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Hypothesis 2: Board gender diversity effects on profitability

Para introduzir um novo dualismo pulsional, Freud desenvolve seu texto Além do Princípio do Prazer (1920/2006), no qual procurou investigar as fontes de desprazer. Para além da postergação do prazer em nome de garantias à conservação do indivíduo, através do

princípio de realidade, também há uma fonte de liberação de desprazer proveniente ―dos

conflitos e clivagens próprios ao processo de desenvolvimento do Eu em direção a organizações psíquicas mais complexas‖ (FREUD, 1920/2006, p. 138). No citado texto surge a hipótese de que o ímpeto de processar psiquicamente e assenhorar-se de vivências que foram impressionantes seria um evento primário e independente do princípio do prazer. Na busca de tendências que agem de modo independente do princípio do prazer, Freud retoma

sua trajetória clínica e encontra mais alguns eventos relacionados a uma repetição de desprazer.

Freud (1920/2006) divide seu percurso clínico em duas etapas. Durante a

primeira, ―o trabalho do médico analista restringia-se a decifrar o inconsciente ainda não

conhecido do doente, organizar seus elementos e comunicá-los ao paciente no momento

oportuno‖ (p. 144), ou seja, tratava-se essencialmente de uma arte de interpretação. Já no

segundo momento, a ênfase do tratamento foi deslocada para as resistências do paciente e o papel do analista consistia em desvelar essas resistências, mostrá-las ao indivíduo e convencê- lo a abrir mão delas (p. 144). Surgiu, no entanto, um obstáculo ao objetivo de tornar consciente o inconsciente: podia ocorrer de o paciente não se lembrar de tudo aquilo que

estava recalcado e que justamente o mais importante lhe escape: ―na verdade, ele se vê mais

forçado a repetir o recalcado como se fosse uma vivência do presente do que […] a recordá- locomo sendo um fragmento do passado‖ (FREUD, 1920/2006, p. 144, grifo do autor). Essa

compulsão à repetição demonstra, muitas vezes, a força do recalcado. Os fenômenos da transferência demonstram claramente isso, pois, nesse contexto, muitas das situações afetivas dolorosas vividas na infância são repetidas, principalmente no que se refere à cicatriz narcísica deixada pelo complexo de Édipo. Freud conclui que a compulsão à repetição ultrapassa o princípio do prazer e deve, então, ser investigada que função ela assume na vida psíquica.

A ideia de que o psiquismo tende a repetir as vias que encontrou para a descarga de estímulos é recorrente na obra de Freud. Durante boa parte da primeira tópica o autor se centra na problemática da repetição de uma satisfação pulsional, isto é, na aderência da libido em objetos que uma vez satisfizeram a pulsão (FREUD, 1915b/2004, p. 149), o que explica muito da dificuldade, muitas vezes enfrentada na clínica, em o sujeito abandonar o sintoma. Quando tal repetição trazia consigo desprazer, Freud compreendia que se tratava da questão de o sistema consciente perceber como desprazeroso algo que, na verdade, mostrava-se prazeroso para o inconsciente. No entanto, distintamente desta postura adotada na primeira tópica, no Projeto para uma psicologia científica (1895a/1992), Freud dá bastante relevo à questão da repetição da experiência de dor. Tal como a experiência de satisfação, a dor deixa atrás de si facilitações especialmente abundantes, que depois do trauma são repetidamente percorridas:

Ante todo, cuando el trauma (vivencia de dolor) sobreviene en la época en que ya existe un yo (los primerísimos [traumas] se sustraen por completo al yo), acontece un desprendimiento de displacer, pero he ahí al yo simultáneamente activo para

crear investiduras colaterales. Si la investidura-recuerdo se repite, también se repite el displacer, pero también preexisten las facilitaciones yoicas, y la experiencia muestra que la segunda vez el desprendimiento resulta menor, hasta que con una ulterior repetición se reduce a la intensidad, grata para el yo, de una señal. (FREUD, 1895a/1992, p. 406)

Assim, Freud demonstra o entendimento teórico de algo que será um dos problemas de sua clínica que o levará, em 1920, a conceituar a pulsão de morte. A repetição já era compreendida (FREUD, 1914b/1991) como algo que se diferencia na fala do sujeito e que possibilita o processo de elaboração; mas somente em Além do princípio do prazer é que ela será retomada no que concerne àquilo que é traumático, que marca o psiquismo como se ele tivesse sido atingido por um raio (FREUD, 1895a/1992, p. 352) e que traz consigo o problema da economia do psiquismo, sua capacidade de enlaçar o excesso de excitações.

Dessa forma, se na clínica da primeira tópica Freud centrou-se no sentido dos sintomas e nas irrupções do inconsciente na linguagem, na segunda tópica ele terá que lidar mais claramente com a questão da economia libidinal. Pensar sobre a cura necessariamente abarca a reflexão sobre como lidar com o excesso pulsional.

Apesar de o texto Além do Princípio do Prazer (1920/2006) não trazer uma reformulação da teoria da defesa, ele tem sua importância reconhecida por tratar de questões ligadas ao desprazer, e sendo disso que o sujeito se defende. Ao longo desse trabalho, Freud percebeu que a compulsão à repetição não se tratava de algo contrário ao princípio do prazer, mas sim algo que era anterior e se sobrepunha a ele. Dessa forma, a defesa continua a ser direcionada aos fatores de desprazer, ou seja, fontes de estímulo externas ou internas capazes de prejudicar a integridade do indivíduo. Porém, a compulsão à repetição é apresentada como uma tendência do psiquismo que a antecede. A defesa estaria então para o princípio do prazer tal como a compulsão à repetição está para o além do princípio do prazer.