O meio ambiente urbanizado e industrializado é sinônimo de poluição do ar. As indústrias e o trânsito são os principais “vilões” adicionando à atmosfera, componentes nocivos à qualidade do ar, alterando o estado natural da atmosfera.
Tudo que pode ser vaporizado ou transformado em pequenas partículas, de modo que possa flutuar no ar, deve ser classificado como poluente potencial. Considera-se o ar como normal quando mais de 99,99% do volume de ar se compõem de apenas quatro moléculas gasosas, nitrogênio (78,09%), oxigênio (20,94%), argônio (0,95%) e CO2(0,03%)... Mas o ar urbano típico contém alguns desses traços, incluindo-se o monóxido de carbono, dióxido de enxofre e metano, em quantidades excessivas. (SEWELL, 1978, p. 161)
Os impactos destes poluentes na saúde humana muitas vezes não possuem um efeito imediato, podem desencadear doenças cujos efeitos foram cumulativos no tempo e não há como associar a um determinado evento.
Portanto um determinado elemento na atmosfera poderá não causar incômodo algum, porém seus reflexos serão agravados com o tempo ou mesmo com a associação de outro elemento qualquer estranho na atmosfera.
Na área de análise desta pesquisa, caso existam estes elementos, não serão identificados, uma vez que foram visados os incômodos percebidos no nível domiciliar.
O bairro AF sofre com a poluição industrial e com a do trânsito. A poluição atmosférica que afeta o AF1 e AF2 é atribuída pelos moradores ora ao pó da empresa SATIPEL, atuante no DI1, ora ao odor emitido pelo tratamento dos resíduos líquidos da empresa granjeira ‘Da granja’, em sua lagoa de decantação. Já no AF3 percebe-se que os incômodos são mais evidentes, uma vez que além dos dois tipos já citados, reclamam do forte odor dos particulados.
O comportamento natural da dinâmica dos ventos permite uma análise mais real a respeito dos efeitos da poluição do ar no bairro. O gráfico 17, a tabela 10 e a figura 8 apresentam a dinâmica dos ventos e seus efeitos sobre o bairro.
N S E W NW NE SE SW 1 2 3 4 5 6 Legenda: Intensidade Freqüência Escala: 1cm: 1m/seg 1cm: 3%
VENTOS
Gráfico 17 – Velocidade e freqüência dos ventos em Uberaba MG. Fonte: PMU – RIMA/ETE 2006
Tabela 10 – Direção dos ventos no bairro Alfredo Freire – Uberaba.4
Fonte: PMU – RIMA/ETE 2006
Ao observar o gráfico 17, o primeiro dado direto a observar é a combinação de maior intensidade e freqüência dos ventos nas direções NE (3,7 m/s e 47 dias/ano) e na direção W (3,72 m/s e 53 dias/ano).
Durante praticamente metade do ano o ar fica estacionário, é o período de calmaria. Neste caso, a poluição no bairro é menos intensa.
4 N – Norte / S – Sul / E - Leste / W - Oeste
N NE E SE S SW W NW Somatório Calmaria
Dias/Ano 16,00 47,00 7,00 13,00 6,00 17,00 53,00 14,00 173,00 192,00
F (%) 4,38 12,88 1,92 3,56 1,64 4,66 14,52 3,84 47,40 52,60
Já no outro período a situação se inverte e os ventos começam a soprar em várias direções. Os ventos que levam os resíduos atmosféricos mais perceptíveis são aqueles que sopram nas direções: norte, noroeste, oeste e sudoeste (figura 8). Os ventos que sopram para o norte levam o odor da lagoa de decantação da empresa Dagranja. Os que se direcionam para noroeste, levam resíduos particulados de outras empresas do Distrito, além do odor. Aqueles que sopram na direção oeste, levam os particulados e odores emitidos pela empresa SATIPEL. E os que vão para sudoeste levam os resíduos e particulados das empresas para o bairro todo. As setas de direção dos ventos estão indicadas na figura 8.
Figura 8: Direção predominante dos ventos que intensificam a poluição do ar no Bairro Alfredo Freire. .N
.
.NO. .O. .SO. .SATIPEL. LAGOA DE DECANTAÇÃOA velocidade e a freqüência/ano dos ventos que afetam o bairro podem estão sintetizadas na tabela 11.
Tabela 11 - Ação dos ventos que intensificam a poluição atmosférica no AF. Direção para onde
sopram os ventos Velocidade(m/s) Freqüência (dias/ano) Freqüência (%) N 3,60 16 4,38 SW 4,77 17 4,66 W 3,72 53 14,52 NW 2,70 14 3,84 TOTAL --- 100 27,4
Fonte: PMU – RIMA/ETE 2006
A partir disso, conclui-se que durante um período de cem dias no ano a poluição é intensificada pela ação dos ventos. Os ventos que carregam mais poluição são os que sopram para oeste (cinqüenta e três dias no ano), por carregar os resíduos da empresa SATIPEL e os que sopram para o norte (dezesseis dias no ano), por carregar o odor da lagoa de decantação da empresa Dagranja.
Este fenômeno natural diz muito a respeito da QAU no bairro e complementa o estudo da percepção ambiental em relação à poluição do ar. A atribuição de pesos da QAU no bairro foi organizada conforme apresentado no quadro 10.
Quadro 10 - Atribuição de pesos: Poluição atmosférica Tabela 12 - Poluição Atmosférica
Quadras ocupadas
Nenhum tipo
1 tipo 2 tipos Acima de 3 tipos AF1N 23 4 17 2 0 AF1S 25 3 18 4 0 AF2 18 2 13 3 0 AF3 17 1 8 5 3 Total 83 29 24 19 11
Média Poluição Atmosférica Peso Cor Qualidade
Ambiental
até 0.49 Nenhum tipo 0 Verde claro Bom
de 0.50 a 1.49 1 tipo 1 Verde médio Regular
de 1.50 a 2.49 Até 2 tipos 2 Magenta Ruim
0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 % Nenhum tipo
1 tipo 2 tipos Acima de 3 tipos
AF1N AF1S AF2 AF3
Gráfico 18 -Poluição Atmosférica por unidade da paisagem.
Na tabela 12 e gráfico 18 é possível constatar que a inexistência de poluição atmosférica por unidade da paisagem, decresce do AF1N com 4,88% até o AF3 com 1,22% das quadras. Já a presença de pelo menos um tipo de poluição está na maior parte das quadras, abrangendo a maior parte do AF1N e AF1S, com 20,73 e 21,95% do total de quadras, respectivamente. O AF3 é a parte onde ocorrem menos registro de apenas 1 tipo de poluição. No AF3 ocorrem os maiores registros de dois tipos e acima de três tipos de poluição. Vale ressaltar que a incidência de três ou mais tipos de poluição refere-se apenas ao AF3. (mapa 13) 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 %
Nenhum tipo 1 tipo 2 tipos Acima de 3 tipos Gráfico 19 - Poluição atmosférica – geral.
Conforme aponta o gráfico 19 e o mapa 13, de forma geral, a maioria das quadras, ou seja, 68,29% apresentam um tipo de poluição atmosférica. Em seguida, 15,85% das quadras reclamam de incômodo com 2 tipos de poluição atmosférica. Apenas 3,66% das quadras reclamam de mais de 3 tipos de poluição atmosférica, entretanto, todas as quadras inseridas nesta categoria correspondem ao AF3. Enfim, apenas 12% das quadras não reclamam de nenhum tipo de poluição.