5. Results and Analysis
5.1. The Empowerment Process of the BSEs of MaG, Jordan
5.1.2. The impact of the Jordanian IST Program on the Local Community and Women’s Empowerment
Dando continuidade ao estudo junto aos três centros de triagem, pode-se conhecer um pouco da política de gestão dos resíduos sólidos da Associação dos Catadores do Jangurussu, como apresenta a figura 57.
Figura 57 - Fachada da Associação ASCAJAN
Foto: Laudecy Ferreira, 2015
A ASCAJAN, localizada à Rua Estrada do Itaperi, 1665 - no Bairro Jangurussu, na cidade de Fortaleza/Ceará, foi fundada em 28 de dezembro de 2006, e a sua formação deu-se a partir de dissolução da antiga Cooperativa COOSELC. Assim, seus sócios migraram para a nova organização em um Seminário realizado com parceiros, como a Prefeitura Municipal de Fortaleza (PMF), Cáritas, Pastoral do Povo da Rua, Fundação Banco do Brasil e outros. Todos os catadores que estavam interessados na nova proposta de realizarem o Projeto de Coleta Seletiva se integraram à ASCAJAN. O horário de funcionamento das atividades na associação é de segunda-feira a sexta-feira, sendo o grupo de catadores divididos em dois turnos
– a manhã funcionando das 8h às 11h30, com intervalo para o lanche às 9h, e o turno da tarde das 13h às 16h30, com intervalo para o lanche às 15h.
A ASCAJAN tem a função de triar e prensar materiais recicláveis e depois vender. Aproximadamente, 80 ton/mês de material reciclável são vendidos aos deposeiros da cidade de Fortaleza. A ASCAJAN conta com alguns parceiros que fazem a doação de materiais recicláveis. A ECOFOR Ambiental doa diariamente um caminhão de resíduos sólidos misturados para a referida associação e também conta com a coleta em grandes geradores, como a rede de Supermercado Pão de Açúcar, Shopping Iguatemi, Supermercado Extra e Shopping Parangaba, que chegam a doar, aproximadamente, 10 ton/mês de materiais recicláveis.
Ainda é parceira dessa associação a Prefeitura Municipal de Fortaleza, representada pela EMLURB, que cede um técnico administrativo,1 assistente social, 1 motorista para assessorar suas atividades administrativas e também doa combustível para o abastecimento de dois caminhões da coleta de materiais recicláveis realizada pela ASCAJAN, e ainda paga a conta de luz e de água.
A ASCAJAN é a maior das associações apoiadas pela Prefeitura de Fortaleza. No início, eram 170 associados, e hoje conta com 71 associados. A saída destes é justificada por encontrarem empregos de carteira assinada e que pagam melhor. A referida associação tem um total de 40 catadores internos (os que ficam no Galpão da ASCAJAN) e 31 catadores externos triando material no Supermercado Pão de Açúcar, Shopping Iguatemi, Supermercado extra e Shopping Parangaba.
Os catadores que trabalham no âmbito interno têm uma renda mensal de aproximadamente R$ 400,00 e os que trabalham externamente recebem em torno de R$ 550,00, embora nenhum dos catadores tenha carteira assinada. A coleta externa somente é feita pela associação se o material reciclável for a partir de 400kg, pois do contrário, os gastos com as despesas não compensam. A rota de coleta é feita por vários bairros da cidade. O material reciclável mais vendido pela ASCAJAN é o papelão. Percebeu-se que não há uso dos equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras pelos catadores durante a realização de suas atividades, como mostra a figura 58:
Figura 58 - Catadores trabalhando sem equipamentos de proteção individual (EPI)
Foto: Laudecy Ferreira, 2015
Em meio à pesquisa na ASCAJAN, deparou-se com o Sr. Artur, que há 17 anos tem a função de catador e também é coordenador financeiro da associação. Ele foi indagado como é viver na catação de material reciclável por tanto tempo, ao que respondeu:
Não tenho estudos, somente cursei até a quinta série do Ensino Fundamental. Era preciso sustentar a família, daí fui catar material no lixão do Jangurussu, onde catei material reciclável por mais de oito anos. Dali tirava o sustento para minha família. Me acostumei e acho muito bom estar cuidando do meio ambiente. Sei que o catador é muito importante, pois ele é que tira o material que ia contaminar o ambiente, e ainda deixa de mandar para o aterro muitos materiais que ainda servem para o reuso, e deixa de poluir o meio ambiente. O material que sobra da separação, vai para o “transbordo “do aterro sanitário (ASMOC). Em 1998 o lixão foi desativado e logo passei para a nova associação que se formava, depois em 2006 passou a se chamar ASCAJAN, hoje além de catador sou o Coordenador Financeiro da Associação. Tenho orgulho de ser catador, mas tenho um recado para dar a população e outro para o prefeito da cidade: à população peço que em suas próprias casas limpe o material para que ele seja aproveitado mais e polua menos a natureza, pois esse material vem muito sujo. Existe material perigoso como pilhas, bateria que deveriam ser separados. As pessoas não devem jogar lixo na rua. O material que vai para o aterro é perdido. É um dinheiro jogado fora. O papelão é nossa maior fonte de venda do reciclável. A cidade de Fortaleza produz muito lixo. O recado ao prefeito é esse: senhor prefeito, a gente é importante para o meio ambiente e para a cidade, por isso seja justo com a gente, pague um salário justo ao catador. Precisamos ter uma renda certa (informação verbal)23.
