4.2 Discussion
4.2.1 Hypothesis a)
De maneira a testar a metodologia de classificação energética desenvolvida, procedeu-se à sua aplicação ao edifício estudado, Edifício X.
O consumo real de energia obtido pelas facturas ( ) para o Edifício X já foi anteriormente calculado (2.2.2):
106 622 kWh ano-1
9 O é definido pelos dias anuais de cada tipo (úteis, sábados e domingos/feriados) e as respectivas horas de utilização diária, considerando um ano típico de referência (TYR).
As Tabela 29 a Tabela 31 apresentam a informação (recolhida por auditoria) necessária para calcular o consumo real de referência do Edifício X, sobre a utilização, orientação e geometria de cada uma das zonas térmicas úteis.
Tabela 29 – Dados das zonas térmicas
Zona térmica útil Piso Tipo de
espaço [m2] [m] [m2] N.º ocupantes Equipamento [W] Vert. Horiz. Gabinetes 1 1 Útil 71,67 3,83 74,42 - 6 1 311 - Gabinete 2 21,66 3,70 36,08 - 1 110 - Gabinetes 3 53,44 3,68 75,01 - 2 237 - Gabinetes 4 77,41 3,87 92,43 - 3 1 530 - Átrio Principal 51,60 3,89 33,18 - 1 - - Circulação, IS… 1 134,08 3,34 49,18 - 0 - - Tesouraria R/C 38,30 3,04 48,81 - 2 254 - Gabinetes 5 91,10 2,82 56,73 - 6 694 - Gabinetes 6 54,88 3,02 13,50 - 5 601 - Gabinetes 7 43,65 2,98 42,87 - 4 440 - Gabinetes 8 41,53 2,87 42,15 - 7 787 - Secção Taxas e Licenças 83,53 2,85 25,89 - 6 2 511 - Reprografia 18,21 3,06 - - 0 1 020 - Arquivo e IS 14,87 2,54 6,65 - 0 - - Circulação, IS… 2 106,53 2,76 15,79 - 0 - -
Tabela 30 – Orientação da envolvente exterior
Zona térmica útil [m
2 ] Gabinetes 1 - - - 19,88 - 54,54 - - - Gabinete 2 - - - 18,46 - 17,62 - - - Gabinetes 3 - 54,40 - 20,61 - - - - - Gabinetes 4 - 40,47 - - - 11,75 - 40,21 - Átrio Principal - - - 33,18 - Circulação, IS… 1 - 17,62 - 31,56 - - - - - Tesouraria - 8,45 - - - 19,93 - 20,43 - Gabinetes 5 - - - 15,04 - 41,69 - - - Gabinetes 6 - - - 13,50 - - - - - Gabinetes 7 - 29,28 - 13,59 - - - - - Gabinetes 8 - 29,13 - - - 13,02 - Secção Taxas e Licenças - - - 25,89 - Reprografia - - - - Arquivo e IS - - - 6,65 - Circulação, IS… 2 - 9,86 - 5,93 - - - - -
Tabela 31 – Perfis de utilização
Horas
Dias úteis (segunda a sexta)
Ocupação Iluminação Equipamento Ventilação
23h30 - 0h30 0 0 0 - 0h30 - 1h30 0 0 0 - 1h30 - 2h30 0 0 0 - 2h30 - 3h30 0 0 0 - 3h30 - 4h30 0 0 0 - 4h30 - 5h30 0 0 0 - 5h30 - 6h30 0 0 0 - 6h30 - 7h30 0 0 0 - 7h30 - 8h30 0 0 0 - 8h30 - 9h30 0,5 0,5 0,5 - 9h30 - 10h30 1 1 1 - 10h30 - 11h30 1 1 1 - 11h30 - 12h30 1 1 1 - 12h30 - 13h30 1 1 1 - 13h30 - 14h30 1 1 1 - 14h30 - 15h30 1 1 1 - 15h30 - 16h30 1 1 1 - 16h30 - 17h30 1 1 1 - 17h30 - 18h30 0,5 0,5 0,5 - 18h30 - 19h30 0 0 0 - 19h30 - 20h30 0 0 0 - 20h30 - 21h30 0 0 0 - 21h30 - 22h30 0 0 0 - 22h30 - 23h30 0 0 0 - Total horas (h) 9 9 9 -
De notar que, as potências relativas ao equipamento, e (Tabela 29), assim como os perfis de utilização (Tabela 31) considerados no cálculo do correspondem aos padrões de utilização tidos em conta na simulação do Edifício X em condições reais do Cenário A (2.2.3).
