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Atendendo às funções que cada elemento de uma rede viária desempenha, aos diferentes níveis de atuação no seu planeamento e construção, às inter-relações desejáveis entre eles, as vias podem e devem classificar-se e estruturar-se hierarquicamente. Assim a rede rodoviária é classificada e hierarquizada da seguinte forma:

 Rede Primária ou Fundamental  Rede Secundária ou de Distribuição  Rede Local

Pode-se igualmente estabelecer uma hierarquia para os nós viários de acordo com a categoria das vias cuja interseção os define.

a) Rede Primária ou Fundamental

A rede primária deve assegurar essencialmente as seguintes funções:  Atravessamento e acesso à cidade;

47  Ligações urbanas estruturantes;

 Ligações entre os setores da cidade.

As caraterísticas preconizadas para este nível hierárquico dizem respeito ao seu perfil transversal tipo, devendo contemplar quatro ou mais vias com uma largura entre 3 e 3,5 m cada. Os acessos deverão ser restritos aos nós e com interseções ordenadas e regulação de tráfego, podendo ser de nível ou desnivelados em função dos volumes de tráfego. O estacionamento deverá ser interdito e as paragens de TP que existirem deverão possuir recortes que permitam às viaturas isolarem-se da faixa de rodagem.

No presente caso de estudo, a Via Circular Externa configura-se como a única via que possui as caraterísticas acima referidas e exerce as funções atribuídas à rede primária. Em termos de ligações regionais ou interurbanas é obrigatória a sua utilização, quanto mais não seja cruzando- a num dos seus nós. As deslocações estritamente de atravessamento poderão ser efetuadas através deste eixo, evitando-se assim a inserção destes fluxos na restante malha urbana.

O anteriormente designado "Eixo Central", apesar de não respeitar as caraterísticas geométricas exigidas, do ponto de vista funcional pertence igualmente à rede primária devido à quase inevitabilidade da sua utilização, seja qual for o par origem/destino associado à generalidade das deslocações urbanas. Fazem parte desta rede as seguintes vias/nós (de Este para Oeste): Largo da Silveira; Rua Diogo de Teive; Portões de São Pedro; Estrada do Fanal; Avenida Tcor José Agostinho; Alto das Covas; Rua da Sé; Praça Velha; Rua do Galo; Praça Dr. Sousa Jr.; Rua da Guarita; Largo de São Bento; Carreirinha; Via Rápida ou ER N1-1ª.

b) Rede Secundária ou de Distribuição

A rede distribuidora deve assegurar essencialmente as seguintes funções:  Coleta e distribuição do tráfego dos setores urbanos;

 Algum acesso local, principalmente a nível de grandes equipamentos.

As caraterísticas preconizadas para este nível hierárquico dizem respeito ao seu perfil transversal tipo, devendo contemplar duas ou mais vias com uma largura aproximada de 3 m por cada via. Os acessos deverão ser livres e de nível. O estacionamento deverá ser autorizado ainda que deva ter regulamentação própria. As paragens de TP que existirem deverão, sempre que possível, possuir recortes que permitam às viaturas isolarem-se da faixa de rodagem.

Fazem parte desta rede os seguintes eixos:  Rua Capitão João d’Ávila;  Canada Nova;

 Rua Direita; Estrada Pêro de Barcelos; Avenida Infante D. Henrique; Avenida Jácome de Bruges;

 Avenida Álvaro Martins Homem; Rua Professor Augusto Monjardino; Rua Dr. Aníbal Bettencourt.

 Ladeira de São Bento.

c) Rede Local

A rede local deve assegurar essencialmente as seguintes funções:  Acesso local e à ocupação marginal;

 Acesso às atividades marginais à via.

As caraterísticas preconizadas para este nível hierárquico dizem respeito ao seu perfil transversal tipo, devendo contemplar uma ou mais vias com uma largura entre 2.25 a 3 m cada. Os acessos deverão ser livres e de nível. O estacionamento deverá ser livre e dever-se-á evitar a circulação e paragem de TP em função das limitações do perfil transversal.

Na área em estudo, esta rede é composta por todas as restantes vias não englobadas nos níveis anteriores.

A rede viária descrita, excetuando as vias mais recentes localizadas na zona oriental da área em estudo, é caraterizada por uma capacidade de circulação insuficiente. Esta reduzida capacidade tem origem em diversos fatores tais como:

 Sinuosidade dos traçados e perfil transversal variável, obrigando, por vezes, à separação dos sentidos em circuitos distintos com eventual utilização de vias de acesso local;

 Proliferação das interseções com as vias de acesso local, as quais para além de não terem espaçamentos razoáveis entre si, nem sempre têm medidas de gestão de tráfego adaptadas aos fluxos e à geometria dos nós;

 Acesso quase permanente à ocupação marginal gerando pontos de conflito que reduzem drasticamente a capacidade.

49 Numa apreciação global no que respeita à rede viária, a existência da Via Circular Externa satisfaz as necessidades que devem corresponder a uma rede viária principal. O mesmo não se passa com o “Eixo Central” onde se verifica uma mistura de tráfegos e uma proliferação de entroncamentos que levam à existência de alguns problemas de congestionamento. É a nível da rede distribuidora que se levantam os principais problemas uma vez que ela não garante cabalmente as suas funções como elemento ligador entre os níveis principal e local, pois as vias existentes não têm, na grande maioria, capacidade e linearidade suficientes, nalguns casos em consequência do deficiente desenho de projeto ou inexistência deste. A hierarquia atual da rede viária existente encontra-se representada na Figura 3.13.

Figura 3.13 – Classificação da rede rodoviária atual por nível hierárquico.