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2. Molekylær karakterisering

2.6 Identifisering av en E. coli stamme som er konvensjonelt motstykke

1.1 diz-se de ou cristão católico que, de forma tenaz, nega ou põe em

dúvida verdades da fé católica

2 Derivação: por extensão de sentido.

que ou quem adota ou sustenta idéias, opiniões, doutrinas etc. contrárias às admitidas (por um grupo)

3 Derivação: por extensão de sentido.

que ou aquele que não tem fé religiosa ou não tem respeito ou deferência para com as crenças religiosas alheias; ímpio, ateu, incrédulo

não diz que devemos “amar os portugueses como a nós mesmos”; desse modo, os holandeses devem ser tão credores do nosso amor quanto os portugueses.

Ao exigir de Deus a derrocada dos rivais holandeses para favorecer o “povo eleito”, Vieira exige que Ele viole uma das leis morais que Seu divino filho nos legou e, portanto, exige que Deus seja um herege; contudo, pela lógica, o Pai deveria então proteger os holandeses, já que estes também são “hereges”.

Na verdade, se a invasão holandesa tinge de sangue a nação brasileira e desonra o nome de Deus, o discurso de Vieira traz embutidos os mesmos erros do inimigo. Mas não é só. O seu discurso pretende que Deus seja, ao mesmo tempo, perfeito e imperfeito.

Perfeito porque, se assim não for, não terá autoridade moral para estimular a reação brasileira; imperfeito porque, desse modo, aproxima-se do auditório real e facilita o processo de identificação, que precede o ato da persuasão. Todavia, sabemos que todo esse discurso são palavras vãs. Lembremo-nos de que a fonte primária, a origem da roda argumentativa é Deus, um “ser” perfeito e imaterial, a que Vieira atribui, implicitamente, graves imperfeições humanas que compõem sua estratégia argumentativa.

O discurso dominante é a palavra de Deus. Um Deus rancoroso, vingativo, enfurecido e dissimulado, ou seja, um “ser” cujas torpezas se evidenciam por meio de Seus atos, um “ser” que se compraz da desolação que envia àqueles que Lhe desobedecem.

Esse ser assustador impõe-se pelo temor, pela dor que pode provocar em qualquer lugar e a qualquer tempo, desde que contrariado. É a esse Deus que Vieira se dirige para, através dele, concitar brasileiros e portugueses a se prepararem para uma possível luta contra os holandeses e para beneficiar os exploradores portugueses.

Segundo Aristóteles (1356a apud AUCHLIN, 2001, p. 5):

Nós persuadimos pelo caráter (ethos), quando o discurso consegue tornar o orador digno de fé, porque as pessoas honestas nos inspiram maior e instantânea confiança sobre todas as questões em geral, e inteira confiança sobre estas que não comportam nenhuma certeza, e dão lugar à dúvida. Mas é preciso que essa confiança seja o efeito do discurso, não de uma idéia preconcebida sobre o caráter do orador.

Os inúmeros predicados de Vieira autorizavam-no a tomar a palavra para fascinar os ouvintes e inspirar-lhes a confiança necessária em seu discurso. Certamente que um homem que ousava enfrentar a fúria divina devia ter autoridade moral suficiente para se fazer ouvir pelo auditório.

Envolvente e carismático, Vieira pregava com fins utilitários muito bem definidos. No seu famoso discurso, os argumentos autoritários pseudológicos passavam despercebidos, eram dissimulados, tanto que usava o nome de Deus para impor o respeito através do medo em vez de fazê-lo por meio do amor. No contexto do sermão, Deus era muito mais temido que amado, afinal, como podemos amar aquilo que nos atemoriza?

A prudência aponta um único caminho: estar ao lado dos portugueses, afinal, trata-se do povo eleito de Deus. Todavia, os argumentos de Vieira não resistiriam a uma análise mais acurada; é possível, por exemplo, considerar Deus um ser superior quando suas ignomínias são tão evidentes? Claro está que as “ignomínias” não são do Criador, mas de Vieira.

Lemos em Abreu (2004, p. 71-72, grifos nossos):

Vimos, há pouco, que persuadir é conseguir que as pessoas façam alguma coisa que queremos. Vimos, também, que isso só se torna possível, quando conseguimos gerenciar de maneira positiva nosso relacionamento com o outro. E como se faz isso? Procurando saber, em primeiro lugar, O QUE O OUTRO TEM A GANHAR, fazendo o que queremos. Trata-se de uma tarefa um pouco difícil, de início, pois, na sociedade em que vivemos, o senso comum nos diz que o importante é ver sempre o que nós temos a ganhar, mesmo em prejuízo do outro.

O autor ainda acrescenta que:

Aquilo que queremos, portanto, deve ficar em segundo plano. Somente quando tivermos certeza de que o outro ganha, é que devemos nos preocupar com aquilo que desejamos. (...).

É preciso, então, não permitir que o amor exagerado por si mesmo e o despeito triunfem em detrimento dos interesses do outro:

A primeira lição de persuasão que temos a aprender, então, é educar nossa sensibilidade para os valores do outro. Se não formos capazes de saber quais são esses valores, de nos tornarmos sensíveis a eles, seremos incapazes de persuadir. É preciso, contudo, que se trate de valores éticos. Diante de membros da Ku Klux Klan, seria persuasivo fazer coro com seus desejos de eliminar os negros. Mas seria ético? Diante de neonazistas, seria persuasivo concordar com seus desejos de eliminar os judeus. Mas seria ético?

