7. Analyse og diskusjon
7.6 Hvordan man ser for seg videre utvikling av området
Com o surgimento dos e-readers e, principalmente depois dos tablets, uma pergunta ficou cada vez mais incômoda: seria o fim do livro de papel? Entre os que diziam que sim, e aqueles que defendiam que não, a sociedade ficou no meio, alarmada com a possibilidade de perder tudo aquilo que já conhecia.
A verdade é que o tempo provou que uma instituição como o papel, que tem centenas de anos, não se derruba do dia para a noite – ele mesmo levou séculos para suplantar o pergaminho desde sua invenção, na China. Evidentemente, vivemos em um mundo muito mais globalizado e com uma velocidade de informações que promove uma agilidade de transformações como nunca se viu na história. Mas não se acaba com uma cultura estabelecida e arraigada em poucos anos. É um pensamento que Chartier defende.
Insistir na importância que manteve o manuscrito após a invenção de Gutenberg é uma forma de lembrar que as novas técnicas não apagam nem brutal nem totalmente os antigos usos, e que a era do texto eletrônico será ainda, e certamente por muito tempo, uma era do manuscrito e do impresso.106
Para os autores de livros nas duas plataformas, a convivência será inevitável. “Os livros não eram de papel! Eram de pergaminho, de rolo ou tábuas de argila, eram colunas, eram paredes no Egito. Eram livros. A gente vai perder o livro de papel? Não vai. Ele vai continuar como registro”107, afirma Lollo em entrevista. Segundo ele, seria o mesmo que dizer que o videogame acabou com o Lego. Para Cardoso, o papel não morrerá, assim como o vinil
105 SPONCHIATO, D. E-books no Brasil: agora é pra valer? Galileu, São Paulo. 106 CHARTIER, 2002, p. 8
não morreu, numa comparação com o que aconteceu com a indústria fonográfica. Para Angela Lago, as duas mídias também vão conviver por bastante tempo:
Existem dois pedidos muito claros. Um vem do leitor que está acostumado a se concentrar na leitura e que quer um livro o mais parecido possível com o que ele tem na sua biblioteca dentro do tablet, para ficar mais fácil de carregar. Esse é o pedido do leitor adulto e é de alguma forma, também, o pedido da criança que aprendeu a ler e quer continuar com a experiência da leitura como ela aprendeu. Mas o nativo digital, a criança que já nasceu no meio dessa tecnologia, tem tal fluência nessa tecnologia que as atividades interativas não a desconcentram da leitura, não interrompem a leitura e, ao mesmo tempo, fazem sentido para ela. Esses dois pedidos, o do livro que se assemelha a um jogo e do que se assemelha o máximo possível ao livro, são duas tendências que devem continuar durante algum tempo. [...] Que venha o novo e nos deixe também o que já conseguimos durante esse período de civilização. É acumulativo, a leitura vem sendo acumulativa desde o período cuneiforme.108
Ao analisar esta questão, Lollo, na entrevista concedida em 2012 para esta dissertação, retoma o exemplo do computador com videotexto que surgiu no começo dos anos 1980. “Era a grande revolução da comunicação”, disse, em tom irônico. Segundo suas lembranças e palavras, artistas da época ficaram entusiasmados com aquela que estava sendo considerada uma “tecnologia do futuro”, pois permitia que uma pessoa no Brasil conversasse com outra em Londres ao mesmo tempo. “Você podia passar um livro inteiro em apenas um dia!”, ironizou. Ele continua:
Era um troço revolucionário. E teve todo o exercício de futurismo: como será o futuro com o videotexto? Era o gene da internet, que ninguém sabia o que era e a previsão foi muito mais tímida do que aconteceu de verdade. A gente está meio nessa fase ainda. Temos aparelhos legais, que fazem coisas legais, que podem substituir ou mexer em algumas mídias tradicionais de um jeito radical. Ainda não sabemos. Vai acontecer alguma coisa? Com certeza! Mas depende de muitas variáveis.109
No entanto, para alguns teóricos, o caminho não é tão incerto assim. Para o pesquisador André Lemos, o futuro não está no papel: “Eu quero a história, não preciso do papel. Livro é o objeto no qual a história é contada. O fetiche é do objeto [o dispositivo] e da biblioteca. O livro é um arquivo, que pode estar em diversos suportes”.110 Já o professor Silvio Meira, do Centro de Informação da Universidade Federal de Pernambuco e cientista- chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), defendeu durante o 4o
108 Angela Lago em CARARO, 2013 109 LOLLO, São Paulo, 2012
110 DOURADO, T. Bob Stein participa de mesa sobre livro digital no penúltimo dia da Flica. G1, Cachoeira,
Congresso Internacional CBL do Livro Digital que, a longo prazo, muitas obras serão elaboradas apenas para o formato digital, sem equivalente no impresso. “As pessoas, eventualmente, vão imprimir um livro de papel sob demanda em algum lugar, mas isso será extremamente raro”.111
Já o americano Robert Stein, co-fundador do Institute for the Future of the Book, acredita que, de fato, o livro impresso vai apenas existir como objeto de arte, de antiguidade e item decorativo. Em entrevista para a Veja, em novembro de 2010, Stein diz que:
O futuro do livro segue em duas direções. O livro impresso se transformará em um objeto de arte. Em outras palavras, pessoas abastadas poderão comprar lindas versões de livros impressos. Eles terão mais ilustrações e servirão como um souvenir. Já a maioria dos livros terá como padrão o formato digital. Você poderá imprimi-lo, se quiser, e a leitura se tornará muito mais social e dinâmica. Quando você estiver lendo uma obra on-line, por exemplo, poderá compartilhá-la via Twitter e Facebook. Os livros serão mais emocionantes e permitirão uma conversa muito mais social entre os leitores.112
Meses depois, em julho de 2011, Stein concedeu entrevista para o jornal O Globo, explicando um pouco de seu trabalho e de suas conclusões. Ele conta que o Instituto foi criado com verba da MacArthur Foundation e se propunha estudar, a partir de 2004, o papel do editor com as mídias digitais, procurando entender como a narrativa e o discurso mudava nos novos meios. “Acredito que conseguimos entender como o mercado editorial vai evoluir. O livro será uma praça, um ponto de encontro e reunião de leitores. Não é algo que acontecerá da noite para o dia, mas chegaremos lá.”113
Sim, não mesmo. Afinal, quantos são os que ainda gostam de sentir a textura do papel deslizando sobre seus dedos, que apreciam essa relação de folheá-lo, que têm prazer em abrir páginas ao acaso como um tablet não permitiria? E mesmo quando esses leitores que foram alfabetizados com livros em se forem, é possível que o que acontece hoje na moda e no mobiliário, com o comportamento vintage, faça os livros de papel continuarem a ser objetos de consumo. Como diz Julia, “nada como sentar no seu cantinho preferido, acompanhado ou sozinho, para folhear um livro, que tem, além da história, textura, cheiro e até gosto...”.114
111 MEIRA, S. O futuro do livro e o livro do futuro – Como leremos em 2020? [vídeo da palestra realizada
no 4o Congresso Internacional CBL do Livro Digital]. São Paulo, 13 jun. 2013
112 HONORATO, R. Atual mercado de livros vai falir, diz estudioso americano. Veja, 24 nov. 2010.
113 ABOS, M. Bob Stein vem ao Brasil para congresso em que analisa uma mudança nas narrativas a partir da
revolução digital. O Globo, 25 jul. 2011.
114 SCHWARCZ, J., por e-mail, 2014