23 Informação coletada em entrevista ao Sr. Artur, coordenador financeiro/catador, em outubro de
Em outro momento da entrevista, perguntou-se sobre o grau de escolaridade dos associados e obteve-se a seguinte resposta de acordo com o quadro 3 a seguir:
Quadro 3 - Grau de escolaridade dos associados da ASCAJAN
DADOS QUANTITATIVOS DA ASCAJAN
Fonte: ASCAJAN, 2015
Outra integrante da associação, chamada de Isabel, questionada sobre sua condição de catadora, expressou que é catadora, secretária da ASCAJAN e também filha da presidente da associação. Conversando com ela, viu-se interessante aquela relação familiar e ao mesmo tempo profissional. Ao ser questionado como ela se sentia em ser filha da presidente, que também é catadora, ela respondeu:
Sou muito orgulhosa por ser filha de catadora de material reciclável. Sou filha de catadora e presidente da AASCAJAN. E me sinto muito importante porque ajudo a tirar o lixo das ruas. O dia a dia de minha mãe é muito corrido. Ela
chega cedo à associação e só volta muito tarde. Na escola meus colegas se orgulham de ter uma colega onde a mãe é catadora e também presidente de associação e até querem tirar foto com ela. Mas eu tenho um sonho de que a população separasse o material orgânico do seco, para que assim o material reciclável chegasse limpo e mais aproveitável. Não jogasse material na rua, deixasse as ruas limpas. [...] o catador evita que os esgotos sejam entupidos. Nunca passei preconceito por ser catadora. O catador ganha em torno de 400 reais por mês, isso não é suficiente, mas é o que ganhamos. Quem compra nossos materiais é o deposeiro. Não passamos para indústria de reciclável porque não temos condições de transportar nossos materiais. A prefeitura faz muito pouco, deveria doar mais resíduos para nossa associação pois a nossa maior doação vem de particulares. Sei que é possível ter um meio ambiente saudável, basta querer e ter força de vontade24.
A quantidade de resíduos sólidos que chegam ao galpão da ASCAJAN é observada na figura 59.
Figura 59 - Parte do interior do galpão da ASCAJAN
Foto: Laudecy Ferreira, 2015
Após visita à ASCAJAN, foi percebido que os associados reclamavam do salário e falavam que ele não era digno, pois recebiam aproximadamente R$ 380,00 por mês, mas tinham o sonho de um dia chegar a ganhar um salário mínimo. Achavam que o ambiente de trabalho, como galpão, refeitório, cozinha e banheiro, deveria ser mais organizado e limpo.
No momento em que trabalhavam na esteira, fazendo a separação dos resíduos sólidos, os catadores não usavam equipamento de proteção individual, e, com isso, estavam mais propensos a doenças, contaminação e, ainda, reclamavam que chegava mais lixo do que materiais recicláveis. Faltava ainda respeito entre as pessoas, havendo piadas e desrespeito de alguns homens para com as mulheres, falta de crescimento pessoal.