Os modelos de ciclo de vida organizacional assumem que as organizações passam por fases previsíveis. Existe uma infinidade de ciclo de vida, estágios e modelos evolutivos, muitos dos quais descritos nesta tese. Pode-se inferir que há pouca coerência, quer no número de elementos que definem estes modelos, quer nos componentes constitutivo destes elementos, que sofrem por ser linear, unidirecional, sequenciado e determinista. No entanto, é importante notar a partir desta análise, que não se conseguiu mostrar evidência moderada de padronização de relações entre os vários tipos de problemas e fase do ciclo de vida.
Nesta tese, a dimensão tecnologia/inovação, que representa a capacidade de aprendizado (capacidade de absorção), destaca-se com a categorização, pois oferece uma estrutura de organização útil para a discussão dos tipos de problemas que os gestores possam enfrentar em termos de decisões críticas para o desenvolvimento de suas organizações. Esta tipologia baseada em questão proporciona um avanço nas conceitualizações que identifica problemas específicos para estágios específicos, uma vez que permite a heterogeneidade observada de crescimento da empresa e caminhos de desenvolvimento: não há uma sequência padrão linear de estágios ou problemas, mas há um conjunto básico de questões chave que as empresas em crescimento pode esperar encontrar em algum ponto.
Miller e Friesen (1984) afirmam que os pontos críticos são evidenciados como a absorção de conhecimento e soluções com sucesso para atravessar os pontos de inflexão. Ao lidar com estes pontos críticos a empresa precisa aumentar sua capacidade de absorção. Há a imperiosa necessidade de investigação das principais questões confrontadas, que demanda insumos com novos conhecimentos para fornecer soluções para as crises e os desafios gerados.
A discussão da relevância das organizações se engrandecerem em vida longa através do ecletismo na gestão das organizações, com aplicações dinâmicas do fator comportamental, com a valorização da capacitação, criando-se elementos de adaptação ao
ambiente é condição sine qua non para o diferencial competitivo dessas empresas. Assim como uma funcionalidade subjacente capaz de conduzi-las a um tecido organizacional consistente e mutável, caracterizando-se como pré-requisito para a sobrevivência (MINTZBERG, 2007).
As organizações, contudo buscam criar um maior dinamismo entre o processo administrativo, a capacidade de absorção de informação do ambiente e capacidade tecnológica (DRUCKER, 1995; FERNANDES, 2005; HALL, 2004). Não obstante, do ponto de vista epistemológico, os estudos dimensionados nessa área não são conclusivos e sinalizam a necessidade de serem investigados empiricamente. Como já mencionado, a literatura em termos exploratórios ainda fica a desejar em estudos com questões tais como a longevidade, seus fenômenos e expectativas de vida organizacional.
A constatação, diante dos estudos realizados, afasta a ideia de uma sequência fixa linear de estágios de crescimento para um conceito mais multidimensional dos estados da empresa, onde 'crises' ou problemas podem ocorrer em diferentes pontos e pode se repetir ao longo da trajetória de crescimento da empresa. Embora o paradigma esteja atrelado a fatores multidimensionais, as dimensões estabelecidas nesta pesquisa – estrutura e processos, comportamento, estratégia, tecnologia/inovação e ambiente, são pertencentes a um grande número de estudos da dinâmica organizacional e se destacam pela presença no ecletismo da administração.
As perspectivas de maior longevidade para as empresas de pequeno porte surgem nesse cenário de grandes transformações. Mas, da mesma forma com que se identifica a importância da leitura de cenários e adaptação ao diagnóstico encontrado, também se revela a existência de essa empresa construir e semear a aproximação com as diversas facetas do ambiente (COLLINS, 2006).
Gramigna (2007) comenta essa relação não apenas diante de sua função econômica e funcionalidade administrativa, mas também com possibilidade de ser percebida pela sociedade diante de sua imagem organizacional, com a valorização da visão mercadológica. Logo, a empresa de referência é aquela que oferece a sociedade com práticas de gestão condizentes ao atendimento das expectativas de seus demandantes e sensível a responsabilidade social empresarial. A sobrevivência em ambientes competitivos, seja por crescimento ou permanecendo estática, traz consigo uma série de desafios de gestão. Os problemas são inevitáveis e as decisões imprevisíveis são inerentes às organizações, com isso os gestores devem desenvolver competências na supervisão de subordinados e delegação de
autoridade e responsabilidade, em suma eles devem ter a capacidade de mudar a natureza do seu papel.
As pesquisas atuais fornecem evidências de regressão das empresas se movendo para trás, para baixo da sequência - que nega uma metáfora orgânica. As empresas durante longos períodos, muitas vezes deixam de exibir a progressão do ciclo de vida comum que se estende do nascimento ao declínio. Além disso, a quantidade de tempo gasto pelas organizações no período de um pode variar consideravelmente (MILLER E FRIESEN, 1984).
Uma observação valiosa é que as variáveis de ambiente (situação), a estratégia, estrutura e métodos de tomada de decisão configure em gestalts50, e estes diferem uns dos
outros, mas enquanto essas configurações forem internamente coerentes, não estarão conectadas entre si por qualquer sequência determinística. Além disso, estruturas, estratégias, situações e métodos de tomada de decisão podem se tornar mais complexo nas organizações, mas a idade, por si só, não confere maior complexidade. Há empresas que não crescem e não se diversificam, mas simplesmente envelhecem, porque são menos propensas a encontrar estes desafios (MILLER e FRIESEN, 1984; CHURCHILL e LEWIS,1983)
No Brasil, as pesquisas constatam que 62,5% das empresas possuem idade inferior a 10 anos; 42,2% estão no mercado há menos de 5 anos; e 97% das empresas não alcançam 30 anos de longevidade (IBGE, 2008).
Este trabalho evidencia questões de CVO na condução das MPEs prestadoras de serviços, com mais de cinco anos de existência, consideradas na tese empresas longevas. Essa conceituação provém dos resultados de mortalidade das MPEs no Brasil até o período citado.