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Kan vi identifisere andre faktorer som forklarer forskjellen mellom mødre med og uten kontantstøtte i tid til

8. Oppsummering

8.7. Kan vi identifisere andre faktorer som forklarer forskjellen mellom mødre med og uten kontantstøtte i tid til

Os dados indicam que a maior incidência da fibromialgia está entre as mulheres mais velhas, demonstrando compatibilidade com estudos que apontam que mulheres idosas sofrem com doenças crônicas, dentre as quais estão as musculoesqueléticas, como a fibromialgia (TARGINO, 2007; BUSKILA et al.,1995; BERBER & BERBER, 2005).

O fato de a maioria (65,2%) declarar conviver com um companheiro acompanha em parte os dados do CENSO 2010, que mostrou que cerca de um terço dos brasileiros vive em algum tipo de união conjugal e que houve um crescimento das uniões consensuais, aumentando de 28,6% para 36,4% em relação aos dados do CENSO 2000. Disso se pode depreender que, como acontece na sociedade em geral, esse grupo de mulheres também buscou construir uma nova família.

Esse dado se configura como uma informação importante, na medida em que a família ainda continua sendo o lócus privilegiado de proteção e pertencimento para os indivíduos, principalmente na infância e na velhice (HAYAR, 2003).

13,7%

86,3%

SIM NÃO

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Com relação à escolaridade, mais especificamente ao tempo que frequentaram a escola, a análise estatística mostrou que a maior frequência foi de mulheres com quatro anos de estudo, 21,2% (14), seguidas das que estiveram estudando durante onze anos, 18,2% (12), e das que estudaram por apenas cinco 12,1% (8).

A prevalência de sujeitos com baixa escolaridade sugere a presença do chamado analfabetismo funcional 10. Sua ocorrência em determinada população costuma ser medida de duas formas principais: a indireta, que considera analfabeto funcional os indivíduos com quinze anos de idade ou mais e que não concluíram quatro anos de estudo completos; e a direta, medida por meio de testes específicos das habilidades de leitura, escrita e cálculos matemáticos, realizados em determinadas amostras populacionais (LORENZO, 2007).

O analfabetismo funcional seria um meio termo entre o analfabetismo absoluto e o total domínio da leitura e da escrita, ou um nível de habilidades restrito às tarefas mais simples referentes à “sobrevivência” nas sociedades industriais. Aqui estão incluídas situações como aquelas de indivíduos que, mesmo tendo aprendido a ler e escrever em algum momento de suas vidas, retornam à condição de analfabetos devido ao não uso de tais habilidades (RIBEIRO, 1997).

A escolaridade se configura como elemento de importância significativa quando se trata do acesso aos serviços de saúde, pois pode interferir na comunicação com os profissionais da área, em especial com o médico. A comunicação verticalizada pelo profissional da saúde pode comprometer efetivamente a prevenção e o tratamento das dores e de outras doenças relacionadas ao processo de envelhecimento, tendo em vista que o nível de cognição dos pacientes e a compreensão das explicações oferecidas pelo profissional da saúde podem não alcançar os objetivos almejados.

Segundo o relatório 2011-2012 do Instituto Paulo Montenegro (IPM) sobre o Índice Nacional de Analfabetismo Funcional (INAF), ocorreram melhorias em relação ao número de pessoas funcionalmente alfabetizadas em todas as faixas etárias no Brasil. Todavia, mantêm- se proporções significativas de pessoas analfabetas, principalmente entre os mais velhos (IPM, acesso em 08 mar. 2013).

Com relação à etnia, os resultados obtidos corroboram com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010), que mostrou no CENSO 2010 que 91 milhões de

10 No Brasil, o Índice Nacional de Analfabetismo Funcional (INAF), criado pelo Instituto Paulo Montenegro,

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pessoas se classificaram como brancas (47,7%), cerca de 82 milhões como pardas (43,1%) e 15 milhões como pretas (7,6%). Os amarelos chegaram a quase dois milhões (1,1%), e os indígenas a 817 mil (0,4%).

Estudiosos em demografia acreditam que o aumento da população negra (pretos e pardos) deve-se ao aumento do número de pessoas que agora se declaram pardas e que antes preferiam dizer que eram brancas. Mas também se deve ao fato de as mulheres negras ainda serem as que mais têm filhos, dentro de um quadro de queda geral na taxa de fecundidade das brasileiras (IPEA, 2011).

