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Ikonene i Neiden: Teknisk oppbygning Undersøkelsesmetodikk

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“Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”. (Paulo Freire). A escola e o abrigo, instituições sociais com papéis e funções complementares, têm de trabalhar em comunhão para que suas crianças tenham a possibilidade de serem assistidas como rege os direitos do cidadão.

O mundo que a criança deveria viver é diferente daquele em que ela (sobre)vive. A educação dessas crianças, como seu mundo, intercala-se com o direito e a carência, o abrigar e o desabrigar.

Segundo Freire (1987), a ação política junto aos oprimidos deve ser, no fundo, uma ação cultural voltada à liberdade, viabilizando a estruturação de um arcabouço institucional capaz de propiciar reflexão crítica por parte dos membros da sociedade, de sorte a permitir sua transformação e independência.

A educação é um direito de todos. Contudo, este direito deve ser trabalhado, planejado e cuidado para que ele não se torne privilégio de uns em detrimento de outros. O direito à educação não se traduz em estar apenas na escola, mas sim em proporcionar aos alunos um compartilhamento democrático de saberes e experiências. Se a escola está inserida em um bairro em que se fazem presentes contrastes sociais agudos, cabe à escola reconhecer e entender estas características para que possam pensar a partir de um currículo que reflita as condições prevalecentes e valorize a cultura local, ao invés de desqualificá-la, de modo a um método de reflexão crítica que faça da realidade do aluno o ponto de partida.

Nesse caso, a escola e o abrigo, com suas culturas institucionais diferenciadas, devem se complementar e ajudar a criança, que é um dos sujeitos da educação, de modo a fazer valer o seu real direito à educação. Os alunos e professores que não entram em contato com outras realidades terão dificuldade de entender as diferenças, e principalmente, terão dificuldade de aprender e de se humanizar. A escola e o abrigo têm de dialogar, tem de trabalhar em direção à possibilidade do contato entre essas duas culturas institucionais. Afinal o diálogo se faz da diferença, do fazer junto11

Durante o trabalho transcorreu-se sobre as características da história da criança institucionalizada

Mas infelizmente, em muitos casos, a escola tem sido um lugar de desumanização das relações pessoais e cotidianas, principalmente em relação às crianças menos favorecidas, particularmente no que tange às crianças que moram em abrigos próximos à escola em que se realizou a pesquisa. Essas crianças se sentem muitas vezes perdidas diante da falta de sentidos com a qual se deparam no dia-a-dia escolar.

Segundo Moll (1996), ao absolutizar manifestações culturais de uma só classe social, a escola “patologiza” outras formas de expressão e, nesse processo, cria deficiências que sutilmente denomina de diferenças ou hierarquização de culturas e subculturas.

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A escola é considerada como fonte de violência, quando discrimina, exclui e maltrata as crianças, principalmente quando a violência simbólica se impõe. Ela,

, entre as quais o abandono, a negligência social, os maus tratos físicos e o distanciamento dos laços parentais. As crianças que residem em abrigos chegam à escola como “as diferentes”, as que não se encaixam no estereótipo pretendido e aceito pelos olhares de alguns educadores e funcionários da instituição escola. Compartilhando essa ideia, Graciani (2001, p. 139-140) aponta que:

11 Afirmação compartilhada pela professora Terezinha Rios, durante uma palestra sobre o público e privado proferida na instituição de ensino Pueri Domus, no dia 19 de agosto de 2008.

que deveria representar para a criança um espaço de crescimento, promoção e realização, encontra-se hoje deteriorada pela sua proposta educacional totalmente desarticulada e desorganizada, mas com trágicos objetivos violentadores, caracterizados pela “massificação”, “coisificação” e “robotização” na transmissão do conhecimento. O maior abuso contra a criança e o adolescente ocorre quando sua personalidade é destroçada pelo reforço da escola excludente, com sua cidadania tolhida e seus direitos desrespeitados aviltados e violados.

Tanto na escola quanto no abrigo, o atendimento padronizado oferecido reforça o processo de exclusão, já sofrido pelas crianças institucionalizadas, quando a sua cultura não é reconhecida e significada. Isso se dá pela ausência de um planejamento conjunto adequado entre ambas instituições, o que revela a falta de compromisso com essas crianças.

A relação da escola e do abrigo deve ser intencional e consciente, em prol do melhor desenvolvimento do aluno, estando presente no projeto político pedagógico da escola e no currículo que fundamenta as práticas educativas. Nesta perspectiva, em um diálogo com Paulo Freire, Frei Betto (1985) afirmou que:

[...] o ponto de partida não é o saber do educador, mas a prática social dos educandos. É essa prática que constitui o eixo em torno do qual gira o processo educativo. Antes de se elaborarem conceitos, é preciso de seus educandos os elementos de sua prática social: quem são, o que fazem, o que sabem, o que vivem, o que querem, que desafios enfrentam.

As práticas sociais dos educandos, bem como as diferenças presentes em seu cotidiano escolar, devem ser consideradas para que seja possibilitado o “encenar das diferenças”. Um encenar que pressupõe a participação e a presença do outro em um “palco” de aprendizados de saberes e experiências multiculturais (OLIVEIRA, 2006).

Sendo assim, tanto a escola quanto o abrigo devem estar atentos a essa pluralidade presente dentro de seus espaços, pois em ambas o educar se deve fazer presente.

3 ANÁLISE DO CASO DOS ALUNOS DE ABRIGOS EM UMA ESCOLA ESTADUAL DE SÃO PAULO

Este capítulo apresenta a pesquisa realizada em uma escola estadual localizada no município de São Paulo, no bairro do Ipiranga, junto a professores e funcionários que lidam com crianças que residem em abrigos. Inicialmente, realiza-se a caracterização da escola, bem como dos abrigos. A seguir, apresenta-se a metodologia para analisar o discurso coletado sobre os alunos institucionalizados.

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