2.3 Models
2.3.4 Deep Feedforward Neural Network
2.3.4.1 Hyperparameters and Tuning
Os primeiros cursos de Fonoaudiologia, no Brasil foram instituídos antes da regulamentação da profissão. Segundo relatos de profissionais que participaram do
processo de implantação desses cursos (MEIRA, 2011; SPINELLI, 2001), um fato determinante para o início da profissão em nível superior foi a vinda ao Brasil do médico argentino, Julio Bernaldo Quirós, e sua assistente, Rosa Vispo.
Na Argentina, os cursos de Fonoaudiologia já eram aprofundados e, incentivando estudos da área e a instalação de cursos regulares durante sua estadia no Brasil, Quirós divulgava a Foniatria5 e a Fonoaudiologia, ministrando cursos e
palestras. Dessa forma, estabeleceu vínculos com várias instituições e formou muitos profissionais médicos e fonoaudiólogos.
Posteriormente, dois médicos brasileiros, Americo Paulo Morgante e Mauro Spinelli, foram para a Argentina para se especializar em Foniatria e, na volta ao Brasil, trabalharam em suas universidades de origem para a implementação dos cursos.
Assim, em 1961, surgiu o primeiro curso na Universidade de São Paulo, vinculado à Clínica de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina, denominado Curso de Ortofonia, procurando suprir a necessidade de especialistas qualificados em otologia e laringologia. O segundo curso teve início na PUC-SP, em 1962, vinculado à Clínica Psicológica do Instituto de Psicologia, atendendo a uma necessidade clínica dos psicólogos de reabilitar portadores de dificuldades de aprendizagem (FIGUEIREDO NETO, 1994, P. 75).
Inicialmente, ambos tinham duração de um ano e não havia vestibular; em 1964, a duração passou para dois anos e, para a seleção, os candidatos deveriam submeter-se a um teste psicológico; e em 1965, começou a ser aplicado um concurso vestibular doméstico, uma prova de seleção separada dos outros cursos. Em 1967, os cursos passaram a durar 3 anos e o da USP recebe a denominação de Curso de Fonoaudiologia. Ainda neste ano, foi criado o curso de Fonoaudiologia na Universidade Federal de Santa Maria – RS, e também teve início o curso da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1968, foi a vez da Escola Paulista de Medicina (atualmente UNIFESP) dar início ao seu curso, que também começou com
5 Segundo Amorim (1972, p. 108), Foniatria é a “Especialidade médica que estuda a linguagem humana e a audição sob o ponto de vista patológico. Estudo médico de Fonoaudiologia patológica. A
dois anos, passando posteriormente para três anos de duração. A partir de 1971, expandindo-se por todo o país, os cursos passaram a ter a duração de quatro anos e o vestibular passou a ser unificado, junto com outros cursos.
Esses avanços esboçavam uma configuração da área, que começava a lhe conferir, finalmente, um status de curso superior. Essa era mais uma preocupação dos profissionais da área, que até então eram vistos como tecnólogos, cumprindo a função de reabilitar distúrbios da comunicação e executar testes de audição; não eram profissionais autônomos, mas subordinados a outro profissional de nível superior de longa duração, notadamente médicos e psicólogos.
Simultaneamente à evolução da formação na área, os profissionais começavam a se mobilizar e se organizar em torno de questões práticas e pertinentes à área. Em 1962, com o aumento do número de profissionais em formação, foi fundada a primeira entidade de classe no Brasil, a ABF - Associação Brasileira de Fonoaudiologia, surgindo, posteriormente, diversas outras associações. Duas grandes lutas foram travadas por esses profissionais: a busca pelo reconhecimento dos cursos de Fonoaudiologia com status de curso superior e a regulamentação da profissão, que já tinha cursos de formação, mas cujo exercício ainda não era legalizado.
