Não vamos e s que ce r que os home ns e voluír am como caçador e s e não como comunicadore s . Durante a caça, s ó utilizavam sinais não- verbais e muitas vezes fic a va m hor a s e hor a s e m s ilê nc io à e s pe r a da pr e s a . O home m mode r no, qua ndo vai pe s c a r c om os a migos , ta mbé m fic a muito te mpo imóve l, s e m fa la r . Gos ta de estar junto deles, mas não vê necessidade de dizer is s o. Re união de mulhe r e s é diferente: se es tiverem caladas, é sinal de problema grave. Homens s ó ace itam mais proximidade quando o compartime nto de s e u cére bro onde fica a comunicação se abre - depois de muitas doses de bebida.
OS MENINOS E A ESCOLA
No come ço, os me ninos não se saem tão be m na es cola porque sua capacidade ve r bal é infe r ior à das me ninas . Idiomas e ar te s não s ão s e u for te . Ele s se sentem inferiores às garotas , que s ão mais comunicativas , e come çam a tumultuar as aulas. A idéia de e ntrare m na escola um ano mais tarde que e las , quando o desenvolvimento da linguagem de todos estiver no me s mo níve l, faz bastante s e ntido. Os me ninos fic a r ia m ma is c onfia nte s e me nos intimida dos c om a fluência das meninas.
Anos depois, as me nina s fic a m pa r a tr ás e m Fís ic a e Ciê nc ia s , que e x ige m me lhor habilidade espacial. As tur mas de r e cupe r ação das clas s e s de alfabe tização e s tão c he ia s de me ninos c ujos pa is pr e oc upa dos r e za m e tor c e m pa r a que um dia apre ndam a ler, escrever e falar corre tame nte . Qua nd o chega a vez de Física e Ciê nc ia s a s me nina s não s ão tão pre s s ionadas e s imple s me nte s e de dicam a outras matérias .
Na Inglate r r a, vár ias e s colas têm tur mas s e par adas par a me ninos e me ninas em algumas cadeiras, como Inglês , Mate mática e Ciências . Na Schenfield High School, em Essex, por exemplo, houve uma prova de Mate mática em que as meninas responderam a questões que tratavam de jardinage m, e nquanto os problemas dos me ninos e stavam ligados a lojas de ferragens. Esse tipo de separação tir a pr ove ito das aptidõe s natur ais dos cér e br os mas culinos e fe mininos , e os resultados s ão impre s s ionante s . Como as diferenças s ão respeitadas nessa escola, em Inglês os me ninos conseguiram notas quatro vezes mais altas que a média nacional. Em Ma te mátic a e Ciê nc ia s a s me nina s a lc a nça r a m qua s e o dobr o da pontuação das colegas de outras e s colas .
POR QUE AS MULHERES FALAM T ANT O?
No cére bro da mulhe r, a fala te m duas áreas específicas: a principal fica localizada na pa r te fr onta l do he mis fé r io e s que r do e a outr a , me nor , no he mis fé r io dir e ito. O fato de te r e m os ce ntr os de fala e m ambos os lados do cér e br o tor na as mulhe r e s boa s de c onve r s a . Ela s fa la m muito e gos ta m. E c omo a fa la é r e s tr ita a áreas específicas, o cér e br o fica livr e par a e x e cutar outr as tar e fas , pe r mitindo que façam várias cois as ao me s mo te mpo.
Pesquisas re ce nte s de mons tr a m que , qua ndo a mulhe r gr ávida fa la , s ua voz re s s oa pe lo corpo e che ga aos ouvidos do be bê e m s e u úte ro. Ele , e ntão, apre nde a reconhecer a v o z d a mãe . Um r e c é m- nas cido de ape nas quatr o dias já é capaz de dis tinguir padr õe s de fala de s ua língua nativa de outros de uma língua e s trange ira. Aos quatro meses, bebes percebem movime ntos labiais associados aos s ons das vogais . Ante s do prime iro anive rs ário, come çam a associar palavras a seus s ignificados . Aos 18 me s e s , têm um pe que no vocabulár io que , aos dois anos , já s e expandiu bas tante , chegando, no caso das me ninas , a duas mil palavras. T anto intelectual quanto fisicamente, é um resultado impre s s ionante , se comparado à capacidade de aprendizagem do adulto.
A região do cére bro específica para a fala é que fa z c o m que a s me nina s apre ndam outros idiomas com mais r apide z e facilidade que os me ninos e e x plica também sua superioridade em gramática, pontua ção e or togr a fia . Em 2 5 a nos de s e minários em vários país e s , poucas vezes tive mos a tradução s imultâne a de nossas palestras feita por homens - geralmente foram mulheres.