Como o Edifício X não possui sistema de ventilação mecânica, o caudal de ventilação ( ) de cada zona térmica útil, considerado no cálculo do , é calculado pela equação (7), através da taxa de renovação nominal do ar interior de referência ( ) definida em 3.2.
No entanto, na Tabela 32 constam os caudais de ar novo de referência seleccionados da Tabela 36 (Anexo C), salientando-se os caudais que seriam também considerados se o Edifício X fosse mecanicamente ventilado, tendo em conta a área útil de pavimento ( ) e o número de ocupantes (Tabela 29). De notar que, nesta situação hipotética, o caudal de ventilação ( ) a considerar no cálculo do para cada zona térmica útil do Edifício X seria dado pelo maior valor resultante das equações (7) ou (8).
Tabela 32 – Caudais de ar novo
Zona térmica útil Tipo de actividade
Caudal de ar novo de referência (m3h-1ocupante-1) (m3h-1m-2) Gabinetes 1 Gabinete 35 5 Gabinete 2 Gabinetes 3 Gabinetes 4 Tesouraria Gabinetes 5 Gabinetes 6 Gabinetes 7 Secção Taxas e Licenças Reprografia Gabinetes 8 35 5
Átrio Principal Recepção 30 15
Arquivo e IS* Arquivo climatizado - -
Circulação, IS… 1* Circulação climatizada
- 5
Circulação, IS… 2* Circulação climatizada
* embora estas zonas não sejam climatizadas, optou-se por considerar os caudais apresentados por serem os referentes ao tipo de actividade mais adequado.
A Tabela 33 apresenta os parâmetros característicos do modelo 5R1C utilizado (Fig. 19), os consumos de energia de referência estimados por utilização final (3.4) para cada zona térmica e os respectivos valores totais para o Edifício X.
Tabela 33 – Parâmetros característicos e consumos de energia de referência
Zona térmica útil
Parâmetros característicos Consumos de energia de referência
[kWh ano-1]
[W K-1
]
[W K-1] [m2] Arref. Aquec. Equip. Ilum. Total Gabinetes 1 31,3 73,7 72,2 3 285 179 661 41 3 068 1 677 5 447 Gabinete 2 15,2 35,7 21,1 993 54 114 57 257 507 935 Gabinetes 3 31,5 74,3 51,7 2 449 134 217 150 555 1 250 2 172 Gabinetes 4 38,8 91,5 78,7 3 548 194 538 78 3 580 1 811 6 007 Átrio Principal 13,9 32,9 52,8 2 365 129 111 117 - 1 207 1 435 Circulação, IS… 1 20,7 48,7 117,7 6 145 335 - - - 3 137 3 137 Tesouraria 20,5 48,3 30,6 1 755 96 178 66 594 896 1 734 Gabinetes 5 23,8 56,2 67,5 4 175 228 488 34 1 624 2 132 4 278 Gabinetes 6 5,7 13,4 43,6 2 515 137 424 4 1 406 1 284 3 118 Gabinetes 7 18,0 42,4 34,2 2 001 109 294 25 1 030 1 021 2 370 Gabinetes 8 17,7 41,7 31,3 1 903 104 550 11 1 842 972 3 375 Secção Taxas e Licenças 10,9 25,6 62,6 3 828 209 1 317 1 5 876 1 955 9 149 Reprografia 0 0 14,6 835 46 - - 2 387 426 2 813 Arquivo e IS 2,8 6,6 9,9 682 37 - - - 348 348 Circulação, IS… 2 6,6 15,6 77,3 4 883 266 - - - 2 493 2 493 Total 257 607 766 41 362 2 257 4 892 584 22 219 21 116 48 811
De acordo com o descrito em 3.4 paraobter o do EdifícioX, é necessáriosomar ao valor total dos consumosanuaisde referência para cada zona térmicaapresentado na Tabela 33 (48811 kWh), o valor anual do consumo de energia de referência relativo à iluminação exterior ( , que se calculou pela potência associada anteriormente estimada, 8 kW (2.2.2) e pelo tempo de funcionamento de referência (5 400 h), resultando o valor seguinte:
43 200 kWh
O para o Edifício X é dado então, por:
Consumo de referência O valor do parâmetro , obtido pela soma dos consumos de referênciarelativos ao aquecimento (584 kWh ano-1), arrefecimento (4 892 kWh ano-1) e iluminação interior (21 116 kWh ano-1), apresen- tados na Tabela 33, é o seguinte:
26 592 kWh ano-1
Seguindo os passos da metodologia de classificação energética elaborada, determina-se a classe energética do Edifício X pela conjugação dos valores obtidos destas variáveis, recorrendo à Tabela 23. Obtém-se assim, a Tabela 34 que define a classificação energética do Edifício X, destacando a classe energética do edifício e respectiva condição verificada.
