5. I NNTEKTSESTIMERING
5.4 Hvorfor denne modellen?
Situada na esquina de duas movimentadas ruas em um bairro nobre de Fortaleza, os muros da escola destacam-se dentre as demais edificações ali presentes, altos condomínios
128 residenciais. Muros azuis, decorados com desenhos representando crianças, a natureza e sua integração com a tecnologia - há uma menina utilizando um notebook ligado em uma árvore. A estrutura da escola divide-se em Casa, onde são feitas as aulas, e Quintal, espaço de terra com horta cultivada pelas crianças, espaço para jogar bola e pátio coberto para a brincadeira com sucata. A imagem a seguir é da entrada da escola. Observamos a jardinagem e o cuidado com uma estética mais rústica, fato valorizado positivamente pelos pais dos alunos (figura 1).
Figura 1 – Corredor de entrada
Fonte: Escola Vila (2012). Arquivo da autora
Seguindo mais adiante no corredor e olhando à direita nos deparamos com representações angelicais incomuns, na figura 2.
Figura 2 – Lateral do corredor
Fonte: Escola Vila (2012). Arquivo da autora
Os anjos, elementos da religiosidade cristã e, principalmente, católica, normalmente apresentam caracteres de fenotipia branca, cabelos louros e olhos azuis. O caso nos remete ao texto de Meyer (2006) e suas reflexões sobre uma menina de três anos, aluna do pré-escolar,
129 que não queria mais ir à escola por lá ter descoberto que não poderia ser um anjo. Após exame da escola, compreendeu-se que a interpretação da criança se deu a partir das representações que povoavam o ambiente católico, de anjos louros, de pele clara, meninos ou figuras de gênero indeterminado.
É possível compreender então que o anjo de representação fenotípica negra aparece questionando uma imagem clássica. Tal representação, contudo, nos faz refletir um pouco mais: sendo o anjo referente a uma matriz cristã, que outros elementos ligados à religiosidade podem ser encontrados na escola? Embora seja possível interpretar a imagem do anjo negro como uma contestação aos padrões hegemônicos na direção da afirmação do negro, questionamos a possibilidade da presença de elementos de outras religiosidades na escola. Pendurados no teto de um pátio mais interno há “Apanhadores de Sonhos”, que são estruturas circulares enfeitadas com o formato de uma teia, relativos à cultura indígena. A lacuna se faz sentir quanto à presença de algum elemento da religiosidade de matriz africana.
Seguindo o corredor, chegamos ao espaço da Casa (Figura3), onde é possível ver uma exposição de figuras com fenótipos africanos e indígenas de autoria da Diretora. A exposição não é permanente neste espaço, pois é exibida também em outros espaços da escola.
Figura 3 – Corredor interno na Casa
Fonte: Escola Vila. Pagina do facebook (2012).
Abaixo estão imagens da sala de aula do Infantil V vista de diversos ângulos, onde é possível notar a disposição das crianças em grupos (ver figura 4), um mural com informações sobre o projeto que está sendo trabalhado, e uma estante (figura 5) onde ficam disponíveis
130 para as crianças brinquedos e material didático. A disposição dos brinquedos foi alterada para que ficassem nas prateleiras mais baixas, ao alcance das crianças.
Figura 4 – Sala do Infantil mural e grupos V Figura 5 – Estante Infantil V
Fonte: Escola Vila (2012) . Site da Escola
Figura 6 – Sala do Infantil V Figura 7 – Sala do Infantil V Entrada
Fonte: Escola Vila (2012). Arquivo da autora
As figuras 8 e 9 apresentam as salas de música e de corpo, num momento de atividade. Na sala de música ressalta-se a grande representação de um flautista negro na parede.
Figura 8 – Sala de música Figura 9 – Sala de corpo
Fonte: Escola Vila (2012). Arquivo da autora Fonte: Escola Vila (2012). Arquivo da autora
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Fonte: Escola Vila (2012). Arquivo da autora Fonte: Escola Vila (2012). Arquivo da autora A sala do 1º ano é apresentada na figura 10 em dois ângulos. Nas paredes figuram as responsabilidades das crianças, bem como os grupos das quais farão parte durante o mês,
além de um mural com informações sobre os projetos e dias da semana, meses do ano e trabalhos das crianças.
Figura 10 - Sala do 1º ano
Fonte: Escola Vila (2012). Arquivo da autora
O espaço abaixo (Figura 11) é chamado “Quintal” pela escola e “Areia” pelas crianças. É um grande pátio cheio de areia, com diversas estruturas: casinha, plataforma na árvore, um foguete, pneus, uma rede de cordas pendurada em um galho alto de árvore. Os alunos preferem o outro pátio, com bancos ou a quadra, de modo que a Areia é o espaço, por excelência, das crianças da educação infantil. Lá elas interagem entre si e as educadoras ficam, na maior parte do tempo, observando do lado de fora. De vez em quando uma educadora entra para brincar ou todas saem, cada uma para um lado, de modo que a brincadeira não pareceu vigiada.
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Fonte: Escola Vila (2012). Arquivo da autora
Há torneiras baixas do lado de fora e um outro pátio coberto, com mesas e bancos, cabendo cerca de 50 crianças. Há ainda, perto do Quintal e colado a esse pátio coberto pelo lado de fora, três torneiras baixas. As crianças frequentemente se dirigem a estas torneiras, seja para lavar a areia das mãos ou para pegar água em potes de margarina para brincar. O uso de materiais reciclados (embalagens plásticas variadas) é frequente. O contato com a natureza é muito presente, não só pela sombra das diversas árvores, mas pelos animais que ficam em frente à Areia (uma burrinha, várias tartarugas, galinhas e galo).
É importante dizer que as crianças circulam por todo o espaço da escola, tendo livre acesso à diretoria. A diretora mostrou-se também em constante diálogo com as crianças e educadoras, participando do cotidiano ativamente, relacionando-se com todos, o que significa uma flexibilização das estruturas hierárquicas, no sentido de facilitar a aproximação entre as pessoas.