De acordo com o IBGE, em 2005, pelo menos 30% da população da cidade de São Paulo tinha alguma ascendência africana, isto é, declaravam-se como "pretos" e "pardos" (IBGE, 2005).

O Gráfico 6 mostrou a predominância de pessoas que residiam na cidade de São Paulo, mas que eram provenientes de outros estados, principalmente Bahia e Minas Gerais. Esses dados podem ilustrar a influência da migração nordestina no país, que vai em direção às grandes metrópoles, principalmente São Paulo, buscando fugir de situações de pobreza e procurando por trabalho e melhoria de renda e de condições de vida.

A cidade de São Paulo é conhecida por abrigar o maior contingente de nordestinos fora do Nordeste. A chegada dessa população aconteceu em meados do século XX, com o crescente processo de industrialização da região Sudeste do Brasil. Os migrantes acabaram se estabelecendo nos bairros mais periféricos, que não possuíam condições mínimas de habitação, saneamento e segurança. Atualmente, essas regiões, consideradas periféricas nas décadas de 70 e 80, já sofreram transformações e, mesmo que ainda não respondam às necessidades globais da população que lá reside, apresentam melhorias, como transporte público, saneamento básico, saúde e educação, além de programas sociais.

Apesar desses avanços, ainda não se pode considerar que viver nessas regiões periféricas da cidade de São Paulo seja sinônimo do que se entende por qualidade de vida. Um dos principais motivos disso é o aumento da violência, relacionada muitas vezes ao tráfico de drogas, e a iminente possibilidade de vitimização pelas várias formas que ela assume. Faleiros (2007) mostra que a violência sócio política atinge tanto as pessoas idosas quanto as não idosas e “refere-se principalmente às relações sociais mais gerais que envolvem grupos e pessoas consideradas delinquentes comuns e as estruturas econômicas e políticas da

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desigualdade nas relações de exclusão/exploração/periferização de conglomerados humanos significativos” (p.43).

Essa realidade é refletida no cotidiano das mulheres deste estudo, na medida em que residem principalmente na região periférica da cidade de São Paulo, tendo que sobreviver com baixos salários e vendo sua família expostas aos perigos de viver tão próximo de locais onde há consumo e venda de drogas.

A religiosidade, por sua vez, com um percentual de 95,5%, como apresentado no Gráfico 6, é predominante entre essas mulheres. Essa é uma característica marcante do brasileiro, confirmada pelos resultados do CENSO 2010, que mostra também o crescimento da diversidade dos grupos religiosos no Brasil. Embora os católicos ainda sejam maioria, observou-se uma tendência de redução do seu contingente nas duas últimas décadas. Ao mesmo tempo, consolidou-se o crescimento do número de evangélicos entre a população, que passou de 15,4% em 2000 para 22,2% em 2010. A pesquisa do IBGE aponta ainda para um aumento da população de espíritas, daqueles que se declararam sem religião e do conjunto pertencente a outras religiões (IBGE, 2010).

Independente da religião que o indivíduo escolha seguir, a religiosidade se reflete na vida cotidiana das pessoas, na capacidade de expressão das múltiplas formas de fé religiosa e nas condutas e crenças que constituem parte fundamental do conjunto de costumes e práticas da cultura brasileira.

A predominância da religiosidade nesse grupo de mulheres pode indicar que elas têm a religiosidade/espiritualidade como uma estratégia de enfrentamento de situações estressantes, como é o caso da convivência com uma dor crônica que não tem perspectiva de cura. Estudo de revisão bibliográfica realizado por Siegel et al. (2001) sobre a religiosidade em contextos de saúde e doença indicaram uma associação da religiosidade com a percepção mais positiva da eficácia do enfrentamento de doenças crônicas em idosos e com menores índices de depressão e ansiedade nessa população. Nesse sentido, outros estudos, como o de Ferraro e Kelley-Moore (2000), demonstraram que a religiosidade tem, muitas vezes, uma dimensão central na vida de pessoas idosas e que, com o passar dos anos, se transforma em importante fonte de suporte emocional, com significativas repercussões em sua saúde física e mental.

Quanto à seguridade social, os dados indicam que 44,6% (29) das mulheres estão em situação de não cobertura pela Previdência Social, sendo que destas 69% (20) estão em idade

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economicamente ativa e não estão inseridas no mercado formal de trabalho – consequentemente não têm direito a receber benefícios instituídos pela legislação previdenciária e trabalhista. 31% (9) delas já têm mais de 60 anos de idade e não recebem nenhum tipo de aposentadoria, o que concorre para uma velhice que pode ser permeada por dificuldades.