Tabela 34 – Classificação energética do Edifício X segundo a metodologia desenvolvida
Classe
energética Condição a verificar [kWh ano -1 ] men o r E ficiên cia ma io r 106 622 72 067 72 067 106 622
78 715 78 715
106 622
85 363 85 363
106 622 92 011 92 011 106 622
105 307 105 307 106 622 118 603 118 603 106 622 131 899 131 899 106 622 145 195 145 195 106 622
Pode concluir-se, que segundo os intervalos da escala de classes de desempenho energético definida para o Edifício X (Tabela 34), este pertence à classe , coincidindo com a classe energética obtida pela aplicação da metodologia regulamentar (2.4.3), indicando portanto que o Edifício X tem pior desempenho energético em relação ao que se estimou ser o desempenho de referência para esse edifício. Observa-se que o Edifício X tem um consumo real de energia obtido pelas facturas
( ) superior ao consumo real de referência estimado, , em 55% do valor de
Na Tabela 35 apresenta-se a desagregação dos valores de consumo de energia de referência para arrefecimento que constam da Tabela 33 (coluna “Arref.”) por necessidades de calor sensível extraído e calor latente de condensação e a percentagem dos consumos relativos ao calor latente.
Tabela 35 – Desagregação dos consumos de energia de referência para arrefecimento
Zona térmica
Consumos de referência para arrefecimento Calor sensível extraído [kWh ano-1] Calor latente de condensação [kWh ano-1] [%] Gabinetes 1 623 38 5,7 Gabinete 2 104 10 8,8 Gabinetes 3 194 23 10,6 Gabinetes 4 512 26 4,8 Átrio Principal 87 24 21,6 Tesouraria 161 17 9,6 Gabinetes 5 448 40 8,2 Gabinetes 6 396 28 6,6 Gabinetes 7 267 27 9,2 Gabinetes 8 498 52 9,5 Secção Taxas e Licenças 1 287 30 2,3 Total 4 577 315 6,4
* Calor sensível Calor latente. O representa os consu-
mos de referência totais para arrefecimento apresentados na Tabela 33.
Pode observar-se na Tabela 35 que as percentagens do consumo de energia para arrefecimento referente ao calor latente, relativamente ao respectivo consumo de referência total, registam para cada zona térmica ocupada, valores que se podem considerar próximos entre si, excepto no átrio principal e na secção taxas e licenças que apresentam percentagens mais discordantes (21,6% e 2,3%). Isto deve- se às necessidades de calor sensível extraído para arrefecimento serem elevadas na secção taxas e licenças e baixas no átrio principal, onde há respectivamente um valor elevado e baixo de potência instalada relativa à iluminação e aos equipamentos eléctricos.
4. Conclusões e considerações finais
O RSECE estabelece a caracterização de um edifício ou fracção autónoma através de uma metodologia que consiste na obtenção das três formas de um valor indicador de eficiência energética ( ) – consumo real obtido pelas facturas ( ), consumo real obtido por simulação
( ) e consumo nominal específico ( ) –, e no confronto destas com os valores
limite de referência do consumo nominal específico para novos edifícios de serviços ( ) e para edifícios de serviços existentes ( ), ambos definidos por tipologia no RSECE.
Para classificar o desempenho energético dos grandes edifícios de serviços (GES), adopta-se no âmbito do RSECE e do SCE, uma escala de nove classes, de a , pré-definida por tipologia de edifícios. Esta metodologia regulamentar estabelece a classificação energética de um edifício através da comparação do seu consumo nominal específico ( ), determinado por simulação detalhada do edifício em condições nominais, com os correspondentes consumos de referência, definidos no RSECE para esse tipo de edifícios. A análise comparativa é feita entre edifícios do mesmo tipo considerados sob iguais padrões nominais de utilização definidos no RSECE e semelhantes condições climáticas (asset rating), procurando-se uma comparação que reflicta sobre os aspectos que se consideram mais influentes no consumo energético de um edifício de serviços: as características do sistema de climatização, a densidade de iluminação e a qualidade térmica da envolvente.
