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I Spredningsberegninger for tunnel.............. t4

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Mosteiros

ouro e prata lavrada dentro de si, e o mesmo casas do arcebispo. Eu conheci um homem que se chamava Monterio e pedia esmola para as almas que estão no fogo do purgatório, e todos os anos juntava, destas esmolas, de dezoito a vinte e dois mil pesos, por conta e assento de livros. O arcebispo de Los Reyes tem de renda trinta mil pesos ensaiados50 cada

ano, os cónegos e prebendados, de cinco a seis mil e em alguns anos mais, raçoeiros dois mil, padres, oitocentos, muitos outros comem renda desta igreja maior, e há alguns cónegos que têm trezentos mil pesos.

O vice-rei tem quarenta mil pesos ensaiados todos os anos, e, quando vai a Callao despachar a armada para Terra Firme, dão-lhe três mil pesos ensaiados, e, se vai a algum negócio de importância pelo reino, dão-lhe dez mil pesos ensaiados para ajuda de custas. O general de Callao e Mar e o capitão da guarda do vice-rei, oidores, alcaldes de corte, inquisidores- -gerais, mestres de campo, todos estes têm três mil pesos ensaiados de renda por ano, tesoureiros e contadores dois mil. Todos são ricos e pode- rosos, todos gastam como príncipes, e são temidos e venerados.

Na banda sul da praça há muitas lojas de mercadores e chapeleiros. Em meio deste quarteirão está o beco dos chapeleiros, que dá para a praça, e a rua dos ourives. Todo este beco é uma rua estreita, pejada de lojas de mercadores, onde há grandes riquezas. Vão estes portais até às que chamam as quatro ruas de mercadores, porque aqui se reúnem a tratar de seus negócios e mercadorias. Dobrando a quarta fachada da praça, a ocidente, são tudo portais. Abaixo deles estão os escritórios e ofícios de escrivães e secretários da cidade, algumas lojas de luveiros, e, ao fim, as Casas del Cabildo, e, abaixo, o cárcere da cidade. Estas Casas

del Cabildo comunicam com a Casa de Armas, que fica no palácio. No

centro da praça há uma fonte de água que verte sobre uma grande taça de pedra.

Lima tem quinze mosteiros de frades e monjas e teatinos. Tem quatro hospitais onde se recolhem pobres e se curam enfermos de todos os males. Tem seis paróquias e muitas outras igrejas de suas devoções. Tem três colégios e uma casa de caridade para recolher mulheres e don- zelas pobres, de onde saem todos os anos, a quinze de Agosto, algumas donzelas para casar. A parte mais alta da cidade fica a oriente. Por aqui correm duas grandes acéquias de águas claras que saem do rio. Com esta água moem os moinhos que há dentro da cidade, e conduzem-na para o interior de todas as casas e quarteirões, que por todas, em geral, se

50 Moeda imaginária muito utilizado no vice-reino do Peru que era habitualmente

denominada «peso de minas». Não tendo sido uma moeda cunhada, o peso ensaiado corres- pondia a um valor (450 maravedis) com que normalmente se quantificavam as barras de ouro e prata fundidas que, antes do início da cunhagem de moeda na América, eram utili- zados em grande parte das transacções. De referir ainda que, mesmo após a criação de Casas de Moeda no Peru e da cunhagem de moedas, os pesos ensaiados mantiveram-se regularmente utilizados.

DESCRIÇÃO GERAL DO REINO DO PERU, EM PARTICULAR DE LIMA 119 Acéquias de água Casas Mulheres Homens Criollos reparte a água. E há um alcaide de águas, que é um bom cargo, que tem

a função de repartir a água, assim na cidade como fora dela, no campo. Todas as casas de Lima têm pátios e currais, que servem para se guardar neles as bestas, as aves e todo o serviço da casa. E nestes currais estão os ranchos onde dormem os negros, que sempre se situam nas traseiras das casas. Por aqui corre a água, e a maioria das casas tem jardins que se regam com água destas acequias. E todas as casas têm nos pátios muitos vasos de cravos, goiveiros, alfavacas, hortelã silvestre, que se emaranham nas janelas, rosas e outras mil formosas flores, aromáticas e agradáveis à vista. As damas criollas51 têm nas janelas uma erva a que

chamam congona, dentro de lindos vasos. Esta erva é a coisa que elas mais estimam e guardam, as suas folhas sabem a cravo-da-índia, a sua virtude só as galhardas damas criollas alcançam.

As criollas de Lima e de todas as planícies do Peru são as mulheres mais formosas e de mais linda cintura que tem o mundo, são discretas, de lindo brio, airosas, galhardas, falam desenfadadamente, com boa graça, são limpas, curiosas, desenvoltas para trabalhar, lavram lindos lavores, fazem bem qualquer tipo de comida, para tudo têm graça. Vestem-se galharda e custosamente, todas em geral vestem seda e mui ricos tecidos e veludos de ouro e prata fina. Têm correntes de ouro grosso, feixes de pérolas, anéis, gargantilhas, sortilhas de diamantes, rubis, esmeraldas, ametistas e outras pedras de valor e de estima. Têm cadeirinhas, em que são transportadas pelos negros quando vão à missa e às suas visitas. E têm carruagens ricas e muito boas, mulas e cavalos que as puxam e cocheiros negros que as conduzem. Em conclusão, as senhoras de Lima gozam de um paraíso neste mundo, pois Lima tem o melhor tempo, que nele sabe-se pois se sabe o dia que há-de fazer amanhã.

Se as mulheres são formosas e galhardas, os homens são galantes e bizarros. Todos, em geral, usam boas roupas de seda, finos panos de Segóvia e golas ricas com pontas custosas da Flandres, todos calçam meias de seda. São discretos, afáveis e bem-criados, observam muito a lei da cortesia. Quase todos são mercadores, tão hábeis em toda a sorte de mercancia, que não se conhece outros que saibam mais que eles. Os criollos são muito enamorados e gastadores. Sabem mais de mentir do que de coragem. É seu atributo mui próprio serem trapaceiros. São muito aficionados a tratar com negras, como elas os criam a todos ao peito, são-lhes mais afeiçoados do que às espanholas. São pródigos no gastar, gastando sem conta nem razão. Todos jactam de grande nobreza, não havendo nenhum que se não tenha por cavaleiro e todos andam

51 Tendo a palavra outros significados na actualidade, na América espanhola designava

quem, tendo nascido neste continente, era filho de indivíduos de origem europeia. No início da colonização, esta designação era frequentemente utilizada de forma pejorativa pelos peninsulares, no sentido de vincar a diferença em relação a si mesmos.

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