Pesquisa realizada no Reino Unido em 1998 confirmou a pre dominância feminina em matérias em que é exigida sólida capacidade verbal. O núme r o de professoras de línguas e artes cênicas é de longe superior ao de professores.
HOMEM FALA SOZINHO E MULHER PENSA ALT O
O home m e voluiu com tr ês r e s pons abilidade s : gue r r e ar , pr ote ge r e r e s olve r pr oble mas . A or ie ntação de s e u cér e br o e o condicioname nto s ocial o impe de m de d e mo ns t r a r me d o o u d úvid a . É por is s o que , qua ndo s e pe de a um home m a juda para resolver um proble ma, ele diz "vou pensar" ou "deixa comigo". E é e xatame nte o que faz: fica pe ns ando e m s ilêncio, s e m qualque r e xpre s s ão no ros to. Só volta a fa la r ou de mons tr a r a nima ção qua ndo e nc ontr a a re s pos ta. A conve rs a do home m s e pas s a de ntr o da cabe ça, por caus a de s ua dificuldade e m ve r balizar . Se for fe ita uma tomografia do cére bro de um home m e nquanto e s tá calado, quie to, com o olhar pe r dido, vai dar par a ve r que conve r s a cons igo me s mo. A mulhe r , a o vê- lo as s im, pe ns a que e s tá aborre cido ou s e m te r o que faze r e te nta ajudar: puxa conversa ou lhe dá uma ocupação.
Mas ele fica zangado, não gos ta de ser inte rrompido. Co m o s e s a b e , n ão consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo.
Em um de nos s os s e min ários , um participante contou:
- Minha mulhe r me de ixa maluco quando te m um proble ma para re s olve r. Ela fala s e m parar, mis turando opçõe s , pos s ibilidade s , compromis s os e lugare s . Eu fico completamente perturbado, não consigo me concentrar em nada!
O c é r e br o fe minino já ve m e s truturado para us ar a fala como principal forma de expressão, e essa é uma va nta ge m. O home m, c om vár ios c ompr omis s os pe la fre nte , diz: "Tenho muito o que faze r... te vejo mais tarde." A mulhe r verbaliza, menciona todas as suas tarefas, pensando nas opçõe s , mas sem estabelecer prioridades. Ela diz: "Vamos ver: te nho que pe ga r a r oupa na la va nde r ia , le va r o car r o par a a oficina... ah, o Ray ligou, dis s e que que r falar com você... e pas s ar no Cor r e io par a apanhar a e ncome nda. Acho que também vou..." É por e s s as e outr as que os homens reclamam que as mulheres falam demais.
Para a mulhe r, pensar em voz alta é um mo do de a g r a da r e c o mpa r t ilha r , mas o home m não e nte nde as s im. Acha que e s tá s e ndo bombar de ado por uma lis ta de problemas para r e s olve r . Fica ne r vos o, impacie nte e te nta or ganizar as cois as . Em reuniões de trabalho, a mulhe r que pensa alto é vis ta como incons e qüe nte , alienada ou indisciplinada. No mundo dos ne gócios, para impre ssionar a ala mas culina, a mulhe r de ve calar s e us pe ns ame ntos e s ó fa la r qua ndo c he ga r a uma conclus ão. Em um relacionamento, os parceiros precisam tomar consciência de suas maneiras diferentes de e nfre ntar s ituaçõe s . O home m deve entender que , quando a mulhe r fala s obr e um pr oble ma, não e s pe r a que a r e s pos ta lhe traga uma
s olução. E a mulhe r de ve compre e nde r que o s ilêncio do home m não que r dize r que alguma coisa esteja errada.
MULHERES FALAM, HOMENS QUEREM SOSSEGO
Na cabeça da mulhe r , um r e la c iona me nto c om ba s e no diálogo é pr ior ida de . Para ela, que usa p o r d ia em mé dia de 6 .0 0 0 a 8 ,0 0 0 pa la vr a s , ma is de 2 .0 0 0 a 3.000 s ons vocais e 8.000 a 10.000 ge s tos , expressões faciais, movime ntos de cabeça e outros sinais de linguagem corporal, é tudo muito fácil. São mais de 20.000 "palavras" para comunicar a me ns age m. Por is s o, a Britis h Medicai As s ociation recentemente informou que as mulheres s ofre m quatro vezes mais problemas nas cordas vocais do que os homens.