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3) Impact Assessment
Embora alguns materiais não possam ser facilmente reutilizáveis, podem muitas vezes ser reciclados de forma rentável. Considerando esta perspetiva é possível abordar o design para a desconstrução como “design hierárquico” (Guy et al., 2002), incluído, tal como se ilustra na Figura 5.2:
1. Projeto para a recolocação de todo o edifício (Guy et al., 2002); 2. Projeto para reutilização de componentes (Guy et al., 2002);
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4. Projeto para a reciclagem de materiais (Guy et al., 2002).
Figura 5.2 - Design hierárquico (Fonte: Crowther, 2000)
5.4.1. Estratégias para adaptabilidade ou relocalização
Para facilitar a adaptabilidade e a relocalização devem seguir-se as seguintes estratégias: Utilizar um número mínimo de diferentes componentes. Esta medida minimiza o
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aprendidas ou lembradas e também se traduz numa maior padronização no que concerne ao processo de remontagem (Crowther, 2005);
Preferir materiais e componentes leves. Deste modo, o manuseio de componentes será mais fácil, rápido e menos dispendioso (Crowther, 2005);
Identificar os pontos de desmontagem. Estes devem ser claramente identificados e não podem ser confundidos com outras características do projeto (Crowther, 2005);
Sustentar todas as informações sobre o processo de fabrico e montagem. Devem ser tomadas medidas para garantir a preservação de informações acerca do processo construtivo, o processo de desmontagem, materiais e vida útil dos componentes e expectativas de manutenção (Crowther, 2005);
Dividir o edifício por camadas. Cada camada desempenha uma função diferente e têm diferentes expetativas de vida útil. Assim sendo, os elementos que se espera que tenham de ser substituídos mais rapidamente encontram-se mais perto da superfície, o que os torna mais acessíveis e capazes de serem removidos sem grandes perturbações ou danos indevidos (Morgan et al., 2005);
Fornecer peças de reposição e providenciar um local para as armazenar. Estas peças são úteis para substituir componentes danificados e facilitar pequenas operações no edifício (Crowther, 2001).
5.4.2. Estratégias para maximizar a reutilização
Um dos maiores obstáculos para a reutilização dos materiais de construção está relacionado com o facto de os edifícios não serem projetados para facilitar o resgaste dos seus componentes, o que torna o processo de desmontagem demorado e exige trabalho intensivo (Guy, 2000).
Para que este obstáculo deixe de existir é necessário adotar as seguintes estratégias:
Utilizar um sistema de construção aberto “open space”. Assim será possível realizar alterações na compartimentação do edifício através da recolocação de componentes sem necessidade de executar trabalho de construção significativo (Couto et al., 2006 e Crowther 2005);
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Usar tecnologias de montagem compatíveis com práticas de edifícios standard, isto porque tecnologias especializadas tornam a desmontagem difícil de executar e podem necessitar de trabalho e equipamento especializado, o que torna a reutilização menos atrativa (Couto et al., 2006 e Crowther, 2005);
Permitir o acesso a todas as partes do edifício e a todos os componentes. O acesso fácil favorecerá a desmontagem. Se possível permitir que a recuperação de componentes no interior do edifício seja feita sem recurso a equipamento especializado (Couto et al., 2006 e Crowther, 2005);
Separar a estrutura do revestimento, das paredes exteriores e dos serviços para permitir a desmontagem paralela. Assim algumas partes do edifício podem ser removidas sem afetar outras (Couto et al., 2006 e Crowther, 2005);
Usar componentes que facilitam as operações de manuseamento. Permitir o manuseamento em todas as fases do processo de desmontagem, transporte, reprocessamento e remontagem (Couto et al., 2006 e Crowther, 2005);
Providenciar um meio de manipular componentes durante o processo de desmontagem. O manuseio de componentes durante a desmontagem pode necessitar de pontos de conexão para equipamentos de levantamento ou dispositivos de suporte temporário (Couto et al., 2006 e Crowther, 2005);
Fornecer tolerâncias realistas para permitir realizar todos os movimentos necessários durante a desmontagem. Há que ter em consideração que o processo de desmontagem pode necessitar de maiores tolerâncias que o processo de fabrico ou montagem (Crowther, 2005);
Utilizar um número mínimo de diferentes tipos de conetores. Esta medida para além de necessitar de menos tipos de ferramentas e equipamentos permitirá uma desmontagem rápida (Crowther, 2000);
Definir uma hierarquia de desmontagem relacionada com tempo de vida espectável para os diferentes componentes. Facilitar o acesso e a desmontagem de componentes com esperança de vida mais curta. Os componentes mais duráveis podem estar menos acessíveis e menos fáceis de desmontar (Crowther, 2000);
Fornecer uma identificação permanente do tipo de componentes. Podem utilizar-se informações eletronicamente legíveis, como códigos de barras, para facilitar a difusão
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de bancos de depósito e comercialização de componentes existentes em vários locais (Couto et al., 2006 e Crowther, 2005).
