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8 Resultater

8.11 Kriminell atferd; registrert med andre straffbare forhold

As artérias endometriais originam-se das artérias radiárias internas,

ramos das artérias arqueadas que atravessam o miométrio, paralelamente à superfície uterina. As artérias radiárias internas (Figs.79; 80 e 81) apresentam uma espessa túnica muscular, intimamente envolvida pelas fibras miometriais.

Ao penetrar na camada basal do endométrio, cada artéria radiária toma o nome de artéria basal, dando origem às arteríolas basais, de trajecto recto.

201

A OGURA e T NISHIDA (1988)

Fig.80 - Artéria radiária e ramos de origem das artérias endometriais, observados à lupa

estereoscópica, em corte transversal do corpo uterino humano, após injecção arterial de

Micropaque®, diafanização e transiluminação

com 30º de inclinação (x10)

Fig.79 - Artéria arqueada, originando artérias radiárias e ramos de origem das artérias endometriais, observados à lupa estereoscópica,

em corte transversal do corpo uterino humano, após injecção arterial de Micropaque®, diafanização e transiluminação com 30º de inclinação (x10)

Ao chegar à camada funcional do endométrio, cada artéria basal origina arteríolas terminais, espiraladas, responsáveis pela vascularização da camada funcional. (Figs.81 e 82)

A túnica média dos ramos arteriais uterinos é mais densa e mais desenvolvida a nível dos vasos miometriais, verificando-se adelgaçamento por desaparecimento progressivo do componente de fibras elásticas desta camada, à medida que as artérias atravessam a junção mio-endometrial, até ao endométrio superficial.202

No endométrio prépubertário, a rede arterial é constituída por arteríolas curtas e rectas. As arteríolas espiraladas surgem apenas na puberdade, sob influência hormonal.

Com o aumento de espessura da túnica endometrial ao longo do ciclo menstrual, as arteríolas terminais crescem em comprimento. Mas como esse crescimento arteriolar é mais rápido que o crescimento da camada funcional do endométrio, resulta a formação de espirais por enroscamento,

o que levou William HUNTER (1774) 203 a denominar estas arteríolas

terminais de arteríolas espiraladas (“coiled”), devido ao seu característico aspecto «enroscado» (Figs. 83 e 84).

202

KA STARZYC et al (1999) 203

citado por CM SALAFIA e R PIJNEBORG (2000)

Fig.81 – Artéria radiária interna de útero humano, observada em

microscopia electrónica de varrimento, após injecção arterial de

Mercox® e corrosão completa do parênquima (x15 – barra = 1mm).

Fig.82 – Artéria radiária interna humana

representação esquemática da ramificação arterial.

O grau de enroscamento é máximo por volta do 24º dia do ciclo, sob influência da progesterona. As arteríolas espiraladas da camada funcional do endométrio são mais reactivas a influências hormonais do ciclo menstrual, contrariamente às arteríolas rectas da camada basal, que são muito menos reactivas. 204

E. DEBIASI (1962) demonstrou que todas as arteríolas uterinas são espiraladas, independentemente da sua localização (serosa, miométrio, ou

endométrio) (v. Fig.93). KM ABBERTON 205 refere que o grau de

enroscamento das arteríolas espiraladas depende da concentração em alfa- actina das fibras musculares lisas da sua parede, que varia consoante as camadas histológicas da parede uterina. A distribuição de alfa-actina em torno da parede das arteríolas endometriais, varia ao longo do ciclo menstrual. Verifica-se ainda uma maior concentração de certos factores promotores da angiogénese, como o factor de crescimento endotelial (β-TGF), ou a endotelina, na proximidade da parede arteriolar, nas fases proliferativas do ciclo menstrual, decrescendo depois com a idade e na menopausa.

Demonstra-se heterogeneidade dos componentes histoquímicos da membrana basal microvascular, verificando-se desaparecimento gradual

204

M APPLEBAUM (2000) 205

KM ABBERTON et al (1996; 1999)

Fig. 83 – Artérias espiraladas humanas, observadas

em secção transversal da parede do corpo uterino, após injecção vascular de Micropaque®, diafanização e

observação em lupa estereoscópica sob transiluminação.

Fig.84 – Arteríolas espiraladas da camada funcional do miométrio humano, observadas em microscopia

electrónica de varrimento, após injecção arterial de

dos proteoglicanos durante a fase menstrual, o que parece indicar o seu papel na remodelação vascular das fases pós-menstruais do ciclo.206

De modo semelhante ao que efectuámos em todos as camadas uterinos, analisámos, no nosso trabalho de investigação, as características macroscópicas e microscópicas dos vasos endometriais humanos:

Na maioria dos casos analisados, verificámos haver entre o miométrio e o endométrio, uma brusca transição para zonas mais “pauci- vasculares"207, tornando mesmo por vezes difícil a observação da rede capilar da camada funcional (luminal) da túnica mucosa (Fig. 85 e 86).

206

FD KELLY et al (1995) 207

Termo utilizado no sentido da muito menor densidade vascular

Fig.85 – Brusca transição para zonas menos densamente vascularizadas, tal como caracteristicamente

observada a nível do corpo uterino humano, após injecção arterial de Micropaque®, secções transversais, diafanização e observação em lupa estereoscópica sob transiluminação com 45º de inclinação. (x30)

Fig.86 – Aspecto característico da vascularização endometrial, exibindo brusca transição para zonas de menor densidade vascular, tal como caracteristicamente observado a nível do corpo uterino humano, após

injecção arterial de Micropaque®, secções transversais, diafanização e observação em lupa estereoscópica sob transiluminação transversal. (x40)

Camada basal do endométrio

Camada funcional do endométrio

Cavidade uterina Camada basal do endométrio Cavidade uterina Transição miometrio- endometrial Camada funcional do endométrio

Tal dado de observação, sobreponível a anteriores observações efectuadas por anatomistas dos séculos XVIII e XIX, corresponde certamente a observações efectuadas com baixas ampliações.

