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4. EQUITY FINANCING

4.1 I NITIAL P UBLIC O FFERINGS

Amaral (2002), ao investigar o processo da síncope das proparoxítonas, observada em falantes do município rural de São João do Norte (RS), afirma que se trata de “uma regra que se originou no latim vulgar, atravessou as diferentes fases do Português e difundiu-se em todo o país na fala popular” (AMARAL, 2002, p. 99).

A síncope, segundo a autora, ocorre quando há a supressão de um ou mais segmentos na(s) sílaba(s) átona(s) pós-tônica(s). Como, por exemplo, em árvore – arvre; relâmpago – ralampo; pérola – perla (AMARAL, 2002, p. 102).

De acordo com a autora esta é uma regra previsível entre os falantes, de acordo com as seguintes observações (AMARAL, 2002, p. 103):

• Quando diante de uma líquida (chácara – chacra);

• Quando antes de uma fricativa (príncipe – prinspe);

• Quando antes de uma oclusiva nasal (relâmpago – relampo);

• Quando há “perda compensatória (cai a vogal que segue a nasal labial, mas esta ganha uma homorgânica”: túmulo - tumblo);

• Quando há formação da seqüência NL: são os casos em que apesar de a nossa língua não permitir nasal no início de um ataque complexo, ela pode aparecer na sílaba pós-tônica quando ocorre a síncope (câmara – câmra).40

Para a análise dos dados, Amaral (2002) lançou mão da gravação de quarenta entrevistas de moradores da zona rural do município de São João do Norte (RS). A entrevista foi dividida em duas partes: conversa dirigida e conversa livre. Assim sendo,

a autora selecionou as seguintes variáveis (AMARAL, 2002, p. 104-105):

40 Segundo Silva (1999, p. 90), esse grupo de palavras constitui o que a autora chama de “grupos

• Variáveis lingüísticas: “contexto fonológico precedente; contexto fonológico seguinte; traços de articulação da vogal; peso da sílaba anterior; extensão da palavra”.

• Variáveis extra-lingüísticas: “sexo; faixa etária; escolaridade; tipo de entrevista”. Todas as variáveis foram lançadas no Programa VARBRUL, que selecionou as seguintes (de acordo com a prioridade de cada uma): contexto fonológico seguinte; escolaridade; tipo de entrevista; traços de articulação da vogal; estrutura da sílaba precedente; sexo; contexto fonológico precedente.

Os resultados de sua investigação mostram que no caso do contexto fonológico seguinte, a vibrante simples [r] predomina sobre os demais contextos. É o que ocorre,

por exemplo, em chácara – chacra. Em seguida, vem a lateral, como em pétala – petla,

sendo o contexto menos favorecedor as não-líquidas, como em agrônomo – agromo.

Desta forma, a autora afirma que:

as proparoxítonas mais propícias as apagamento da vogal não-final são as que apresentam /r/ ou /l/ para a ressilabação, emergindo um grupo cosonantal licenciado pelo sistema. (AMARAL, 2002, p. 107)

No que remete à articulação, a autora observa que as vogais, sobretudo a vogal

/o/, estão sujeitas à elevação como em fósforo – fósfuru; alfândega – alfândiga. Já na

variante peso da sílaba precedente, os dados mostram que as proparoxítonas que

possuem sílaba pesada são geralmente mais preservadas do que aquelas cujas sílabas são leves. Estas últimas, portanto, tendem a ser apagadas.

No caso do contexto fonológico precedente, a autora encontrou evidências de

que a consoante precedente que mais favorece a queda da vogal é a velar (óculos – óclus). Em seguida está a consoante labial (abóbora – abobra). Já o contexto menos

favorecedor para a aplicação do processo é quando a consoante precedente é uma alveolar (música – musga).

A variante escolaridade confirmou a hipótese inicial da pesquisadora, pois,

quanto maior é o nível de instrução dos informantes, menores são as síncopes. Ao contrário, os menos instruídos tendem a sincopar mais freqüentemente.

Com relação ao tipo de entrevista, a situação mais favorecedora para a aplicação

da regra de síncope é a fala coloquial. Por outro lado, quando a fala é mais formal ou “dirigida”, há a predominância do apagamento.

A variante sexo mostrou que as mulheres apagam menos que os homens, na

maioria das vezes, a forma padrão. Segundo a autora, esse fato tem uma explicação:

este resultado pode ser tomado como indício de que se estaria diante de uma variável sem prestígio social, pois, quando a variação não representa uma mudança em andamento, como parece ser o caso deste estudo, as mulheres tendem a usar mais a forma padrão ou a de prestígio do que os homens. Tem- se aqui uma confirmação da primeira tendência: em situações estáveis os homens usam com maior freqüência as formas não-padrão. Por isso eles apagam mais os itens proparoxítonos. (AMARAL, 2002, p. 114)

Finalmente, no que concerne à variante faixa etária, os dados apontam uma

tendência para o apagamento entre os falantes mais velhos (mais de 59 anos). Em seguida, estão os mais jovens (24 a 39 anos), sendo que o grupo que representa as faixas etárias intermediárias (40 a 59 anos) tendem a evitar a supressão da vogal.

Diante deste panorama, a partir da minuciosa investigação dos dados, a autora conclui que:

a síncope nas proparoxítonas, na variedade do português de São João do Norte, tende a recrescer entre os jovens. Todavia, como a escola revelou-se um fator importante no bloqueio da regra, o aumento de escolaridade da população, que se espera venha a acontecer, poderá reverter o processo. (AMARAL, 2002, p. 124)

A regra de síncope das proparoxítonas trata de um processo de redução das sílabas átonas e, enquanto tal, vem sendo relacionada, na literatura pertinente sobre o assunto, a línguas de ritmo acentual. Este processo é, desta forma, eminentemente pós- lexical, uma vez que não se preocupa com a preservação da estrutura silábica e é opcional.

Além disso, podemos observar, em Hayes (1995) e em Massini-Cagliari (1999a), que processos rítmicos de redução tendem a favorecer o pé básico da língua. Desta maneira, formas produzidas por falantes pouco escolarizados tendem a deixar transparecer melhor os padrões rítmicos da língua, livremente de condicionamentos advindos de hipercorreções aprendidas via escolarização.