Cotidianamente, muitos são os problemas relacionados ao ensino-aprendizagem, por isso, ensinar utilizando recursos didáticos se torna importante para fazer ponte entre os conteúdos que serão trabalhados, assim como o estabelecimento de relações explícitas entre o novo conhecimento e aquele já existente é condição necessária para dar significado aos novos materiais de aprendizagem. Dessa forma, “[...], continuamos à procura de caminhos para nos tornarmos melhores professores/as e/ou aprendizes e para ajudarmos os estudantes a aprender
o que significa aprender” (NOVAK; GOWIN, 1996, p.17). Para tanto, o MC é uma das técnicas didáticas que pode ser usada para ajudar os/as alunos/as a aprender, inclusive aprender a aprender e aos/as professores/as organizarem os materiais de aprendizagem.
Nessa perspectiva, a técnica dos MC foi desenvolvida, nos anos 70, pelo pesquisador norte-americano Joseph D. Novak que define MC como um “[...], recurso esquemático para representar um conjunto de significados conceptuais incluídos numa estrutura de proposições” (NOVAK; GOWIN, 1996, p.31). O MC se apóia fortemente na TAS de David Ausubel, que menciona que o ser humano organiza o seu conhecimento através de uma hierarquização dos conceitos. Nesse sentido,
O mapa conceitual é uma estrutura esquemática para representar um conjunto de conceitos imersos numa rede de proposições. Ele é considerado como um estruturador do conhecimento, na medida em que permite mostrar como o conhecimento sobre determinado assunto está organizado na estrutura cognitiva de seu autor, que assim pode visualizar e analisar a sua profundidade e a extensão. Ele pode ser entendido como uma representação visual utilizada para partilhar significados, pois explicita como o autor entende as relações entre os conceitos enunciados (TAVARES, 2007, p.1).
De acordo com a citação acima podemos observar que os MC podem ter várias finalidades, dentre as quais podemos destacar: estruturador do conhecimento e representação visual que partilha significados. Ainda, segundo Moreira et al. (2006), estes podem ser utilizados como instrumento de ensino e/ou aprendizagem, avaliação, como auxiliares na análise de planejamento do currículo, inclusive para “negociar significados”. Ademais, podem ser utilizados para identificar os subsunçores existentes na estrutura cognitiva do/a aluno/a e que são necessários à aprendizagem. Quando são devidamente utilizados e aplicados como recurso didático, tendem a ser um instrumento facilitador no ensino-aprendizagem, contribuindo assim, para a AS do/a aluno/a.
Como os MC podem ser utilizados de diversas formas e com várias finalidades precisamos evidenciar qual foi a nossa proposta em relação a estes. Utilizamos os MC como ferramentas (instrumentos) didáticas facilitadoras do processo de ensino-aprendizagem. Dessa forma, os MC foram explorados como estruturadores do conhecimento e como representação visual que partilha e evidencia relações significativas, como propõe Tavares (2007).
Tomando por base as finalidades dos MC podemos afirmar que eles ajudam os/as alunos/as a aprender. Sendo assim, queremos ressaltar que entendemos essa aprendizagem como construção de conhecimento pelo/a aluno/a que é mediada pelo/a professor/a. Nesse tipo de aprendizagem o/a aluno/a é o protagonista de sua história, diferentemente do que
ocorre na exposição-recepção do modelo em que o/a professor/a é o centro do processo. Sendo assim, os/as alunos/as constroem o novo conhecimento e não o descobrem como acreditam muitas pessoas. Este “descobrir” pode ser só um elemento envolvido na construção do conhecimento.
De acordo com Novak e Gowin (1996), para iniciar a construção de conhecimentos novos é necessário que façamos observação de acontecimentos e objetos como recurso aos conceitos que já possuímos. Dessa forma, é primaz que esclareçamos o entendimento que temos de acontecimentos, objetos e conceitos.Sendo assim, os acontecimentos são entendidos como qualquer coisa que pode acontecer naturalmente ou que pode ser provocada pelo ser humano e objeto como tudo que existe e pode ser observado. Ademais, compreendemos o conceito, “[...], como uma regularidade nos acontecimentos ou nos objectos que se designa por um certo termo” (NOVAK; GOWIN, 1996, p.20), e que desempenha importante papel na construção do conhecimento.
