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CHAPTER 5: CONCLUSIONS AND IMPLICATIONS

5.5 I MPLICATION FOR PRACTICE

A intensificação do capitalismo e o início da Revolução Industrial são considerados como fatores decisivos para o processo de urbanização no mundo. A Revolução Industrial foi o grande responsável pelo acelerado crescimento das cidades, principalmente nos Estados Unidos e nos países da Europa Ocidental, como foi o caso da Inglaterra, que foi o berço da Revolução Industrial (VESENTINI e VLACH, 2010).

O processo de industrialização como uma atividade urbana, fez modificar completamente a estrutura das cidades, uma vez que influenciou seu crescimento demográfico e na forma de vida das pessoas. Tal atividade aumentou gradativamente o processo de migração do campo para a cidade, em virtude da oferta de emprego e à procura por mão-de-obra barata nos setores terciários e secundários. Devido a isso, a população nas cidades aumentou e a procura por moradia acelerou ainda mais o processo de urbanização, que em muitas cidades ocorreu de forma desordenada por não possuírem planejamento adequado para suportar o rápido crescimento.

Nos países em desenvolvimento, a desorganização toma proporções maiores pela falta de gestão e planejamento do uso do solo. Esse fato influenciou na configuração de uma realidade bastante drástica de exclusão e segregação espacial e social nesses países (SILVA e WERLE, 2007). No Brasil, a expansão das áreas urbanas seguiu a tendência do capital especulador e degradante que marcou os arranjos espaciais dos principais centros urbanos no país, associado ao desrespeito à legislação ambiental. Além disso, forte concentração de renda nos principais centros urbanos também contribuiu para gerar grandes desigualdades sociais e intensificar a vulnerabilidade socioambiental dessas áreas (SANTOS, 2011).

Os primeiros estudos sobre planejamento do crescimento urbano ocorreu em meados do século XX, com destaque para os países europeus como Inglaterra, França e Alemanha. Contudo, foi só a partir da década de 1960 que a noção de planejamento apresentou-se com mais força nos países em desenvolvimento, porém com poucas áreas submetidas às intervenções dos planos pré-estabelecidos (MENDONÇA, 2003).

A intervenção proporcionada pelo planejamento no uso e ocupação do solo torna-se, há muitos anos, uma ferramenta importante para subsidiar os arranjos espaciais

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do crescimento e expansão das áreas urbanas e atenuar a desorganização, os problemas ambientais e sociais desenvolvidos por esse espaço, em prol da qualidade de vida da população.

Além disso, é importante lembrar também que a crescente degradação do ambiente urbano, associado ao crescimento da cidade, a sua magnitude e densidade e o crescimento da população urbana, introduz elementos físicos e químicos na atmosfera que alteram as condições naturais precedentes do seu clima. Sendo assim, pode-se considerar que os problemas relacionados à atmosfera urbana tornam-se mais evidentes pela precariedade da qualidade do ar, pela presença das ilhas de calor, das chuvas ácidas, das ilhas de frio, entre outros, que de tal forma influi na qualidade ambiental desses espaços (LIMA et al., 2012).

Diante desse contexto, surge a proposta elaborada por Monteiro (1976) denominada de Sistema Clima Urbano (SCU), com o intuito de contribuir para resolução dos problemas socioambientais urbanos, para a elaboração de diagnósticos ambientais/climáticos e para propor ações visando a solução dos problemas (LIMA et al., 2012).

Contudo, pensando na gestão e planejamento urbano nas cidades brasileiras, Mendonça (2010) criou o Sistema Ambiental Urbano (SAU), que se constitui de proposições teórico-metodológicas pautadas na interdisciplinaridade e no diálogo de conhecimento contextualizado, para superar paradigmas antiquados, em prol da compreensão dos problemas urbanos (SANTOS, 2011).

O SAU constitui-se como um sistema aberto e complexo subdividido em dois subsistemas: o Natural (relevo, ar, água, vegetação, solos) e o Construído (habitação, indústria, comércio, serviços, transporte e lazer), que pode ainda se subdividir em outros subsistemas (SANTOS e PINTO, 2010).

Tanto o SAU quanto o Sistema Climático Urbano preconizado por Monteiro (1976), foram idealizadas no Brasil como proposições teórico-metodológicas que visam associar a compreensão dos elementos que constituem as cidades e o seu planejamento urbano, estabelecendo também uma rede integrada de fatores que devem ser levados em consideração para se compreender a estrutura e dinâmica do espaço urbano (MENDONÇA, 2010).

Segundo Mendonça (2004), para uma abordagem do ambiente urbano deve-se considerar a relação Sociedade-Natureza de forma holística, interativa, e conjuntiva. Além disso, o autor ressalta que o estudo mais detalhado dos diferentes espaços

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intraurbanos é de extrema importância para tornar possível a identificação dos fatores causadores da diferenciação climática entre cidades.

Estudos do clima urbano para o planejamento e a gestão das cidades estão se tornando cada vez mais significativos em todo o mundo. A título de exemplo pode-se citar o estudo realizado recentemente por Yeo et al. (2013), em que propõem um sistema de previsão de demanda de energia urbana para a melhoria da qualidade desse ambiente, e para subsidiar ações quanto ao planejamento de fornecimento de energia urbana para projetos de plano de estágio de desenvolvimento.

O estudo realizado por Loconte et al. (2012) na cidade de Bari, em uma das regiões da Itália, objetivou identificar como a geometria urbana está relacionada com as alterações climáticas locais. O estudo visa fornecer orientações para que gestores possam planejar uma forma urbana que promova a qualidade ambiental na região.

Karolien et al. (2012) desenvolveram, através de um modelo de crescimento, três cenários alternativos para o crescimento urbano futuro (um cenário de negócios, um cenário restritivo e um estimulante) na cidade de Kampala, capital de Uganda, em prol de prever os padrões de crescimento urbano até 2030. Os resultados mostraram através dos cenários, que as opções de políticas alternativas resultam em contrastes de futuros padrões de expansão urbana, com um significativo impacto sobre a qualidade de vida local.

Percebe-se, através das colocações expostas neste texto, que o clima e o planejamento urbano estão integradas um a outro e que qualquer alteração no sistema climático urbano pode se transformar em impactos ambientais com diversos efeitos na qualidade de vida das populações dessas áreas e vice-versa (SANTOS, 2011).

Embora exista uma infinidade de estudos sobre clima urbano, com inúmeras metodologias que propõem qualidade ambiental através do conhecimento dessa temática para viabilizar ações voltadas ao planejamento urbano e gestão do uso racional do solo no meio urbano, pouco se percebe a incorporação desse conhecimento à aplicabilidade de fato no Brasil, sobretudo em regiões mais “atrasadas”.

Diante disso, seria imprescindível que houvesse uma relação interdisciplinar entre áreas afins, principalmente entre geógrafos, climatologistas e urbanistas para projetar da melhor forma o espaço geográfico, visando direcionar ações voltadas aos planos de planejamento e ordenamento territorial dos centros urbanos, assim como combater o avanço do crescimento urbano sobre áreas de preservação ambiental, ainda presente em algumas cidades. Segundo Assis (2003), para que isso ocorra de fato é

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necessário que exista investimento na formação de profissionais qualificados e no diálogo interdisciplinar, para que se possa obter aplicabilidade de critérios ambientais ao planejamento urbano.