6.4 Å se den andre og samtidig kjenne på det og tåle det
6.4.3 Hvorfor gi av seg selv?
Diversos autores destacaram a importância da influência e/ou determinação dos fatores culturais e estruturais nos comportamentos de saúde. Esses fatores envolvem o ambiente familiar (RIBEIRO; SOUSA, 2002), as organizações de trabalho (MATOS et al, 2004; NASCIMENTO; MENDES, 2002; MARTINEZ, 2006; WHO, 2008a), as escolas e as cidades, assim como ações político-econômicas (BRASIL, 2002a; 2002b; WHO, 2008b).
Entre os diversos ambientes de socialização, as organizações e o mundo do trabalho são ambientes fundamentais para ampliar a efetividade das estratégias de promoção de saúde e prevenção de doenças. Como o ser humano passa cerca de 65% de seu tempo de vida no ambiente de trabalho, torna-se o local ideal para que ele aprenda o que não aprendeu na escola ou com a família, já que só a partir da educação é possível efetivamente prevenir doenças. Além disso, é nesse ambiente que se dão diversas aprendizagens e interações significativas (normas, cultura organizacional, suporte organizacional) que podem influenciar o sistema de crenças e de valores das pessoas, além de contribuir para a formação de hábitos e de comportamentos individuais ou grupais que são, muitas vezes, replicados e difundidos. Assim, o desenvolvimento de programas de saúde de caráter preventivo, com enfoque na mudança do estilo de vida, pode ser um meio eficaz para sensibilizar o indivíduo quanto à mudança de hábitos de vida nocivos à saúde (MATOS et al, 2004, p.4).
As estratégias desenvolvidas no ambiente de trabalho podem influenciar os comportamentos de saúde de grande proporção da população economicamente ativa (WHO, 2008a; 2008b; QUINTILIANI; SATTELMAIR; SORENSEN, 2008). Isso significa influenciar aproximadamente 65% da população global acima de 15 anos, além de possibilitar a realização de estudos e intervenções em múltiplos níveis. Conseqüentemente, nos últimos anos, os locais de trabalho passaram a atrair interesse como lugar potencial para estudos causais e de intervenções, com alvo para a modificação de comportamentos precursores de doenças não específicas da função ocupacional, como dieta, exercícios e tabagismo.
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A OMS, por meio do Fórum Econômico Mundial /FEM (WHO, 2008a, p.5), estimula a promoção da saúde física e mental por meio da criação de ambientes propícios para a prática de atividade física e para uma alimentação adequada no ambiente de trabalho, pois as organizações são um contexto importante na adoção, manutenção e disseminação desses hábitos. O Plano Global de Ação para Trabalhadores Saúde 2008-2017 (WHO 2008, p. 8) prioriza a promoção da saúde física (por meio da dieta e da atividade física) e da saúde mental no ambiente de trabalho, defende a importância do suporte organizacional para que possibilitar as escolhas subjacentes aos comportamentos de saúde:
As pessoas precisam ter a oportunidade de fazer escolhas saudáveis no ambiente de trabalho a fim de reduzir sua exposição ao risco. Além do mais, os custos de morbidade dos trabalhadores atribuídos às doenças não- transmissíveis cresceu rapidamente. O ambiente de trabalho deveria possibilitar escolhas para alimentação saudável e apoiar e encorajar a atividade física . (WHO, 2004, p.8).
As seguintes sugestões são apresentadas pela OMS para que as organizações ofereçam suporte e incentivo na promoção e manutenção dos comportamentos de saúde relacionados à alimentação balanceada e à prática de atividade física (WHO, 2008a, p.28):
adicionar opções de alimentos saudáveis disponíveis nas cafeterias; oferecer oportunidades para a prática de atividade física, incluindo a estrutura;
expor dicas de saúde relacionadas à alimentação e à prática de atividade física em pontos estratégicos, como cartazes alertando sobre os benefícios de se utilizar as escadas ao invés do elevador; e
fornecer acesso a facilidades de conveniência como salas de ginástica, vestiários e chuveiros.
O suporte ambiental ainda inclui diferentes fatores relacionados aos níveis individual (estresse diário), interpessoal (interações sociais) e societal (políticas), como estilos de gestão. Ainda de acordo com a OMS (WHO, 2008a) esse suporte pode fornecer os seguintes resultados organizacionais:
melhoria do nível de saúde física e mental dos funcionários; promoção de uma imagem positiva da organização;
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aumento da motivação;
redução do turnover e do absenteísmo; aumento da produtividade; e
redução do nível de doenças e seus custos diretos e indiretos.
