As estruturas multidimensionais são o componente central dos sistemas OLAP. São elas que dotam os utilizadores de liberdade de exploração dos dados permitindo-lhes reorganizar a disposição da informação assim como responder às necessidades de uma visão multiperspectiva dos factos. Estes modelos de dados são construídos com objectivo de permitir acções como: navegar nos dados a vários níveis de agregação, permitir mostrar e omitir perspectivas, usar funções de agregação, rodar as perspectivas, etc..
Se considerarmos fazer uma avaliação de uma análise de factos sobre três perspectivas, ou dimensões, podemos visualizar esses dados como um cubo. Esta analogia, que permite uma materialização visual do conceito, é uma imagem recorrente quando falámos das estruturas multidimensionais. No entanto, nos sistemas de processamento analítico reais o número de dimensões é, geralmente, superior a três. Para acautelar esta generalização para n dimensões, as estruturas dever-se-ão chamar hipercubos ou multicubos. Contudo a designação simplista de cubo é mais usual, mesmo quando a referência é a uma estrutura n > 3, devido, simplesmente, à sua empatia visual.
Um cubo de dado é uma projecção multidimensional resultante da combinação das coordenadas de cada eixo de análise, concretamente cada dimensão. Cada célula contém os valores correspondentes às métricas de negócio caracterizadas por essa combinação de coordenadas. Se considerarmos um exemplo tridimensional <Cliente; Produto; Tempo> e a métrica vendas, obteríamos um cubo como aquele que está apresentado na Figura 2.1. Estas estruturas foram propostas por Gray em 1997, como uma generalização dos operadores de SQL Group By; Cross- Tab e Sub-Totals (Gray et al., 1997).
Figura 2.1 – Exemplo de um cubo com três dimensões <Cliente; Produto; Tempo>
O conceito de dimensão é essencial para a compreensão dos dados multidimensionais. Com elas podemos seleccionar e agrupar os dados. Cada dimensão pode ter um ou mais atributos, sendo que estes estão organizados em uma ou mais hierarquias. As hierarquias são níveis de detalhe que o analista poderá escolher para a sua análise. Por exemplo, a dimensão „
tempo’
pode ter como hierarquiasDia -> Mês -> Semestre -> Ano
eDia -> Estação do Ano ->
Ano
(Figura 2.2).Para cada um destes níveis a dimensão tem um conjunto de instâncias - por exemplo, para
Mês
teremos {Janeiro; Fevereiro;…}, que são os valores das dimensões. A combinação de níveis, de cada dimensão, dá-nos a granularidade dos factos consultados, isto quer dizer, o grão da consulta será dado pelo valor do facto caracterizado pelas dimensões nos níveis de agregação escolhidos. Por exemplo, para o cubo que temos na Figura 2.1 se considerarmos a hierarquia tempo
Dia ->
Mês -> Semestre -> Ano
e considerarmos que o tempo da ilustração está ao nível deMês
, então a granularidade do cubo de exemplo seria “Produto por Cliente por Mês”, ou numa versão mais simplista, apenas com as iniciais (cpm). Além de detalharmos as dimensões e conseguirmos consultas com granularidades mais finas, também é possível obter uma granularidade mais grossa colapsando uma dimensão, ou seja, não escolhermos nenhuma instância (Nenhum (-)) para uma dada dimensão e, assim, serem consideradas todas as instâncias (em algumas situações em vez de aparecer nenhum para representar esta agregação, aparece “todos”). Por exemplo, no cubo que temos vindo a observar, se quisermos saber “As Vendas de todos os Produtos em todos os Meses”, a nossa consulta teria que considerar a agregação de todos os clientes, ou seja, (-pm), onde „–„ significa que não escolhemos nenhum nível da hierarquia de cliente e assim considerámos todas instâncias (Figura 2.3).Este tido de granularidade mais agregadora, geralmente, pode ser obtida a partir dos dados de granularidades mais finas. A sequência de níveis das hierarquias é a sequência de níveis de agregação numa dada dimensão. No seguimento deste conceito, de reutilização de dados gerados para o cálculo de dados mais agregados, surge a lattice de dependências proposta por Harinarayan, Rajaraman & Ullman (1996), que nos permite definir todas as agregações possíveis dentro do nosso conjunto de dimensões, assim como as respectivas dependências. Considerando o cubo que temos usado como exemplo
<Cliente; Produto; Tempo>
a lattice de dependências seria a apresentada na Figura 2.4.Figura 2.4 - Lattice de dependências do cubo <
Cliente; Produto; Tempo
>Esta estrutura permite-nos perceber que para três dimensões podemos considerar 23 cubos, sem, no entanto, considerámos qualquer nível respeitante a uma ou mais hierarquias. De uma forma genérica, para calcularmos o número de cubos possíveis para d dimensões com hi níveis sobre a
respectivahierarquia, poderemos usar a seguinte expressão:
∏
Através desta fórmula, podemos perceber que o crescimento do número de cubos possíveis é bastante acentuado conforme vamos aumentando o número de dimensões e respectivas
hierarquias. Por exemplo, se considerámos cinco dimensões com quatro hierarquias cada uma, seriam 4*4*4*4*4=1024 cubos possíveis. Uma estrutura gigantesca.
Numa perspectiva genérica vimos que o Hipercubo não passa de um conjunto de dados agregados de acordo com uma dada granularidade. Quando efectuamos uma consulta a um sistema de processamento analítico, estamos a definir um conjunto de vistas de dados que queremos visualizar. Estes dados são métricas agregadas segundo dimensões de análise – perspectivas de análise – que podem ser exploradas em diferentes níveis de agregação. Podemos assim considerar que as queries são vistas ou subcubos da estrutura disponível. Observando a lattice apresentada na Figura 2.4 conseguimos perceber que o grão da agregação (cpt) é menor do que, por exemplo, o da agregação (-p-) isto porque as dimensões