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3. Marc teòric

3.3. Identitat personal, l’autoconeixement

Os assessoramentos consistem em orientações, por meio de conversas, reuniões e entrega de textos específicos, aos/às professores/as, pais e demais profissionais da escola

envolvidos com as crianças da Educação Especial, o acompanhamento pedagógico das crianças com deficiência ou suspeita de deficiência, por meio de observações interativas em sala de aula e atendimento individual em contexto e reuniões e entrevista com os familiares com a finalidade de orienta-los e obter mais informações a respeito da criança. Durante os anos de 2014 a 2016 foram realizados um número de 1718 assessoramentos, segundo os dados registrados nos relatórios anuais.

Nas observações que realizei constatei que não havia um cronograma definido previamente que orientasse quais UEIs seriam assessoradas num determinado período. Também não havia previsão ou controle prévio sobre quantas visitas seriam realizadas a cada unidade de educação, nem a periodicidade em que aconteceriam essas visitas. Essas decisões eram tomadas individualmente, de acordo com os critérios e disponibilidade de cada técnica de educação especial/infantil.

Acompanhei uma técnica de educação especial/infantil durante um assessoramento, realizado em uma UEI, localizado em um bairro mais central do município de Belém-Pará. O foco do assessoramento era uma criança de 3 anos, diagnosticada com Síndrome de Down. Durante o ano de 2016, essa criança estava matriculada e frequentando a turma de “Maternal II”, no período da manhã, juntamente com mais 23 (vinte e três) crianças. O trabalho pedagógico era desenvolvido por duas professoras que atuavam juntas e uma estagiária auxiliava nas atividades com a criança com deficiência.

No quadro abaixo, relato minhas observações realizadas durante o assessoramento, as duas professoras serão identificadas, ficticiamente, por Camila e Sandra e a criança com Síndrome de Down será chamada de João. A técnica de educação especial/infantil ficou na UEI por um período de duas horas, aproximadamente, mas as orientações e observações na turma do Maternal II tiveram a duração de 50 (cinquenta) minutos.

Ao chegarmos na UEI as crianças da turma do maternal II participavam de uma atividade no pátio, consistia em uma brincadeira dirigida pela professora Camila. João estava participando da brincadeira, com o auxílio da estagiária e a professora Sandra registrava em vídeo a atividade.

Com a nossa chegada, a professora Camila passou o comando da brincadeira para a professora Sandra. A conversa com a técnica de educação especial/infantil aconteceu no mesmo espaço em que as crianças estavam brincando. A técnica perguntou à professora Camila sobre o desenvolvimento do João. Camila respondeu a técnica que João estava muito agitado porque não estava tomando os medicamentos e que a família havia manifestado a intenção de parar com o atendimento feito pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), no contraturno, alegando que não estava havendo progressos no

desenvolvimento da criança com esse atendimento. A técnica propôs marcar uma reunião com os pais do João, e que ela convidaria outra técnica que já trabalhou na APAE, para ajuda-las a convencer os pais que o atendimento realizado nessa instituição é importante para o João porque estimula e trabalha outros aspectos do desenvolvimento que não são trabalhados pela escola.

A técnica entregou para a professoras dois textos sobre deficiência intelectual e observou a turma por mais algum tempo. Ao final ela concluiu que realmente o João estava mais agitado do que de costume e que seria necessário perguntar para a família o motivo de ter parado com a medicação.

Observa-se pelo relato do episódio que a técnica de educação especial/infantil possuía um diálogo frequente com as professoras e que conhecia o João, pois foi capaz de avaliar seu comportamento. Além dos textos entregues para o estudo a técnica também se propôs a dialogar com familiares da criança para que não interrompessem o atendimento na APAE. Pelas descrições é possível perceber que esse assessoramento cumpre com que é proposto pelo CRIE no sentido de oferecer um suporte para os/as professores/as que educam crianças com deficiência.

No entanto, o assessoramento pode se configurar também como um favorável instrumento de formação continuada, quando as intervenções oferecidas atuam na zona de desenvolvimento iminente dos professores de educação infantil ou quando a ação ocorre regularmente e de forma intencional por um formador ou colega que possui um conhecimento mais elaborado sobre a educação especial, o que pode ser o caso das técnicas de educação especial/infantil que possuem um conhecimento específico sobre educação especial e estipulam um tempo maior, em seu planejamento, para dedicarem-se aos estudos, podendo com isso, oferecer um apoio didático-pedagógico aos/às professores/as.

Bissoli e Both (2016) defendem exatamente isso, que os processos educativos devem atuar na zona de desenvolvimento iminente das pessoas que estão sendo formadas para lhes possibilitar uma sólida formação teórico-prática e para que, assim, possuam instrumentos simbólicos para atuarem na zona de desenvolvimento iminente das crianças ou de quem se pretenda educar.

Uma experiência como formadora de professores de educação infantil, já relatada na introdução deste trabalho, oportunizou-me entender o conceito de zona de desenvolvimento iminente na prática, embora esse seja um conceito complexo, que necessita de mais estudos para a verdadeira compreensão de seus fundamentos teóricos e práticos. Minha orientadora e coordenadora do curso de aperfeiçoamento, organizou um minicurso preparatório para que nós, suas mestrandas pudéssemos ministrar as aulas no curso de aperfeiçoamento e, posteriormente,

nos acompanhou nas primeiras aulas, oferecendo um suporte e assessoramento para que depois pudéssemos prosseguir sozinhas. Esse compromisso, empenho e capacidade homogeneizadora da parte da minha orientadora, constitui-se um exemplo de atuação na zona de desenvolvimento iminente de suas mestrandas.

Embora os assessoramentos possam se constituir excelentes instrumentos para a formação do professor, veremos na seção a seguir, nas falas dos/as professores/as, que isso não tem se homogeneizado na rede municipal de ensino do município de Belém-Pará.