A aplicação deste procedimento regulamentar para efeitos de classificação energética do Edifício X, realizada posteriormente à auditoria levada a cabo pelo LNEG, permitiu concluir que:
o edifício deverá sujeitar-se a um plano de racionalização energética (PRE), cuja implementação obrigatória das medidas propostas é limitada a um período de retorno simples inferior a oito anos;
a ausência de sistemas de ventilação mecânica que assegurem o caudal mínimo de ar novo necessário às diferentes actividades, dificilmente assegurado pela ventilação que ocorre de forma natural, poderá ser uma forte condicionante à garantia da qualidade do ar interior (QAI) ao edifício;
a simulação detalhada do edifício, com base num modelo calibrado pelos resultados da auditoria, conduz a um consumo nominal específico ( ) equivalente a um edifício de classe , para a tipologia “Tribunais, Ministérios e Câmaras”;
ao pertencer à classe energética , significa que o Edifício X tem pior desempenho energético que o edifício de referência cujo é igual ao valor de referência limite, , equivalente ao limite inferior do intervalo de valores de correspondentes a um edifício de classe ;
a parcela do , no Edifício X, relativa à iluminação e ao sistema de climatização apresenta um valor próximo ao do correspondente consumo, no edifício considerado de referência, apesar dos valores das propriedades termofísicas dos elementos construtivos das respectivas envolventes serem diferentes;
o factor preponderante que faz com que o valor de do Edifício X seja superior ao
, ditando a sua classe energética, é o consumo de energia que foi associado à
iluminação exterior do edifício. Considerando o Edifício X sem a utilização da iluminação exterior, este face ao RSECE estaria igualmente sujeito a um PRE, mas no âmbito do SCE pertenceria à classe energética .
A metodologia desenvolvida, que constitui o contributo original desta dissertação, estabelece a classificação energética dos edifícios existentes abrangidos pelo RSECE, por comparação do consumo real de energia obtido pelas facturas energéticas, , com os consumos desse edifício estimados para condições de referência, através dum método simplificado e implementado numa folha de cálculo. Embora se alterem os termos de comparação que definem a escala de classes energéticas, é
utilizada a mesma escala de nove classes associada à mesma análise comparativa pretendida na metodologia regulamentar.
Salientam-se os seguintes pontos que distinguem a metodologia proposta e que comparativamente ao método existente a poderão tornar mais simples, directa e precisa, na definição de uma classe energética mais adequada à real eficiência energética de um edifício, bem como, mais eficaz na penalização dos edifícios de serviços existentes mais consumidores.
apoia-se no método horário simplificado descrito na norma EN ISO 13790:2008 para calcular os consumos energéticos de referência para aquecimento e arrefecimento de um edifício, que se baseia num modelo de simulação de cada uma das suas zonas térmicas – modelo de cinco resistências e uma capacitância (5R1C). De notar que, como este método não inclui o cálculo das necessidades de calor latente, a metodologia utilizada integra um método que estima também as necessidades de calor latente de condensação do vapor de água contido no ar interior ao edifício.
as parcelas do consumo real de referência para edifícios de serviços existentes ( ) por utilização final são estimadas em função do horário habitual de utilização sendo a parcela relativa ao equipamento estimada em função da potência instalada no edifício e as parcelas que mais podem influenciar a classificação energética do edifício, referentes à iluminação, aquecimento, arrefecimento e ventilação, estimadas através de parâmetros de referência estabelecidos;
necessita de um número reduzido de informações sobre o edifício, não exigindo a construção de um modelo geométrico e construtivo de simulação do edifício, que implica o conhecimento de todas as dimensões e propriedades termofísicas dos elementos de construção da sua envolvente;
o consumo real de referência, , constitui um valor de referência específico para cada edifício a classificar, sendo que a escala de nove classes energéticas é assim definida por edifício em estudo.
Ao testar a metodologia de classificação energética desenvolvida, através da sua aplicação ao Edifício X, pôde concluir-se o seguinte:
a diferença obtida entre o consumo real de energia obtido pelas facturas ( ) e o valor do consumo real de referência estimado, , é inferior à dos valores estudados pela aplicação da metodologia regulamentar, consumo nominal especifico ( ) do Edifício X e valor limite definido por tipologia, ;
a classe de desempenho energético determinada para o edifício coincidiu com obtida pela metodologia regulamentar, classe ;
ao pertencer à classe energética , significa que o edifício é energeticamente menos eficiente que o edifício de referência, cujo consumo de energia é igual ao valor de referência, , equivalente ao limite inferior do intervalo de valores de consumo de energia correspondentes a um edifício de classe .