Diante desse contexto, precisamos compreender como se organiza a estrutura dessa ferramenta didática. Para tanto, faz-se necessário que conheçamos os elementos básicos dos MC e seus componentes estruturais.
Assim, ressaltamos que os MC compõem um grande recurso para detectar e apreciar o que os/as alunos/as já sabem e são proveitosos enquanto apoio ao esquema de percursos de aprendizagem. Eles são utilizados para a facilitação, ordenação e sequenciação hierarquizada dos conteúdos a serem abordados, de modo a oferecer estímulo para a aprendizagem, levando os/as discentes a uma participação ativa e conduzindo-os/as a situações de desafios. Para tanto, é importante que os/as alunos/as conheçam os elementos básicos e a estrutura dos MC, pois caso isso não aconteça esse instrumento ao invés de facilitar pode dificultar o processo de aprendizagem dos/as alunos/as, implicando em uma técnica inadequada e sem significado.
Nesse sentido, de acordo com Ribeiro e Nuñez (2004), são considerados elementos básicos dos mapas conceituais a hierarquização, a seleção e o impacto visual. Ainda, de acordo com os mesmos autores, os elementos básicos serão explicados no Quadro 1.
Quadro 1 - Elementos básicos de um Mapa Conceitual (hierarquização, seleção e impacto visual)
Hierarquização
A organização dos conceitos segue a ordem de hierarquia de conceitos de maior abrangência e conceitos subordinados de menos abrangência.
Seleção
Uma síntese ou resumo contendo o mais importante ou mais significativo da mensagem ou texto.
Impacto visual
Mostra a relação entre as ideias mais importantes, de forma concisa e elegante.
Fonte: Elaboração do autor, de acordo com Ribeiro e Nuñez (2004).
Estes elementos se coadunam com a forma como percebemos os MC que utilizamos durante nossa pesquisa. Estes apresentam uma hierarquia de conceitos partindo dos conceitos mais abrangentes para o menos abrangentes, evidenciando as ideias principais que foram trabalhadas, pois o bom mapa capta o significado essencial do texto e apresenta a relação entre essas ideias. Além dos elementos básicos apresentados, é preciso que compreendamos como se estrutura e quais os componentes principais de um MC.
Os MC têm como componentes estruturais os conceitos, as proposições e as palavras de enlace ou de ligação. O conceito “[...], é a palavra que usamos para designar a ‘imagem’ de algum tipo de objecto ou acontecimento” (NOVAK; GOWIN, 1996, p.41). De acordo Ribeiro e Nuñez (2004), as proposições são a junção de dois ou mais conceitos e as palavras de enlace, exercem a função de unir os conceitos das proposições. Sendo assim, em uma frase simples como, por exemplo, “Na Caatinga predominam Cactáceas”, as palavras Caatinga e Cactáceas são os conceitos, a palavra de enlace ou de ligação é “predominam” e todo o enunciado corresponde a proposição.
De acordo com Moreira (2011), temos que ter cuidado em não confundir MC, que tem como base a TAS, com outras estruturas, a saber: organogramas ou fluxogramas, pois estes são organizados de forma arbitrária; redes semânticas, que não incluem necessariamente conceitos e níveis hierárquicos; mapas mentais, que também não se ocupam de relações entre conceitos; e quadros sinópticos, que são diagramas classificatórios. Nesse sentido, nenhuma dessas outras estruturas “[...], se baseia na teoria da aprendizagem nem na teoria do conhecimento que constituem a base das estratégias de elaboração de mapas conceituais e da sua aplicação na educação” (NOVAK; GOWIN, 1996, p.53).