Segundo Meira (2011, p. 15 e 7), durante os anos de 1975 e 1976, foi travada uma árdua batalha junto ao Conselho Federal de Educação pela aprovação do plano de curso de Fonoaudiologia e do respectivo currículo mínimo. Essa luta começa a ser vencida com a aprovação dos primeiros cursos, sendo o de Santa Maria o primeiro, depois os da PUC, Campinas e São Paulo, e em seguida o da Escola Paulista de Medicina. O primeiro currículo mínimo foi aprovado em 8 de julho de 1976, abrangendo disciplinas específicas da Fonoaudiologia, “Além das matérias básicas, como anatomia dos órgãos fonoarticulatórios, neuroanatomia, fisiologia, fonética, fonologia, foniatria, patologia de linguagem e terapia de linguagem, havia as disciplinas mais abrangentes da área da saúde”.
Desde 1971, tentava-se regulamentar a profissão, e vários projetos de lei foram apresentados nesse sentido. A profissão era ainda desconhecida, gerando desinteresse por parte dos membros do Senado e do Congresso para legalizá-la.
Num período de dez anos de luta, após cinco tentativas frustradas, finalmente a profissão foi regulamentada pela Lei nº 6.965, em 9 de dezembro de 1981, sancionada pelo então presidente João Figueiredo. Com ela foram criados os Conselhos Federal e Regionais de Fonoaudiologia, cujas atividades se iniciaram em 1983, aprovando no ano seguinte o primeiro Código de Ética da Fonoaudiologia, determinando direitos, deveres e responsabilidades do profissional (AARÃO, 2011, p. 242).
A partir de meados dos anos 1970, verifica-se uma grande movimentação no sentido de firmar o aspecto científico da área. A partir de 1978, começam a acontecer congressos que provocaram o aumento dos trabalhos científicos, alavancando a produção científica na área. O primeiro livro em português da área, com o título “Fonoaudiologia geral”, foi publicado em 1972 por Antônio Amorim. Posteriormente, surgiram outras publicações de outros fonoaudiólogos engajados no desenvolvimento da Fonoaudiologia, no Brasil. Desse modo, tornou-se possível a indicação de bibliografia em português, já que anteriormente todo o material constava em outros idiomas. Nesta época, por iniciativa de Orozimbo Alves da Costa Filho, surgiu também o primeiro periódico, a revista Atualização em Fonoaudiologia. Desse modo, a área adentra a década de 1980 conquistando sua maturidade e em plena expansão.
Entre os fatores que influenciaram a área de Fonoaudiologia no final da década de 1960 e início da de 1970, o mais relevante foi o desenvolvimento do ensino superior no Brasil. Aliado ao desenvolvimento tecnológico e às mudanças sociais e econômicas, esse fator influenciou fortemente os programas de formação profissional na área, pois provocou a criação dos cursos de graduação e a criação dos de pós-graduação, ainda inexistentes.
Assim, em 1972, quando a expansão dos cursos de graduação pelo país se fortalecia, Orozimbo Alves da Costa Filho planejou e implantou o primeiro curso de pós-graduação stricto sensu da área no país: o programa de mestrado em Audiologia e Otologia, na PUC-SP. Em 1979, também na PUC-SP, teve início o programa de mestrado em Distúrbios da Comunicação, proposto e coordenado por Mauro Spinelli, e os dois programas fundiram-se “dando origem a um programa que
integrava as questões de audição e da linguagem, tal como está hoje, nomeado programa de Fonoaudiologia” (SPINELLI, 2001, p. 263). Posteriormente, surgiram outros programas de pós-graduação voltados para a formação de docentes e pesquisadores da área, a saber: em 1982 o da UNIFESP; em 1992 o da UFSM; em 1998 o do HRAC-USP; em 1999 o da UTP; em 2004 o da UVA; em 2005 o da FM- USP e o da FOB-USP. Além desses, recentemente foram criados outros quatro programas de pós-graduação na área: UNESP/Marília em 2011; UFPE em 2012; UFMG e FCMSCSP em 2013.