Outra razão para esta súbita diminuição de densidade do tecido vascular uterino, a nível da túnica mucosa, poderá corresponder a observações efectuadas em fases de regressão histológica, ditadas pelas variações hormonais do ciclo menstrual.

Por esse motivo, uma vez delineado o padrão de estratificação vascular por diafanização, procedemos à análise cuidadosa da micro-angio- arquitectura da camada funcional do endométrio, sempre com ampliações superiores a 30x, e dando preferência à injecção de produtos que reconhecidamente atravessem o lume capilar, como é o caso do Mercox®208. (v. Figs. 90; 95; 96)

a) – A nível da camada basal do endométrio, observámos como padrão característico, a origem das artérias espiraladas, ramos terminais das artérias radiárias, ou dos colaterais mais longos destas mesmas artérias (Fig. 87).

208

O Mercox é uma resina acrílica (metil- metacrilato) de baixa viscosidade, especificamente produzida no Japão para uso em Microscopia Electrónica, cujas partículas esféricas facilmente atravessam capilares de 5,6± 1,9 μm de diâmetro (FE HOSSLER, 1998).

Fig.87 – Artérias espiraladas na camada basal do endométrio, originadas nos ramos terminais das artérias radiárias, observadas a nível do corpo uterino humano, após injecção arterial de Micropaque®, secções

b) – A nível da camada funcional do endométrio, o aumento do poder de resolução do microscópio, faculta a observação das artérias espiraladas (Figs. 88; 89 e 90).

Fig.88 – Artérias e arteríolas espiraladas na camada funcional do endométrio, observadas a

nível do corpo uterino humano, após injecção arterial de Micropaque®, secções transversais,

diafanização e observação em lupa estereoscópica sob transiluminação transversal. (x20)

Fig.89 – Artérias espiraladas da camada funcional do endométrio, observadas a nível do

corpo uterino humano, após injecção arterial de

Micropaque®, secções transversais, diafanização

e observação em lupa estereoscópica sob transiluminação com inclinação de 45º. (x40)

Fig.90 – Artérias espiraladas do endométrio,

observadas a nível do corpo uterino humano, após injecção arterial de Mercox®, corrosão e

observação em microscopia electrónica de varrimento. (x75; barra – 100μm)

Um dos aspectos que nos mereceu atenção foi certamente o facto de, independentemente da qualidade ou da técnica de injecção vascular, a densidade vascular do endométrio em artérias espiraladas e em ansas vasculares nos parecer variar substancialmente consoante a idade ou a fase do ciclo menstrual. Será esse um dos parâmetros mais interessantes de análise em estudo experimental.

Nas diversas observações em lupa estereoscópica, de endométrios humanos diafanizados após injecção arterial de Micropaque®, surgiu-nos a dúvida, perante a densidade vascular, se na realidade, alguns dos vasos espiralados não seriam vénulas espiraladas, a par das artérias espiraladas (Fig. 91 e 92).

Fig.91 – Vasos espiralados do endométrio humano, observados a nível do corpo uterino,

após injecção arterial de Micropaque®, secções transversais e diafanização. (x30)

Fig.92 – Vasos espiralados do endométrio humano, observados a nível do corpo

Ainda outro dos aspectos com interesse foi a observação, coerente com os achados de DEBIASI (1962), de encontrarmos artérias espiraladas em todos os estratos histológicos do útero, como exemplificado na Fig. 93, em que se observam vasos espiralados a nível subseroso, no fundo uterino humano.

Na região luminal da camada funcional do endométrio, as artérias e arteríolas espiraladas originam numerosos capilares colaterais e terminais (Fig. 94).

Fig.93 – Vasos espiralados humanos, observados a nível subseroso no miométrio do corpo

uterino, após injecção arterial de Micropaque®, secções transversais e diafanização. (x10)

Fig.94 – Vasos espiralados humanos originando ramos colaterais, observados em

lupa estereoscópica a nível do endométrio do corpo uterino, após injecção arterial de

Em resultado da ramificação das arteríolas espiraladas, verificam-se anastomoses artério-venosas e a resultante REDE CAPILAR, disposta em torno das aberturas das glândulas endometriais (Fig. 95 e 96)

Será importante contabilizar a densidade em ansas vasculares e o grau de espiralização vascular endometrial, analisando esses aspectos em termos da criteriosa pesquisa de parâmetros morfológicos indicativos do estado hormonal do endométrio. Para esse efeito, elaborámos protocolo de experimentação animal em que, para além da observação das variações ao longo da vida e das diversas fases do ciclo hormonal feminino, propomos igualmente observação após administração exógena de produtos hormonais correntemente empregues em Ginecologia.

Fig. 95 – Vasos espiralados da camada basal de endométrio humano de 27 anos, observados

em microscopia electrónica de varrimento, a nível do corpo uterino, após injecção arterial de

Mercox® e corrosão. (x15; barra – 1mm)

Fig.96 – Rede capilar da camada funcional de endométrio humano de 27 anos,

observada em microscopia electrónica de varrimento, a nível do corpo uterino, após injecção arterial de Mercox® e corrosão.