O MC deve ser visto como uma ferramenta que oferece subsídios para o/a aluno/a desenvolver sua capacidade de selecionar os conceitos essenciais estabelecendo relações entre
os mesmos. Durante sua produção vão sendo construídos novos significados, facilitando, assim, a compreensão, permitindo-lhes problematizar e argumentar suas conclusões para uma melhor aprendizagem. Com relação aos mapas conceituais
[...], à medida que os alunos adquiriam capacidades e experiência com a construção de mapas conceptuais, declaravam que estavam a aprender a aprender. Começaram a tornar-se melhores na aprendizagem significativa e descobriram que podiam reduzir ou eliminar a necessidade de aprendizagem por memorização. Os mapas conceptuais ajudavam a capacitá-los como formandos. Também ajudam a capacitar o professor, pois são úteis como ferramenta de negociação de significados sobre o conhecimento entre este e os alunos e, também, de concepção de uma instrução melhor (NOVAK, 2000, p. 27).
Nesse sentido, os MC são ótimas ferramentas para que os/as alunos/as aprendam a aprender e não utilizem mais a aprendizagem memorística. No entanto, conhecer os elementos básicos e os componentes estruturais não é suficiente para construirmos um MC. Os mapas podem ser construídos a partir de conceitos estudados, em que o conceito geral é colocado na hierarquia superior para estabelecer relações entre outros conceitos, normalmente, dos mais gerais para os mais específicos. Como também podem ser construídos a partir de um parágrafo, de um capítulo de um livro ou de um texto. Mas, como construir um MC?
A princípio, é necessário compreender quenão existe uma maneira única de construir MC. No entanto, em um de seus livros Novak e Gowin (1996), sugerem algumas estratégias para a introdução dos MC e atividades de elaboração de MC para diferentes faixas etárias que vai desde a infância até a fase adulta. Dessa forma, deteremo-nos as sugestões para as séries finais da educação básica, pois são nestas, especificamente na 3ª série do Ensino Médio, que desenvolvemos nosso trabalho.
No que diz respeito às estratégias para a introdução dos MC, de acordo com Novak e Gowin (1996), inicialmente, deve-se preparar uma lista contento objetos e acontecimentos para perceber se os/as alunos/as conseguem explicar a diferença entre as duas listas, depois, pedir a eles/as que tentem descrever em que pensam quando nos referimos a alguns objetos e acontecimentos para introduzir a palavra conceito. Logo em seguida, listam-se algumas palavras de ligação para eles perceberem que não são conceitos e que somente juntas a outros conceitos têm significado. Na sequência, solicita-se que os/as alunos/as construam frases curtas para que eles identifiquem o que é objeto, acontecimento, conceito e palavra de enlace, introduzindo algumas palavras pequenas que designam conceitos que eles/as já conhecem, mas que têm um significado especial. Para finalizar, entrega-se um texto para que os/as
alunos/as identifiquem os conceitos e palavras de ligação a fim que compreendam o sentido do texto.
Depois dessas estratégias seguem-se as atividades de elaboração dos MC que segundo Novak e Gowin (1996), são as seguintes: selecionar um texto para que os/as alunos/as identifiquem os principais conceitos para entender a ideia central do texto, ordenar os conceitos dos mais inclusivos aos menos inclusivos, começar a elaborar o MC utilizando como referência a lista ordenada, procurar ligações cruzadas entre os conceitos, refazer o MC se o/a aluno/a entender que é importante e realçar possíveis mudanças estruturais que possam melhorar o significado do mapa.
Há outras sugestões para dar início à construção de um MC, embora não existam “receitas” prontas, mas provocações a quem está iniciando nessa técnica, a saber:
[...], selecionar o texto; selecionar os conceitos mais importantes do texto; identificar e destacar os conceitos chaves; organizar os conceitos selecionados, estabelecendo relações entre eles; ordenar os conceitos em ordem decrescente de importância; ligar os conceitos por meio de setas, e das palavras de enlace, formando proposições (RIBEIRO e NUÑEZ, 2004, p. 210-211).
A construção do mapa não é definitiva, o mesmo pode ser reconstruído e melhorado. Nesse sentido, é primaz lembrar que não existe “o MC correto”, mas cada um revela as conexões específicas dos/as alunos/as entre o conteúdo novo sistematizado, nesse caso o “Bioma Caatinga”, e seus subsunçores. Essas conexões específicas revelam o caráter idiossincrático dos MC. No entanto, não devemos achar que todo MC está bom, pois existem alguns que precisam ser melhorados porque indicam relações pobres e sem sentido. Segundo Moreira (2011), não existe um único modelo de MC, como também não existem regras fixas que são de obrigatoriedade nessa construção.
