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Iniciamos a apresentação dos resultados de nosso trabalho chamando a atenção para o desempenho dos alunos em relação ao pré-teste aplicado após as aulas teórico- expositivas, sobre os conceitos de eletrodinâmica, e antes da realização das atividades experimentais previstas em nosso estudo.

Esse pré-teste teve por objetivo caracterizar o grau de conhecimento dos alunos antes da realização da atividade experimental.

Além disso, escolhemos analisar os dados das interações sociais apenas de uma das turmas de terceiro ano com o melhor rendimento no pré-teste, tendo em vista que a análise de dez interações envolveria um trabalho adicional que, ao nosso ver, não traria maiores contribuições para nossas análises, uma vez que as demais interações não

apresentaram grandes diferenças em relação às que apresentamos neste trabalho.

Na tabela a seguir apresentamos a porcentagem de acertos, em média, que os alunos de cada uma das escolas tiveram no pré-teste aplicado.

Tabela 7 – Porcentagem de acertos no pré-teste.

ESCOLAS ESCOLA 1 ESCOLA 2 ESCOLA 3 ESCOLA 4 ESCOLA5

TURMAS ° ° ° ° ° ° ° ° ° ° NÚMERO DE ALUNOS 31 34 36 38 33 32 30 34 33 34 PORCENTAGEM MÉDIA DE ACERTOS DA PROVA 35% 36% 37% 36% 47% 51% 42% 39% 48% 49%

Fonte: elaboração do autor.

Mesmo após a realização das três aulas teóricas os alunos não tiveram um bom desempenho no pré-teste. Com exceção dos alunos do 3º P da escola 3 que acertou um pouco mais da metade da prova, todos os demais alunos tiveram desempenho menor do que 50%.

Esse resultado já era esperado tendo em vista a dificuldade do conteúdo abordado. O tema eletricidade envolve conceitos muito abstratos. A observação do fenômeno não é direta, pois não se é possível ver o movimento dos elétrons ou as dificuldades que alguns condutores oferecem à passagem da corrente elétrica (resistência elétrica), por exemplo. Além disso, há, ainda os conceitos que exigem maior abstração dos estudantes relacionados à diferença de potencial elétrico, potência elétrica dissipada, bem como a configuração dos circuitos que nem sempre é fácil dos alunos transporem para situações reais.

A seguir, apresentamos na tabela a porcentagem de acertos, em média, que os alunos de cada uma das escolas tiveram no pós-teste.

Tabela 8 – Porcentagem de acertos no pós-teste.

ESCOLAS ESCOLA 1 ESCOLA 2 ESCOLA 3 ESCOLA 4 ESCOLA5

TURMAS ° ° ° ° ° ° ° ° ° ° NÚMERO DE ALUNOS 31 34 36 38 33 32 30 34 33 34 PORCENTAGEM MÉDIA DE ACERTOS DA PROVA 55% 53% 57% 54% 74% 68% 59% 62% 71% 68%

Fonte: elaboração do autor.

É importante destacar que ambas as atividades experimentais contribuíram para a aprendizagem dos alunos, pois o desempenho dos estudantes no pós-teste, ou seja, após a realização das atividades experimentais foi bem melhor do que no pré-teste.

Podemos observar que todas as turmas R, no pós-teste, tiveram desempenho ligeiramente superior aos das turmas P, diferentemente do que se observou no pré-teste. Este resultado indica que, pelo menos do ponto de vista, conceitual e cognitivo, os estudantes que foram submetidos aos laboratórios remotos foram tão beneficiados quanto àqueles que utilizaram o experimento presencial convencional.

Acreditamos que a atividade experimental, como destacam Delizoicov et al (2002); Carvalho & Gil-Perez (2003); Sére et al (2003) Monteiro e Teixeira (2006); Oliveira (2012); Monteiro et al (2013), possibilitou uma maior contextualização daquilo que foi dito nas aulas teóricas expositivas, estimulando o estudante a levantar hipóteses, estabelecer relação de causa-efeito, propor modelos, explicações que, de alguma forma, justificassem os dados obtidos. Destaca-se também, a maior interação desencadeada entre professor e alunos durante a realização das atividades e, também durante a plenária, permitindo reformulações na maneira de pensar e, consequentemente de interpretar o fenômeno observado.

O desempenho ligeiramente superior dos alunos que utilizaram a atividade controlada remotamente pode ser explicado pela própria metodologia adotada. O

processo interativo do professor com os alunos foi maior já que, em cada um dos grupos, a atividade era acompanhada com uma atenção mais personalizada do professor, bem como de todos os demais grupos de alunos. Além disso, há que se considerar que a atividade controlada remotamente apresentava uma configuração dos circuitos mais próxima de sua representação didática, diferente da situação experimental presencial. É possível notar que no quadro sinótico do experimento remoto os símbolos utilizados na representação didática são praticamente os mesmos. Já, com relação ao experimento presencial, os alunos deveriam estabelecer a relação de forma direta, sem a representação, haja vista que deveria ser manipulada a partir da interação direta com os elementos elétricos: fios, fonte, chaves, etc.

Figura 12 – Diferença do quadro sinótico do experimento presencial e do experimento remoto

Fonte: elaboração do autor.

Assim sendo, apelando para teoria vigostkiana de que os símbolos, bem como toda ou qualquer representação semiótica, constituem-se em ferramentas culturais que contribuem para o desenvolvimento da compreensão humana, a configuração do experimento controlado remotamente propiciou uma maior facilitação na mediação entre os conceitos científicos (cultura científica) e o universo cultural dos alunos.

Nesse aspecto, com relação ao resultado do desempenho nos testes de conhecimento, fica evidente que a realização da atividade experimental controlada

remotamente pode contribuir para a compreensão dos estudantes. É claro que reconhecemos que o manuseio direto do equipamento propiciado pela experimentação presencial convencional traz um desafio a mais para o estudante, oferecendo o desenvolvimento de habilidades únicas. Contudo, levando em conta que as habilidades relativas ao uso de novas tecnologias também são necessárias ao cidadão moderno que convive com a informação disponibilizada pelas novas tecnologias de informação e comunicação, acreditamos que o laboratório remoto também oferece recursos importantes para a formação dos alunos, não no sentido de substituição, mas de complementação às atividades presenciais convencionais.

Neste aspecto, vale a pena ressaltar que a partir dos resultados obtidos nos testes, aplicados antes e depois da atividade experimental realizada, na falta de recursos e infraestrutura para a implementação de laboratórios presenciais, os laboratórios remotos se mostram muito eficazes para apoiar o processo de ensino e de aprendizagem em sala de aula.