6. FULL ISTANDSETTING
6.4 Igjenfylling/istandsetting
A medida implícita de Situação Ambígua foi aplicada com os cenários
modificados. Para além disso, foram introduzidas duas novas medidas, uma medida
explícita de Atribuição de Traços e uma medida comportamental de Escolha de Cromos.
Método
Amostra. Foram testados vinte participantes com 4 e 5 anos (M=4.35;
DP=.489), oito do sexo feminino e doze do sexo masculino, com base num guião pré-
estabelecido (ver Anexo E). As entrevistas foram gravadas em formato áudio e
posteriormente transcritas (ver Anexo F). Os participantes eram alunos da Fundação
Júlia Moreira. Após a elaboração e aceitação de um pedido de autorização à escola e aos
encarregados de educação dos participantes (ver Anexo G), procedeu-se à aplicação da
medida. Relativamente aos dados sociodemográficos, apenas oito dos vinte
participantes tinham família de origem totalmente portuguesa, um dos quais tinha uma
mãe de etnia cigana. Dos restantes doze, três participantes tinham um dos pais de outra
origem, nomeadamente do Bangladesh, Brasil e Espanha, e nove tinham ambos os pais
oriundos de outro país, incluindo Cabo Verde, Moçambique, Brasil, Guiné e
Bangladesh. Quanto à situação económica, de acordo com os escalões da Santa Casa da
Misericórdia de Lisboa, onze famílias recebiam o rendimento mínimo, havendo ainda
mais quatro com dificuldades económicas, três famílias eram de classe média baixa e
dois participantes eram filhos de funcionários. Foi ainda possível apurar que dois
participantes tinham Necessidades Educativas Especiais, um tinha problemas de fala e
outro tinha problemas quanto à compreensão oral e escrita da língua portuguesa.
Instrumentos. A medida implícita de Situação Ambígua foi a mesma do pré-
teste. A medida explícita de Atribuição de Traços seguiu a proposta de Cvencek
(Cvencek et al., 2011) e consistiu em apresentar imagens do Implicit Association Test
(IAT; Greenwald, McGhee, & Schwartz 1998; Nosek et al., 2007b) (ver Anexo H),
impressas com as dimensões de 13x9cm. As imagens mostravam faces de pessoas
jovens e de pessoas idosas de ambos os sexos e foram apresentadas de acordo com o
sexo dos participantes. Ao se mostrarem as imagens, era apresentada uma série de
traços baseados na literatura e que remetiam para aspetos associados a pessoas jovens e
a pessoas idosas. Os traços associados às pessoas jovens eram “ser mais alegre”, “fazer
melhor as coisas”, “ser mais bonito”, “fazer mais disparates” e “ter mais energia”; os
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traços associados às pessoas idosas eram “ser mais lento”, “ser mais doente” e “ser mais
simpático”.
A medida comportamental de Escolha de Cromos serviu não só para avaliar as
preferências dos participantes, como também como uma recompensa e agradecimento
pela sua participação no estudo. Para isso, foram escolhidas imagens do filme UP
Altamente! da Disney (ver Anexo I), que representavam a personagem principal do
filme em três alturas distintas da sua vida – em criança, em adulto e em idoso. As
imagens foram impressas com as dimensões de 5x5,5cm.
Procedimento. Começou-se por apresentar as imagens da medida implícita de
Situação Ambígua, da seguinte forma: 1. Personagem jovem a caminhar; 2. Personagem
idosa a caminhar; 3. Personagem jovem com cão; 4. Personagem idoso com cão; 5.
Personagem jovem com presente; 6. Personagem idosa com presente; 7. Personagem
jovem com menino; 8. Personagem idoso com menino. Foi decidido que faria mais
sentido mostrar as imagens de cada um dos cenários uma a seguir à outra, e não
separadas como tinha sido feito no pré-teste, e que a tarefa de distração seria eliminada.
Com este procedimento, procurou-se forçar a comparação intergrupal no sentido de
permitir avaliar a existência de idadismo nestes cenários, através de comparações mais
diretas entre os personagens jovens e idosos. De modo a tornar saliente a idade dos
personagens, pediu-se aos participantes que primeiro os categorizassem de acordo com
essa variável.
Após a realização do teste e da apresentação das imagens correspondentes aos
quatro cenários, foram ainda avaliadas algumas questões adicionais. De modo
semelhante ao que foi realizado no pré-teste, perguntou-se qual a imagem que gostavam
mais e se achavam que um dos personagens estava mais triste, com o objetivo de avaliar
as atitudes mais gerais das crianças em relação aos personagens.
A segunda medida a ser aplicada foi a medida explícita de Atribuição de Traços.
O objetivo desta medida foi o de perceber se os participantes associavam, ou não, os
traços estereotípicos já enumerados a cada um dos personagens apresentados. As
imagens foram apresentadas da seguinte forma: 1. Jovem A com Idoso A; 2. Jovem A
com Idoso B; 3. Jovem B com Idoso A; 4. Jovem B com Idoso B. Ao serem mostrados
os conjuntos de imagens, foram apresentados os traços estereotípicos e foi perguntado
aos participantes a qual dos personagens associavam cada traço.
Por fim, na medida comportamental de Escolha de Cromos perguntou-se aos
participantes se conheciam os personagens das imagens e foi-lhes dito que podiam
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escolher duas delas. Assim, poderiam escolher as imagens da criança e do adulto, da
criança e do idoso ou do adulto e do idoso. Foi ainda pedida uma justificação face à
escolha.
Resultados
De modo a avaliar a significância das respostas dadas quanto às hipóteses de
cada cenário, foi usado o teste estatístico McNemar, que analisa casos de amostras
emparelhadas com variáveis dicotómicas. Para além disso, foi novamente realizada uma
análise qualitativa de conteúdo das justificações dadas, tanto para os cenários como para
a medida comportamental de Escolha de Cromos, criando-se categorias gerais e
abrangentes que funcionaram como conjuntos de respostas. O dicionário de categorias
pode ser consultado no Anexo J. Foi sujeito a uma verificação de acordo interjuízes, no
qual foram cotadas duas transcrições por um avaliador independente. A percentagem de
concordância foi de 96.7%.
Medida implícita de Situação Ambígua. Em primeiro lugar, procurou-se
analisar se os participantes categorizavam as personagens de forma adequada de acordo
com a sua categoria de idade. O Quadro 4.1. mostra o número total e a frequência de
participantes que, em cada cenário, conseguiu categorizar corretamente a idade dos
personagens em ambas as imagens que compunham cada cenário. A análise posterior
dos resultados foi apenas realizada tendo em conta estes participantes, uma vez que os
restantes não conseguiram fazer uma categorização correta da idade de um dos
personagens ou de ambos, o que poderá ter tido implicações nas suas respostas.
Quadro 4.1.
Categorização da Idade dos Personagens do Estudo 1
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HØRINGSUTKAST 12.11.2019
(sider 32-36)