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Ikrafttredelse, overgangsbestemmelser og endringer i andre lover

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(Davidson, 2000). Talvez as emoções positivas possam actuar mais frequentemente nestes indivíduos, anulando os efeitos das emoções negativas, como propõe Fredrickson (2001). Werner (1993) tinha já salientado, a propósito dos resultados do estudo longitudinal na ilha do Kauai, que entre os indivíduos mais resilientes se encontravam não só aqueles com temperamento mais fácil, e que por conseguinte tendiam a desencadear reacções mais favoráveis por parte dos outros, mas também se apresentavam mais confiantes e com esperança em conseguir lidar com a adversidade. Não é por acaso que as emoções positivas começam agora a ser mais estudadas e que vários autores advoguem a favor dos benefícios das mesmas, nomeadamente pela sua relação com o optimismo (e.g. Peterson, 2000; Neto & Marujo, 2001).

A manutenção de estados emocionais negativos continuados, associada a algumas formas de psicopatologia infantil, pode ancorar-se também nas dificuldades na regulação emocional ou no desenvolvimento de padrões atípicos de regulação (Cole, Teti & Zahn-Waxler, 2003). Sabe-se que variáveis como o controlo inibitório e a regulação da atenção parecem moderar a relação entre vários factores de risco e o ajustamento positivo ou problemático (Lengua, 2002). Nas crianças com padrão de vinculação desorganizado o papel das emoções parece bastante evidente no desenvolvimento de psicopatologia. Na característica ausência de estratégias organizadas para lidar com situações adversas e emocionalmente perturbadoras, estas crianças parecem simplesmente afogar-se nas suas emoções e perder-se numa imensa desorganização emocional, cognitiva e comportamental (DeOliveira e col., 2004), o que eleva o risco para o desenvolvimento de sérias perturbações futuras.

Nos pontos seguintes procuramos rever alguns dos estudos que têm vindo a encontrar diferenças entre as perturbações de externalização e internalização em termos de emocionalidade disposicional da criança e regulação emocional, dando a conhecer algumas associações diferenciadas de determinadas variáveis do temperamento, com as referidas categorias psicopatológicas.

6.1 Perturbações de externalização, emoções e dificuldades no desenvolvimento emocional

De um modo geral, crianças com perturbações de externalização parecem apresentar maior propensão para a raiva (Eisenberg e col. 2001; Rydall, Berlin & Bohlin, 2003), ao mesmo tempo que podem ser facilmente sobre-estimuladas por

emoções de alegria (Cole & Zhan-Waxler, 1992). No entanto, contrariamente ao que se poderia esperar, Jenkins e Oatley (2000) verificaram que a raiva não constituiu o afecto dominante nas crianças com perturbações de externalização, com idades compreendidas entre os 4 e os 8 anos, que foram avaliadas relativamente a experiências emocionais de curta duração, durante os intervalos na escola. Na realidade, o afecto predominante, tal como em crianças não problemáticas, parecia ser a felicidade. Contudo, quando comparadas com outras crianças, as externalizadoras apresentavam níveis mais elevados de raiva. Os autores procuraram avaliar o equilíbrio entre os afectos em cada criança e verificaram que elevados níveis de raiva estavam associados com mais sintomas de externalização, mas que estes sintomas não estavam associados com menor felicidade ou tristeza, uma tendência que, no entanto, não foi comum a todas as crianças. No mesmo estudo, foi encontrada uma associação entre a tristeza e sintomas de internalização e baixa raiva, segundo relato dos professores, mas não dos pais. Os autores levantam a hipótese de que determinado tipo de emoções pode tornar-se dominante na vida das crianças com psicopatologia e que, embora essas emoções não sejam necessariamente mais experienciadas do que outras, parecem estar mais presentes em indivíduos com sintomatologia do que em indivíduos saudáveis. Descrevem ainda o dado curioso da ausência de correlação de outras emoções, que não se supõem dominantes para uma perturbação com os sintomas da mesma. Por exemplo, a raiva que não se supõe dominante nas crianças com sintomas de internalização, de facto, não se correlaciona com este tipo de perturbação. Estes dados podem ser indicadores da preponderância de alguns afectos nos indivíduos com psicopatologia, por comparação com outros.

