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Hvorfor ble foreningen opprettet da den ble?

Outra prática que se torna comum entre usuários do YouTube é o video response - publicação de vídeos em resposta a outros. Trata-se de uma forma de conversação mediada, na qual os usuários estabelecem contato entre si, através de seus vídeos e amparados por uma rede social ciberespacial. Os vídeos respostas são normalmente vinculados a outros pela relação intertextual, isto é, por algum tipo de diálogo existente entre eles. Dentre os vídeos respostas é comum encontrar paródias, diálogos, opiniões, elogios, imitações, ou mesmo vídeos que apenas tentam aproveitar a popularidade de outros. A vinculação de um vídeo como resposta a outro configura, em princípio, uma forma de conversação entre os interatores autores dos vídeos. No entanto, essa conversação é acompanhada, não só pelos dois

interlocutores, mas também por qualquer interator que tenha acesso à página em que se encontram os vídeos.

A conversação videográfica é, assim, uma forma de interação mediada entre interlocutores. E a interação mediada, por sua vez, é aqui entendida como “aquela que implica o uso de um meio técnico – papel, fios elétricos, ondas eletromagnéticas, etc – e que possibilita a transmissão de informação e conteúdo simbólico para indivíduos situados remotamente no espaço, no tempo, ou em ambos” (THOMPSON, 1998, p.78). Portanto, a interação que ocorre no ciberespaço – ou seja, mediada por aparatos técnicos, como o computador – distingue-se primordialmente da interação face a face, por envolver indivíduos situados em tempos e espaços diferentes.

Conversar sobre e através de vídeos no ciberespaço é uma tática comunicativa de indivíduos comuns e, ao mesmo tempo, uma estratégia comercial utilizada pelo site YouTube, com o objetivo de aumentar o tráfego de dados e o número de usuários. A ambivalência de tal prática reside no fato de que ela é, por um lado, manifestação de apropriação individual de meios de produção para gerar conversações e, por outro, estratégia mercadológica de grandes corporações para aumentar a circulação de seus produtos.

Em princípio, a prática dos vídeos repostas aproxima-se da idéia de diálogo midiático, no qual as mensagens são produzidas pelos interlocutores envolvidos. Porém, como argumenta Jessie Stone26 , deve-se ter cautela na avaliação das declarações videográficas presentes no YouTube (e nelas se incluem as vídeos respostas), pois o tom em que são criadas mais se assemelha a discursos do que a diálogos.

"Conversation" is one way, delayed, or non- existent (perhaps more a series of "speech acts" not a typical "conversation" (STONE, Jessie - Site Digital Ethnographysite, 2008)

26 Pesquisadora do grupo Digital Ethnography:

De fato, as interações mediadas pelo site YouTube não podem ser consideradas conversações típicas, pois não ocorrem em tempo real e não possibilitam o contato face-a- face. Dessa maneira, antes de serem publicados, os vídeos podem ser preparados, roteirizados, editados, etc. Além disso, durante a gravação, o discurso não é feito face-a-face com o interlocutor, mas, sim, face-a-câmera, o que torna a interação mais descomprometida. Afinal, no processo de interação mediada pela câmera não ocorre o que Levinas (2004) tão propriamente denomina de epifania do rosto, ou seja, o comprometimento e a cumplicidade que se estabelece entre interlocutores, através do reconhecimento, desencadeado pela face, da humanidade do outro. Com efeito, o rosto mediado adquire certa distância ética e psicológica, na medida em que se torna uma representação suportada em um aparato técnico e, assim, não carrega consigo o mesmo comprometimento do rosto propriamente dito. Contudo, o relativo descomprometimento das interações videográficas ciberespaciais confere-lhes leveza e fluidez, em suas relações.

Um exemplo de conversações através de vídeos respostas é Because of YouTube27. Publicado no YouTube em 28 de dezembro de 2008, o vídeo, criado e protagonizado por um jovem irlandês, foi assistido mais de 340 mil vezes no seu primeiro mês e, até o dia 03 de fevereiro de 2009, detinha 175 vídeos respostas. Because of YouTube tem duração de quase 3 minutos e consiste em atuações do jovem em frente a sua câmera, intercalas com letreiros que dizem o que mudou em sua vida por causa do YouTube. Entres as frases inseridas, estão, por exemplo: por causa do YouTube eu visitei 4 países, vi 1.000 rostos e ganhei auto confiança para atuar; por causa do YouTube, agora tenho meu próprio programa de TV; entre outras. O último letreiro é um convite para que outras pessoas, que assistiram a seu vídeo, publiquem vídeos respostas para contar o que aconteceu em suas vidas por causa do YouTube.

FIGURA15– VÍDEO BECAUSE YOUTUBE E SEUS VÍDEOS RESPOSTAS PUBLICADOS NO SITE YOUTUBE, DEZEMBRO DE

2008.

O vídeo Because of YouTube funciona, pois, como um convite para que se inicie uma conversa, através de vídeos, sobre a influência do YouTube na vida de seus usuários. As respostas ao chamado vêm, na maior parte, de outros jovens, que através de suas câmeras portáteis, gravam depoimentos sobre suas relações com o site. Os comentários escritos são, também, formas de interação mediada. Neles, os usuários que produziram vídeos respostas, bem como aqueles que simplesmente assistiram ao vídeo, deixam comentários, perguntas e

sugestões. Naturalmente, nem todos os vídeos e comentários textuais são simpáticos ao vídeo principal, como aqueles que tecem críticas à geração de jovens que, trancados em seus quartos, convivem mais com pessoas virtuais que reais. A grande capacidade de armazenamento de dados do YouTube permite que todas as conversações ocorridas no site sejam instantaneamente arquivadas e possam ser consultadas por qualquer usuário.

Vale lembrar que ambos os movimentos de interação entre públicos e conteúdos têm precedentes e, portanto, não são fenômenos exclusivos da condição digital. A apropriação de conteúdos para gerar outros é bastante comum nas práticas de intertextualidade literária, como as paráfrases, pastiches e paródias. A prática do remix resgata procedimentos de movimentos próprios do modernismo tardio, como a colagem, o dadá, o grafite, o mail art, a foto montagem, e a arte processual. As “conversações” através de conteúdos, por sua vez, também podem ser identificadas, por exemplo, na prática do repente e da peleja nordestina, bem como nos vários formatos de direito de resposta garantido pela lei a quem sofre acusações através de meios públicos de comunicação. Porém, as práticas de apropriação e as conversações midiáticas presentes no YouTube adquirem um novo caráter, ao mesmo tempo massivo, já que são cada vez mais recorrentes, e pessoal, já que são executadas de forma personalizada. Além disso, são ações constituintes de uma crescente cultura digital, que se instaura através do uso de plataformas computacionais, tanto na produção quanto na exibição de conteúdos.