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A avaliação da morfologia espermática é outro parâmetro importante, e no cão tem sido correlacionada à fertilidade (OETTLÉ, 1993). OETTLÉ (1993) relatou uma fertilidade, após inseminação artificial com sêmen fresco, de 61% para cães com mais de 60% de células espermáticas normais e uma fertilidade de 13% para

aqueles com menos de 60% de espermatozóides morfologicamente normais. Porém, ENGLAND & ALLEN (1989), mostraram que cães com uma baixa qualidade seminal poderiam ser férteis usando o acasalamento natural. De acordo com VALE FILHO et al. (1980), o índice de patologias do sêmen é fundamental para o controle da fertilidade do macho. Embora o exame de gota do ejaculado em microscópio comum com aumento de 100 - 400 vezes permita idéia preliminar sobre a qualidade de um sêmen, somente pelo estudo morfológico dos espermatozóides, podem-se detectar anormalidades na espermatogênese, maturação, estocagem de gametas ou funcionamento das glândulas anexas do sistema genital.

Até o momento, não foi descrita evidência de uma relação entre morfologia espermática e fertilidade no cão. Há poucos trabalhos que descrevem uma possível relação, porém com resultados conflitantes (OETTLÉ & SOLEY, 1985; PLUMMER et al., 1987). Oetlé (1993) relatou que, à medida que o percentual de espermatozóides anormais aumenta, a fertilidade é reduzida, sendo observado que quando a proporção de espermatozóides morfologicamente normais está abaixo de 60%, a fertilidade é adversamente afetada.

Castro (2007), estudando a morfologia espermática de cães, constatou que animais submetidos à quimioterapia com cisplatina apresentaram as patologias maiores e totais acima do aceitável para cães aptos à reprodução corroborando o citado pelo o Manual para Exame Andrológico e Avaliação de Sêmen Animal, do CBRA - Colégio Brasileiro de Reprodução Animal (1998).

Diversas classificações foram propostas para a morfologia espermática. Seager (1986) sugere a classificação das alterações morfológicas espermáticas como: primárias, quando relacionadas a problemas oriundos da produção espermática no testículo; secundárias, quando relacionados aos problemas causados durante a maturação espermática no epidídimo, ou oriundas dos processos de manipulação do sêmen, como diluição, resfriamento, congelação ou descongelação.

Oetlé (1993) sugere a classificação de acordo com os danos que as alterações causam à função espermática, nomeando tais alterações como defeitos maiores ou menores. Já outros autores preferem classificar as alterações de acordo

com a região espermática afetada, sendo eles defeitos de cabeça, peça intermediária ou cauda (SILVA et al., 2003).

Segundo o Manual para Exame Andrológico e Avaliação de Sêmen Animal, do CBRA- Colégio Brasileiro de Reprodução Animal (1998), a proporção de defeitos maiores e menores no sêmen de cão deve ser no máximo de 20%, sendo que o total de defeitos maiores não deve ser superior a 10%. Os defeitos maiores ocorrem durante o processo da espermiogênese, portanto dentro dos testículos, atribuindo a estes defeitos os de cabeça, peça intermediária e cauda (FONSECA et al., 1991).

Os defeitos classificados em maiores são: subdesenvolvido, formas duplas, "knobbed sperm", destacamento de acrossoma, decapitados, "diadema" ("pouch formation"), piriforme, estreito na base, contorno anormal, cabeça pequena anormal, cabeça isolada anormal, "corkscrew", defeitos da peça intermediária, gotas proximais, pseudo gotas, cauda fortemente dobrada e enrolada, "dag defect" (SILVA & DODE, 1993). Estes defeitos não podem ultrapassar 20% e, cada forma individual 5%, em caso contrário, a eficiência reprodutiva na monta natural estará comprometida (FONSECA et al., 1992).

Os defeitos de cabeça "pouch formation", "diadema", knobbed sperm", de peça intermediária e caudas fortemente enroladas, tem origem no epitélio seminífero (degeneração) e indicam uma espermatogênese imperfeita. No entanto, os defeitos de cabeça diminuem a medida em que passam do ducto deferente ao ejaculado, porque alguns são fagocitadas ao longo da via excretora. Dependendo da duração do efeito no testículo, 6 a 14 horas, após 3 a 56 semanas inicia-se o aparecimento de anomalias de cabeça, peça intermediária, cauda e gotas proximais (SILVA et al., 1993).

Os defeitos menores surgem após os espermatozóides terem deixado os testículos, conseqüentemente, durante sua passagem através do epidídimo e ou durante a ejaculação ou manipulação do sêmen (FONSECA et al., 1991). Segundo FONSECA (1992) e SILVA & DODE (1993), os defeitos menores são: acrossoma desprendido, gota citoplasmática distal, cauda dobrada (com gota anexa), cauda enrolada e cabeça isolada normal. Além de: cabeça delgada, pequeno normal, gigantes, curtos, largos, abaxial, retroaxial e oblíquo. Ainda são incluídas a presença

de medusas, células epiteliais, leucócitos, eritrócitos, neutrófilos e bactérias (SILVA & DODE, 1993).

Muitas vezes, os choques térmicos, além da manipulação no ato da coleta, podem dar origem a caudas dobradas e enroladas (SILVA & DODE, 1993). Os defeitos menores não devem ultrapassar um total de 25% e 10% de anormalidades individuais, pois reduzem a fertilidade, porém devem-se levar em conta as condições da realização do exame (SILVA & DODE, 1993).

O total de defeitos das células espermáticas defeituosas num ejaculado é formado pelos resultados de defeitos maiores e menores contados separadamente (SILVA & DODE, 1993). O total de anormalidades, não deve ultrapassar 30% numa contagem de no mínimo 200 células espermáticas (SILVA & DODE, 1993). O animal que apresenta formas anormais de células além do estabelecido, não deve ser condenado para reprodução, isto pode significar apenas imaturidade passageira (SILVA & DODE, 1993).

O estudo morfológico dos elementos figurados do sêmen necessita de recursos de preparações coradas. Diversos meios de coloração têm sido utilizados, alguns são empregados simplesmente com a finalidade de melhor destacar a morfologia geral dos espermatozóides, enquanto que outros, denominados colorações vitais, permitem diferenciar os espermatozóides vivos dos mortos, determinando-se a porcentagem de cada ocorrência. Para tanto, pode-se fazer uso de diversos corantes, tais como Eosina-Nigrosina (DOTT & FOSTER, 1972), Spermac® (OETTLÉ, 1993), Rosa Bengala (RODRIGUES, 1997), Giemsa (CARDOSO et al., 2003), Hematoxilina-Eosina (SILVA et al., 2003) Karras modificado por Papa et al. em 1988 (MARTINS, 2005).

Entretanto, apesar de todas as técnicas de coloração utilizadas na avaliação morfológica dos espermatozóides, é necessário enfatizar que nem todos os estágios do dano acrossomal podem ser identificados através da microscopia de contraste de fase (RODRIGUES,1997), sendo sugerido o emprego de outras técnicas mais eficientes, como a epifluorescência e a microscopia eletrônica (SILVA, 2005).

2.5. CARACTERÍSTICAS ULTRAESTRUTURAIS DAS CÉLULAS GERMINATIVAS