Parece ser mais ou menos certo que níveis maiores de raiva associados a comportamentos de externalização são, tendencialmente, preditores de uma menor orientação pró-social da criança (Rydall, Berlin & Bohlin, 2003). Por outro lado, as dificuldades no controlo por esforço estão fortemente associadas com o afecto negativo da criança e ainda com o desenvolvimento da consciência (Posner & Rothbart, 2000), fundamental para um comportamento social adequado.

Uma perturbação não se caracteriza só por uma forte intensidade de emoções. Uma baixa emocionalidade negativa pode estar associada a comportamentos de externalização quando associada a um sub-controlo emocional e a uma pobre regulação do comportamento, do mesmo modo que uma forte emocionalidade negativa pode estar relacionada com sintomas externalizadores quando associada a um baixo controlo do comportamento em contraste com o facto de uma boa regulação da atenção, juntamente

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com comportamentos sociais ajustados, poder estar associada a poucos comportamentos problemáticos (Eisenberg, Fabes, Guthrie & Reiser, 2000). Estes dados indicam-nos que várias dimensões do temperamento podem interagir com resultados distintos.

Uma boa capacidade de regulação emocional está também associada ao desenvolvimento da capacidade de empatia (Guthrie e col., 1997) e negativamente correlacionada com comportamentos de externalização (Zhou e col. 2002). A associação entre uma deficitária capacidade de regulação e uma elevada impulsividade, ou elevada emocionalidade positiva, tende a estar, do mesmo modo, associada a mais problemas de comportamento (Eisenberg, Smith e col. 2004; Rydall, Berlin & Bohlin, 2003).

Ao nível das componentes da expressão emocional, foram encontradas associações entre perturbações de défice de atenção e hiperactividade com uma maior expressividade da criança, associada a mudanças mais bruscas nas expressões faciais durante uma tarefa de jogo conjunto (Casey, 1996). As crianças com perturbações de comportamento oposicional-desafiante, por seu lado, apresentavam menos expressões faciais que crianças não problemáticas (Casey, 1996).

Durante uma experiência em que crianças dos 7 aos 14 anos eram expostas a uma situação de elogio por parte de um par, as crianças com sintomas de externalização, comparativamente com crianças sem diagnóstico, reagiam com maior hostilidade e surpresa e pareciam demonstrar uma menor compreensão das suas emoções, mostrando- se menos capazes de explicarem o que sentiam, como sabiam o que sentiam e de relatarem as suas expressões faciais (Casey & Schlosser, 1994).

Como se verifica, a maior parte dos estudos tem apresentado dados centrados nas emoções e na regulação das emoções negativas. Ainda que os dados relativos ao papel das emoções positivas não sejam abundantes, existem algumas evidências de que, por exemplo, os relatos de emoções de alegria por parte de crianças entre os 7 e os 10 que receberam um prémio decepcionante, estão associados com menores níveis de comportamentos agressivos (Bohnert, Crnic & Lim, 2003), mas só para os rapazes.

No que diz respeito ao conhecimento emocional, existem dados divergentes. Por exemplo, Egan e colaboradores (1998) num estudo com crianças entre os 5 os 14 anos não conseguiram encontrar associações entre a capacidade de descodificar expressões faciais e sintomatologia externalizadora nas crianças. No entanto, o conhecimento emocional era aqui avaliado pela nomeação de sentimentos a partir do reconhecimento de expressões emocionais de adultos em fotografias. Bohnert, Crnic e Lim (2003) avaliaram o conhecimento emocional geral da criança em termos da capacidade da criança para gerar palavras emocionais, em termos de compreensão de como as

emoções eram activadas ou de como sabiam o que estavam a sentir e a compreensão de emoções perante uma situação real emocionalmente activadora. Os seus dados revelaram que embora um índice geral de compreensão emocional não tenha previsto problemas externalizadores, uma compreensão emocional perante uma situação emocionalmente activadora, encenada em contexto laboratorial, previu níveis mais elevados de comportamentos agressivos das crianças.

6.2 Perturbações de internalização, emoções e dificuldades no

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