Del 1- Miljøtekniske sedimentundersøkelser
4.3 Resultater fra kornfordelingsanalysene, TOC og vanninnhold
5.1.4 Illustrasjon av tilstandsklasser innen tiltaksområdet
Para último exemplo das obras que nos propomos a estudar e mostrar, escolhemos a obra O Segredo do Rio, também com dupla autoria, cuja história pertence a Miguel Sousa Tavares, e as ilustrações a Fernanda Fragateiro. A história e as ilustrações são originais do ano de 1997, sendo que edição da Oficina do Livro que nos propomos estudar é a 24ª edição. Esta obra faz parte do Plano Nacional de Leitura para o 4º ano de escolaridade e afasta-se, dessa forma, ligeiramente da faixa etária dos anteriores exemplos.
O autor do texto, Miguel Sousa Tavares, é um jornalista e escritor português, filho da já falecida poetisa e ficcionista Sophia de Mello Breyner Andresen. Os seus estudos foram em Direito, tendo exercido esta profissão por mais de uma década; no entanto, foi o jornalismo que, no fim, venceu e o fez abdicar e mudar de profissão ("Miguel Sousa Tavares", s.d). Passou por vários jornais e canais televisivos até chegar à TVI (ibid.). Já publicou várias obras, e dentro do género dos livros ilustrados tem três obras, todas integrantes do Plano Nacional de Leitura: a que nos propomos estudar O Segredo do Rio; Ismael e Chopin, que fala sobre a amizade entre o coelho Ismael, um coelho bravo do bosque com 51 irmãos, que encontra um jovem músico chamado Chopin, com quem forma amizade, depois de se sentir atraído pela música que vinha do piano que o músico tocava; O Planeta Branco, que fala numa perspetiva futurista sobre o salvamento do nosso planeta, através da exploração do planeta Orizon S-3. Tanto O Segredo do
Rio como Ismael e Chopin integram o plano para o 4º ano de escolaridade e são ilustrados pela
mesma artista, e O Planeta Branco integra o plano para o 6º ano (Bertrand, s.d).
Quanto à ilustradora, de seu nome Fernanda Fragateiro, sabemos ser uma artista plástica portuguesa, com intervenção nas áreas da escultura, ilustração, instalação e intervenção em espaço urbano. Estas áreas que pratica são alvo de interdisciplinaridade nos seus trabalhos, com ligações fortes entre os elementos de cada. Os seus trabalhos já foram expostos a nível nacional e internacional, como na Universidade de Harvard, norte-americana (Fernanda Fragateiro, s.d.). Estudou em Lisboa, na Escola Superior de Belas Artes, no curso de Escultura, que terminou em 1987. Começa a integrar projetos de ilustração na década de 80, sendo que ensina esta área de 1997 a 1999 na Ar. Co (Centro de Arte & Comunicação Visual, em Lisboa) (Museu Internacional Escultura Contemporânea, s.d). A ilustradora ilustrou as obras do 4º ano de Miguel Sousa Tavares, mencionadas anteriormente, e também a obra A Menina do
Mar de Sophia de Mello Breyner Andresen.
Tal como dito anteriormente, O Segredo do Rio faz parte do género de livros ilustrados cuja linguagem predominante é a escrita, colocando a ilustração numa posição de só reforço do texto ou decorativo, sendo isso motivo para o nosso estudo. É a escrita o importante em detrimento do visual, o que contrasta com os outros dois exemplos de estudo, visto que esses precisavam da imagem e a presença dela era obrigatória; aqui, as ilustrações são reduzidas, são reforços e ajudam a mostrar de forma adequada a simbiose entre imagem-texto.
A obra fala-nos sobre um menino que vive no campo, onde a sua casa está rodeada de árvores de frutos de todas as estações. Para além das árvores, há também um ribeiro, o sítio preferido do rapaz. A água do ribeiro é usada para várias coisas, como para beber, pelas pessoas ou animais, e cozinhar; é um ribeiro querido para a população. O rapaz tinha tido várias experiências lá: foi onde aprendeu a nadar, é onde observa as estrelas… No entanto, foi na primavera que se deu a maior de todas: encontrou um peixe enorme que conseguia falar a língua humana, e que contou ao menino a história da sua vida.
O peixe é uma carpa gigante; tinha sido um peixe doméstico de aquário, amado pelo seu dono, que ao falar com ele, ensinou-lhe a língua humana. Mas, ao crescer, devido ao seu tamanho, foi necessário colocá-lo no lago, e desde essa altura que o peixe andava à procura da sua nova casa. Para ajudar o peixe, o menino e o animal fizeram um acordo: o peixe vivia ali, o menino frequentava o ribeiro, mas ninguém podia saber que falavam um com o outro. Assim foi, e juntos formaram uma grande amizade.
Mas a seca e a escassez de alimentos eram grandes, e os pais do menino achavam que a solução para os problemas era pescar a carpa. Depressa o menino avisou o peixe do perigo, e depois de despedidas, a carpa fugiu. E o menino deixou de ir ao rio, já que ele achava que ele perdera o seu segredo, o seu encanto. Numa reviravolta, tempo mais tarde, o peixe voltou, com a solução para os problemas dos humanos: com a ajuda de outros peixes e raposas, trouxe- lhes mantimentos de um navio naufragado. No dia seguinte, o menino contou aos pais o sucedido, que ficam espantados. Desde esse dia, o rio tornou-se num lugar só para o peixe e para o rapaz.
