merecem ser definidas com carinho, inteligência, conhecimento e habilidade”.
figura 19 | Classificação tipográfica de Ellen Lupton
Fonte: Adaptado de Lupton (2004, p. 42)
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Humanistas Garamond Bembo; Caslon; Jenson; Palatino Transicionais BaskervilleTimes New Roman;
Century
Aa
Modernas Didot Bodoni; Bell; CaledoniaAa
EgípciasClarendon Memphis; RockwellAa
Sem serifas Humanistas Gill Sans OptimaAa
Sem serifas Transicionais Helvetica Akzidenz Grotesk; Gotham; Univers; FrutigerAa
Sem serifas Geometricas Futura Aqua Grotesquedade de informação requer cuidado com a hierarquia dos títulos, a navegação ao longo da publicação e o conforto do leitor ao ler textos corridos (Samara, 2005, p. 35).
É importante ter em conta que textos com características diferentes devem ter abordagens diferentes. Daí ser essencial que o designer leia o conteúdo da publicação antes de começar o processo de design. Textos que contenham muitas datas podem pedir tipos de letra com a particularidade técnica de conter algarismos de caixa baixa; textos com muitos estrangeirismos reque- rem itálicos; textos que enfatizam alguns conceitos requerem a utilização de negrito, versaletes ou cor (Baines e Haslam, 2005, p. 127).
O designer deve, dentro da enorme variedade de tipos de letra que tem ao seu dispor, ter sensibilidade, de maneira a escolher o que mais se enquadre e adeque a cada situação e tipo de trabalho. Isto porque cada tipo de letra pode ou não ser apropriado para cada tipo de mensagem. A escolha do tipo de letra a utilizar, bem como os fatores que o rodeiam (como a grelha, a entrelinha, o tamanho do corpo, etc.) vão ser essenciais para determinar o impacto estético, funcional e psicológico de qualquer publicação. Ou seja, tipos de letra diferen- tes vão provocar sensações diferentes no leitor (Müller-Brockmann, 2012, p. 19; Kane, 2012, p. 96).
Tendo em conta que é improvável o leitor ler um jornal ou uma revista de uma ponta à outra, o trabalho do designer é fundamental para situar o leitor na publicação. Tal é feito utilizando o recurso a espaços em branco, cores, dife- rentes tamanhos de letra, entre outros. Quando existe bastante texto, é impor- tante saber distribui-lo pelas páginas, de maneira a que exista um balanço certo de texto por página (Ruder, 1977, p. 82).
HIERARQUIATIPOGRÁFICA
A hierarquia tipográfica, ao dar mais ênfase a alguns elementos do que a outros, ajuda o leitor a navegar pelo texto e a selecionar as secções que mais lhe interessem. De maneira a ser eficaz, cada nível da hierarquia deve surgir de maneiras diferentes e deve ser aplicado consistentemente ao longo da publi- cação. Há infinitas opções para o fazer. No entanto, há que ter em conta que a combinação de várias opções pode resultar num layout confuso e exagerado (Lupton, 2004, p. 94).
O designer utiliza elementos como o tipo de letra, o corpo, a caixa alta ou baixa, a cor, etc. de maneira a criar hierarquia, e dessa maneira facilitar a lei- tura e a compreensão do texto. Na revista ou no jornal, o designer tem um papel importante e um maior nível de intervenção do que teria na realização de um livro, de maneira a que o leitor se aperceba rapidamente do que trata o texto e assim avaliar os conteúdos que lhe possam interessar e de seguida ler com mais pormenor (Rocha e Nogueira, 1997, pp. 123–124).
2.6.LEGIBILIDADEELEITURABILIDADE
“Legibility is the degree to which individual letters can be distinguished from each other”34(Jury, 2004, p. 58)
Um tipo de letra é considerado legível quando os seus caracteres não se confun- dem uns com os outros. Tal é conseguido através da utilização de uma altura x grande (mas apenas o suficiente de maneira a que as ascendentes e descen- dentes se mantenham destacadas), bem como a forma específica dos traços de algumas letras. A legibilidade é um problema que é conferido aos designers de tipos de letra, já que são eles quem determinam a forma das letras. Já a leitura- bilidade é um problema dos designers, que se prende mais com a utilização do que com o desenho dos caracteres. A leiturabilidade implica escolher os tipos de letra mais adequados para as diversas situações. E nem sempre os tipos de letra mais legíveis são os melhores para ser lidos em texto. “Pode parecer con- traditório, mas um tipo de letra altamente legível nem sempre tem uma maior
leiturabilidade”35 (Jury, 2004, p. 56). Tipos de letra destinados a ser utilizados
para sinalética são geralmente muito legíveis, mas difíceis de ler em textos corridos, prejudicando a leiturabilidade (Jury, 2004, pp. 56–66).
De acordo com Müller-Brockmann (2012 [1981], pp. 30-34), os parâmetros que definem a leiturabilidade de um texto são o corpo de letra, a largura da coluna e a entrelinha. O tamanho do corpo de letra deve ser calculado tendo em conta que o leitor está a 30/35cm de distância do documento impresso, o que para Baines e Haslam (2005, p. 129) se traduz num corpo de texto entre 8.5 e 10 pontos. Este intervalo é relevante tendo em conta que o corpo de texto varia muito consoante o desenho intrínseco de cada tipo de letra. Por exemplo, um corpo 10 pontos em Garamond tem uma altura x mais pequena do que a de um corpo 10 pontos em Georgia e por isso parece geralmente mais pequeno figura 20. Em relação à largura da coluna, esta deve ter, em média, 10 palavras
por linha36, de maneira a proporcionar uma leitura confortável37. Já Jury (2004,
p. 69) defende uma abordagem mais flexível, defendendo que “O número de caracteres por linha apropriado varia, dependendo do assunto e das expectati-
vas do leitor”38. Linhas demasiado compridas cansam o leitor e são vistas como
“aborrecidas”, enquanto que linhas demasiado curtas forçam o leitor a saltar
34 T.L.: “Legibilidade é o grau pelo qual as letras individuais se podem distinguir umas das outras”. 35 T.L.: “It may appear contradictory, but a highly legible typeface is not always the most readable”. 36 Os autores nem sempre estão em concordância relativamente ao comprimento da linha.
Para Jury (2004, p. 69), é mais importante o número de caracteres do que o comprimento da linha. Cada linha deve ter entre 54 e 80 caracteres e espaços. Já para Caldwell e Zappaterra (2014, p. 156), cada linha deve ter entre 45 e 65 caracteres para ser legível.