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HYLOMORPHISM – THE CLASSICAL FRAMEWORK FOR THE FORM-MATTER RELATIONSHIP IN ARCHITECTURE

In document Marcin Wójcik (sider 106-139)

Reframing as a trigger of material innovation in architecture

HYLOMORPHISM – THE CLASSICAL FRAMEWORK FOR THE FORM-MATTER RELATIONSHIP IN ARCHITECTURE

O primeiro passo para a construção da autonomia aqui retratada, ou pode-se dizer a autonomia sempre em construção nesta pesquisa aparece e determina as fases da história de vida da pesquisadora, e para mim, de qualquer sujeito. Paulo Freire define muito bem em sua obra a ―Pedagogia da autonomia‖ como é possível aplicá-la nesta prática.

Falar em autonomia pressupõe-se dizer que ninguém é sujeito da autonomia de ninguém (FREIRE, 1996), e sim que ela se autoconstrói por meio da valorização da curiosidade ingênua e crítica que o educador é capaz de provocar no educando, propiciando assim um ambiente de aprendizagem capaz de fazê-lo refletir, agir e

refletir novamente sobre sua ação. Isso que Freire chama de práxis19: ação, reflexão, ação.

É a práxis que levará o indivíduo à mudança. Mudança esta capaz de transformá-lo como pessoa a fim de transformar o mundo em que vive. Este primeiro passo, que a menina de onze anos resolve dar, mostra aqui o seu movimento de experimentação. Nesse ápice de transformação, é que entendemos o método de Paulo Freire como a educação que liberta, a educação libertadora do homem, aquele que conseguiu tomar consciência do seu lugar no mundo e interagindo com este mundo, por meio de suas ações, refletiu sobre elas e conseguiu transformar-se, transformando o seu espaço.

Este movimento não se dá por meio de uma linearidade no ensino- aprendizagem, como dizia Paulo Freire, por meio da educação bancária, onde ensinar não é transferir o conhecimento, nem tampouco amoldar o educando do corpo indeciso e acomodado, mas sim, criar as possibilidades para sua produção ou construção. Seria a menina capaz de amoldar-se, de buscar a sua nova forma, se o Diabetes Mellitus não tivesse aparecido na sua vida? Ela sentiria a sua casa sendo invadida por um ser estranho? Seria ela capaz de aprender, na prática, na vivência e no sofrimento as novas técnicas? Seria a sua casa invadida e sua consciência direcionada para múltiplos olhares e refúgios se não tivesse sido apresentada a um novo habitante desse seu lar?

Talvez não. A menina aqui tem um problema a administrar, que segundo sua ingenuidade, talvez não seja visto de uma forma tão severa. Mas a mãe consegue, com toda sua lucidez e delicadeza, transpor esta barreira, a fim de mostrar a filha a liberdade precisa para que seja capaz de agir, de errar, talvez se frustrar, mas jamais deixar com que sua casa se desmorone por inteira. A confiança entre mãe e

19 Práxis: Trata-se de um conceito básico que perpassa toda a obra de Paulo Freire. Está

intimamente ligado aos conceitos de dialogicidade, ação-reflexão, autonomia, educação libertadora, docência. Pode ser compreendida como a estreita relação que se estabelece entre um modo de interpretar a realidade e a vida e a consequente prática que decorre desta compreensão levando a uma ação transformadora. Opõe-se às ideias de alienação e domesticação, gerando um processo de atuação consciente que conduza a um discurso sobre a realidade para modificar este mesma realidade. A ação é precedida de conscientização, mas gerada por esta leva à construção de outro mundo conceitual em que o indivíduo se torna sujeito e passa a atuar sobre o mundo que o rodeia.

filha, educador e educando aqui se instala e a menina aprende com ela mesma que o Diabetes Mellitus passará a ser a sua cartilha disciplinar.

Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. Por isso a ação dialógica defendida por Freire, a troca de saberes e consequentemente, a formação permanente, e permanente para ambos, pois nas condições da verdadeira aprendizagem educando e educador vão se transformando em sujeitos da construção e reconstrução dos saberes da vida. Quando a mãe propõe à filha viver a experiência da aplicação da insulina e coloca-se ao seu lado, imediatamente ela proporciona segurança e aposta na sua escolha. A menina sente-se liberta para agir e experimentar algo que na sua vida como diabética é novidade. O acolhimento para esta experiência, que veio da educadora, no caso a sua própria mãe, apresenta aqui uma primeira vivência interdisciplinar, e cuja dialogicidade freiriana afirma que educadora e educanda aprendem e ensinam com este ato.

Fazenda (2011)20 diz que ―a Interdisciplinaridade pauta-se numa ação em movimento. Esse movimento pode ser percebido em sua natureza ambígua, tendo a metamorfose, a incerteza como pressuposto‖.

E assim, mãe e filha integram seus saberes e a autonomia se revela exatamente neste movimento, quando, conscientes dos seus atos reflexivos, educadora e educanda criam espaços de aprendizagem, nos quais, de fato, emerge a aprendizagem significativa. Considerando não só a beleza e as verdades do mundo, mas também suas mitificações, suas contradições, suas dificuldades, e com estas, a capacidade de passar à menina a falsa percepção de um mundo harmonioso, a fim de que ela, intervindo neste mundo, seja capaz de conhecê-lo e transformá-lo (FREIRE, 2011). Neste momento a menina descobre que é capaz e se transforma em agente transformadora da sua história.

É nesse sentido que o educador democrático deve ter como princípios a humildade, a persistência, o respeito aos saberes do educando, considerar suas experiências de vida, a autoridade coerentemente democrática, a segurança, a

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Aula proferida pela professora Ivani Catarina Arantes Fazenda em agosto de 2011 no Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Interdisciplinaridade da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

competência, o comprometimento e a generosidade. Essa composição, jamais minimizará a liberdade do educando em pensar e agir, ao mesmo tempo em que, no alvoroço de suas inquietações, na dúvida que os instigará e na esperança que os despertará, teremos instalado nesse cenário uma educação como prática de liberdade, que liberta o homem para a vida, para o pensar, para a intervenção e para a reconstrução.

E como manter viva esta chama, a fim de que o sujeito, o aluno, o educando seja capaz de desbravar a sua liberdade como sujeito transformador do seu mundo em todas as etapas da sua vida? Esta autonomia se constrói ao longo da vida? O que é necessário para esta motivação perpetuar?

In document Marcin Wójcik (sider 106-139)