No que toca ao livro em si, este é de capa dura com fundo branco, com medidas de 24,2 cm por 17 cm. Na capa encontramos a ilustração do menino a nadar com o peixe depois de se tornarem amigos, e na contracapa a última ilustração da história, com o letreiro a falar no segredo do rio, que também podemos encontrar nas páginas 23 e 45, sendo que são as mesmas utilizadas. Ao observarmos a capa, em que o menino aparece a agarrar submerso a cauda do peixe, ficamos curiosos ao que levou a tal situação, quais foram os motivos para o menino se encontrar submerso e como é que o consegue. Nesta altura, ainda não sabemos que é uma atividade que ele realiza depois de ter travado amizade com a carpa e, portanto, capta a atenção e a curiosidade. A contracapa, que fala num segredo, também tal faz, porque esta informação, o segredo, não é dito até ao meio da história, consolidado no final, e então faz agarrar o leitor à história na procura do segredo do rio.
O texto, que classificamos como do modo narrativo, tem alguma extensão, adequando a crianças que já se interessam por uma leitura mais extensa, quer por autoleitura ou leitura guiada. De fácil compreensão apesar da sua extensão, tem uma linguagem e legibilidade acessível a todos. É composto por descrições da narrativa e diálogo, sendo que o primeiro é o mais abundante, e o segundo existe a partir do aparecimento da carpa. Os diálogos também são realizados pelas personagens secundárias, das quais só temos conhecimento através desta linguagem, como os pais do menino que conversam sobre os problemas das colheitas e secas.
Conseguimos ter uma visualização mental bem concebida dos elementos da narrativa através do texto, sendo que ele também nos dá informação adicional, mas sem representação visual: sabemos que, por exemplo, o rapaz tem dois irmãos mais novos, sabemos como está constituído o pomar da sua casa, ou até mesmo como foi a vida do peixe enquanto animal de
Figura 21 – Duas páginas, que correspondem ao texto e à sua ilustração, onde esta reforça a ideia dada,
retirado http://www.catalivros.org/portal/bo/portal.pl?pag=02n4_ficha_do_livro&janpap_id=55
Sabemos também que o tipo de letra utilizado para a criação do texto é Optica, de tamanho 13,5, como dado na ficha técnica do livro. É também ele justificado. A paginação é feita a contar com a ficha técnica e página de título, e dá-nos um total de 48 páginas, com a história narrada entre a número 7 e a 44. O texto aparece-nos fundamentalmente a ocupar a maior parte das páginas, facto que se adequa ao tipo de livro que é; de 48 páginas, ocupa 38, enquanto que as ilustrações ocupam um total de 10 páginas, individuais, a ocupar a página na totalidade e na posição vertical. Anterior e posteriormente à ilustração, veem sempre páginas de texto; existem 2 ilustrações a fazer de exceção, onde seguido à imagem só aparece texto em 2 páginas. Posto isto, parecendo-nos ser regra nesta obra o aparecer de 3 páginas de texto, no seguimento de uma ilustração.
No entanto, é a ilustração que dá imagem aos pontos importantes da página ou páginas que lhe antecedem. Exemplos serão as que ilustram quando o rapaz encontra o peixe, cujo barulho o faz virar-se e observar o peixe, imagem que vemos pintada; ou quando o peixe explica como fez para trazer os mantimentos para os humanos, ilustrado com uma raposa e o peixe com a linha da rede na boca, a arrastarem os mantimentos que estavam em cima desta. As exceções a esta regra são a primeira ilustração na página 8 e a ilustração na página 27, já que a primeira ilustra parte da página anterior (em relação à descrição do ribeiro e a sua localização) e parte da próxima (do tempo que o rapaz passa no ribeiro, com o exemplo do banho), e a página 27 não ilustra uma parte só ou a página, mas sim ilustra o rapaz preocupado num cenário outonal, com folhas a cair e um solo despojado, representante da escassez de recursos e da seca faladas em várias páginas do texto.
Figura 22 - Uma das exceções, em forma da ilustração da página 27, retirado de http://www.catalivros.org/portal/bo/portal.pl?pag=02n4_ficha_do_livro&janpap_id=55
A técnica utilizada para a criação destas ilustrações é a pintura a aguarela, no suporte papel, e o estilo da pintura verifica-se bastante nas personagens principais, que são o rapaz e o peixe: o rapaz é pequeno, careca à exceção de três cabelos, cabeça grande e membros superiores e inferiores magrinhos. Em relação ao animal, uma carpa gigante, de tons vermelhos e laranjas, distingue-se o desenho: num estilo realista, adaptado para o público infantojuvenil, que pode ser observado nas imagens onde notamos que aos elementos do cenário (natureza, animais, a carpa) são oferecidos traços e formas visuais que as aproximam da realidade. O rapaz é desenhado com recurso a traços e formas mais simplificados, como se nota na cabeça circular e nos membros cilíndricos.
Concluímos, desta forma, que esta obra é um bom exemplo, na nossa opinião, de como realmente pode um texto não necessitar de imagens a ilustrá-lo, mas como também as ilustrações não só o tornam mais apelativo, como também induzem a uma pausa, que ajuda a processar o que foi lido e interiorizar de uma outra forma o relatado anteriormente.