Como sugestão de estudos e pesquisas, esses organismos demandam a elaboração de instrumentos de medida validados, de fácil aplicação e baixo custo, para explorar as evidências das intervenções no sentido de implementar a atividade física e a dieta saudável em diferentes localizações geográficas, e que levem em conta questões como a interferência das normas sociais junto aos diferentes comportamentos de saúde (WHO, 2008, pag. 5).
A seguir, foram destacados alguns estudos nacionais que procuraram identificar a prevalência das doenças crônicas não-transmissíveis ou de seus fatores de risco no ambiente de trabalho.
Chor (1998) procurou caracterizar os comportamentos e a aderência às prescrições de tratamento de funcionários sabidamente hipertensos e que, em princípio, deveriam apresentar comportamentos e estilo de vida de modo a controlar a pressão arterial. A amostra foi composta por 1183 funcionários de um banco estatal entre agosto e dezembro/94, com dados coletados por meio de questionário autopreenchido no próprio ambiente de trabalho, composto por perguntas sobre a medida de pressão arterial, relato autoreferido de hipertensão arterial e outros fatores de risco para doenças cardiovasculares (consumo de fumo e de álcool, atividade física, de lazer e comportamento alimentar). Foram feitas medidas de peso e altura em 322 funcionários selecionados aleatoriamente dentre os respondentes, tendo sido observada alta proporção de sobrepeso e obesidade entre os funcionários hipertensos. A autora verificou que, quanto à prevalência de tabagismo, consumo de álcool e prática regular de atividade física, não houve diferença significativa entre hipertensos e não hipertensos. Além disso, o acesso à informação e a serviços de saúde não foi suficiente para a mudança do estilo de vida ou para a adoção de comportamentos de saúde que contribuíssem para a prevenção ou o controle da hipertensão.
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Castro (2005) pesquisou 32 trabalhadores de uma universidade pública em Fortaleza-Ceará para verificar a relação entre o conhecimento acerca do controle/ manutenção da pressão arterial dentro dos parâmetros normais e o estilo de vida adotado, tendo verificado que, apesar dos trabalhadores conhecerem as mudanças que deveriam ser empreendidas para prevenção da hipertensão, esse conhecimento não se reflete nos comportamentos e hábitos adotados.
Nascimento e Mendes (2002) verificaram fatores de risco para doenças crônico-degenerativas em trabalhadores (184 indivíduos entre 35 a 39 anos, com predominância do gênero feminino) de um Centro de Saúde-Escola de Ribeirão Preto. Quanto ao estilo de vida dos indivíduos, foram analisados os hábitos alimentares, os padrões de eliminação, de sono, descanso, estresse e fumo, e a prática de atividade física, além da realização de exames de saúde periódicos. Foram encontraram 61,9% com sobrepeso e obesidade, 33,1% com hipertensão, 22,3% com pressão arterial acima do normal. A obesidade mostrou-se presente em mais da metade dos indivíduos com pressão arterial alterada. As autoras concluíram pela importância do autocuidado e auto-responsabilidade visando à melhoria da qualidade de vida.
Matos et al (2004) procuraram determinar a prevalência de fatores de risco para doença cardiovascular em 970 funcionários do Centro de Pesquisas da Petrobras. Em um total de 1.191 empregados, foi encontrada elevada prevalência de fatores de risco para doença cardiovascular em indivíduos considerados jovens (sedentarismo, 67%; colesterol > 200 mg/dl, 56,6%; sobrepeso, 42%; obesidade, 17%; hipertensão arterial, 18,2%).
Martinez (2006) pesquisou os fatores associados à hipertensão arterial e ao diabete em 3.777 trabalhadores de empresa metalúrgica e siderúrgica com unidades em São Paulo e Rio de Janeiro, mediante um modelo hierárquico de risco por meio de um estudo transversal com dados relativos a variáveis demográficas, ocupacionais, estilo de vida, perfil lipídico, glicemia de jejum e pressão arterial, tendo encontrado prevalência de hipertensão em 24,7% da amostra (com maior risco para o sexo masculino acima de quarenta anos), além de prevalência de estresse, sedentarismo, consumo de álcool, sobrepeso e alterações do perfil lipídico considerando prioritária a intervenção nesse público.
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A maioria dos artigos indexados encontrados são estudos de prevalência e foram publicados em revistas da área de Ciências da Saúde, confirmado uma preocupação ainda biológica do tratamento do assunto. A realização de pesquisas em outras áreas do conhecimento, em especial das ciências sociais e humanas, poderá colaborar para o estudo dos comportamentos de saúde sob diferentes óticas e modelos de investigação.