente da prática educativa que, por sua vez, é procurado ser compreendido através da observação e reflexão. Posteriormente ocorre a planificação de soluções, a colocação em prática das mesmas e a observação dos seus efeitos. Por fim, realiza-se a (re)planificação da ação e entra-se num novo ciclo.

Segundo Fischer (2001) são cinco as fases da investigação-ação. A primeira - planear com flexibilidade – corresponde à fase de observação, análise, reflexão e avaliação do contexto, à delineação das questões da investigação e do desenvolvimento da mesma. Na segunda fase - agir – procede-se ao desenvolvimento da investigação e à recolha de dados e na terceira – refletir – analisa-se e reflete-se criticamente sobre a

mesma. A quarta fase - avaliar/validar – consiste na avaliação de todo o processo da investigação e, por fim, a última fase – dialogar- baseia-se na comunicação do mesmo.

Santos, Morais, e Paiva (2004), a partir da espiral autorreflexiva de Lewin, apresentam o processo cíclico das fases da investigação-ação. Este processo não se restringe a um ciclo, pois a sequência das fases repete-se em espiral ao longo da investigação de modo a que seja possível reajustar o plano de investigação de acordo com a análise efetuada aos dados da ação. Assim sendo, este processo cíclico tem início com uma reflexão inicial e tem seguimento com: a definição do problema e do seu contexto; o planeamento da ação; ação e observação; avaliação e tomada de decisões; e com a redefinição do problema. Depois há um novo planeamento da ação e repetem-se as fases e ao longo de vários ciclos até alcançar a resolução do problema.

Considera-se, assim, a existência de vários autores que definem as fases da investigação-ação e que em todas estas abordagens sobressaem: a observação, a planificação, a ação e a reflexão.

5.2.2 Os limites

À semelhança de qualquer investigação, na investigação-ação encontram-se alguns limites de índole ética, epistemológica e ontológica.

Os limites de natureza ética estão relacionados com a humildade científica do investigador, ou seja, com o respeito pela confidencialidade, anonimato dos sujeitos da investigação e o direito destes a não participar na mesma.

Os limites epistemológicos referem-se à pertinência do método de investigação usado, às técnicas e à validação da mesma, isto é, ao facto do método de investigação não possibilitar a generalização dos resultados.

Por fim, os limites ontológicos possuem um caráter subjetivo e prendem-se com o facto de o investigador não conseguir sempre observar o objeto em si mesmo e de todos os sujeitos envolvidos na investigação se encontrarem no limiar da realidade.

Deste modo, a investigação-ação como qualquer outro tipo de investigação encontra-se sujeito a limites éticos, epistemológicos e ontológicos que podem condicionar a investigação.

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