5.4.3. Estratégias para reprocessamento
Relativamente ao reprocessamento as estratégias a seguir são: Minimizar o número de diferentes tipos de componentes. Esta medida simplificará o processo de triagem e tornará o reprocessamento mais atrativo, devido à maior quantidade de materiais iguais ou semelhantes (Crowther, 2001);
Usar conexões mecânicas em vez de conexões químicas. As conexões mecânicas permitem a separação fácil de materiais e componentes e reduzem a contaminação de materiais e os danos nos componentes (Crowther, 2001);
Utilizar conexões químicas mais fracas que as partes que se pretende conectar, por exemplo, a argamassa deve ser significativamente mais fraca que os tijolos (Crowther, 2001);
Utilizar um número mínimo de peças de desgaste. Esta medida irá reduzir o número de peças que têm de ser removidas durante o processo de recondicionamento e deste modo, tornar mais eficiente o reprocessamento (Crowther, 2001).
5.4.4. Estratégias para maximizar a reciclagem
Para maximizar e facilitar a reciclagem dos componentes de um edifício aquando do seu fim de vida é necessário:
Usar materiais reciclados. O aumento do uso de materiais reciclados irá estimular a indústria e o governo a investigar novas tecnologias de reciclagem e irá ajudar a criar uma maior rede de apoio para futura reciclagem e reutilização (Crowther, 2005, Branz, 2010 e Level, 2013);
Minimizar o número de diferentes tipos de materiais. Esta medida irá facilitar o processo de triagem no local e reduzir o transporte (Crowther, 2005);
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Evitar materiais tóxicos e perigosos. Deste modo reduz-se o potencial de contaminação de materiais destinados a reciclagem e o risco para a saúde humana durante a desmontagem (Crowther, 2005);
Minimizar o uso de materiais compostos, tais como, materiais de revestimento e laminados, que são em geral mais difíceis de reciclar (Branz, 2010 e Level, 2013); Conceber subconjuntos inseparáveis do mesmo material. Permitirá realizar a
desmontagem em separado de materiais com diferentes potencialidades de aproveitamento. Para além disso impede que grandes quantidades de materiais possam ser contaminadas por pequenas quantidades de um material que não pode ser separado (Crowther, 2005, Couto et al., 2006 e Hetcher et al., 2010);
Usar métodos de juntas reversíveis. Por exemplo, ligações aparafusadas em vez de juntas soldadas a aço (Branz, 2010 e Level, 2013);
Fornecer identificação permanente de tipos de materiais. Muitos materiais, tais como o plástico, não são identificados com facilidade por isso devem ter alguma marca de identificação de “não removível” e “não contaminante” para permitir uma futura triagem de materiais (Crowther, 2005);
Minimizar o número de diferentes tipos de componentes para simplificar a classificação, reduzir os diferentes procedimentos de desmontagem e tornar a reutilização e reciclagem mais atraentes devido à existência de um maior número de componentes do mesmo tipo (Crowther, 2002).