As conclusões da aplicação da metodologia desenvolvida consideram os resultados obtidos adoptando para o cálculo dos consumos de referência de um edifício, determinados parâmetros de referência quanto à sua utilização e construção. No entanto, é importante notar que, a utilização do método descrito é independente dos valores considerados para estes parâmetros de entrada, permitindo a adopção de outros por ventura mais adequados.
Referências bibliográficas
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Despacho n.º 10250/2008. Modelo dos Certificados de Desempenho Energético e da Qualidade do Ar Interior Emitidos no âmbito do SCE (D.L. 78/2006 de 4 de Abril). Diário da República, 2008.
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Moret Rodrigues A., Canha da Piedade A, Braga A.M., 2009. Térmica de Edifícios. 1ª Edição, Edições Orion (in Portuguese)
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RSECE, 2006. Decreto-Lei nº. 79/2006 de 4 de Abril, Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em Edifícios. Diário da República.
SCE, 2006. Decreto-Lei n.º 78/2006 de 4 de Abril, Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior nos Edifícios. Diário da República.
Anexo A Plantas do Edifício X
Anexo B Método de cálculo do
O é calculado a partir dos consumos efectivos de energia de um edifício durante um ano convertidos utilizando os factores de conversão:
Energia útil e energia primária
Factor de conversão utilizado, actualizável por despacho do director-geral de Geologia e Energia, em função do mix energético nacional:
Electricidade: = 0,290 kgep kWh-1 Correcção climática
Os valores dos factores de conversão têm em conta as diferenças de necessidades de aquecimento ou de arrefecimento derivadas da severidade do clima, corrigidas pelo grau de exigência na qualidade da envolvente aplicável a cada zona climática definida pelo RCCTE.
Cálculo do
:
Obtém-se a partir do valor de consumo real de energia obtido pelas facturas ( ) convertido para energia primária, por área útil de pavimento ( ), sem correcção climática.
Cálculo do
e
:
Calculam-se a partir dos resultados de consumos de energia obtidos quer pela calibração do modelo de simulação do edifício no caso do
,
quer pela simulação em condições nominais no caso do , e dos factores de conversão para energia primária e correcção climática, conforme o método de cálculo definido no Anexo IX do RSECE, a seguir descrito.O é calculado pela fórmula:
(B1)
em que, por sua vez:
(B2)
(B3)
Para o cálculo dos factores de correcção de energia de aquecimento e de arrefecimento ( e ), adopta-se, como região climática de referência, a região - norte, 1000 ºC dias de aquecimento e
160 dias de duração da estação de aquecimento. e são definidos, respectivamente, por:
(B4)
(B5)
onde, os valores limite das necessidades nominais de energia útil para aquecimento e para arrefecimento ( e ), em kWh m-2ano-1, são definidos no artigo 15.º do RCCTE.