Em relação a Deus, seguramente podemos afirmar que Vieira, ao referir-se à honra e à glória divinas com o objetivo explícito de obter o beneplácito dos céus para os seus propósitos, não estava pensando nos “interesses” do Pai e, supondo-se, por hipótese, que estivesse, convenhamos que Deus não necessita que Vieira – ou qualquer pessoa – esteja “preocupado” com os Seus interesses (e o sacerdote sabia disso).

Em relação aos receptores reais do discurso – os brasileiros nascidos no Brasil, os colonos portugueses e o corpo de milícias que defendia a Bahia de todos os Santos –, seria uma temeridade afirmar que Vieira estivesse sobretudo “preocupado” com o que essas pessoas teriam a ganhar caso os holandeses fossem expulsos do Brasil.

Naturalmente que também não se pode afirmar que ele não se importava com elas; contudo, o interesse predominante, naquele contexto, era o povo português – a começar pelo próprio nome do sermão – Pelo bom sucesso das armas de Portugal – e não, do Brasil. O conteúdo do sermão comprova a prioridade de Vieira e a própria História do Brasil – caracterizada por séculos de exploração colonial – revela-nos, sem subterfúgios, a dominação degradante que Portugal exerceu sobre as terras brasileiras.

Não restam dúvidas de que a preocupação de Vieira eram os portugueses e, para defendê-los e lutar por seus interesses, não hesitou em tripudiar sobre a ética, pois, se os membros da Ku Klux Klan odiassem os holandeses, Vieira não só faria coro junto a eles mas também lhes entregaria toda a Holanda se pudesse. No seu discurso, os valores éticos não encontram lugar; “convencer” não é “vencer com o outro”, mas vencer o outro, não importa o preço a ser pago.

Há que se notar, contudo, que, mesmo não tendo aprendido “a primeira lição de persuasão”, Vieira aprendeu-a – só que na contramão. O sacerdote não aprendeu porque não pôs em primeiro plano os interesses do interlocutor – mas deu a entender que pôs, pois somente assim poderia persuadi-lo.

Sabemos que convencer não é o mesmo que persuadir; enquanto este está relacionado à emoção, aquele está relacionado à razão; se os argumentos de Vieira são pseudológicos, não podemos afirmar que ele consegue convencer o auditório; na verdade, não consegue. O sumo sacerdote não convence: persuade, joga com o emocional e joga muito bem.

Se Deus não fizer o que Vieira quer, Ele tornar-se-á um “vilão” perante os olhos dos fiéis, Sua glória será diminuída e Sua honra maculada. Tal como no jogo de xadrez, não há “saída” para Deus: Ele está enquadrado em um paradoxo, pois, se não agir em conformidade com os desejos do sacerdote, será um “ser” indigno; todavia, mais indigno e abjeto será se atender aos desejos do sacerdote, uma vez que seus propósitos em relação aos holandeses não são nada lisonjeiros.

Em nenhuma situação a ética está sendo considerada, mas tão-somente o ato de persuasão através das emoções exacerbadas. Mesmo assim, ainda que os valores morais de honestidade estejam sendo ignorados, ninguém haverá de contestar, pois Vieira é um mestre com as palavras; falta de ética, falácias, injustiças, egoísmo, interesses espúrios, enfim, tudo o que não é “politicamente correto” permanece no olvido, à sombra da magia e do encantamento das suas palavras. E, naturalmente, o poder da palavra empregada sob o calor de uma emoção intensa não era desconhecido do sacerdote; “ingenuidade” é uma palavra que jamais comungou do mesmo campo semântico de Vieira e tampouco figurava em seu dicionário.

O próprio temor a Deus é fruto da emoção descontrolada e não resiste a uma análise racional por parte daquele que teme, pois como temer aquele que é todo- justiça, amor e bondade?

Como temer aquele que, por amor à humanidade, segundo as Sagradas Escrituras, enviou o próprio Filho para ser imolado? A razão afirma-nos que o sentimento de medo não é lógico e sequer é apropriado para referirmo-nos a

Deus; apesar disso, Vieira assim não crê e, se o faz, dissimula o que sente, pois, se agir de modo diferente – ou, quem sabe, transparente –, faltar-lhe-ão até mesmo os argumentos pseudológicos que tanto preza.

Vieira, no prosseguimento de sua argumentação, cita o discurso dos egípcios e expressa seu receio de que não faltem os maldizentes para lançar-lhe no rosto o mesmo que disseram os egípcios, que Deus habilmente os tirou, para matá-los nos montes e para destruí-los da face da terra (...), que todos os reinos e domínios que receberam das generosas mãos divinas não foram uma demonstração de liberalidade, mas, sim, de cautela e dissimulação da própria ira, que a intenção divina era, estando os egípcios longe da pátria, matá-los, destruí-los, enfim, acabar “de todo”, inteiramente, com eles, exterminá-los.

É de se notar que Vieira entretece um campo semântico ao redor do divino Pastor verdadeiramente horribile dictu [horrível de proferir-se]. Separemos, primeiramente, as palavras utilizadas pelo sacerdote: liberalidade, cautela, dissimulação, ira, matar, destruir, acabar. Seguem suas definições para que possamos estabelecer as devidas inter-relações no contexto que estamos considerando.

liberalidade

cautela

substantivo feminino

1 qualidade ou condição de liberal ('generoso, pródigo'); disposição