As famílias das mulheres que participaram da pesquisa eram compostas, em sua maioria, por até quatro pessoas, 75,7%, (50), seguidas por aquelas de até seis pessoas, 24,2% (16). A renda per capita é fator de relevância quando queremos observar os níveis de consumo de uma determinada população, e o Gráfico 10 mostra que a renda per capita média das mulheres do grupo pesquisado foi de R$ 437,50, com uma mediana de R$ 569,77. Pode-se observar que na média per capita as mulheres auferiam menos que o salário mínimo vigente em 2010 – R$ 510,00. Esses dados corroboram com o CENSO 2010, que mostrou que mesmo com uma tendência de redução nos últimos anos, a desigualdade de renda ainda é significativa no Brasil. Embora a média nacional de rendimento domiciliar per capita fosse de R$ 668,00 em 2010, 25% da população recebia até R$ 188,00, e metade dos brasileiros recebia até R$ 375,00, menos do que o salário mínimo vigente naquele ano (BRASIL, 2010).

O Gráfico 8 mostra que as mulheres que participaram da pesquisa eram predominantemente a principal responsável pelo domicílio11. Nessa classificação, consideram-se aqueles que assumem a responsabilidade total pela família de maneira mais ampla, extrapolando o aspecto financeiro. Exemplo dessa situação é o caso de uma das mulheres deste estudo que possuía filhos, sendo que um deles tinha rendimentos superiores aos dela. Ainda assim, ela é considerada a principal responsável, por concentrar, além das responsabilidades financeiras, a criação dos filhos menores e a administração da casa.

Tal dado pode estar apontando ainda para situações onde as mulheres estão realizando atividades remuneradas de maneira informal, tendo em vista que a maioria, 36,24% (24), declarou ser dona de casa, conforme o Gráfico 7.

O Gráfico 9 mostra que a maioria das mulheres residia em imóveis próprios, o que é um dado relevante, já que ao residir em moradias próprias as famílias tendem a enfrentar de maneira mais positiva as adversidades da vida. Além disso, a casa própria é um dos fatores

11Segundo o IBGE (2010), os responsáveis pelo domicílio não são, necessariamente, aqueles que têm maior

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que Rabelo e Neri (2005) apontam como estando dentro das dimensões de qualidade de vida consideradas importantes para os idosos. Além disso, Salimene (1992) diz:

Ter um local fixo de moradia pode significar, como valor cultural, possibilidades favoráveis ao desenvolvimento intrafamiliar de laços e relações duradouras, bem como no âmbito mais amplo das relações com a vizinhança e a comunidade (p. 158).

É importante salientar que a casa própria pode possibilitar um menor custo de sobrevivência para a família, levando em conta ainda que uma parcela significativa desse grupo de mulheres está fora do mercado formal de trabalho, que a renda média per capita encontrada foi de R$ 437,50 e que, ao cruzar tal dado com a quantidade de pessoas por domicílio, encontramos uma renda média por domicílio de 2,6 salários mínimos.

Das 66 mulheres pesquisadas, encontramos 13,7% (9) que informaram ter vinculação com a rede privada de assistência médica e hospitalar, enquanto que a grande maioria do grupo, 84,8% (57), informou não ter vinculação com convênios de medicina de grupo e usar exclusivamente o SUS.

Terapêuticas como fisioterapia, massagem e reabilitação física são indicadas para o tratamento não medicamentoso de doenças como a fibromialgia. Essas ações estão contempladas no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dor Crônica (PCDTDC), uma vez que o uso de medicamentos tem resultados pouco significativos contra as dores provocadas pela doença (BRASIL, MS, 2012).

Contudo, em 1992, Salimene já salientava que convênios da rede privada não assumiam em seu credenciamento programas de Reabilitação Global Institucional e que adotavam critérios e regulamentos que limitavam ações terapêuticas como as citadas acima. Portanto, pode-se depreender que se atualizam as conclusões dessa autora, na medida em que é mantida a lógica da relação custo/benefício das ações terapêuticas por parte da rede privada e que “tais convênios não contemplam a reabilitação como processo integrado e coordenado, voltado para a reintegração social das pessoas com deficiências” (SALIMENE, 1992, p.157).

A seguir, faremos a caracterização dos sujeitos da pesquisa qualitativa e a análise dos dados da entrevista.

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