No que diz respeito às regras, queremos iniciar tratando das figuras (quadrados, retângulos, sinopses etc.) as quais encontramos em MC e que a princípio, são irrelevantes. No entanto, podemos estabelecer regras para essas e para a organização da estrutura do MC como, por exemplo, a do tipo piramidal. Essas diretrizes são contextuais, pois não há regras estabelecidas. Como é o caso das linhas que também encontramos nos mapas e que indicam as relações entre os conceitos e as setas que podem ser utilizadas, para indicar direcionalidade, ou não. Nesse sentido,
Não há regras gerais fixas para o traçado de mapas de conceitos. O importante é que o mapa seja um instrumento capaz de evidenciar significados atribuídos a conceitos e relações entre conceitos no contexto de um corpo de conhecimentos, de uma disciplina, de uma matéria de ensino (MOREIRA, 2011, p.126-127).
Nessa perspectiva, queremos destacar a importância dos MC como ferramentas que são capazes de evidenciar significados. E que o fato deles apresentarem essa característica não os tornam autoexplicativos. Por isso, é importante que os/as alunos/as expliquem o MC construído por eles/as numa forma de externalizar significados. Esse momento de socialização em sala de aula pode ser bastante produtivo porque os/as alunos/as podem aproveitar para negociar outros significados, sugerir outros conceitos mais inclusivos, enfim, as discussões em grupo, como já frisado anteriormente, podem enriquecer (re)construção do MC.
Além disso, os MC podem ser usados para identificarmos quais os subsunçores que os/as alunos/as trazem, facilitando assim, parte do processo da AS. A proposta dos MC não foi sugerida pela teoria de Ausubel, mas a técnica em questão possibilitou essa certificação dos conhecimentos que os/as alunos/as já trazem. Nesse sentido, essa ferramenta foi desenvolvida “[...], especificamente para estabelecer comunicação com a estrutura cognitiva do aluno e para exteriorizar o que este já sabe de forma que tanto ele como o professor se apercebam disso” (NOVAK; GOWIN, 1996, p.56). É preciso que o/a aluno/a e o/a professor/a tenham consciência do que dominam e do que querem aprender para que o conhecimento deles/as possa enriquecer e progredir.
Os MC podem ser usados amplamente na educação e sua importância reside em perceber e reconhecer as transformações no significado da experiência humana. Sendo assim, segundo Novak e Gowin (1996), no que tange a educação, os MC podem ser utilizados para um traçado de roteiro de aprendizagem; extração dos significados dos livros de texto; extração de significados de trabalhos de laboratório, de campo e/ou de estúdio, é nesse ponto que nossas propostas se coadunam; dentre outros. Várias são as possibilidades de uso dos MC desde questões mais abrangentes as mais específicas como as que dizem respeito ao fazer pedagógico em sala de aula.
As atividades de campo, que aqui denominamos de visita guiada e que trataremos em seguida, são utilizadas como possibilidades enriquecedoras no meio educativo. No entanto, muitas vezes, essas não são utilizadas de forma que garantam uma AS aos/as alunos/as, pois se restringem à simples excursões que não acrescentam em quase nada as experiências destes/as. Nesse sentido,
Os estudantes devem ir para o campo providos de uma rede de potenciais significados, de modo a serem capazes de interpretar observações que façam, e um mapa conceptual pode ser uma forma bastante eficaz de construir essa estrutura (NOVAK; GOWIN, 1996, p.64).
De acordo com a citação acima, percebemos que os MC podem contribuir para a estruturação do conhecimento. No entanto, precisamos criar situações e materiais potencialmente significativos para que os/as alunos/as se apropriem delas e construam seus próprios significados. Sendo assim, os MC são ferramentas que podem estimular o aprender a aprender, estruturar o conhecimento e possibilitar a reflexão a respeito da aprendizagem.
1.3 Estudos do Meio: a visita guiada como possibilidade de aprendizagem para além dos