Anexo C Caudais de ar novo de referência
Tabela 36 – Caudais de ar novo de referência
Tipo de actividade
Caudais de ar novo de referência [m3h-1ocupante-1] [m3h-1m-2]
Área de armazenamento - 5
Área de exposição - -
Área de piscina - 10
Área de vendas 30 5
Área de recuperação hospitalar 30 -
Área de terapia hospitalar 30 -
Arquivo climatizado - - Átrio climatizado - 5 Auditório 30 - Balneário climatizado - - Biblioteca 30 - Cafetaria 35 35 Circulação climatizada - 5 Consultório - - Cozinha - - Escritório em openspace 30 - Estúdio 35 35 Gabinete 35 5 Ginásio - - IS - - Laboratório 35 - Loja de comércio - 5 Quarto hospitalar 45 - Quarto/suite 30 - Recepção 30 15 Sala de aulas 30 - Sala de conferências 35 20 Sala de espera 30 -
Sala de preparação de refeições 30 -
Sala de refeições 35 -
Sala de reuniões 30 20
Servidor - -
Anexo D Cálculo da intensidade de radiação solar incidente
Fig. 23 – Posição do Sol: azimute ( ) e altitude solar ( ). Superfície vertical orientada a :
ângulo de incidência ( ) e azimute da superfície ( ) 10
A intensidade de radiação solar incidente numa superfície ( é condicionada pelos ângulos que definem a posição do sol: o azimute11 e a altitude solar ( e ). Estas grandezas angulares são calculadas, respectivamente, por:
(D1)
(D2)
A declinação solar ( ) é obtida através de:
(D3)
A hora solar angular ( ) é determinada pela transformação da hora solar, , expressa por valores inteiros entre 1 e 24, em h, pela equação (D4):
(D4)
10 Os ângulos ilustrados na Fig. 23 são válidos para locais no hemisfério . 11Embora o azimute solar (
) também possa ser referenciado segundo a orientação , a equação utilizada no
A intensidade de radiação solar incidente numa superfície com orientação ( ) depende do ângulo de incidência da radiação solar directa com a normal à superfície, . Estas grandezas são estimadas, respectivamente, por:
(D5)
(D6)
A intensidade de radiação solar normal directa ( obtêm-se a partir das correspondentes intensidades de radiação solar difusa horizontal ( ) e global horizontal ( ) 12
de acordo com a fórmula seguinte:
(D7)
Para a reflectância do solo ( ) considera-se um valor igual a 0,2. Os factores e são obtidos em função do ângulo da superfície com o plano horizontal13 ( , por:
(D8)
(D9)
O ângulo relaciona o azimute solar ( ) e o azimute da superfície com orientação 14 ( ) através de:
(D10)
Por fim, é de notar que, os valores horários válidos de são obtidos através de condições aos valores do (270º 90º) e da ( 3º) , convertidos para rad.
12
Utilizam-se os valores horários das intensidades de radiação solar horizontal difusa e global ( e ) para um ano típico de referência (TYR), que constam na base de dados climáticos do programa Solterm 5.
13
Para as superfícies horizontais (com orientação ) 0rad, para as superfícies verticais (com orientação ,
, , , , , ou ) rad.
14 Tal como o azimute solar (
Anexo E Procedimentos de cálculo das
numa zona térmica
Fig. 24 – Modelo 5R1C de simulação de uma zona térmica
A solução para o cálculo dos nodos de temperatura (modelo 5R1C) é baseada no método iterativo de Crank-Nicolson, permitindo estimar de hora em hora, a temperatura média interior ( ) que correspon- de a uma determinada potência para aquecimento ou arrefecimento ( ). As temperaturas, expressas em ºC, são valores médios horários, exceptuando as e que representam, respectivamente, as temperaturas de massa instantâneas no início e no final de cada iteração temporal .
Para cada hora, as necessidades de energia por unidade de tempo para aquecimento e arrefecimento
( ), são obtidas pela determinação da para dois valores diferentes de .
Determinação da temperatura interior
para um valor de
A depende da correspondente 15, tal que:
(E1)
com:(E2)
(E3)
15O método iterativo é iniciado com um valor de
igual ao da temperatura de set point do ar interior para a
(E4)
(E5)
Os valores médios dos nodos de temperatura são obtidos por:
(E6)
(E7)
(E8)
Etapas para a determinação das
Definir as temperaturas de set pointAs temperaturas de set-point do ar interior utilizadas são as definidas como condições interiores de referência no artigo 14.º do RCCTE:
20 ºC, para a estação de aquecimento (Inverno)
25 ºC, para a estação de arrefecimento (Verão)
Verificar a necessidade de aquecimento ou arrefecimento
Aplica-se as equações (E1) a (E8) com 0, resultando a temperatura média do ar interior em condições de não aquecimento nem arrefecimento ( ).
Se para uma determinada hora significa que as necessidades de aquecimento e arrefecimento são nulas ( 0). Caso não se verifique essa condição, as são determinadas de acordo com a etapa seguinte.
Calcular as :
Aplica-se as equações (E1) a (E8) com , em W, tal que:
resultando a temperatura média do ar interior correspondente a um fluxo de calor para aquecimento com o valor de 10 W m-2 ( ).
Define-se a temperatura de set point do ar interior ( ) que corresponde a:
, se
, se
As necessidades de energia por unidade de tempo para aquecimento e arrefecimento ( )16, expressas em W, obtêm-se por:
(E9)
16 Os valores das
são positivos para o aquecimento e negativos para o arrefecimento, representando
respectivamente o calor que é necessário extrair e fornecer ao nodo para que esta temperatura assuma o valor
Simbologia
parâmetro para o cálculo da [Pa]